Tilintar.
23 Epílogo.
Notas iniciais
Degel já estava cansado de esperar. Não era costume sua esposa se atrasar na hora da arrumação. Jim era tão pontual, ou melhor, havia se tornado depois do casamento. O francês odiava atrasos e ela sabia muito bem disso. Bufou olhando o relógio outra vez.
— Chérri estamos atrasados. – Gritou da sala.
No quarto Jim terminava de trançar os cabelos. Um pouquinho de pó aqui, uma sobra leve nos olhos e nada de perfume. A ocasião não pedia.
— Pronto. – Falou consigo mesma. — Então como estou? – O cãozinho moveu a cabeça um pouco para o lado em sinal de curiosidade.
(É...acho que o bundão francês vai gostar.)
A ruiva desceu as escadas correndo com Radi em seu colo. Parou próxima a Degel que agora respondia a uma mensagem em seu celular. Provavelmente era Kardia ou Manigold. Sorriu quando os olhos se encontraram.
— Agora entendi o motivo da demora. – Degel sorriu. — Bom, agora melhor irmos. Kardia já deve estar arrancando os cabelos achando que non iremos mais.
— Okay.
Jim começou a se dirigir a porta, mas parou ao ser pega por um dos braços. Assustou-se com o semblante franzido do amado. Será que havia dito ou esquecido de algo?
— Você non está pensando em levar essa...bola de pelos, está?
Jim olhou para Radi e este retribuiu o olhar.
— Sim, estou. Porque não levaria? O Kardia ama o Radi, tenho certeza de que ele não vai se importar.
Degel bufou dando uma longa piscadela. Pensou em retrucar, mas não queria se aborrecer. Já havia passado dois anos e nem assim ele conseguia se acostumar com o jeito que Jim tratava Radi. Era como se o cãozinho fosse uma parte de si e onde ela ia sempre o levava. Não que Degel não gostasse de animais, pelo contrário, mas para ele tudo tinha limite, principalmente o fato de ter que “aceitar” o cãozinho como seu “filho”.
— Eu não entendo essa sua implicância....
— Será que é porque ele sempre come todas as minhas cuecas, meias e todos os dias acha que é seu marido e me ataca na hora que sair do MEU lugar na cama? — Interrompeu sério ao mesmo tempo que abria a porta para Jim passar.
— Ciúmes?! – Ela sussurrou próximo aos lábios de Degel.
Ele a fitou com os olhos violásseis dos lábios até os olhos verdes. Por mais que o tempo passasse Jim não perdia o poder de derreter o gelo dentro do seu coração. Sabia incendiá-lo com miseras palavras e olhares.
— Sempre. – Respondeu beijando-a. — Vamos! É melhor irmos logo antes que eu me arrependa.
Jim gargalhou. Sabia o que ele queria dizer. Não seria uma má ideia, mas esperaria até a hora certa.
oOoOo Tilintar oOoOo
Chegaram no local em uma hora cravada. Jim ainda parou em uma pequena loja no centro de Athenas para levar um mimo como lembrança ao casal. Kardia havia se mudado da casa pequena em que vivia para uma mais afastada do centro e maior. Julgou ser a melhor opção, já que agora ele já não era mais um dos solteirões do grupo. Uma piscina grande na parte de trás da casa havia sido cercada com grades de segurança a mando do novo dono; um quintal gramado onde um pequeno parquinho infantil se destaca naquele verde. Paredes de blindex envolviam todo o primeiro andar do casarão, com exceção dos banheiros e o segundo andar. Era uma belíssima casa. Kardia tinha bom gosto e não havia poupado nenhum tostão se quer na hora de fazer aquele investimento.
Degel precisou tocar a campainha duas vezes até o dono da casa aparecer. Um sorriso de orelha a orelha mostrava os dentes brancos e lindos de Kardia.
— Kct em?! Você chegar depois de Manigold e Akemi é um milagre. Estavam transando até essa hora? – Perguntou zombeteiro. Sabia que Degel faria aquela cara emburrada de sempre.
— Não Kardia, mas...quase. – Confessou Jim deixando o francês ainda mais vermelho.
Kardia gargalhou.
— Venham! Ela está lá em cima. Também estava ansiosa achando que vocês dois não viriam hoje.
—Eu disse a vocês que viria non é?! Sabe que non quebro minhas promessas. – Informou o francês subindo as escadas.
No andar de cima Aspros ria de alguma bobeira dita por Manigold. Shion, Dohko e os outros falavam entre si em uma mistura de vozes e conversas. Jim e Degel cumprimentaram os amigos com apertos de mão e abraços. Já fazia um tempo que não se reunia o pessoal daquela maneira. Agora a vida era outra. El cid havia retornado para a Espanha a fim de trabalhar em uma filial da Óros, Asmita e Mathure haviam aberto um consultório de fisioterapia onde o virginiano podia também dar Aulas de Yoga; Dohko também havia conseguido abrir seu próprio escritório de advocacia, lógico tendo Shion – agora casado – como sócio. Esther e Sísifo casaram-se logo após Jim e Degel e o que todos suspeitavam não passou só de suspeitas, mas o sagitariano informou que mesmo assim não desistiria. Por ele teria uma dúzia de filhos.
— Olá Jim! Olá Degel! Pensei que não viriam. – Falou Calvera com um muxoxo.
— Aaaaiiii Cal me perdoa! Desculpe ter demorado tanto. – Jim beijou-lhe a testa. Em seguida mirando o embrulho nos braços da mulher. — Ai meu Deus! Eu não acredito!! Ele é lindo, lindo!
A ruiva pegou o embrulho e este resmungou ao ser tirado de seu conforto. Ela afastou um pouco a manta para ver a coisa fofa que Kardia acidentalmente havia conseguido gerar junto a mulher.
— Olha Degel, ele é lindo. – Sussurrou Jim sem tirar os olhos do bebê que bocejava.
Kardia se aproximou. Não cansava de babar sua própria cria.
— Parabéns Kardia! Mesmo que tenha sido de forma acidental, ele é lindo. – A ruiva sorriu boba dando o beijo no papai babão e depois no menininho.
— Fiz direito não fiz?
Degel rolou os olhos. — Mon dieu irá se gabar disso o resto dos dias.
— Irei mesmo!!! – Rebateu o grego sem se desfazer do sorriso.
Jim segurou a mãozinha macia e cheirosa do pequeno. Ele era lindo! A própria cópia esculpida e encarnada do pai, com exceção de um único detalhe.
— Loiro?! – Questionou a ruiva surpresa.
— Ah é...Essa daí me enganou. – Apontou para Calvera.
— Desculpe se eu gosto de manter meus cabelos em tons escuros e esqueci de lhe contar, amor! – Rebateu irônica.
Todos gargalharam. Jim acariciou a penugem dourada na cabecinha pequena do recém-nascido com cuidado. Lhe deu um beijo na testa e pediu em silêncio para que os deuses os abençoassem.
— Qual o nome dele? – Perguntou sem parar de olhá-lo.
Kardia acariciou o filho sem se desfazer do sorriso bobo. Não conseguia.
— Você sabe qual é. Não me vem com pergunta besta dona Jim. – Respondeu.
Jim deu uma risada anasalada. Kardia não tinha jeito mesmo. Mirou o pequeno de novo e com carinho um novo beijo foi depositado na testa dele, e então sussurrou só para ele ouvir:
— Seja bem-vindo, Milo.
Fim...
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