Tilintar.
19 Que venha a liberdade...sem solidão.
Notas iniciais
Jim chorou como uma criança sobre o corpo de Alone arrependendo-se amargamente do dia em que conhecera Minos e de como se deixou envolver por sua beleza e sensualidade. Do dia em que deixou sua vaidade falar mais alto e principalmente dos dias em que não deu ouvidos a pessoa que sempre esteve ao seu lado. As lembranças da infância e momentos de carinho oscilavam com força em sua mente causando espasmos violentos pelo choro compulsivo. Suas unhas cravadas na camisa preta de algodão, do agora falecido, exerciam tanta pressão na mesma chegando a perfurá-la, assim como gritos de dor e angústia saiam sem controle de sua garganta.
Alone estava morto e nada mais poderia mudar isso, ninguém no mundo poderia mudar o que aconteceu. Degel em um ato de autodefesa acabou por sem querer cravando a mesma lâmina que “Hades” havia usado para matar seus pais e outros no abdômen do mesmo.
Não culpava o francês, mas nunca, nem mesmo quando mencionou a hipótese de cortar a garganta de Alone ela jamais queria que as coisas chegassem a tal ponto. A imagem dos olhos azuis que já não via há anos oscilava em sua mente de forma torturante. Era óbvio que ele não estava em seu estado normal. Era mais do que óbvio que havia muito mais coisa do que realmente aparentava. Ela sempre souber que Alone jamais em sua sã consciência faria mal a uma formiga...
Mas a perguntava era: Por que? Como e quando a figura que se auto intitulava o senhor do inferno havia se manifestado em Alone?
Hakurei do lado de fora olhou para Degel que estava recostado no espelho deixando-se escorregar até o chão. A mão suja pelo sangue de Alone, agora seguravam o corte enorme em seu braço. Aquilo devia estar doendo horrores. Fora a dor psicológica de ter matado alguém mesmo em defesa. O investigador desceu as escadas do lado de fora, caminhando pelo jardim e vendo na porta de vidro Radi em pé com uma patinha apoiada no vidro e a outra encolhida choramingava baixinho enquanto olhava a movimentação da casa com curiosidade e aflição. Hakurei aproximou-se e recebeu um olhar cabisbaixo do bichinho e em seguida abriu a porta, dando acesso a ele e ao cãozinho que correu em direção a Madellene.
– Oh pobrezinho. – Madellene pegou o cãozinho no colo e esperou Hakurei se aproximar. – E então?! Jim e Degel...como eles estão? – Perguntou aflita.
– Alone está morto. – Fez uma pausa onde respirou fundo. — Degel está ferido, mas não acho que seja grave. Assim como Jim . – Hakurei caminhou até a porta abrindo-a e dando de cara com os gêmeos que não perguntaram nada e quando Hakurei acenou para que pudessem entrar eles não pensaram duas vezes, passando por si e Madellene rapidamente, assim como uma equipe de paramédicos.
Um dos médicos foi em direção a Degel, fazendo os primeiros socorros e lhe envolvendo em um cobertor. Com cuidado ajudaram-no a ficar de pé e a caminhar para a saída do quarto, mas antes de sair ele trocou olhares com os gêmeos que agora confortavam Jim – mais precisamente Aspros — que ainda estava bem nervosa. O francês antes de sair olhou cabisbaixo para ela que mantinha os olhos fechados e o rosto apoiado no peito do gêmeo mais velho e acariciou devagar os cabelos macios.
– Eu sinto muito Jim. – Sussurrou e saiu sendo guiado pelo paramédico.
Aspros apoiou o rosto no topo da cabeça de Jim sentindo o coração em frangalhos. Odiava vê-la chorar, assim como Defteros que compartilhava do mesmo sentimento que o irmão. Ele aproximou-se e por fim uniu seu abraço ao do irmão, mantendo a garota entre os dois e sentindo o corpo dela tremular pelo choro.
– Shiiii...acabou Jim. – Defteros deu um beijo suave na bochecha dela.
– Está livre agora. – Completou Aspros, fazendo a ruiva finalmente abrir os olhos. O mais velho levantou o rosto sujo de sangue e o limpou com um lenço branco e em seguida deu um beijo suave em sua testa. Mirou os orbes verdes por alguns segundos secando as lágrimas que ainda desciam. – Está livre agora. O pesadelo acabou. – Jim manteve os olhos presos nos de Aspros refletindo no que ele havia acabado de dizer. Realmente ainda não havia pensado nisso. Estava tão presa em suas lembranças que nem havia pensado que finalmente estava livre. Livre daquele pesadelo que sua vida havia se tornado. Livre parar ir e vir sem se preocupar, falar com quem quisesse e ter quantas amizades bem entendesse. Poderia voltar ao Japão e rever suas amigas e principalmente Asgard.
Jim deu um leve sorriso que foi retribuído por Aspros que a envolveu novamente em um abraço junto com seu gêmeo mais novo.
– Vamos levar você pra casa agora okay?! – Disse Defteros dando um novo beijo nela.
– Senhores! – Disse um jovem médico ao se aproximar. – Ela precisa ir ao hospital. Precisa fazer alguns exames, ela sofreu um corte no rosto e esse sangue todo...
– Não é meu. – Interrompeu Jim.
– Oh! Menos mal então, mas mesmo assim é melhor. Você pode ter sofrido alguma lesão e ainda nem se deu conta disso. – O médico estendeu um cobertor a Jim, mas quem o pegou foi Aspros.
– Tudo bem é melhor mesmo. – Disse o gêmeo mais velho envolvendo-a com o coberto e seguindo com ela, Defteros e o médico.
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Akemi espreguiçou-se gostosamente, sentindo seus ossos estalarem e os músculos reclamarem. Não soube dizer se fora pelo atentado de Alone ou se pela noite mais quente e satisfatória que já tivera em sua vida. Tentou abrir os olhos, mas a luz do sol que invadia timidamente seu quarto foi como agulhas a perfurarem seus lindos olhos azuis celestes. Soltou um resmungo incomodado enquanto levava a mão para protegê-los e quando eles se acostumaram ela pode ver enfim a figura máscula largada em sua cama expondo completamente sua nudez.
Um dos braços no topo da cabeça enquanto o outro descansava sobre o peito. O rosto que antes possuía um semblante cafajeste e sedutor, agora lembrava mais um menino inocente. Se alguém lhe dissesse que Manigold Fortini dormia como um anjinho ou como um menino doce e inocente, totalmente o inverso do seu dia a dia jamais acreditaria e como já dizia um velho ditado: “É preciso ver para crer.” O peito forte e bem desenhado pelos músculos subia e descia devagar pelo ar que entrava pelos lábios entreabertos inflando seus pulmões. O fino lençol branco enrolado em uma de suas pernas era a única coisa que o protegia naquele momento, deixando exposto todo o resto e principalmente sua virilidade nada singela. A loira correu seus olhos pelo belo espécime italiano observando cada detalhe daquele corpo semi-iluminado pelo tímido sol daquela manhã. Os olhos azuis desceram e se prenderam curiosos nas partes baixas do agora “menino” italiano.
“Hum...olha só, o famoso tesão matinal.” – Pensou fazendo um biquinho. – “Tentador.” – Completou seus devaneios com uma mordida safada no canto esquerdo do lábio.
Fechou os olhos respirando fundo e bem devagar se afastou e sentou-se, soltando um resmungo baixo juntamente com uma careta de dor. “– Ai! Droga sabia que não devia ter feito isso. Como eu fui deixar ele me convencer?”– Pensou levantando-se dolorida, olhando por cima dos ombros e observando-o novamente. “– Ora que pergunta idiota. É só olhar para ele.” – Revirou os olhos caminhando em direção ao banheiro onde se atirou embaixo da água morna, deixando-a levar todo o suor e cheiro de sexo da noite anterior.
– Droga estou toda dolorida. Não sei se me arrependo ou se fico feliz. Feliz! Isso! É melhor ficar feliz! Aiiii... mas uma coisa realmente tenho que admitir...por Zeus ele é maravilhoso! Onde será que aprendeu a...a fazer assim tão...gostoso e tão bem? Não! Melhor nem saber, foi... foi tão...incrível que não quero estragar essa sensação pôs sexo mega bem feito! Ah...nossa e como foi. Fazer sexo é sempre bom, mas com ele foi indescritivelmente melhor. Agora eu entendo perfeitamente porque aquelas vadias correm tanto atrás dele. Ele é tão carinho e ah Deus os beijos e...e aqueles dedos?! Pelos deuses como pude resistir tanto tempo? Será que ele faz isso com todas? Aiiii...meu Deus não sei se estou fazendo a coisa certa, não é que eu não queira é só que...
Akemi fora arrancada de sua reflexão pelo som estridente do celular do italiano. A loira abriu os olhos rapidamente, passando a mão pelos cabelos encharcados e fixando sua atenção no som que vinha do quarto. Ouviu quando Manigold resmungou alguma coisa que provavelmente era um palavrão e em seguida o som do objeto cessou. A loira rapidamente desligou o chuveiro e envolveu-se em uma toalha. Estava morrendo de curiosidade em saber quem estava ligando àquela hora, mas daquela distância não conseguia entender absolutamente nada do que ele dizia.
Caminhou sorrateira até a porta do banheiro onde ficou observando somente com um dos olhos o canceriano caminhar nu até a janela onde apoiou um braço sem se importar nem um pouco se alguém pudesse vê-lo. Akemi sentiu vontade de esganá-lo por se expor assim, mas engoliu a seco e contentou-se somente em observar.
– Jura?! No estou acreditando. – Disse ele dando uma gostosa gargalhada no final. – Então vou dar uma passada aí no nosso ninho mais tarde. – Completou dando uma piscada na direção da janela e um sorriso torto.
“Canalha está flertando dentro da minha casa depois de passar a noite me fodendo?!”
Akemi bufou de ódio. Não era possível que aquele carcamano estava realmente flertando nu em sua janela. Engoliu os espinhos da irritação a seco e devagar saiu do banheiro usando somente um “mini roupão”. O som de seus passos finalmente chamando a atenção de Manigold que olhou para si de cima a baixo e sorriu malicioso enquanto seus olhos corriam pelas belas pernas à mostra voltando em seguida a olhar pela janela. A loira não resistindo, aproximou-se mais, mas mantendo uma distância razoável.
– Okay, vou pensar e vê se te cuida! – Despediu-se virando totalmente para a loira que mantinha os braços cruzados e o olhar sério.
Ficaram assim durante alguns segundos; ele esperando que ela perguntasse o que ele já sabia e ela esperando que ele dissesse o que ele já sabia que ela queria saber.
– Pergunta logo que quer saber ragazza. – Ele disse quebrando o silêncio.
– Se você sabe o que quero saber então porque você não me diz? — Manigold sorriu de lado fazendo a loira bufar de irritação e frustração. Sem mais, deu as costas para ele e quando tencionou a se afastar sentiu os braços dele rodearem seu corpo e prenderem seus braços no abraço fazendo-a colar junto a ele. Akemi estremeceu com o contato, mas não demonstrou mantendo-se firme na tarefa de se afastar.
– Para Manigold. – Pediu melancólica.
– Pergunta vai?! – Pediu com a voz carregada pelo sotaque bem ao pé do ouvido fazendo até o último fio de cabelo dela se arrepiar.
– Não. – Balbuciou em resposta remexendo-se um pouco na tentativa de se afastar...ou quem sabe se “acomodar” mais?!
– Oh no seja mau criada bella. – Ironizou passando a ponta da língua no lóbulo da orelha dela que não resistiu.
– Quem era a vagabunda? – Perguntou suspirando no final. Ele sorriu satisfeito.
– Hum... está com ciúmes bella? – Mordiscou o lóbulo e em seguida o sugou devagar. Ela não respondeu. – Sabia que fica ainda mais linda com essas bochechas vermelhas de ciúmes e de raiva?
– Quem era Manigold? Quem era a vadia que estava com você no telefone? – Akemi forçou o corpo para frente na tentativa de sair dali. Seria muito promíscua se cedesse a ele logo após flagrá-lo flertando bem ali embaixo de seu nariz. Manigold sorriu apertando ainda mais o abraço e fazendo sua respiração se chocar ainda mais quente e forte conta o pescoço arrepiado dela.
– A vadia que estava falando comigo era o Kardia. Aquela putinha me ligou para contar que Degel enfiou uma faca na barriga daquele moleque miserável. – Akemi engoliu em seco com a revelação bombástica da morte de Alone e rapidamente virou-se de frente a ele. – O francês metido a besta matou o figlio della puttana.
– O que? Degel...Degel matou Alone? – Perguntou sem conseguir acreditar.
– É...pelo que a vagabunda do Kardia me disse sim. Ele no pode me contar mais do que isso, mas ele recebeu alta hoje bem cedo e o Degel e o Shion foram buscá-lo. Pensei que a gente podia dar uma passada na casa dele mais tarde, o que me diz?! – Disse dando um selinho nos lábios entreaberto da loira que mal conseguia acreditar que o pesadelo havia acabado.
– Mal posso acreditar. – Sussurrou mais do que propriamente disse enquanto Manigold distribuía pequenos beijos pelo rosto surpreso.
– Nem eu, mas foi bom assim. – Disse somente continuando a tarefa dos beijinhos que foram descendo até o colo da loira que quase deu um pulo quando ele mordiscou um dos seios.
–Ei?! Eu não terminei. – A loira empurrou o italiano pelos ombros que revirou os olhos a contragosto
– Ai bella o que mais você quer saber? – Perguntou sem muito interesse
– Eu vi você piscando para alguém da janela. – Akemi fez um muxoxo e cruzou os braços fazendo o canceriano soltar uma gargalhada.
– Va bene bella, vem cá que io vou te mostrar. – Manigold rodeou o corpo esguio ficando atrás dela e segurando em seus ombros a guiou até a janela. – Para ela. – Mostrou afastando um pouco a cortina e quando Akemi viu a figura bizarra que passeava com seu cão quase caiu dura.
– Manigold! – Berrou fechando rapidamente as cortinas.
A figura gorda, de seios enormes e uma verruga no queixo era nada mais do que Anastácia, a “adorável” síndica do pequeno condomínio de casas onde morava e que por sinal odiava a loira com todas as letras. Manigold caiu na gargalhada com a loira a distribuir tapas em si que tentava se defender como podia.
– Eu não acredito que você fez isso seu...seu carcamano, cafajeste, canalha. Como pode flertar com ela? Ela é um horror e me odeia. – Akemi empurrou o canceriano na cama, sentando em seus quadris sem cessar a sessão de tapas e socos enquanto ele não conseguia parar de rir.
– A bella ela ficou com uma cara quando me viu nu na janela que não consegui resistir, scusa vá?! – Pedia em meio ao riso enquanto a loira distribuía tabefes.
–Seu...seu...cafajeste! Cara de pau! Não sabe o problema que me arranjou.
Manigold gargalhava gostosamente, tentando se proteger dos ataques de sua bella. Adorava aquele jeito arredio, a forma como dizia não ao mesmo tempo em que seus olhos diziam sim o enlouquecia, amava vê-la irritada, sempre fez por onde dela estar sempre assim porque no fundo gostava e agora mais do que nunca tinha certeza disso.
Por fim ele segurou os pulsos finos girando com ela na cama e a jogando na mesma. Ofegante Akemi nem se quer tencionou a resistir, deixando que ele olhasse dentro de seus olhos e tomasse sua boca com desejo e carinho, buscando sua língua com habilidade. Apartou o beijo quando sentiu que a loira já estava perdendo o fôlego.
– Bobo. – Sussurrou ofegante.
– Gostosa. — Devolveu.
– Cafajeste.
– Você não vai conseguir me irritar bella. – Fez uma pausa deixando seus olhos dançarem pelo rosto rubro. — Minha bella. – Acariciou o rosto. – Ti amo e sono solo tuo.– Fez uma pausa. – No duvide. — Completou tomando novamente os lábios dela.
– Eu também te amo seu carcamano.
Akemi sorriu envergonhada pela declaração para em seguida deixar-se levar pela dança dos lábios dele, a dança ao qual havia se apaixonado e que era uma doce e tentadora loucura.
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Jim sentia sua orelha ser bolinada por algo quente e molhado. Movimentando-se rápido, descia de encontro a seu pescoço e voltava novamente ao ponto de partida. Soltou um resmungo descontente, mas por conta do sono e cansaço não conseguiu abrir os olhos. A “coisa” quente e molhada encharcava seu ouvido de forma nada agradável até que por fim ela protestou:
–Hum... para Degel isso é nojento. – Jim sem abrir os olhos movimentou o ombro em direção ao ouvido sentindo que o incomodo havia cessado e então voltou a dormir. Depois de alguns segundos de sossego, sentiu novamente a coisa quente e molenga agora invadir suas narinas e correr direto para sua boca fazendo enfim que abrisse seus olhos.
– Ahh não Radi! – Jim resmungou enquanto tentava afastar o cãozinho. – Eu nem escovei os dentes e você já quer um beijo de língua logo de manhã?! – Envolveu o bichinho em um abraço fazendo o mesmo se debater e esticar a linguinha para continuar a lamber o queixo da sua “humana”. – O Degel não vai gostar nem um pouco de saber que você tem roubado beijos meus dessa maneira. – Completou sorrindo enquanto continuava a receber o carinho sincero de Radi que abanava o rabinho sem parar.
– Com certeza ele não irá gostar nem um pouco.
O dono da voz já conhecida por Jim chamou sua atenção e com um andar predatório que era seu por natureza foi devagar em sua direção. Ela franziu um pouco o cenho enquanto seus olhos dançavam sobre a figura imponente que agora sentava ao seu lado bem devagar.
– Não acredito que está confusa. – Disse ele. Jim deu uma risada anasalada e se acomodou melhor na cama com Radi ao seu lado, apoiando as costas na cabeceira e assim ficando de frente para ele.
– Quantas vezes eu já confundi vocês? – Perguntou enquanto abraçava os próprios joelhos e se aproximava um pouco, segurando uma mecha do cabelo dele entre os dedos.
– Algumas vezes...no início. – Fez uma pausa. – Mas você aprendeu rápido. – Completou.
Jim sorriu desviando o olhar por alguns segundo e em seguida voltando ao encontro dos verdes dele.
– Como se sente na manhã do seu primeiro dia de liberdade? – Perguntou levando o indicador ao corte avermelhado e com sete pontos de sutura.
– Estranha. – Respondeu com descaso.
– Estranha? Mas de que maneira? – Jim mordeu o canto inferior dos lábios ao mesmo tempo em que desviou o olhar. Ele percebendo o desconforto dela, levou uma das mãos ao rosto triste guiando os olhos verdes a se encontrarem com os verdes seus. – Estou esperando.
– Defteros... eu... – Fez uma pausa respirando fundo. – Me sinto triste pela morte de Alone...na verdade me sinto horrível por isso mesmo sabendo que não deveria e agora que ele está...morto eu fiquei pensando que...que você e Aspros assim como eu também estão livres, mas nesse caso...vocês estão livres de mim. – Confessou triste. Defteros franziu o cenho, mas mantendo um sorriso interrogativo. – Agora que acabou vocês não tem mais porque ficarem presos a mim. Vocês podem descansar finalmente.
– Então você está se sentindo estranha porque acha que com a morte de Alone, eu e Aspros iremos deixar você de lado para tirar férias no Caribe é isso?! – Defteros perguntou com a voz carregada de ironia fazendo Jim franzir o cenho.
– Defteros eu estou falando sério.
–E eu também Jim. Eu e Aspros nunca fizemos nada por mera obrigação até porque não tínhamos nenhuma. Fizemos tudo porque amamos você e porque queríamos te ajudar da melhor maneira que podíamos. Tudo que fizemos foi porque queríamos fazer. – Defteros segurou o rosto de Jim entre as mãos olhando fundo nas esmeraldas. – E no final, quem resolveu tudo, quem te deu realmente uma nova chance não foi eu e nem Aspros...- Fez uma pausa. – Foi Degel...e por pior que seja para mim ter que admitir isso, ele cuidou melhor de você do que qualquer um de nós. – Acariciou o rosto dela. – Enquanto eu e Aspros afastávamos você das pessoas acreditando que estávamos lhe dando uma nova oportunidade, ele encarou o problema de frente, não escondeu você e estava lá por você. Ele sabia que Alone iria até você uma hora ou outra e ele queria estar lá e ele estava. E...como um bom cavaleiro...ele matou Alone...e ele sim lhe deu uma nova chance. – Defteros tocou com carinho os lábios trêmulos de Jim observando saudoso aquele pedaço de carne avermelhada. – Eu tenho inveja dele Jim...mas ao mesmo tempo tenho a certeza que ele é a pessoa certeza. – Sorriu sendo correspondido por Jim que o puxou para um abraço carinhoso e apertado.
– Eu te amo... obrigada por tudo. – Jim sussurrou de olhos fechados e a testa unida a dele que respirou fundo, sentindo o coração mesmo partido se apartar dentro do peito com aquele pequeno gesto.
– Eu sei. – Sussurrou de volta para em seguida olhar novamente o rosto dela.
Radi que cochilava ao lado de Jim ao sentir de longe um cheiro familiar levantou-se rapidamente e caminhou até os pés da cama onde sentou e observou por alguns instantes a porta. Em seguida o bichinho se aproximou de Jim e Defteros onde apoiou as duas patinhas na coxa dele.
(Ei... essa humana é minha, acho melhor você parar com isso. Já não basta ter que dividi-la com aquele humano mal humorado. Ei eu estou falando com você.).
Defteros observou com carinho o sorriso de Jim e acariciou seu rosto.
– Eu também amo você minha linda flor de cerejeira. – Deu um beijo na ponta do nariz fino.
(Ei acho melhor você parar com isso, se ele aparecer aqui pode não gostar nem um pouco dessa intimidade entre vocês.).
E como Radi já havia pressentido um Degel com o semblante sério surgiu na porta do quarto. Uma das mãos segurava com firmeza a maçaneta enquanto a outra era escondida pelo bolso da calça. Um nó formou-se em sua garganta de tal forma que mal conseguiu respirar, e por mais que repetisse a si mesmo que Jim era sua somente, Defteros ainda conseguia fazer seu coração doer em aflição e ciúmes. O grego não fazia a menor questão de esconder seus sentimentos por ela que aos olhos do francês também não fazia questão de evitar, lógico, na visão de um francês bem enciumado. Sabia ainda mais depois de tudo que ela o amava com todo seu ser, mas mesmo assim não conseguia evitar se sentir extremamente desconfortável quando o assunto era Defteros e Jim sozinho em qualquer lugar do planeta. Afinal o grego “boa pinta” era nada mais e nada menos que o ex de sua Jim o que era muito, mas muito irritante para Degel.
Radi ao ver Degel, voltou para a beira da cama dando um latido fazendo Jim e Defteros despertar do transe em que se encontravam. A ruiva olhou para o amado sem jeito, pois sabia do desagrado dele em relação à Defteros. O grego vendo a feição séria do “rival” sorriu debochado, dando um último beijo na testa de “sua sakura” e levantando-se em seguida.
– Atrapalho? – Perguntou Degel friamente. Defteros deu uma risada anasalada. Sabia que de nada adiantava bater de frente com o francês, mas no fundo amava a sensação de desconforto que causava no mesmo.
– E como. – Respondeu caminhando na direção do outro.
– Que bom. Fico feliz por isso. – Devolveu Degel sem perder a altivez.
– Imagino o quanto Degel. – Devolveu o grego.
– Defteros. – A voz grave de Jim repreendeu o grego que somente lhe lançou um olhar por cima dos ombros.
– Bom...para ser sincero Degel você me atrapalhou sim, mas não precisa se preocupar porque já estou de saída. – Defteros passou por Degel quase esbarrando em si e quando segurou na maçaneta, lembrou-se do que realmente havia ido fazer ali. – Ah! Antes que eu me esqueça...Aiacos está voltando para o Japão amanhã de manhã para tentar esclarecer algumas coisas que ficaram pendentes. Achei que você deveria saber disso Jim. – Fez uma pausa olhando de Jim para Degel que permaneceu imóvel. – Agora se me derem licença. – Disse saindo em seguida.
Degel bufou olhando para a porta que fechou com delicadeza atrás de si, às vezes sentia vontade de esganar Defteros pela ousadia e teimosia em sempre dar descaradamente em cima de Jim. A ruiva sorriu e caminhou até o francês que fixou seus olhos nos pontos no rosto dela.
– Ele faz isso só para te irritar. – Degel respirou fundo desviando por um segundo os olhos violáceos para os verdes, para em seguida fitar novamente o corte no rosto dela que corou envergonhada.
– Eu sei. — Respondeu somente.
Jim mordeu o lábio inferior observando o semblante sério do francês que fitava meticulosamente seu rosto sem esboçar nenhuma reação. O olhar frio e a expressão fechada, as sobrancelhas arqueadas dando um ar sexy ao olhar gélido por natureza, os lábios finos e bem desenhados que por mais que já tivesse os provados eram sempre convidativos para si. Deixou seus olhos puxados pousarem ali por alguns segundos, se deleitando em cada detalhe daquela parte de Degel que fazia a sua boca encher-se de água, da mesma forma quando via seu doce predileto. O ato que não passou despercebido por ele que sorriu por dentro satisfeito com os efeitos que sabia causa em Jim, mesmo que inconscientemente e isso era bom...era agradável. Gostava disso...do fato de vê-la desejar seus lábios de uma maneira quase urgente e mesmo que tentasse esconder, seus olhos não conseguiam.
– Por que está me olhando desse jeito chérri? – Jim deu um suspiro e enfiou a mão na franja farta e em seguida abraçou o próprio corpo em um gesto puramente infantil.
– Por que...eu estou com uma vontade horrível de te beijar, mas não sei se devo porque eu sei que está bravo comigo por causa de Defteros. – Degel manteve a mesma expressão, mesmo aquela simples revelação era capaz de fazer suas bochechas esquentarem e seu corpo tremer de ansiedade. Amava Jim e isso era incontestável.
– Eu jamais descontaria minha irritação pela ousadia de Defteros em você Jim, apesar de que acho que você non ajuda muita. – Confessou.
– Ah Degel não aconteceu nada. – Disse se afastando e sentando na cama. – Onde você estava? Acordei e você não estava aqui. Talvez se estivesse nada disso teria acontecido.
– Está colocando a culpa em mim? – Degel questionou erguendo uma das sobrancelhas.
– Ah Degel...não acredito que estamos discutindo isso? Estou péssima com tudo que houve ontem e agora estamos discutindo porque Defteros dá em cima de mim para irritar você?! – Fez uma pausa sentindo os olhos arderem. Era típico de Degel agir com frieza, já estava acostumada com o jeito dele, mas com tudo que havia acontecido no dia anterior seu psicológico não estava para rompantes de ciúmes...não naquela hora.
– Vem cá ange. – Disse Degel sentando ao lado dela e envolvendo-a em um abraço. – Non precisa chorar oui. – Disse olhando os olhos verdes marejados.
– Onde você estava? – Perguntou de novo.
– Eu fui com Shion buscar Kardia no hospital. Ele recebeu alta cedo e achei que deveria busca-lo. Non te acordei porque achei que voltaria antes de você acordar por conta do calmante de ontem... e também eu precisava acertar umas coisas com ele sobre a minha mudança. – Degel deixou seu indicador contornar a face de Jim que franziu o cenho sem entender a ultima frase.
– Sua mudança? Como assim? – Perguntou.
– Minha casa está interditada Jim e mesmo que non estivesse eu non quero mais morar lá, eu nem conseguiria mais depois de ontem, então eu decidi morar com Kardia até consegui um apartamento para alugar enquanto você fica com Aspros.
Jim arregalou os olhos sem acreditar no que ouvia. Então ele havia decidido onde iria morar sem nem ao menos lhe consultar ainda mais depois de tudo? Depois do tempo em que viveram juntos? Então seria assim...Cada um em seu canto depois que tudo fosse resolvido? Sua companhia para ele era só enquanto Alone estivesse por aí e justo agora que as coisas haviam começado a se acertar ele a deixaria? Estava certo. Ele estava certo em querer novamente sua vida de volta, havia ficado praticamente confinado desde quando passou a morar na casa dele. Degel era reservado e gostava de privacidade e com certeza ele querer de volta não devia ser nenhuma novidade. Engoliu o choro se afastando.
– Eu vou comprar outra casa, mas essas coisas demoram, então pensei em alugar um apartamento, mas sinceramente non sei por onde começar e non estou com cabeça para isso e como Kardia mora sozinho e está se recuperando achei melhor que eu ficasse com ele em vez de um estranho. – Completou.
– É...você tem razão. – Jim fez uma pausa olhando para os próprios pés. – Vai ser melhor assim...você agora ir morar com Kardia... só que eu não vou morar com Aspros. – Disse fazendo o francês estancar surpreso. – Eu vou pra casa que é de onde eu nunca devia ter saído...Vem Radi vamos pra nossa casa.
O cãozinho mais do que rapidamente pulou de cama se “estabacando” no chão, deu um sacolejo e correu em direção a Jim que o pegou no colo. Degel ficou de boca aberta sem entender o que ela queria dizer com “nossa casa”. A ruiva saiu sem nem ao menos olhar para trás. Nunca imaginou que se sentiria tão sozinha depois que tudo acabasse, na verdade nunca havia parado para pensar em como seria sua vida quando não fosse mais responsabilidade de ninguém, na verdade quando não fosse mais um peso para ninguém. Talvez o melhor fosse isso...voltar para seu apartamento com seu amigo e como Mathure havia dito, ele cuidaria melhor dela do que qualquer um.
Degel que ao ouvir aquilo sentiu o peito apertar. Jim dizer que iria para casa assim desse jeito só podia ser...
– Jim! — Gritou indo atrás da ruiva e segurando-a pelo braço. – Como assim voltar para casa? – Perguntou ansioso e nervoso.
– Sim...para casa. Eu não vou ficar aqui com Aspros e nem com Defteros...não mais. – Puxou o braço e tencionou ao seu caminho, mas foi impedida novamente por Degel.
– Ei espera aí chérri...você vai voltar pro Japão? – Perguntou aflito.
– Ainda não Degel. – Puxou o braço novamente, mas Degel não soltou dessa vez.
– Será que dá para ser mais clara chérri?
– Perai! Que pergunta idiota é essa Degel justo você? Eu vou para casa. Para minha casa, meu apartamento para onde mais eu iria? Eu tenho casa tá?! Ou você se esqueceu disso? – Disse finalmente.
Na verdade foi exatamente isso que havia acontecido. Degel manteve o olhar perdido preso no rosto de Jim, sentindo certo alívio ao finalmente cair em si: Jim não morava com nenhum dos Gêmeos quando a conheceu, mas com toda a turbulência e o fato de ter acostumado com ela nunca mais ficar sozinha, seu cérebro praticamente abstraiu completamente o fato de Jim ter sua própria moradia. Havia esquecido completamente desse fato e agora tudo fazia sentindo. Jim estava péssima e seu emocional que não era nada estável estava ainda pior unindo-se ao fato de não se achar mais uma prioridade na vida de Aspros e Defteros agora que Alone estava morto e agora para completar ele, justamente ele estava preferindo morar com Kardia ao continuar vivendo com ela. A verdade era que Jim estava se sentindo abandonada.
– Ah chérri pardon s'il vous plaît eu...eu non queria. – Degel puxou Jim para um abraço. – Eu esqueci completamente do seu apartamento. Eu non fiz por mal...eu só...esqueci.
– Tudo bem Degel...você não precisa ficar comigo se não quiser. Se fica mais confortável morando com Kardia faça como achar melhor. – Disse sentindo um nó na garganta.
– E quem disse que fico melhor com o insuportável do Kardia? – O aquariano levantou o rosto de Jim fazendo os olhos verdes fixarem-se nos violáceos seus. – Acha mesmo que depois de ontem eu vou deixar você sozinha com esse fedorento para tomar conta do que é meu? – Jim ficou em silêncio, na verdade nem sabia bem o que dizer. – Você me prometeu ontem lembra?! Prometeu non fazer nada que viesse a me magoar ou que duvidaria de mim, então se duvidar agora de que quero ir com você, de que quero estar com você estará quebrando sua promessa. – Fez uma pausa. – E além do mais...Kardia jamais me deixará satisfeito como você roux. – Degel deixou seus lábios roçarem deliciosamente entre o lóbulo e o pescoço de Jim que sentiu como se tivesse levado um choque.
– Eu...eu... – Jim fechou os olhos instintivamente enquanto sentia os lábios do aquariano roçar em sua pele branca fazendo-a arrepiar até o último fio de cabelo.
– Vous avez dit que vous vouliez me embrasser, ange. Et maintenant ... ne veulent plus? (Você disse que queria me beijar anjo. E agora...não quer mais?)
Degel sussurrou bem rente aos lábios da ruiva que engoliu em seco mesmo não entendendo bem o que ele havia lhe dito e antes que ela pudesse responder capturou os lábios macios sensualmente, buscando com a língua a dela enquanto explorava cada canto daquela cavidade quente e macia. Uma de suas mãos se perdeu nos fios carmesim enquanto a outra bolinava sem pudor suas costas. Ela ofegou dentro do beijo e teve certeza de que só não foi ao chão porque Degel a mantinha de pé. Mas...como nem tudo eram flores e antes mesmo que a coisa esquentasse ainda mais, o pequeno intruso pareceu querer participar do beijo dando lambidas no rosto de Jim e que se seguiram para o rosto do francês que de imediato apartou o beijo muitíssimo a contra gosto.
– Ah mon dieu quando non é Defteros, é esse pulguento. – Resmungou se afastando um pouco. – Já estou cansado de ficar aqui. – Disse e em seguida segurou na mão livre de Jim a puxando consigo. – Venha vamos embora, preciso de um banho e de preferência...frio.
Degel no caminho para casa de Jim telefonou para Kardia avisando que a enfermeira que havia cuidado de Jim iria substituí-lo em sua casa. O grego que de bobo não tinha nada, adorou ideia e nem se quer discordou do francês para irritá-lo, como sempre gostava de fazer.
Radi ao chegar ao apartamento de Jim ficou tão impressionado quanto Degel que até então nunca havia entrado ali, mesmo estando juntos a um bom tempo. O francês caminhou pelo apartamento observando tudo com atenção. O detalhe dos móveis e de como aquele lugar o fazia se sentir em uma casa típica do Japão, mesmo nunca estando lá. Aspros fez questão de que fosse assim para que Jim se sentisse o melhor possível. A cama estilo futon, o chão amadeirado de cor escura, as luminárias orientais enfeitavam e davam ainda mais charme ao ambiente, os estofados e paredes brancas se destacavam com pequenos jarros negros e pequenas mudas de bambu artificiais, leques orientais e porcelanas davam ainda mais ênfase ao que aquele lugar deveria parecer, assim como a linda gueixa que enfeitava a varanda do apartamento de frente para o mar, o cheiro da maresia e o vento fresco que vinham do mediterrâneo fizeram Degel entender porque ela queria voltar. Voltou os olhos para ela e observou que até os copos e garrafas da casa eram como dos orientais, mas o que mais iria querer? Jim era japonesa, mesmo que as vezes se esquecesse disso.
– É lindo. – Elogiou
– Arigatou. – Sorriu se aproximando e apoiando-se no parapeito da varanda. Degel aproximou-se e a abraçou por trás dando um beijo em seu ombro.
– Agora seremos só nós dois de novo mon ange. – Fez uma pausa. – Sem preocupações, sem restrições, ir e vir onde quisermos e o melhor...sem remédios para dormir porque nada mais irá nos tirar o sono. Nada mais irá nos fazer ter medo de fecharmos os olhos e non abrirmos mais.
– Koishiteru Dejeru. Watashi wa anata ga totemo daisukidesu. (Eu te amo Degel. Eu te amo muito.).
oOoOo Tilintar oOoOo
Passaram-se quase quatro meses e meio desde que Jim e Degel haviam se mudado e as coisas não poderiam estar melhor. O trabalho havia voltado parcialmente ao normal no novo prédio da Óros, assim com Kardia que agora fazia uso de uma bengala graças a fratura de o deixou com dois centímetros de diferença de uma perna para a outra. Regulus havia saído do coma e recebido alta do hospital mesmo com algumas dificuldades motoras por conta do tempo em que permaneceu deitado, os médicos garantiram que com muita fisioterapia e força de vontade o garoto recuperaria o movimento das pernas o que deixou Esther e Sísifo muito felizes, apesar de Mathure ainda estar hospitalizada. O quadro da moça havia melhorado significativamente o que deixava os médicos e o grupo extremamente confiantes quanto a recuperação da moça. Asmita também se recuperava rapidamente o se adaptava de uma maneira surreal a sua atual situação, a da cegueira. Jim fizera questão de visitá-los sempre que podia e chorou ao implorar perdão ao mestiço que mais parecia ter nascido cego ao ter sido posto a força a tal situação. A naturalidade e calma do mestiço era algo invejável até mesmo para Degel que também fazia questão de acompanhar Jim nas visitas.
As coisas caminhavam de bom há melhor a cada dia, assim como Radi que crescia mais e mais, lógico sem perder o hábito de importunar Degel quando o mesmo curtia sua amada nas tardes de por do sol e foi justamente em uma tarde como essa...
– Merde! Será que non pode me deixar em paz somente por um dia? – Reclamou enquanto tentava livrar a barra de sua calça dos dentes afiados de Radi que rosnava e puxava a peça com toda sua força.
– Vocês dois será que não dá para pararem de brigar só por um dia?! – Jim deu um maroto e em seguida observou seu celular ao fundo. Caminhou até o aparelho que tocava em cima da bancada da cozinha observando o número desconhecido. Franziu o cenho receosa, mas resolveu atender.
– Kinneas!
– Aya? Ou melhor Jim? – Disse a voz do outro lado.
– Sim...quem fala? – Perguntou chamando a atenção de Degel.
– Aiacos.
– Ah...é você detetive. O que me dá a honra de sua ligação de um lugar tão distante? – Disse Jim pegando uma uva e dividindo-a com Degel.
– Bom...acredito que tenho novidades sobre Ângelo, vulgo Alone/Hades eu já nem sei mais que você talvez queira saber. – Jim franziu o cenho e olhou dentro dos olhos curiosos de Degel.
– E o que seria? – Perguntou.
– Encontramos o diário de Hypnos e você não vai acreditar até onde ele nos levou. – Fez uma pausa. – Acho melhor começar a fazer as malas.
Continua....
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