Tilintar.
13 Descobertas - Parte I
Notas iniciais
A brisa fresca da manhã invadiu com cautela o quarto onde Jim dormia tranquilamente. A ruiva olhou de um lado para o outro como se procurasse por algo ou por alguém que não encontrou. Olhou para o exótico relógio de parede constatando que já passava das nove da manhã, espreguiçou-se resmungando ao sentir seus ossos se estalarem e o corpo reclamar em certos lugares por conta da noite quente passada. Sorriu satisfeita caminhando até o banheiro onde parou olhando-se no grande espelho. Ainda nua levantou os braços observando suas costelas e reparando como realmente elas estavam bem mais evidentes “É Degel tem razão” pensou enquanto lembrava-se das palavras do amado. Resolveu enfim fazer sua higiene matinal e tomar um bom banho quente para relaxar. Quando terminou vasculhou algumas gavetas a procura de alguma peça de roupa sua que pudesse estar pelas coisas de Degel e enfim encontrou uma blusa de alças finas, uma calcinha e “catou” uma das calças de moletom do amado.
Ao saiu do quarto observou que Madeleine ajeitava algumas flores em um jarro, aproximou-se devagar com o olhar curioso para ver mais de perto. Era um lindíssimo buquê que continhas lírios avermelhados, rosas em tom “rosa chock” e algumas mais claras como se tivessem sido desbotadas, algumas íris e florezinhas que lembravam margaridas, mas possuíam um tom quase roxo e eram mais “gordinhas”. Jim ficou observando com encanto a beleza do buquê e a linda combinação de cores entre as flores.
–Ora, acordou finalmente. – Disse Madeleine percebendo o olhar curioso de Jim sobre as flores.
–Bom dia Madeleine. – Jim cumprimentou a senhora um tanto corada ao lembra-se do flagra no dia anterior.
–O seu café da manhã já está pronto, do jeito que Degel me pediu. Bem farto, pois está muito magra e precisando de “sustento”, como ele mesmo disse.
–Ele disse isso é?! – Perguntou Jim em tom divertido.
–Ahhh disse sim e isso aqui praticamente acabou de chegar. – A senhora levantou o arranjo entregando nas mãos de Jim e em seguida em pequeno cartão.
– Pra mim? – Perguntou Jim com espanto.
–E pra quem mais seria? Pra mim? – Respondeu Madeleine caminhando em direção à cozinha sendo acompanhada por Jim.
A ruiva pôs o arranjo na bancada e em seguida abriu o envelopinho observando com admiração a linda caligrafia:
“Espero que tenha dormido bem. Pardon por não poder estar aí para ver seus lindos olhos ao acordar. Vou tentar estar aí o mais rápido que puder.
Je t’aime! Degel."
Jim soltou um sorriso largo e tão iluminado que contagiou Madeleine que sorriu. Realmente não esperava por aquilo, nem conseguia se lembrava de qual fora a última vez que havia recebido flores.
–Sabe onde ele foi? – Perguntou Jim enquanto observava as flores e tocava com carinho cada uma delas.
Madeleine caminhou até Jim retirando o mimo de suas mãos e depositando com cuidado em cima da bancada.
–Disse que iria resolver algumas coisas e que estaria aqui para o almoço. Agora tome seu café antes que esfrie e depois...pode admirar o quanto quiser seu presente.
Jim sorriu e tomou seu café, comeu tudo que sua barriga aguentou o que lógico para Madeleine não havia sido nada e reclamou que Jim comia como um passarinho. Jim retrucou dizendo que não entendia o porquê da senhora dizer que ela comia tão pouco já que Degel também não era lá essas coisas. A senhora sorriu e advertiu a Jim que havia ainda muitas coisas que ela aprenderia e descobriria e que uma delas era que o francês era bom de garfo e muito bom por sinal. A senhora contou algumas amenidades sobre o francês que Jim realmente não sabia as frescuras que ele possuía e coisas que nem se poderia imaginar que ele já havia feito como o dia em que ele havia chegado em casa tão bêbado que vomitou na pia da cozinha e praticamente dormiu com a cara no vaso. Jim gargalhou com as histórias que a senhora contava, as duas não haviam convivido tanto, quando ia para casa de Degel era sempre após o horário de trabalho então a senhora quase nunca estava na casa o que não havia dado oportunidade para tal momento.
– Madeleine... desculpa minha pergunta, mas...não precisa responder se não quiser okay?! – Jim fez uma pausa. – Quantas garotas já estiveram aqui? –Disse curiosa.
–Está querendo saber quantas namoradas o Degel já teve?
–Éh...sim! – Respondeu sem jeito.
– Bom que eu tenha conhecido você é a segunda.
Jim mordeu o lábio inferior e movimentou as sobrancelhas em sinal de “Ah tá” e não disse mais nada. Achou melhor não fazer aquele tipo de pergunta à senhora com medo de colocá-la em algum tipo de constrangimento. Por fim achou melhor deixá-la fazer seus afazeres, caminhou até a varanda observando que ao fundo do amplo quintal gramado havia um pequeno quartinho, caminhou a passos largos sentindo a grama gostosa sob seus pés. Ao chegar soltou uma risada baixa observando que era um “quartinho de quinquilharias”, mas achou graça que até para guardar quinquilharias Degel era organizado. Caminhou devagar procurando por algo, mas sem saber bem o que, até que avistou alguns papeis grandes e alguns pincéis, observou por algum tempo sentindo certa nostalgia lhe acometer, lembrando-se do tempo em que viver suja de tinta era quase um acessório. Pegou tudo que achou útil e saiu carregando também um macacão surrado que havia encontrado, deveria ser de Degel ou de alguém que usou justamente para manusear as tintas. Jogou as tralhas no chão de qualquer maneira e correu então até a cozinha comentando com Madeleine sobre algumas coisas que precisava. A senhora muito solícita, pegou o telefone e ligou para o neto mais velho dizendo a ele que fosse a Atenas e comprasse o mais rápido possível as coisas que Jim havia dito que precisava.
Depois de algum tempo o jovem chegou com as coisas e quando viu a ruiva ficou encantando. Jim havia vestido o macacão que obviamente ficou bem largo o que deixou sua barriga bem visível pela lateral da vestimenta e também havia prendido o longo cabelo em um coque frouxo. A ruiva sorriu ao pegar a bolsa e pagar o rapaz que levou uma bronca da avó por babar descaradamente em cima da “mulher do patrão”.
Jogou as coisas no chão de qualquer maneira espalhando completamente o material que precisava. Sentou em posição de lótus começando em fim o que já não fazia há anos, especificamente desde o incidente.
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Na Óros o grupo andava um tanto apático com tudo que havia acontecido, o acidente de Regulo foi um baque para todos, principalmente para Sísifus e Esther que agora, mal paravam no escritório. O rapaz havia apresentado uma melhora leve, mas ainda se encontrava em estado grave e respirando com ajuda de aparelhos.
Com o afastamento de ambos, alguns do grupo acabaram tendo uma demanda de trabalho maior para compensar os outros, Manigold, Mathure e Kardia estavam até o topo de suas almas de trabalhos. O italiano que já andava estressado por conta da relação mal resolvida com Akemi ficou ainda pior, com a noite mal dormida acabou chegando cedo ao escritório.
– Espera!!! Segura o elevador!
Manigold bufou ao reconhecer a voz que fez arrepiar até seu último fio de cabelo o que o deixou ainda mais irritado, resolveu então que era melhor simplesmente ignorar aquele pedido. Akemi correu com uma louca para não perder o “transporte” e quando a porta quase se fechou a loira praticamente pulou para dentro do elevador fazendo o canceriano arregalar os olhos de surpresa, a loira desesperada tropeçou nas próprias pernas e acabou trombando sem querer com o italiano que por instinto segurou-a pelos braços para que ela não fosse de cara ao chão mantendo seus corpos pertos...pertos demais. A loira levantou o rosto e seus olhos se prenderam nos azuis arroxeados do outro fazendo seu corpo reagir de imediato pelo contato, sua boca entreabriu como um pedido mudo para ser devorada. O canceriano ficou imóvel, sua mente ordenava seguidamente para que “jogasse” a loira longe antes que sucumbisse a aquele anjo tentador, mas não conseguia suas mãos não o obedeciam presas nos braços da menor enquanto seus olhos exploravam por conta própria os detalhes do rosto angelical. As bochechas rosadas como de uma boneca, a pele de pêssego, os cabelos platinados, os lábios arredondados, mas com volume bem concentrado no centro e o contorno delicado davam-lhe um “biquinho” natural o que era ainda mais tentador e os olhos orientais pareciam duas bolas de gude azuis onde o italiano se perdeu por alguns minutos lembrando-se do gosto e da macieis daqueles lábios. Sentiu um frio subir por sua espinha e acabar em um arrepio em sua nuca, seu corpo ainda lembrava-se com clareza o dia que havia provado daquela tentação. “Pelos deuses isso é loucura, já tive tantas ragazzas em minha vita e eu tinha que me enamorar por ela? Justo ela que simplesmente me vê como um cão? Maledetto, maledetto cuore*!” – Pensou Manigold.
Akemi ficou sem reação, havia dias que o italiano se mantinha o mais longe possível de si e ela se esforçava ao máximo para acompanhar o ritmo do outro e mesmo negando para si dia e noite na tentativa inútil de se fazer acreditar que ele não significava nada naquele momento sentindo-o assim tão perto, mas ao mesmo tempo tão longe teve a certeza de que ele significava tudo. Seu coração parecia que ia explodir tamanha ansiedade e uma vontade louca de se atirar de vez nos braços fortes e nos lábios habilidosos do canceriano.
– Gomen ne. – Sussurrou a loira com esforço ao ser retirada de seus devaneios pelo movimento do elevador.
–Devia olhar melhor por onde andar ragazza, pode não ter sorte da próxima vez. – Respondeu Manigold que tirando forças sabe se lá de onde conseguiu finalmente afastar a loira de perto de si.
Akemi acompanhou o movimento do canceriano sem desviar o olhar. Aquela situação estava se tornando cada vez pior, seu corpo e seu coração já não suportavam mais tanto esforço em esconder o que realmente sentia e a culpa por ser o pilar daquela situação só aumentava cada vez mais. Já havia tentado se desculpar com o outro por duas vezes, mas o mesmo nem se quer parou para lhe ouvir e já não sabia mais o que fazer para mudar aquela situação.
–Você nunca vai me perdoar não é?! – Disse baixo
–Eu já falei que não quero falar sobre isso. – Volveu Manigold seco.
–Gomen nasai*? O-negai*. – Pediu baixo e cerando os punhos, mas em uma altura suficiente para Manigold que engoliu em seco. – Me desculpa, me desculpa, por favor, eu...eu... – Não terminou, pois Manigold interrompeu sentindo uma aflição crescer dentro de si.
–Devia ter pensando nisso antes ragazza.
– Você nunca vai me desculpar? – O italiano esforçava-se para manter-se firme mesmo sentindo o coração apertar dentro do peito. – Você nunca vai me dar direito a uma segunda chance? – Completou Akemi sentindo os olhos arderem pelas lágrimas que já não suportava por tempos segurar.
–Que diferença isso faz para você bella? – Falou caminhando para saída do elevador com Akemi ao seu encalço. – Eu sou só um cão sarnento, lembra-se?!
–Você nem parou para me ouvir.
–Você não tem nada para me dizer Akemi. – Rosnou Manigold já sentindo a irritação crescer graças a sensação de pesar que os apelos da loira causavam em si.
–Como você sabe? Você nem me deu uma chance.
O italiano já perdendo a paciência com os lamentos da loira voltou o olhar irritado fazendo-a estancar assustada, segurou forte no braço fino obrigando a japonesa a uma careta de dor e saiu arrastando-a consigo para a área da copa. Mathure observou a cena já imaginando que aquilo não iria acabar bem, resolve então se manter por perto caso o italiano perdesse as estribeiras.
O canceriano praticamente jogou Akemi na copa que resmungou algo em japonês que ele resolveu nem perguntar para não se aborrecer mais. Na verdade nem sabia se realmente estava com tanta raiva. Confuso, orgulho e magoado o “casca grossa” já nem sabia mais como agir e nem mais por quanto tempo aguentaria se manter firme em repelir aquela tentação. Às vezes pensava em ceder de uma vez e quem sabe não seria melhor ir de uma vez para cama com ela e que aquilo não passava de um fetiche com uma ninfa com cara de anjo, mas quando se imaginava provando cada pedacinho da pele de pêssego seu coração reagia de uma forma como nunca reagiu e isso o amedrontava o que era surreal para Manigold, nunca sentiu medo de nada e muito menos de mulher e sentir-se amedrontado por uma... uma...MAGRELA como Akemi, isso era mais do que irritante, era humilhante.
– Não precisava sair me puxado com tanta força. – Resmungo Akemi massageando o local.
–Escuta aqui ragazza, minha paciência tem limite e ela já está chegando ao fim com você. Já falei não só uma vez, mas várias vezes que não quero saber de suas desculpas.
– Perca a paciência, perca tudo que quiser Manigold, mas me dê uma chance de me explicar.
– Explicar o que Ragazza hãn?!!! – Berrou o canceriano. – Explicar o que? Que você tem nojo de mim? Que você me vê como a pior das criaturas? Como você mesmo disse...UM CÃO SARNENTO? – Berrou outra vez.
–NÃO!!! Eu não... – Tentou argumentar Akemi sentindo uma aflição crescer dentro de si.
–Não me vem com essa Akemi, estou entalado até agora com o que disse e você vem querer me dar explicações? Não existem explicações, nada do que você disser irá me fazer esquecer o que disse e como me senti humilhado. – Rosnou o italiano.
– Eu sinto muito. Eu...eu... – Akemi aproximou-se rápido do italiano ameaçando tocá-lo, mas o mesmo foi mais rápido se esquivando. – Manigold, o-negai*...eu...me escuta por favor!
Manigold olhou com o cenho franzido a expressão de desolada de Akemi o que fez sentir-se como se pedras de gelo se formassem em seu estômago, a loira parecia realmente arrependida, os olhos turquesa brilhavam pela humidade das lágrimas que começavam a se formar nas laterais como pequenas pérolas, as bochechas ficaram ainda mais rosadas e os lábios entreabertos e trêmulos. Pensou em como seria muito melhor deixar essa história pra lá já que ela realmente mostrava-se arrependida e tomá-la nos braços de uma vez como a coisa mais preciosa que já tivera, mas não, não era justo, não podia ceder a aqueles olhinhos azuis suplicantes mais lindos que já havia visto e que o encantava mais do que qualquer outro. Aquela loirinha metida precisava de uma lição, saber que ela não era o centro das atenções e que ser perdoada por um erro não era simplesmente pedir desculpas.
– Olha aqui não me vem começar com a choradeira não sua magricela, eu odeio essas cenas. Não vai pensando que essas lagriminhas irão me convencer ou me comover capisce*? – Disse com a voz carregada por uma falsa irritação.
Akemi sentiu a vergonha tomar conta de toda sua face, mal Manigold sabia que quando se referia a ela com aquele adjetivo só piorava ainda mais a situação.
–Seu idiota!!!!Eu odeio você!!!!!!!! Não acredito que vim até aqui te pedir desculpas e você...você...ta me tratando desse jeito. – Berrou de raiva e vergonha. Odiava quando o outro usava aquele adjetivo para se referir a si. As mulheres que passavam pela cama do canceriano eram sempre mulheres voluptuosas e ser enquadrada com alguém abaixo disso era um martírio, era ter a certeza que era miseramente inferior a qualquer vadia que ele já tenha transado e que jamais seria vista como uma mulher atraente aos olhos do italiano. Esfregou os olhos com força secando as lágrimas que insistam em cair, Manigold arregalou os olhos de espanto, mas não cedeu, era orgulho, muito orgulho e não seria uma “magricela” metida como Akemi que o faria cair de quatro apaixonado.
–Ahhhhh ta aí, botando as garrinhas de fora. Eu sabia, você não passa de uma garota mimada.
Mathure que já imaginava no que aquela conversa em particular chegaria correu para o local na tentativa de apartar a briga que já ecoava pelo salão da Óros chamando a atenção de todos. Ao entrar na pequena copa espantou-se com o estado de Akemi, a loira tremia com os punhos cerrados enquanto as lágrimas desciam por seu rosto e Manigold que mesmo sisudo mantinha um olhar de surpresa ao ver a reação da japonesa.
–Pelos deuses vocês enlouqueceram? – Interferiu Mathure que foi ignorada por ambos.
– Eu não sou mimada, você é um ogro e mal educado. – Rosnou Akemi
–Ahhh dio mio quantos elogios ragazza eu esperava mais de você, já foi melhor nisso sabia?! O que foi, está perdendo o jeito com o gelo que dei em você?! Odeia ser ignorada não é sua ma-gri-ce-la! – Soletrou a última palavra com escarnio fazendo Akemi bufar ainda mais de ódio.
– Por que você não desaparece?? – Berrou Akemi que levantou os braços para socar Manigold que levantou as mãos para se defender. Mathure correu e segurou a amiga que se sacudia tentando se soltar.
–Eu sumir? Por não fazemos ao contrário e você some? Ah melhor, por que você não MORRE logo de uma vez? Resolveria muita coisa sabia?!! – Volveu Manigold se afastando. Mathure arregalou os olhos sem acreditar no que tinha acabado de ouvir assim como Akemi que fechou os olhos com força tentando controlar as lágrimas.
–Manigold!!!!!! Já chega!!!!!!! – Berrou Mathure. – Vocês já passaram dos limites, estamos na Óros e não na casa de vocês, se querem pôr os pingos nos “Is” então, vão para outro lugar, de preferência um motel por que é disso que vocês dois precisam. – Disse Mathure.
–Ahh Mathure, não me enche. – Disse Manigold saindo da sala em seguida.
Akemi se jogou nos braços de Mathure deixando as lágrimas caírem com força, os soluços agora incontroláveis escapam sem permissão de sua garganta. Mathure acariciou os fios loiros com carinho sentindo tristeza ao ver a amiga daquela forma, uma forma que na realidade era completamente sem sentido, uma briga inútil por motivos que nem mesmo eles sabiam, mas uma coisa era certa, eles se amam só ainda não tinham coragem de assumir nem para si mesmos o quanto aquilo os já tinha dominado.
–Ah minha amiga não fica assim. Não chora.
–Por que? – Disse entre os soluços. – Por que Mathure? Não podia ser qualquer outra pessoa? Por que tinha que ser ele? – A loira apertou ainda mais o abraço tentando encontrar algum apoio.
–E desde quando a gente escolhe essas coisas?! Ah minha amiga, por que você não me deu ouvidos? Olha isso tudo... olha pra você, olha pra ele. Vocês... vocês estão no limite e mesmo assim nenhum quer ceder. Olha isso vai passar, demora, mas passa.
– Por que está me dizendo isso? Com você passou? – Questionou Akemi entre os soluços.
–Não minha amiga...não passou. Eu amo Asmita demais e foi por isso que cedi. Eu sei como se sente, por isso aconselhei você a dar uma chance a ele, a vocês.
–Como Mathure? Como eu posso dar uma chance a alguém como Manigold? Você ouviu do que ele me chamou você ouvir o que ele disse, ele me vê como uma... uma garota mimada e...e....magricela!! – Caiu no choro. – Só por que...só por que...só por que não sou...voluptuosa como você ou Esther...até a nerd da Jim é mais...mais atraente do que eu. Ele não faz ideia de como eu me sinto.
–Da mesma forma que ele se sentiu quando você o chamou de cão sarnento. Está feliz agora?
–Eu já pedi desculpas Mathure, eu juro eu nunca me arrependi tanto de algo em toda minha vida. Eu queria...queria...que ele me desculpasse, que as coisas ficassem bem e que pudessem pelo menos ser como antes. Me sinto horrível quando ele me ignora, meu peito dói sempre que me aproximo e ele sai de perto como se eu fosse uma doença contagiosa e o pior é que...eu...eu...sinto falta dele e uma necessidade horrível de estar perto dele, de tocar, abraçar e ...e... você ouviu? Ele disse que queria que eu morresse... Ahh meu Deus!!! – Confessou caindo no choro outra vez.
–Ele não quer que você morra ta bom?! Olha faz o seguinte bebe um pouco de água, respira e vamos para labuta okay?!Dê tempo ao tempo e tudo vai dar certo. – Consolou Mathure. Akemi olhou para a água no copo mantendo-se em silêncio por alguns segundos.
–Eu o amo. – Confessou. – Eu o amo Mathure não sei como, mas...simplesmente não consigo estar perto dele e não pode fazer nada essa é a verdade.
–Não é pra mim que você tem que dizer isso.
–E nem pra ninguém. – Volveu Akemi sentada abraçando Mathure pela cintura.
Atrás da porta Manigold que havia resolvido voltar e se desculpar por ter passado dos limites em desejar a morte da loira acabou “sem querer” escutando praticamente toda a conversa. O italiano levou uma mão à boca e outra ao peito como se quisesse manter o coração no lugar tamanho a força que o mesmo bombeava todo seu sangue por suas veias.
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Na delegacia, Hakurei observava a feição séria de Degel com ar de interrogação. O francês havia acabado de dizer que sabia quem era Alone, o psicopata que perseguia Jim a anos.
–Como assim você sabe quem ele é? A quanto tempo sabe disso? – Perguntou Aiacos surpreso.
– Já faz algum tempo. – Volveu Degel calmamente.
–E se já sabia disso por que não nos procurou antes? – Questionou Hakurei.
–E é por isso que vim aqui, explicar e esclarecer coisas que nem mesmo Aspros ou Defteros poderiam.
– Peraí você conhece a Aya há muito menos tempo que os gêmeos e como pode saber de coisas que nem mesmo eles sabem?! Aff... está me deixando confuso. – Volveu Aiacos coçando a cabeça em uma demonstração clara de confusão.
–Bom para começo de conversa a Jim me contou tudo ontem à noite. – Confessou Degel.
–Tudo? Como assim tudo? – Questionou Aiacos.
–Oui, tudo! – Respondeu calmo.
– Bom se você diz que sabe de tudo então vamos ao que interessa. Quem é ele Marchand? – Foi direto Hakurei.
Degel respirou fundo enfiando a mão em um dos bolsos sacando um pedaço de papel amassado, remendando com algumas fitas, mas devidamente dobrado entregando-o em seguida. O detetive olhou ressabiado para o papel o pegando das mãos de Degel, olhou para Aiacos que observava curioso para que abrisse logo o maldito papel. Quando o detetive finalmente desdobou com cuidado o papel quase caiu duro sem acreditar no que via.
– Onde conseguiu isso? – Perguntou Hakurei surpreso.
– Com quem mais eu conseguiria se non com Jim?! Respondeu Degel frio.
–Há quanto tempo está com isso? – Perguntou Aiacos retirando das mãos de Hakurei o papel e observando com cuidado.
– Eu e Jim começamos a nos relacionar quase um mês depois que ela ingressou na Óros. Ela passava mais tempo em minha casa do que na sua própria. Com o passar dos dias, observei que Jim tinha um sono completamente perturbado na grande maioria das vezes, chegando ao ponto de acordar gritando.
–NÃOOOOOO... NÃOO...
–Jim acalme-se sou eu chéri. Fiquei calma foi só um pesadelo, um pesadelo. – Lembrou Degel.
– Depois desses episódios comecei a prestar ainda mais atenção nela. Em certa noite eu mal consegui dormir devido o quão perturbado estava sendo seu sono. Ela repetia nomes e palavras, algumas em sua língua mãe seguidas vezes. Fiquei observando a angustia estampada em seu rosto e o suor que molhava a cama quase sempre até que ela acordou. Fingi estar dormindo e esperei para ver o que ela faria. Jim levantou e caminhou saindo do quarto, ouvi quando ela começou a descer as escadas e então eu resolvi observar o que ela faria. Ela entrou em meu escritório e depois de alguns minutos saiu com uma folha de papel e algumas canetas na mão, sentou na poltrona e começou a rabiscar freneticamente. Era como se ela quisesse descontar o que a perturbava naquela folha, eu nunca tinha visto ela daquele jeito, fiquei da escada observando sem deixar que ela me notasse até que de repente ela parou. Parou e ficou mirando o papel com o olhar perdido, depois de longos minutos se levantou e ao mesmo tempo em que caminhava para cozinha ela começou a rasgar o papel. Voltei para cama rapidamente e fingi ainda estar dormindo, senti a cama se movimentar quando ela simplesmente deitou e dormiu tranquilamente. Aproveite a oportunidade e sai do quarto devagar, quando cheguei à cozinha revirei o lixo onde imaginei que ela havia jogado os pedaços do papel. Juntei tudo com cuidado até completar o desenho.
– Ela desenhou o rosto dele. – Sussurrou Aiacos.
– Como você tem certeza de que esse é o rosto dele? – Perguntou Hakurei.
–Por que eu o vi, foi por isso que guardei o desenho. – Hakurei levantou as sobrancelhas e depois franziu o cenho sem desviar os olhos do olhar gélido de Degel. – No dia em que a Jim ingressou no grupo da Óros, nós almoçamos todos juntos. Antes de sairmos uma mesa em específico chamou minha atenção, non pela pessoa em si e sim pelo vinho que ela bebia. Era meu vinho favorito... foi quando eu o vi pela primeira vez. Depois disso eu percebi que na maioria das vezes ele costumava sempre estar no mesmo lugar que nós. A imagem dele ficou fixa em minha memória graças à garrafa de vinho, de início achei que non passava de mera coincidência, mas quando vi o desenho da Jim eu tive a certeza de que non era coincidência. Ele estava seguindo-a, observando-a de longe.
– Ele sabe que você sabe quem ele é? – Perguntou Aiacos.
–Non faço ideia, mas acredito que non.
–Esperai aí, tem alguma coisa que não se encaixa. Você disse que o viu no primeiro dia de trabalho da Jim.
–Oui. – Respondeu Degel somente
– Então se ele estava lá no 1º dia em que a Jim entrou para Óros isso significa que ele sabia onde ela estaria então, ele já sabia onde ela estava antes de entrar para Óros?!
–Foi exatamente o que eu pensei detetive. Tudo leva a crer que ele já sabia onde ela estava e sabia exatamente aonde ela iria. Isso é um sinal de que ele já observava os passos da Jim antes da Óros. – Completou Degel.
– Mas o Aspros disse que a Jim sempre esteve sozinha, que a manteve sozinha e escondida tanto que a depressão dela se agravou ao ponto de tentar suicídio quando estava na China, mas se ele está dizendo a verdade e se Alone sabia onde Jim estava no dia em que começou a trabalhar por que ele não tentou matá-la antes disso? Por que esperou ela ir para Óros onde ela seria bem mais visada? – Questionou Hakurei pensativo.
– Por que Aspros estragou tudo. – Respondeu Degel.
–Como assim? Aspros? – Perguntou Aiacos surpreso.
–Oui...Ele non quer matar a Jim Hakurei. – Disse Degel levantando-se e ajeitou a manga de sua blusa social 7/8 fazendo os dois voltarem seus olhos surpresos. – Ele quer que a Jim se mate. Por isso ele non fez nada nos anos em que ela viveu pulando de um lado para o outro, ela estava definhando exatamente como ele queria. Ele quer ver a Jim tão desesperada a ponto de tirar sua própria vida o que ela quase conseguiu. Aspros non errou em pô-la na Óros ele errou em non ter contatado as autoridades e contado sobre o caso dela, se ele non tivesse feito isso ela teria morrido doente e sozinha, ele a salvou como disse que faria. Por isso Alone apareceu novamente por que Jim voltou a viver. O alvo dele Hakurei non é ela...somos nós. Ele vai tentar matar cada um de nós para afetar a Jim até que ela non suporte mais a culpa e faça o que ele tanto quer o que ele tanto espera. – Disse Degel caminhando em direção a saída. – Jim teve a primeira crise quando Regulus foi atropelado e... se alguma coisa acontecer com mais alguém eu non sei se ela irá aguentar. Ela já perdeu demais detetive... acredite.
–E não há dor maior do que perder as pessoas que ama. – Disse Hakurei.
–Ainda mais assassinados por uma culpa que você acredita que é sua, mas na realidade non é. – Completou Degel abrindo a porta.
– Ei..onde pensa que vai a conversa ainda não acabou ohhh sabichão. – Reclamou Aiacos.
–Eu já disse o que era de mais importante no momento e também já fiz... lhes dei um rosto, agora preciso ir. Jim está em minha casa sozinha e eu non quero que ela fique assim por muito tempo. Voltarei amanhã se ela me der a autorização de contar tudo que me contou a vocês, já tem meu telefone detetive e pode me procurar quando achar necessário. Eu entrarei em contato caso eu descubra mais alguma coisa. – Disse saindo em seguida.
Hakurei manteve-se sentado refletindo nas palavras de Degel, realmente ver pessoas que ama serem atacadas por um louco e sofrerem sem culpa era muita tortura, Jim havia presenciado a morte dos pais e do irmão e agora pessoas a sua volta estavam correndo perigo por “sua causa”, se é que poderia se dizer. O rapaz apresentou-se como a luz que faltava para as investigações. Não havia mais motivos para mantê-lo ali no momento, realmente o mais importante ele havia feito, havia dado o rosto de Alone a eles, o que ele queria afinal e os alvos. Lógico que aquilo tudo era a conclusão que Degel chegara, mas se ele estivesse certo o grupo da Óros corria muito mais perigo do que Jim propriamente.
–Teema!! – Berrou Hakurei.
–Sim senhor!! – Disse o rapaz esbaforido.
–Mande reforçar a segurança no prédio da Óros Ólimbus agora!! – Ordenou o detetive.
– Por Zeus que loucura, matar pessoas inocentes para torturar psicologicamente uma só pessoa...isso é surreal.
–Não meu caro... é cruel, ele desconta sua raiva nas pessoas que ela ama...quer dor maior do que carregar o peso da morte de seus amados?! Saber que eles foram torturados e mortos injustamente?! E que você...- Hakurei fez uma pausa respirando fundo. – Que você é a causa disso tudo? – Aiacos abaixou o olhar imaginando tudo aquilo.
– Pobre Regulus... e agora quem será o próximo? – Sussurrou o detetive ainda mais apreensivo.
– Eu irei com alguns homens para lá também. – Disse Aiacos saindo em seguida.
Hakurei manteve no mesmo lugar, pensando em tudo aquilo, nas coisas que Jim havia presenciado. Havia perdido seu irmão para um câncer e sabia exatamente a intensidade da dor da perda e, mas só de imaginar sua filha e esposa sendo arrancadas de si de uma maneira tão brutal por sua causa fez o peito do detetive doer, não que a perda para uma doença fosse menor, mas o trauma de um assassinato tão cruel com certeza devia ser muito maior.
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Na Óros Manigold depois de ouvir a conversa de Akemi e Mathure correu para banheiro para tomar folego e processar a “declaração de amor” acidental da loira. O canceriano passou as mãos úmidas no pescoço e nos cabelos enquanto a frase da loira ecoava repetidas vezes em sua cabeça. Começou a andar de um lado para o outro sem saber o que fazer, por um lado estava feliz, por outro desesperado, mas não entendia o porquê. Qual era o problema em ouvir uma declaração como aquela? Já tinha ouvido de várias mulheres declarações apaixonadas, mas por que saber que loira o amava o incomodou de uma maneira tão estranha? Sentiu vontade de pular, chorar, gritar, rir, socar a cara de alguém – de preferência a sua própria- e principalmente correr até ela pedir desculpas e dizer que ia ficar tudo bem, dizer que se arrependia profundamente por ter dito que preferia que ela morresse e que no fundo...no fundo queria ela só para si, mas como fazer isso era a questão. Será que ela iria acreditar em si dessa vez ou daria mais um de seus “pitis” e o xingaria de tudo quando é nome?
–Cazzo*!!! – Xingou dando um chute na pobre lixeira que tombou derrubando todo o lixo.
–Eiii má que mau humor é esse mio amigo? – Disse El Cid espantando com o desespero do italiano que andava de um lado para o outro exacerbado.
– Perché io sono uno stronzzo isso sim El Cid...uno stronzzo!!! – El Cid arqueou uma das sobrancelhas sem entender nada.
– Y porque eres un idiota? Comeu alguém e se arrependeu carcamano? – Perguntou El Cid com um sorriso irônico.
– Ahhhh El Cid io não comi ninguém. – Rosnou Manigold. – Já nem lembro qual foi a última vez que comi alguém.
– Então já entendi o motivo do nervosismo, era pra ter comido e perdeu a oportunidade, acertei?! – Disse El Cid com seu forte sotaque espanhol enquanto se posicionava para sua necessidade biológica nº1.
– Ma que? Por que o fato de io estar nervoso é por falta de uma trepada, não posso ter outros motivos que não seja relacionado a sexo?! – Disse Manigold cruzando os braços e olhando sério para o espanhol que nem se abalou continuando sua necessidade biológica nº 1.
– Bom então por que não me diz o motivo do nervosismo garanhão?! — Manigold coçou a cabeça sem jeito, não sabia como começar aquela conversa. Na verdade nem se lembrava de já ter se apaixonado por alguém ou muito menos amado alguma garota.
–El Ci...é... imagine que você esteja apaixonado por una ragazza...não, melhor...esteja amando una ragazza, mas essa ragazza não sabe que io...não, que você está gostando dela. –El Cid observava o discurso do amigo com uma sobrancelha arqueada sem acreditar no que ele dizia. A quem Manigold queria enganar? Só podia ser a si mesmo não é?! – Só que você e ela não se dão muito bem e... e você tem uma certa dificuldade de...aproximação com ela...aí de repente você...sem querer descobre que essa...essa ragazza também gosta de você...que ela também te ama. O que você faria? Como você agiria? – Perguntou Manigold com cara de bobo enquanto El Cid mantinha uma sobrancelha arqueada e a feição séria de sempre.
–Por que usted ainda está aqui me falando este montón de mierda em vez de ir logo de uma vez e se declamar para Akemi já que descobriu que o sentimento dela é recíproco? – Respondeu El Cid sem se alterar.
– Io...io disfarço tão mal assim?! – Volveu Manigold totalmente sem jeito, ainda mais pelo jeito sério do espanhol que intimidava qualquer um.
–Ah sim... acho que a Grécia inteira sabe que usted está de quatro pela loira e ela de quatro por usted. Só que são dois teimosos que não tem coragem de assumir nem para si mesmos o que realmente sentem. – Manigold coçou a cabeça sem jeito enquanto meditava nas palavras do espanhol.
–Io não sei se ela vai acreditar em mim El Cid e ainda mais agora que eu acabei sem querer ouvindo a conversa dela com a bruxa da Mathure. Ela vai achar que ouvi de propósito e que estou inventando isso pra levar ela pra cama. – Manigold voltou o olhar cabisbaixo para seus sapatos. El Cid aproximou-se do amigo e pousou a mão em se ombro.
–Conte a ela independente da reação que usted ache que ela terá. Usted não é vidente e não pode prever como ela reagirá. Usted só terá certeza se decir la verdad. Não espere para dizer isso quando não puder mais amigo, o tempo não volta.
Manigold olhou para El Cid e sorriu para o amigo que retribuiu. Ele estava certo, pensando bem a loira talvez já havia tentado dar o primeiro passo, mas por sua teimosia não quis ouviu, agora que já sabia que o que ela realmente sentia não era tarde demais e nem talvez tão difícil, lógico se fizesse da maneira correta, ainda não havia perdido a guerra, era preciso pôr os parafusos no lugar já que a besteira já havia sido feita o jeito era correr atrás do prejuízo antes que realmente fosse tarde demais.
Continua...
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