Tilintar.
17 O encontro
Notas iniciais
– Nós vamos ser amigos para sempre não vamos?
–Sim...é claro que sim!
– Você promete?
– Prometo!
– Eu te amo Aya.
– Eu também te amo... Alone!
Jim abriu os olhos devagar observando a luminosidade que entrava pelo vidro da porta de acesso a pequena varanda do quarto. Respirou pesadamente, sentindo um pesar horrível consumir seu peito graças à pequena lembrança em forma de sonho. Piscou vagarosamente, observando a luz que saia de seu celular que vibrava insistentemente em cima do gaveteiro. Sentou devagar olhando em volta, procurando alguém na pouca luminosidade que vinha do quintal. Degel não estava ali. Suspirou levantando-se sem a menor vontade, caminhando a passos arrastados até o aparelho onde, observou no visor um número que não conhecia. Passou a mão livre na franja farta ao mesmo tempo em que um bocejo surgia em seus lábios. O som do latido de Radi em sua porta despertou sua atenção. Sorriu caminhando em direção à porta, mas quando seus dedos tocaram a maçaneta seus cabelos foram puxados com força, a lançando contra o chão de qualquer maneira, assim como o som da tranca da porta pode ser ouvida. E antes que pudesse se dar conta do que acontecia, sentiu outra vez seus cabelos serem puxados com mais força ainda, fazendo com que soltasse um gruído de dor ao mesmo em que levou uma das mãos em direção aos fios puxados enquanto era forçada a levantar.
–Olá Jim...ou melhor Aya.
Ao ouvir o som da voz de seu agressor Jim sentiu seu sangue gelar. Reconheceria aquela voz em um milhão de anos. Seu coração disparou dentro do peito e o tremor de medo tomou conta de todo seu ser.
– Alone. – Sussurrou mais do que propriamente disse, observando a figura macabra refletida no espelho.
Ele sorriu malignamente olhando por cima dos ombros dela seu reflexo sombrio no espelho. Suas mãos ainda firmes nos fios rubros puxavam com tanta força que Jim podia senti-los se desprender de seu couro cabeludo fazendo-a adquirir uma careta de dor. Sem reação sentiu novamente seu corpo ser atirado em direção contrária onde estava fazendo com que sua testa acertasse em cheio a quina do criado mudo ao lado da poltrona onde Degel sempre costumava ler causando um dor e forte tontura.
– Está feliz em me ver? — Alone sorriu ainda mais ao ver Jim se esforça em levantar, ela estava exatamente como queria, no chão e rastejando o que fazia seu ego inflar como um balão. A ruiva apoiou-se como pôde no criado mudo para em seguida cair novamente. Sem senso de direção, começou a se arrastar para qualquer lugar onde julgasse ser longe de seu agressor. – Estou vendo que não! – Completou ironicamente fazendo Jim tremer ainda mais.
A ruiva arrastou-se até um canto qualquer onde encontrou apoio. A dor da pancada causava zumbidos em seu ouvido e uma forte tontura parecia fazer seu mundo girar. Ficou assim durante alguns instantes até que por fim, sua visão começou a se normalizar dando a si a imagem da figura de Alone sentado na ponta de sua cama observando-a com o semblante sério.
– Jim? Está tudo bem? – Perguntou Madelene que ao ouvir os barulhos vindo do quarto achou melhor verificar.
Jim olhou da porta para Alone que passou a encarar a porta como um predador sanguinário, ela engoliu em seco temendo por Madelene. O garoto aprumou-se franzindo o cenho e quando tencionou a levantar Jim ergueu uma das mãos em sinal para que ele não se movesse. Ele ficou observando-a se reerguer com muito esforço, respirando fundo e tentando ser o mais natural possível:
– Está tudo bem Madelene. Eu só tropecei, não precisa se preocupar. – Fez uma pausa recobrando o fôlego, tentando não transparecer o nervosismo. – Por favor, leve o Radi lá pra fora, ele está latindo muito querendo entrar aqui no quarto. Eu...- fez uma pausa respirando fundo. — Estou com dor de cabeça e quero ficar sozinha.
– Levar o Radi lá pra fora? Ah essa hora? Jim tem certeza de que está tudo bem? Eu posso lhe trazer alguns comprimidos se quiser. – Disse Madelene desconfiada.
– Não!!! – Berrou fazendo a senhora do lado de fora se assustar. — Madeleine, por favor, faça o que estou pedindo e me deixe em paz sim?! – Jim levou uma das mãos ao local da pancada na tentativa de amenizar a dor que havia sido aumentada pelo esforço do grito. Madelene franziu o cenho ainda desconfiada, a ruiva nunca havia falado daquela maneira e ainda por cima pedir para por o pequeno Radi do lado de fora àquela hora da noite...aí tinha coisa.
– Tudo bem, mas me chame caso precise. – A senhora agachou pegando Radi que se debatia insistentemente em vão.
(Não! Ei...Me põem de volta no chão...eu...eu...eu preciso entrar ali...ei moça...ela precisa de mim, me solta!)
Jim ao ouvir os passos de Madelene se afastar respirou fundo de alívio voltando a fitar Alone que a olhava com um sorriso nos lábios.
– Tão frágil. – Fez uma pausa observando-a caminhar com esforço de volta ao seu lugar. – Como nossas cerejeiras...lembra delas? Lindas e frágeis. – Jim manteve-se em silêncio enquanto deixava-se escorregar até o chão. Sentia o medo crescer dentro de si a cada movimento do olhar de Alone sobre si. Temia por Madelene e principalmente por Degel que, graças aos deuses ainda não havia aparecido. Ela não sabia onde ele estava, mas rezava para que ele não saísse seja lá de onde estivesse.
Engoliu em seco quando seu algoz se levantou, caminhando pelo quarto semi-iluminado, observando tudo com atenção.
–Ele tem muito bom gosto. – Pegou o livro que havia ido ao chão observando com descaso a capa do livro o pondo de volta no lugar. – E é muito inteligente também.
– Ele não está aqui Alone. Não está em casa agora. – As palavras de Jim saíram cuspidas, mas o rapaz não se abalou.
– Eu sei. – Respondeu frio.
– Então o que veio fazer aqui? – Jim só não soltou um rosnado, pois não possuía essa habilidade.
– Eu? Eu vim lidar um presente. – Alone retirou do bolso do colete verde um bisturi. Agachou de frente a Jim, mostrando a ela o objeto metálico que brilhou com o reflexo da luz. Sorriu o colocando no chão em frente a ela que seguiu todos seus movimentos somente com os olhos, sem fazer nenhum outro movimento se quer.
– É para eu cortar sua garganta assim que eu tiver uma chance? – Perguntou irônica depois de alguns segundo.
– Não! É para você cortar a sua quando souber o que vim pessoalmente lhe entregar.
Jim manteve o olhar fixo em Alone que se levantou calmamente, caminhando e pondo-se de volta em seu lugar.
– Está perdendo seu tempo Alone. Eu não vou fazer o que você quer e nem vou acreditar em suas mentiras. – Jim empurrou o bisturi com o pé sobre o olhar atento de seu algoz. Ele respirou fundo, movimentando as sobrancelhas com descaso ao mesmo tempo em que crispava os lábios.
– Alone...Alone...Alone...Alone, Alone, ALONE!!!!!! – Falou mais alto fazendo Jim perder a postura altiva que havia ganhado na tentativa inútil de parecer imune, mas na verdade estava morrendo de medo. Será que Madeleine havia escutado. Oh Deus, por favor, não!!
– Por que toda hora você fica...repetindo e repetindo o... apelido desse...moleque frouxo e...nojento. Isso é chato sabia?!
Jim arregalou os olhos sem entender o que ele queria dizer. Como assim? Alone estava referindo a si mesmo em segunda pessoa?! Preferiu ficar em silêncio e esperar. Perguntar não adiantaria, ele estava completamente louco e disso agora mais do que nunca não tinha mais dúvidas.
– Sabe... o...o Ângelo. – Fez uma pausa entrelaçando os próprios dedos. – Ou melhor Alone...como você mesma o chama, ele...ele é um garoto legal sabe?! Talentoso. Poucos possuem um talento como o dele, mas...mas ele não tem... – Crispou os lábios procurando uma palavra. – Atitude! Ele...ele não ia conseguir sozinho. Não iria conseguir resolver nada, absolutamente NADA se não fosse por mim.
Jim ouvia as palavras saírem da boca do rapaz sem conseguir acreditar no que ouvia. Só podia ser uma tática para perturbá-la ainda mais. Não havia sentido no que ele dizia e como assim?! Ele...ele não resolveria nada?! Resolver o que? Matar pessoas inocentes?! Louco...agora mais do que nunca! Seu peito subia e descia com a respiração ofegante, as sobrancelhas quase unidas em uma expressão de indignação e incredulidade. O medo gélido escorria por suas têmporas em forma de suor e o tremor era incontrolável.
– Sabe...aquele Minos. Ele não era um cara legal. – Fez uma pausa apontando o indicador. – O garoto tentou te avisar...e você...claro – Levantou-se fazendo o corpo de Jim sacudir de susto. – Você não quis ouvir. Por que iria ouvir?
Alone começou a caminhar em direção ao espelho onde parou e ficou a observar seu reflexo por alguns instantes. Logo após, virou-se em direção a ela e se recostou no mesmo olhando fundo nos olhos verdes de Jim.
– Eu disse a ele que você não prestava assim como aquele porco do Minos. Eu avisei ao...ALONE que você não passava de uma mentirosa e que aquele seu jeitinho não passava de uma...máscara de falsidade, eu disse a ele que você o deixaria, assim que tivesse uma oportunidade e olha só...- Abriu os braços. – Eu acertei!!
Jim respirou fundo sentindo uma lágrima quente escorrer por seu rosto. Odiava seu passado e ouvir Alone a comparar com Minos era lacerante. Não era como ele, cruel e covarde. Era humana e sim havia errado. Errado em deixar sua vaidade falar mais alto, confiou em pessoas que não deveria e agora o preço que pagava por seus erros estava sendo alto demais. Carregar o fardo da morte de pessoas inocentes em suas costas cada dia pesava mais. Sentia como se carregasse o peso do mundo sozinha e que a qualquer momento não mais suportaria. Doía sempre que as lembranças vinham lhe assombrar, sentia como se navalhas cortassem sua carne bem devagar até os ossos a fazendo sangrar em cada pensamento, cada lembrança.
– Alone...- Não terminou porque agora foi a vez dele levantar o indicador em sinal para que ela parasse. Jim prontamente obedeceu, observando a figura de Alone se aproximar devagar.
– Eu vou repetir pela última vez Aya. – Agachou de frente a ela. – Alone não está aqui agora meu anjo. — Jim engoliu em seco com o olhar semicerrado, frio e maligno que seu algoz lhe lançou.
– Se você não é Alone, quem está falando comigo? – Perguntou Jim em um fio de voz.
Seu algoz deu uma risada anasalada ao mesmo tempo em que ajoelhou e encostou sua testa nos joelhos de Jim que tremeu violentamente com o contato. Ficou assim durante alguns minutos, até levantar a cabeça e apoiar o queixo no lugar olhando dentro dos olhos verdes dela.
– Você sabe onde ele foi? – Perguntou sério. Jim não respondeu, ficou somente observando o olhar frio de Alone que pousava sobre cada detalhe de seu rosto. – Ele não te contou não é?! – Manteve o silêncio. – Duvido que ele fosse te contar.
– Eu não vou acreditar em nenhuma mentira sua, então...porque não acabamos logo com isso de uma vez?
Alone respirou fundo afastando-se somente um pouco, mas sem quebrar o olhar assim como Jim que não desviava seus olhos verdes um segundo se quer do rosto dele. Ele levou uma das mãos a um bolso interno de seu colete retirando de lá um pacotinho pardo. A ruiva franziu o cenho, mas nada disse e voltou a observar o rosto dele. Alone segurou o pulso direito dela fazendo com que estendesse a mão sorrindo ao sentir o quando ela estava fria e suada. Mesmo hesitante Jim abriu a mão. Ele apertou um pouco o pacotinho fazendo a boca do mesmo se abrir.
– Eu vim lhe entregar isto! – Disse revelando o conteúdo do pacotinho na palma da mão de Jim.
oOoOoOo Tilintar oOoOoOo
Em um dos leitos do hospital, Kardia sentiu uma dor de cabeça forte e um gosto amargo em sua boca. Seu corpo parecia ter sido surrado por uns vinte homens. Tentou se mexer, mas suas costelas trincadas avisaram em forma de uma dor aguda que isso não era uma boa ideia. O grego fez uma careta de dor, sentindo certa dificuldade em respirar chegando à conclusão que o melhor mesmo era fica bem paradinho.
– Porra! – Rosnou de dor enquanto apertava os olhos com força.
– Você tem uma boca bem suja. – A voz feminina e sexy fez Kardia olhar semicerrado em direção a mesma observando a belíssima enfermeira que verificava seu soro. Em seguida a moça caminhou para uma bandeja onde continha uma injeção e dois comprimidos que Kardia não fazia ideia do que era.
– Já fui pros Elísios? Ai! – O grego resmungou dando um sorriso matreiro para a enfermeira que se aproximou para verificar o curativo em sua testa. Kardia que de bobo não tinha nada, prendeu seus olhos no decote da moça dando uma mordidinha safada nos lábios. Ela percebeu de imediato e como castigo puxou um dos esparadrapos que se encontravam presos no peito do grego sem a menor delicadeza. – Aaaaiiiii!!! Você é má, não tem pena de seus pacientes não?! Eu estou enfermo e por isso você deveria ter mais cuidado. – Kardia resmungou passando a mão no local dolorido.
– Não exagere. Você já tem bastante energia para olhar onde não se deve Srº Kardia. – Disse a moça aproximando-se com a seringa.
– Ah é impressão sua. É que...certas coisas me enchem de vigor. – O grego olhou dentro dos olhos da moça que sentiu um arrepio subir por sua espinha. Realmente não poderia negar, Kardia era um pedaço de mau caminho e receber um olhar daqueles em conjunto com o sorriso sexy era de tirar o fôlego, mas não poderia deixar que isso mudasse seu foco. Ele ainda era um paciente e não seria nada profissional flertar agora, mesmo ele parecendo a personificação de um deus.
–Que bom! Há pessoas lá fora querendo que você se recupere logo. – A enfermeira desviou o olhar para o som da porta se abrindo chamando também a atenção de Kardia.
Degel como sempre adentrou no quarto observando os ferimentos do amigo com seu famoso semblante sério. Por dentro sentia uma mistura de aflição e alívio por ver vê-lo mesmo que naquele estado. Aflição em saber que Alone quase havia conseguido matar Kardia e alívio por ver que o amigo estava “bem”, na medida do possível. O francês sério aproximou-se da cama aguardando a enfermeira terminar seus afazeres e saindo em seguida, mas sem antes ouvir a última gracinha de Kardia:
– Depois volta pra cuidar de mim tá?! Faltou aquele remédio. Aquele sabe?! – A moça sorriu e lançou um olhar sexy para Kardia que sorriu de volta, saindo em seguida.
– Pelo visto você está melhor do que imaginei. – Disse Degel com sua típica frieza.
– É...eu estou bem. Tirando minha cabeça rachada, minha perna quebrada e uma costela trincada o resto está tudo bem. Minha cabeça ainda está no lugar e meu...garoto também. – O grego riu alto para em seguida soltar um grunhido de dor pela costela e a cabeça. – Merda... puta que pariu isso dói.
Degel ficou observando o amigo gemer de dor por alguns segundos e sentindo uma sensação boa tomar conta de si. Kardia estava vivo e relativamente bem se comparado a Mathure e Asmita. Pobre Asmita...Alone não havia conseguido matá-los, mas arrancou muito de ambos. O que seria de Asmita agora sem a visão? E Mathure será que a morena teria forças para sair daquela situação tão crítica? E Jim...Ah Mon Dieu quando a ruiva soubesse do acontecido seria o fim. Tudo iria por água abaixo, ela já não tinha uma crise há tempos e com essa tentativa de Alone em matar Kardia deixaria a ruiva arrasa.
– Alone tentou matar você Kardia. – Foi direto e frio como sempre fazendo Kardia respirar fundo e sorrir sarcástico.
–Tentou, mas não conseguiu. — Fez uma pausa respirando fundo. – Moleque filho da...!
– Você teve sorte Kardia em ter ficado mais atrás de Mathure e Asmita. Se você estivesse na frente deles...provavelmente estaria morto agora. – Volveu Degel respirando fundo fazendo Kardia sorrir com os olhos fechados. – O que é engraçado? – Perguntou
– Eu só fiquei atrás porque você me ligou. – Kardia abriu os olhos sentindo um alívio enorme encher seu peito, olhando fundo dentro dos olhos de Degel que retribuiu o gesto. – Se você não tivesse me ligado eu...estaria na frente deles. Eu só parei para...atender sua ligação que por sinal estava péssima. Se você tivesse me ligado dois minutos depois eu estaria morto Degel...eu!
Kardia passou uma das mãos no cabelo devagar se dando conta de que só ficara vivo e bem graças à ligação de Degel. Graças ao amigo estava vivo. Agradeceu aos deuses por conhecê-lo e por ele ter se dado conta do perigo que corria a tempo de ajudá-lo, lógico que o grego sentia por Mathure e Asmita, sentia um peso nos ombros e um aperto no coração ao mesmo tempo em que um alívio gostoso tomava conta de si. Milhares de coisas passavam-se por sua cabeça. Dizem que quando uma pessoa chega perto da morte e sobrevive ela renasce e era isso que Kardia pensava, talvez fossem os deuses lhe dando uma nova oportunidade e se fosse, dessa vez faria valer a pena, não que já não valesse antes.
– Degel...eu...nem sei o que dizer. Você me salvou...salvou minha vida...obrigado amigo. – Kardia deu um meio sorriso sentido os olhos queimarem por lágrimas que pediam para serem libertas, estendendo a mão para o amigo que sorriu retribuindo o gesto, segurando com força e carinho a mão daquele que para si era muito mais do que um simples amigo de infância. Kardia era seu irmão de coração.
–Non precisa agradecer. Tenho certeza de que o sentimento é recíproco Kardia. – Fez uma pausa. – Bom...agora trate logo de sair dessa cama porque eu... – Degel não terminou, pois seu celular voltara a vibrar. O francês observou o visor franzindo o cenho e antes mesmo de atender sentiu seu peito apertar. A imagem de Jim fora a primeira coisa que veio a sua mente. Respirou fundo para em seguida atender a ligação.
– Oui Madellene. Como está Jim? – Foi direto como sempre.
– Degel... – A senhora fez uma pausa sem saber como começar o que fez o aquariano franzir o cenho ainda mais e seu coração se apertar em dobro. Tinha alguma coisa de errado.
– Non gagueje Madellene. Diga-me o que houve? – A voz cortante de Degel fez a senhora engolir em seco do outro lado da linha e Kardia quase dar um pulo da cama.
– O que foi? – Sussurrou Kardia tentando puxar Degel pela manga da blusa. – É a Jim? O que houve com ela? Eu quero saber porra!! – Degel empurrava as mãos de Kardia tentando se concentrar em Madellene, mas o grego curioso não estava dando trégua.
– Degel eu não quero lhe assustar, mas...Jim não me parece bem. Ela se trancou no quarto alegando estar cansada e com dores de cabeça. – Disse a senhora visivelmente aflita.
Degel engoliu em seco olhando nas safiras de Kardia que forçava o outro a dividir o aparelho consigo. Jim trancada no quarto, sozinha e sem querer ser incomodada? Isso não era um bom sinal.
– Desembucha logo de uma vez “mulé”, vai nos matar de aflição aqui!! – Disse Kardia fazendo Degel adquirir uma feição ainda mais sisuda ao mesmo tempo em que lhe lançava um olhar fuzilante ao qual o grego nem se abalou, puxando o francês para perto de si novamente para dividir o celular.
–Eu... eu ouvi uns barulhos, como se fossem pancadas ou algo do tipo. Não sei explicar! – Completou Madellene.
Kardia se afastou somente um pouco olhando novamente para Degel que a cada segundo sentia seu coração se apertar ainda mais. Os dois se entreolharam deixando a preocupação explicita em seus rostos. O francês manteve-se em silêncio, refletindo nas palavras de Madellene, mas algo em especial chamou sua atenção, assim como a de Kardia que voltou o ouvido ao aparelho dividido entre ele e Degel. Os dois se mantiveram em silêncio, concentrados no que ouviam. Os cenhos franzidos e as expressões sérias, os olhos presos em algum ponto qualquer dava sinal óbvio de concentração até que a ficha finalmente caiu e a voz de ambos juntamente soou pelo local:
– Por que o cachorro está latindo?
De repente um grito agudo e alto pode se ouvido do outro lado da linha, fazendo ambos tremerem dos pés a cabeça. Degel sentiu seu corpo gelar e o coração parecer querer saltar do peito. Era o grito de Jim.
Kardia por sua vez nem teve tempo de respirar, sentindo o solavanco do corpo de Degel ao se afastar como uma bala do seu. O grego quase caiu da cama, pois estava praticamente em cima do amigo para ouvir a conversa.
– Degel!!!! – Berrou Kardia completamente aflito. O grego ainda tentou se levantar, apoiando-se como podia no suporte de seu soro, mas quando tencionou a caminhar, a enfermeira notando a confusão correu para verificar o que era, chegando bem a tempo de deter o grego de ir atrás de Degel.
– Ei o que pensa que está fazendo? – A moça correu até Kardia que quase foi ao chão se ela não tivesse o segurado.
– Eu preciso ir com Degel! – Respondeu Kardia sentindo uma dor lacerante em sua perna quebrada e nas costelas.
– Nem pensar! Você não pode ir a canto nenhum desse jeito. – Disse a enfermeira fazendo Kardia bufar de ódio e preocupação. Maldito Alone!!!
Degel correu como um louco pelo corredor do hospital chamando a atenção de todos a sua volta. Ele corria sem ao menos se desviar de qualquer um a sua frente o que o fez trombar com Aiacos que caminhava distraidamente com seu cappuccino e alguns papeis em mãos que voaram se espalhando pelo local.
–Eiiii vê se olha por onde anda seu francês retardado!!!! – Berrou o investigador irritado observando sua camisa suja de café e a papelada largada no chão. – Merda!!! – Bufou
Aspros e Defteros estranharam logo de cara a atitude de Degel o que fez o coração dos gêmeos se apertar. O francês era calmo demais e nunca agia por impulso, então vê-lo sair correndo assim era estranho demais, a não ser que...!
– Você está pensando o mesmo que eu? – Falou Defteros fazendo Aspros com o cenho franzido se levantar e começar a caminhar.
– Só existe duas coisas nesse mundo que fazem Degel perder a calma e uma delas está bem aqui no hospital. – Aspros começou a andar mais depressa, sendo seguido por Defteros que engoliu em seco já entendo onde o irmão queria chegar. – Jim!!
Os gêmeos começaram a correr atrás de Degel sem pensar mais em nada. Aiacos observando a cena estranhou que logo os três saíssem correndo daquela forma. – “Tem alguma coisa errada.” – Pensou saindo correndo atrás dos três logo em seguida.
Degel corria sem prestar a atenção a nada a sua frente, esbarrando em tudo e todos que cruzavam seu caminho. O som do grito de Jim parecia ainda ecoar em seus ouvidos o que fazia seu coração bater ainda mais acelerado. Havia prometido a si mesmo que jamais deixaria Jim, mas em um rompante acabou quebrando sua promessa. A respiração ofegante e o suor gélido escorriam por suas têmporas, marcando seu rosto visivelmente transtornado sentindo o coração parecer querer explodir dentro do peito tamanha aflição.
Quando chegou à porta do hospital, rapidamente pegou as chaves de seu carro, mas sem antes dar uma última olhada para trás e avistar Defteros mais a frente, Aspros e Aiacos que vinham logo atrás.
–Degel!!! – Berrou Defteros. Degel somente olhou para o grego e voltou em direção ao seu carro, descendo rapidamente as escadas e correndo em direção a ele. Distraído, voltou a realidade quando o som de uma forte freada e uma buzina chamou sua atenção.
– Ohh seu maluco, olha por onde anda!!- Gritou o motorista ao quase atropelar Degel que deu um pulo com as mãos espalmadas em direção ao carro.
– Merci!! – Disse correndo até seu carro, abrindo a porta rapidamente e entrando logo em seguida.
Defteros apressou a corrida diminuindo a distância entre eles. Estava irritado e extremamente preocupado e não deixaria Degel sair sem uma explicação...Ah não iria! Degel ligou o carro e acelerou, mas quando o carro começou a se movimentar, Defteros entrou na frente batendo as duas mãos fechadas no capo do carro obrigando o outro a parar. Os dois se olharam como felinos prestes a se devorar e a irritação de ambos estavam em níveis extremos.
– Aonde você pensa que vai??? – Berrou Defteros.
– Saí da frente Defteros eu non tenho tempo para você agora!!!! – Devolveu Degel no mesmo tom.
– Você não vai sair daqui desse jeito sem me dar explicações! – Defteros socou novamente o capô fazendo Degel se irritar ainda mais, mas o grego não iria deixar barato dessa vez.
– Eu non lhe devo explicações Defteros, agora sai da minha frente! – Degel segurou o volante com mais força ao mesmo tempo em que acelerou o carro na tentativa de fazer o grego possesso sair de seu caminho. Estava desesperado e se Defteros se mante-se em seu caminho iria perder as estribeiras. – Sai da frente Defteros! – Berrou novamente.
Aspros e Aiacos chegaram praticamente juntos, aproximando-se da confusão que já chamava e muito a atenção dos que passavam ali.
– Você me deve explicações sim Degel, a partir do momento que seja algo relacionado a Jim e eu sei que tem haver com ela. Agora ou desembucha de uma vez ou vai ter que passar por cima de mim seu filho da puta! – Defteros extremamente irritado devolveu no mesmo tom sem desviar as orbes verdes dos violáceos faiscantes de Degel. Ele apertou o volante com mais força e aos berros cuspiu as palavras que nem ele mesmo queria acreditar:
– ELE ESTÁ NA MINHA CASA!!!!!
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Jim sentiu seu corpo gelar quase que instantaneamente ao sentir o “presente” tocar a palma de sua mão. Paralisada sem acreditar no que via enquanto Alone segurava firmemente seu pulso com o sorriso maquiavélico desenhados nos lábios. Ver o rosto bonito completamente transtornado e suado, pálida como folha de papel e o tremor que agora se apossavam incontrolavelmente de todo seu ser faziam-na chacoalhar em desespero. Jim arregalou os olhos em tal proporção que Alone chegou a pensar que os mesmo cairiam bem ali aos seus pés. Sua respiração se acelerou a níveis extremos e sua voz quando finalmente saiu fora em grunhidos que aos poucos foram aumentando. No desespero ao constatar o que estava em sua mão espalmo-a ainda mais na tentativa de se livrar daquilo, mas Alone segurou firme seu pulso mantendo-a no lugar. Jim tentava girar o pulso desesperada, mas ele não iria deixar tão fácil assim. Quando a outra mão de Jim levantou desesperada ele rapidamente segurou o outro pulso a fazendo ficar ainda mais nervosa. Seus gemidos de pavor começaram a aumentar assim como as lágrimas que escorriam em abundância por sua face apavorada.
– Shiiiii, calminha assim você vai deixar cair!! – Alone segurava o pulso de Jim fazendo com que ela mantivesse a mão na mesma posição. A ruiva desesperada gruía e esticava a palma da mão para se livrasse daquela coisa fria e gosmenta.
Em um movimento rápido ela forçou o corpo a se levantar fazendo com que sua mão sacudisse e “aquilo” fosse finalmente ao chão. Alone continuou segurando seu pulso ao mesmo tempo em que agachava para pegar novamente os “presentes” que havia trago para ela.
– Tsi...viu só você deixou cair! – O garoto pegou novamente e quando tencionou a por de volta em suas mãos, a ruiva se debateu e gritou alto, tão alto que Alone sentiu seus ouvidos doerem. Rapidamente virou-a de costas para si abraçando seu corpo e prendendo seu braço livre dentro do abraço, mas sem soltar o pulso que ainda mantinha preso firmemente mancando-os com seus dedos.
– Shiiii sem gritar não queremos que aquela velha venha aqui nos atrapalhar queremos?! Se não serão mais dois para sua coleção. Eu não vou me importar e você...você quer? — Sussurrou rente ao ouvido de Jim que tremia sem parar.
– Nã...nã...não!! Não! – Jim mal conseguia pronunciar as palavras.
–Shiii boa menina, agora abra a mãozinha. – Jim sacudiu a cabeça negativamente mantendo a mão fechada tão forte que suas unhas chegaram a cortar a pele. Não queria ter que segurar aquilo outra vez e muito menos imaginar de quem seria. Sua mente vagava entre a imagem de todos sem querer acreditar no que seu coração gritava.
– Ahh não seja má Jim, abra a mão sim?! Eu trouxe com tanto carinho. Agora vamos abra a mão ou vou fazer você engolir um de cada vez. Você escolhe.
Jim fechou os olhos com força ao mesmo tempo em que virava seu rosto sem querer olhar aquilo outra vez. Devagar começou a abrir sua mão que tremia sem parar, até que sentiu tocar a palma fazendo-a soltar um gruído mais alto e tremular.
–Isso!! Agora olha pra eles! – Ordenou, mas Jim não se moveu. – Vamos Aya olha pra eles. – Ela devagar abriu seus olhos e virou o rosto bem devagar na direção da palma de sua mão. As lágrimas desciam forte por seu rosto marcando-os sem piedade.
– Está vendo Aya?! Sabe de quem são? – Perguntou com a voz macia. Ela manteve-se imóvel observando aquela coisa grotesca. — Você sabe, vamos pense um pouco. Tenho certeza que irá adivinhar. — Sorriu malicioso apertando ainda mais o abraço. Ela manteve-se da mesma forma, somente observando. — Está bem então, já que é assim eu lhe direi. — Alone apertou ainda mais o corpo de Jim mantendo-a bem perto de si.
– São os olhos de Kardia.- Sussurrou melodiosamente ao pé do ouvido dela que instantaneamente parou de tremer.
Jim recebeu as palavras de Alone como um soco na boca de seu estômago. Sentiu-se paralisar e seu mundo pareceu parar. Nada mais fazia sentido, assim como todos os sons ao seu redor haviam cessado. Seu coração batia forte, mas parecia em câmera lenta.
– Não! -Sussurrou sentindo suas pernas fraquejarem. Só podia ser um pesadelo. Seus olhos se prenderam nos globos oculares que se encontravam na palma de sua mão, olhando diretamente para si com as íris de um azul safira.
– Sim Aya...você matou o Kardia.
–Não está mentindo. Ele está vivo. Você está mentindo pra mim. — Balbuciou.
– Acha que estou mentindo? Então, cadê o Degel, Aya? Onde ele foi? — Fez uma pausa. — O que mais tiraria ele de casa e deixaria você assim, sozinha para mim? — Fez mais uma pausa. — Você devia ver mais os noticiários.
– Não! — Jim sentiu mais lágrimas molharem sua face, escorrendo por seu queixo até encontrarem o chão. As lágrimas desciam como pérolas. Pérolas de uma tristeza que ela jamais iria esquecer. Kardia era seu melhor amigo e agora estava morto. Por sua causa, por seu egoísmo ele estava morto.
– Ele morreu por sua causa Aya...você o matou, assim como matou Minos, Lune, seu pai, sua mãe e seu pequeno irmão e ah!! Não podemos esquecer-nos do que aconteceu aquele rapaz...como é que se chama mesmo...ah sim, Regulos! — Alone sentia seu ego inflar a cada negação da parte de Jim que só se mantinha de pé porque ele a segurava. — Eu já ia me esquecendo, sabe o indiano e aquela namorada dele?! Então...não estava nos meus planos, mas infelizmente eles estavam no lugar certo, mas na hora errada. Você é uma desgraça, só causa o mau para todos a sua volta Aya. Quando irá se dar conta disso e desistir de uma vez? -Sorriu no final enquanto Jim só conseguia negar, sacudindo a cabeça de um lado para o outro enquanto em um fio de voz negava aquela que parecia ser a única realidade. A realidade que era uma desgraça a todos ao seu redor e que Alone tinha razão. Ela tinha que morrer ou isso nunca acabaria. — Mas não se preocupe eles não estão mortos...só ele quem ficou cego e ela está em coma, não é engraçado?!- Gargalhou no final.
Jim puxou o ar com força o máximo que pode fechando os olhos sem conseguir acreditar no que ouvia. Seu corpo parecia que iria se despedaçar, assim como seu coração que batia freneticamente. As lembranças de Kardia oscilavam em sua mente deixando-a ainda mais atordoada. O sorriso, o jeito brincalhão, tudo martelavam na mente de Jim que soltou outro grito carregado de dor, uma dor emocional que parecia arrebentar todos os seus ossos.
– Meu Deus!!! — Jim sentia as pernas falharem, mas Alone ainda a segurava. – Kardiaaaa, nãoo, Kardia, ah Deus isso...isso não pode ser real. – A ruiva chorava copiosamente, desesperada. Sua mente parecia um turbilhão de imagens e lembranças deixando-a ainda mais transtornada.
– Jim!!!! Jim!! Abra a porta! – Madellene que ao ouvir o grito de Jim subiu as pressas até o quarto, forçando a maçaneta enquanto batia na porta desesperada.
Alone somente olhou para porta por alguns segundo a ignorando logo em seguida. Jim estava exatamente como queria. Havia feito seu trabalho perfeitamente e não deixaria que uma velha o atrapalhasse antes da melhor parte, até porque já imagina que “Os três mosqueteiros” logo- logo chegariam para o gran finale.
– Eu fiquei indeciso sabe. Não sabia qual você gostaria mais então, eu peguei o grego. – Sussurrou deixando seus lábios rasparem no ouvido de Jim.
– Eu não aguento mais. Já chega Alone! Eu...eu não quero mais...não quero mais. Não posso perder mais ninguém. – As palavras saiam com dificuldade em meio ao choro compulsivo.
– Eu sei que não e é por isso que eu estou aqui. – Alone deixou seu corpo escorregar junto com o de Jim que ficou entre suas pernas. Levou uma das mãos a testa fria jogando a farta franja ruiva para trás e forçando-a a recostar em seu ombro. – Eu sei como se sente Aya. Eu sei como é perder alguém que ama. – Fez uma pausa envolvendo-a totalmente em um abraço enquanto recostava seu próprio rosto no dela. – Você me deu isso e agora estou aqui para lhe proporcionar a mesma dor. – Fez outra pausa ao ouvir o som de uma freada brusca.
Jim pareceu despertar parcialmente de seu transe levantando o rosto e com o olhar triste que dançava entre a porta do quarto e a da varanda.
–De...Degel! –Balbuciou– Degel! – Chamou em um fio de voz tencionando a se reerguer, mas Alone a segurou, puxando-a de volta para si. – Ah não. – Jim sentiu seu coração falhar uma batida ao ouvir o som do carro do amado estacionar bruscamente.
– Olha só ele chegou. — Alone disse dando uma risada anasalada no final.
oOoOoOo Tilintar. oOoOoOo
Degel estacionou o carro de qualquer maneira, descendo do mesmo sem nem ao menos desligar o veículo. Seu coração batia como um louco dentro do peito só de imaginar o estado físico e psicológico de Jim. Sua mente tentava acreditar que Alone não estava realmente em sua casa e que o grito não passava de um susto ou outra coisa qualquer, mas seu coração gritava o contrário. Correu como um louco atravessando a porta de entrada exacerbadamente, olhando de um lado para o outro a procura de Jim. Viu pelo vidro da porta o pequeno Radi, que mesmo sendo um filhote arranhava a porta desesperadamente enquanto pequenos gruídos saiam de sua boquinha.
(Você demorou demais seu idiota. Anda sobe logo, ela precisa de você seu francês burro.).
– Jim!!!! – Degel gritou fazendo Madellene que ainda esmurrava a porta parar e volta correndo ao topo da escada chamando a atenção do francês.
– Ela ainda está aqui. – Disse a senhora voltando em direção a porta.
Degel subiu as escadas de duas em duas, correndo pelo corredor até a porta do quarto onde forçou a maçaneta que não se abriu.
– Jim...sou eu! – Degel forçou a porta com o ombro, batendo forte na tentativa de arrombá-la, mas a porta feita de madeira maciça não iria ser “derrubada” com tanta facilidade.
oOoOoOo Tilintar oOoOoOo
– Por que não acabamos logo com isso.
Alone esticou um pouco o braço pegando o objeto brilhante e em seguida levantou-se de onde estava puxando Jim para que também se levantasse. A ruiva com dificuldades deixou-se ser guiada por ele pondo-se de pé.
Degel novamente jogou o peso do corpo contra a porta usando o ombro como apoio fazendo a mesma estremeceu pela forte pancada, mas mesmo assim nem se quer saiu do lugar. – Jim!!!! – Berrou ao dar uma nova pancada.
Alone pôs o bisturi na frente do rosto de Jim que prendeu seus olhos no objeto que brilhou ao contato da pouca luz que vinha de fora.
– Você sabe o que tem que fazer. – Disse entregando o objeto nas mãos de Jim.
Degel afastou-se somente um pouco para em seguida dar dois fortes chutes fazendo a porta finalmente se abrir e quando seus olhos encontraram Jim no meio da penumbra sentiu seu coração falhar uma batida e um nó formar-se em sua garganta.
–Non!!!!
Continua...
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