'Till the end of the Line
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Minutos depois...
Ao perceber a minha presença, Steve abre um leve sorriso no rosto, até mesmo um pouco tímido eu diria. Retribuo o sorriso obviamente, e me aproximo aos poucos.
– Obrigada por me deixar usar o seu banheiro. – Falei.
– Não precisa me agradecer por isso. – Disse ele.
Olho ao meu redor admirada com a simples, porém linda decoração do lugar, alguns móveis em um tom rústico davam um verdadeiro charme diferenciado a casa.
– Sua casa é bonita. – Elogiei.
– Não se lembra, não é? – Steve colocou seus olhos sobre mim. – Já esteve aqui. – Disse.
Me doeu ver o quanto minha dificuldade em lembrar certas situações o machucavam, mesmo sem ter lembranças nítidas do que tivemos, ou deixamos de ter, ou que até mesmo viriamos a ter, sabia que estava diante de alguém importante para mim. Importante o suficiente para que apenas o seu toque me fizesse enxergar quem realmente eu sou.
– Me desculpe, eu não consigo me lembrar de muito. – Falei. – Parte de minhas lembranças são apenas imagens desfocadas. – Acrescentei. – Me lembro de alguns nomes, rostos, do que exatamente eu faço, mas até mesmo essas lembranças não são fortes dentro de mim.– Completei. – Me desculpe...
– Não, não me peça desculpas. – Steve se aproximou, pôs um de seus braços sobre meus ombros e me direcionou até o sofá. – Você tem razão, eu não posso mentir para você. – Disse ele, sentando-se em um dos sofás e me convidando a sentar em outro.
– Acho melhor vestir algo primeiro. – Steve apontou para o quarto onde fiquei.
– Vai encontrar roupas secas em cima da cama. – Falou ele.
Caminhei na direção do quarto logo dando de cara com as roupas que Steve me falara, sobre a cama. Rapidamente me vesti, penteei os cabelos ainda molhados e segui para a sala mais uma vez.
– Disse que a H.Y.D.R.A me usou como ponte para um projeto, qual? – Pergunto assim que retorno.
– Fury me mandou essas fichas. — Steve falou.
Ele me entrega em mãos uma papelada, a qual em seu interior possuia um nome, S.H.I.E.L.D. Juntamente com um símbolo, que não perdi meu tempo em acariciá-lo.
– Você lembra? – Perguntou ele. – Você lembra do que fazemos parte?
– Creio que o suficiente. – respondi.
Cuidadosamente começo a folhear aqueles papéis, tento compreender o que estava escrito porém ficava mais confusa a cada folha passada.
– Chama-se projeto Beta. – Disse Steve. – Um antigo projeto que estava arquivado pela H.Y.D.R.A
– E em que consiste? – Pergunto.
– Na criação de aprimorados. – ele respondeu. – Experiências genéticas em humanos afim de transformá-los em verdadeiras armas para combate.
– Espera, – fechei abruptamente a pasta com os dados que Steve me dera. – Então eu fui mesmo usada como cobaia? – Pergunto.
Steve olha de um lado para o outro, percebi que estava tentando ser forte, mas eu notava a dor estampada em seus olhos, era como se estivesse sendo estraçalhado por dentro.
– Por favor, – me ajoelhei perto dele segurando suas duas mãos e direcionando-as a meu coração, já com os olhos marejados. – Eu daria tudo para que isso não passasse de um pesadelo, mas infelizmente não é então me diga, o que fizeram comigo, Steve?
– Estão chamando-a de Alpha, o ápice do projeto Delta. – Falou. – Eles apagaram suas principais lembranças, – Continuou. – A transformaram em uma guerreira perfeita.
Steve falava olhando dentro dos meus olhos, as vezes eu tinha que desviá-los para que não percebesse o quanto me esforçava para reprimir as lágrimas.
– Na luta em Nova Iorque, por diversas vezes tentei fazer você lembrar, mas você estava tão insandescida, sequer me ouvia...
– Eu lutei contra você? – O interrompi, e voltei a encará-lo.
– Não só contra mim. – Steve lamenta.
– Como passei a lembrar? – Pergunto.
– Uma equipe de cientistas que trabalham para a S.H.I.E.L.D desenvolveram uma fórmula que anula parcialmente os efeitos de uma lavagem cerebral. – Falou. – Eu injetei em você e em seguida você desmaiou em meus braços, fazendo com que aqueles que lutavam ao seu lado recuassem. – Finalizou.
– Lavagem cerebral...– Eu que estava abaixada próximo a Steve, levanto-me rapidamente ao ouvir tais palavras. – Então é por isso que me recordo apenas de pouquíssimas coisas.
– Todas as suas memórias retornarão com um tempo. – Steve foi até mim.
– E se não voltarem? – Perguntei. Assim que virei para visualiza-lo, o mesmo já se encontrava muito próximo a mim, nossos corpos chegaram a se tocar.
– Elas vão voltar. – Disse ele. – Enquanto isso criaremos novas recordações. – Ele acaricia meu rosto, fecho os olhos ao sentir seu toque, e meu corpo é tomado por um arrepio.
– Não aceitava a ideia de ter perdido você. – Sussurrou.
Me afastei, senti que minhas bochechas coraram imediatamente ao ouvir o que Steve dissera. Todo o momento, o nosso momento, foi interrompido quando o telefone celular de Steve começou a tocar.
– Sim. – Disse ele ao atender. – Sim, ela está bem. – Sorriu discretamente para mim. – Okay, estamos a caminho. – Finalizou a chamada.
– Querem minha presença? – Pergunto.
– Sim, – ele respondeu. – Precisam ver se está realmente bem.
– Não vamos decepcioná-los então. – Falei. – Retorno rapidamente ao quarto, ponho uma jaqueta que estava sobre a cama e vou de encontro a Steve novamente. – Vamos?
O mesmo me fitou por inteiro, o que me deixou um pouco desconcertada. De repente ele abriu um leve sorriso, que retribuí sem pensar duas vezes.
– Vamos nessa!
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