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16 XVI - Guerra de Tróia
Notas iniciais
Atena entrou no Olimpo bufando alto. Ela estava totalmente indignada com tudo aquilo.
— Atena? — chamou-lhe Ártemis. — O que há, minha irmã?
— Aquele mortal insolente! — Atena bradou. — Teve a ousadia de entregar a maça para Afrodite e...
— Calma — Ártemis levantou as mãos, em sinal de rendição. — Não estou conseguindo acompanhá-la irmã, podes falar, devagar, o que houve, desde o início?
Atena bufou, sentando-se em um banco no jardim do Olimpo. Ninfas e sátiros corriam e dançam ali por perto, mas não havia nenhum deus nas redondezas.
— Você lembra da maça de ouro? — Atena perguntou. — Na última festa que tivemos no Olimpo?
— Vagamente, o que há?
— Eu, Hera e Afrodite levamos a maça para a Terra, e perguntamos a um rapaz, maldito Paris, quem de nós era mais digna de merecê-la. — Ártemis respirou fundo, imaginando o pobre rapaz que teve que dar a maça de ouro com os dizeres “Para a mais bela” para alguma das três deusas. — Hera lhe prometeu imensas riquezas, poder e honra, eu lhe ofereci a sabedoria suprema e Afrodite, ora veja, Afrodite ofereceu-lhe a mulher mais bela do mundo — zombou ela. — E adivinha o que aquele mortal insolente escolhe?
— Ahn... Riquezas e honra? — Ártemis arriscou.
— Ah, se fosse isso! — Atena falou, com ar de quem é fortemente humilhada. — Ele escolheu “a mulher mais bonita do mundo”! Como se Afrodite pudesse dar Helena para ele!
Helena, para aqueles que não sabem, era a mulher mais bonita da Grécia, recentemente casada com Menelau, rei de Esparta. A moça possuía lindos olhos azuis como o mar grego e cachos grandes e escuros como a noite. Seu porte era de rainha mas havia bondade em seus olhos. Uma mulher por quem milhões morreriam.
— Relaxe, Atena — Ártemis lhe falou. — Você por acaso acha que uma porcaria de maça pode decidir qual deusa é a mais bela? E um mortal? Realmente se importa tanto com ele? É apenas mais um ser humano, esqueça isso irmã.
— Mas Ártemis, aquilo foi totalmente estúpido da parte dele... — Atena proferiu. — E mesmo se Afrodite lhe der Helena, você consegue imaginar a guerra que começaria? Menelau nunca daria Helena sem uma boa guerra.
— Desencane, irmã. — Ártemis riu levemente. — Afrodite enganou o pobre mortal, você verá, nada acontecerá.
— Veremos, irmã. Uma guerra está perto de começar, eu sinto — falou a deusa dos olhos tempestuosos.
— Ora, vamos, Atena. — Ártemis levantou a irmã, e elas seguiram andando. — Deixe de ter pensamentos negativos.
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— Uma guerra! — bradou Zeus, irritado de seu trono. — Uma guerra entre Gregos e Troianos!
— Meu pai, eu não sabia... — Afrodite tentou se desculpar, porém Zeus lhe cortou a fala.
— Achas que sou idiota? — Zeus perguntou, irritado com seus olhos elétricos como seus raios. — Você foi a idiota da situação, Afrodite!
— Nunca quis... — Afrodite começou, mas foi a vez de Hera de cortá-la.
— Mas aconteceu. Agora estamos em guerra por causa de sua vaidade! — Mas a própria deusa a culpava mais por estar ressentida por não ter ganho a maça de ouro.
Afrodite estava ajoelhada perante o trono dos dois soberanos, com ar de quem se arrepende por algo feito. Os quatorze deuses olimpianos estavam reunidos para olhá-la, mas aquela não era uma reunião do conselho Olimpiano, aquilo era um Conselho de Guerra. Gregos marchavam rumo à Troia, prontos para arrombar suas muralhas e acabar com sua cidade. Tudo isso pois Helena, rainha de Esparta, fugiu com Paris, príncipe de Troia. O mundo estava prestes a ver sua mais feroz guerra. Uma longa guerra que duraria por longos dez anos e varia com que até os Olimpianos escolhessem lados.
— Eu sinto muito — Afrodite implorou para seu pai. — Realmente não era minha intenção...
— Intenções não importam, Afrodite, e sim resultados — Atena falou, levantando-se do seu trono. — E os resultados, soberano pai, é que o mundo entrará em guerra em poucos dias. Troianos de um lado, gregos do outro. Temos que escolher um lado também.
Todos ficaram quietos perante as palavras de Atena. A deusa da sabedoria e da estratégia em guerra no final estava certa, como sempre.
— Por favor, pai — Afrodite pediu. — Ficamos do lado dos troianos, deixe que o verdadeiro amor vença essa guerra.
— O verdadeiro amor? — zombou Atena. — O verdadeiro amor de Helena e Menelau, espero que estejas se referindo, irmã. E não aquele que forçou a jovem Helena a se submeter, forçando-a a sentir uma paixão forte por Paris.
— Eu não posso forçar o que não há.
— Sim, a senhora pode. — Atena falou, mas não dando muita atenção para Afrodite, virou-se para seu pai. — Zeus, senhor dos céus, conceda vitória aos gregos, que por tanto tempo foram tão fieis à nós, seus deuses.
— Os troianos nos cultuam também, irmã — Apolo falou, levantando-se.
— O ponto não é esse, sobrinho — Poseidon falou, levantando-se de seu trono como o outro. — Paris roubou a mulher de um rei grego, nada mais justo do que eles irem buscá-la.
E um a um, os Olimpianos tomaram partido. E por incrível que pareça, tenho o prazer de informar-lhes que Atena e Poseidon estavam juntos nessa guerra.
Por fim, Zeus decidiu que o Olimpo não iria tomar partido nesta guerra, e anunciou que nenhum Olimpiano poderia descer até lá para lutar com os mortais.
Assim foi dado fim ao primeiro Conselho de Guerra Olimpiano da Guerra de Troia. E é claro, a própria Guerra de Troia.
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Oito anos haviam se passado desde o início da guerra. Oito anos onde milhares de soldados dos dois lados morreram cruelmente. Troianos estavam refugiados em sua cidade, cercados pelas suas muralhas. Eles saiam de tempos em tempos e travavam uma curta guerra com os gregos, antes de voltarem a se esconderem dentro de seus portões. Gregos em um acampamento, formado as margens dos mares, tentando dia após dia invadir a muralha dos troianos.
Ulisses e Aquiles eram os melhores guerreiros do lado dos gregos, ao passo que Heitor, o príncipe de Troia era o melhor do lado dos troianos.
Um a um, todos morriam. Mas nada se resolvia, porém, em um determinado momento da guerra, Aquiles se revoltou com Agamenon, general da guerra e também líder dos gregos, irmão de Menelau, determinando que ele e suas tropas sairiam de guerra até um pedido de desculpas, porém Agamenon se recusou a dar.
Após um tempo, os gregos sentiam a falta de Aquiles, pois perdiam cada vez mais homens, Pátroclo, primo de Aquiles e protegido por este, pediu emprestada a armadura de Aquiles, e este, após refletir lhe disse:
“— Quando o acampamento estiver livre dos inimigos troianos, você terá de renunciar ao desejo de obter mais glórias perseguindo e atacando a cidade de Tróia.”
E com isso, determinou que assim que Pátroclo terminasse sua luta, partiriam de volta para a Grécia.
Mas Heitor, ao ver a armadura de Aquiles, e pensando que se tratava do mesmo, matou Pátroclo com sua lança, atravessando o corpo do mesmo.
Aquiles, tomado pela raiva, voltou aos campos de batalha. Desafiando Heitor para uma batalha para ver quem era mais forte, o bravo Aquiles ou o príncipe Heitor.
A batalha não durou muito, Aquiles era protegido pela deusa Atena, ao passo que Apolo protegia Heitor, em menos de um golpe, Aquiles matou Heitor, deixando seu corpo para ser recolhido por seus pais.
Paris, tomado pela raiva, atirou, protegido pela sua muralha, uma flecha no calcanhar de Aquiles, o fazendo sangrar até a morte, porém, antes de morrer, Aquiles conseguiu forças para arrancar a flecha de seu pé a tempo de falar:
“— Malditos troianos!”
Ulisses, abençoado eternamente pela deusa da sabedoria, resgatou o corpo do mais valente de todos os guerreiros gregos, mando-o de volta para Tétis, mãe de Aquiles e filha do Mar.
Filoctetes, herdeiro do arco e das flechas de Hércules, desafio Paris para uma duelo de arco, e com um único tiro, tirou a vida do usurpador de Helena, porém, mesmo com o fim de Paris, Troia se recusou a devolver Helena.
Algum tempo depois, Ulisses teve a ideia do Cavalo de Madeira, objeto que deu fim a guerra de Troia.
Helena voltou, graças a Ulisses, para as mãos de seu esposo que lhe aceitou após um pedido de Ulisses, que pelo bem da amizade dele, Menelau perdoasse Helena que estava cega pelo poder de Afrodite.
Os gregos partem para casa, embora o próprio Ulisses demore mais dez anos para rever sua amada Penélope. Mas bem, isso é outra história.
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— Cansada, Atena? — perguntou-lhe Poseidon, ao saírem do último Conselho de Guerra, aquele que declarava os gregos vencedores da Guerra de Troia.
— Meu trabalho só terminará ao ver Ulisses em casa — respondeu a deusa da sabedoria, embora seus olhos lhe traíssem, demonstrando o quão cansada estava.
— Vá dormir, amanhã cuidará disto.
— Não preciso que me dê ordens, Poseidon.
— Não faria mal em cumpri-las. — O deus dos mares falou, sorrindo fraco para a deusa.
Atena riu e por um longo tempo os dois apenas ficaram se olhando nos olhos, como se nada mais pudesse acontecer. O sentimento bom de terem lutado durante dez anos do mesmo lado prevaleceu através da péssima sensação de que nunca poderiam dar certo juntos.
— Quando isso tudo acabar — Atena falou, com as pálpebras pesando com o sono. — Me convide para conhecer o mar.
E assim, a deusa da sabedoria partiu para o mundo dos sonhos, quase caindo ali mesmo, no meio do Olimpo, se não fossem as mãos do deus do mar para segurá-la e levá-la até o lugar mais confortável que conseguia pensar para a deusa. A biblioteca.
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