Notas iniciais
Olá pessoal! Essa será uma fic de até dois capítulos que eu decidi escrever após ter crise de risos com as meninas do Autorinhas, quando uma amiga postou um vídeo muito divertido do TikTok (Curiosas, é só olhar no meu perfil do Insta). Espero que se divirtam comigo nessa breve aventura. É um casal totalmente fora da minha zona de conforto, e confesso que me surpreendi, pois é simplesmente um dos melhores casais com quem já trabalhei (SasuHina tem uma vibe muito boa, sério). Lembrando, se não gosta, não leia! Mas se gosta, tenha uma boa leitura!

Meu pescoço estava cheirando à chiclete, meu cabelo mal conseguia se mover, colado em meu couro cabeludo, e sinceramente a única coisa que queria era checar se minha língua ainda estava em minha boca, já que depois de tanto escovar mal conseguia sentí-la. Seria uma rápida checada, movê-la para fora e quem sabe raspar em meus dentes, só para ter certeza de que as terminações nervosas ainda estavam lá. Seria bem rápido, mas para isso eu teria que me levantar, andar até a porta do meu quarto, e fazer minha triagem. Rápido, mas eu não podia fazer isso com os meus pés amarrados na escadaria do beliche.

— Isso é mesmo necessário? — questionei irritado.

— Sim, fica quieto.

— Meu tornozelo está doendo — chiei, puxando as cordas na vã tentativa de aliviar a dor. — E isso aqui não está parecendo muito firme.

— Relaxa cara, fui eu quem fez.

— É esse o meu medo.

O loiro bufou, finalmente largando os pedestais e a câmera, me dando a devida atenção. Seu rosto parecia animado apesar de não ter gostado do meu comentário, mas isso não era novidade. Para todos os sentidos, Naruto parecia um daqueles anjos que ficam no topo da árvore de Natal. Ao menos era o que eu passei a pensar alguns minutos atrás, e, embora sempre tenha me considerado um homem lúcido, o fato de ter me deixado chegar no estado atual era um forte argumento contra a minha lucidez. Isso mais o fato de que já estava há algum tempinho de cabeça para baixo.

— Beleza, agora presta atenção. — Continuou, repetindo pela milésima vez sua ideia de girico. — Eu vou soltar a música e a cada batida você faz uma flexão.

— Eu não sei fazer flexão — insisti, cortando-o — Eu nunca fiz uma única flexão na minha vida, Naruto!

— Eu sei. — O loiro comentou, movendo a cabeça em negação de forma desnecessariamente exagerada. Ou talvez fosse o sangue afetando minha visão. — Infelizmente, eu fui arrumar um nerd antissocial para ser meu melhor amigo.

— Primeiro, se eu sou seu amigo, não sou antissocial.

— Há contrapontos.

— E segundo — continuei ignorando-o — Nerd deixou de ser ofensa faz anos.

— Se quiser eu posso te chamar de Otaku.

— Cala a boca e anda logo com isso!

— Então fica quieto e me deixa falar. — A contragosto mordi os lábios, calando minha boca. Na verdade, minha única vontade era gritar todos os xingamentos que eu conhecia e formar mais alguns novos, mas não era do loiro que eu sentia raiva, então isso seria injusto. — Como suas pernas estão amarradas, você vai ter que fazer bem menos força, tá bem? Ai, eu vou soltar a música e a gente grava você fazendo umas duas vezes, depois você troca de roupa e repetimos.

— Espera, ninguém falou nada sobre ter que trocar de roupa.

— Você acha o que? Que naqueles vídeos a roupa muda por mágica?

Mordi minha bochecha, passando a mudar o alvo dos meus xingamentos. Naruto sorriu vitorioso com a minha falta de resposta e se aproximou fazendo os últimos ajustes, enquanto eu me preocupava em pensar como diabos faria uma única flexão sem infartar no processo.

— Deixa eu só arrumar sua blusa.

Fiquei parado, deixando que as mãos do loiro enfiassem parte da minha camiseta no cós da calça, de alguma forma tentando prender o tecido no lugar. Nos conhecíamos a tempo demais para que esse tipo de gesto causasse qualquer constrangimento, todavia, quando a porta abriu com força, foi impossível impedir meu sangue de congelar.

Os olhos negros me fitaram em completo espanto, à medida que a franja se derramou pelo rosto que virava de lado, tentando entender o que exatamente estávamos fazendo. Eu não estava em sua posição, mas mal precisei usar minha rede neural para entender o que ele via: Naruto, com os dedos pregados em minha calça e meu rosto desnecessariamente perto da sua virilha.

— Eu volto mais tarde? — perguntou, claramente divertido com a cena.

— Eu odeio minha vida — murmurei.

— Eu sei e é por isso que eu vou torná-la gloriosa. — Naruto se abaixou, dando um rápido selinho em meu nariz, se afastando antes que minha mão acertasse seu rosto. — E não é o que você está pensando. — Concluiu, voltando-se ao moreno.

— Sabe, você devia ter dito isso quando eu entrei e não depois de beijar ele — respondeu de forma grave.

— Ou talvez eu devesse ter posto uma gravata na porta.

— É, mas aí eu teria tirado uma foto e conheço alguém que não ficaria nadinha feliz com isso.

— Mas agora já é muito tarde, seria a sua palavra contra a minha.

— Tenho o Sasuke como testemunha.

— É óbvio que ele ficaria do meu lado — Afirmou, apertando o peito como se estivesse extremamente consternado. — Não é, Sasuke?

Choraminguei, nada contente em ver os dois discutindo uma falsa traição enquanto meus tornozelos queimavam e o chão parecia cada vez mais próximo. A cada segundo que passava, tinha cada vez mais certeza de que pedir ajuda ao loiro tinha sido uma ideia tão ruim quanto aceitar gravar o maldito vídeo.

— E se eu só enviar uma mensagem para ela? — insisti.

— Isso não é uma opção.

— É o que pessoas normais fariam.

— Mas ela não é uma pessoa normal, ela é uma estrela, Sasuke. — Revirou os orbes, movendo as mãos como se precisasse desenhar suas palavras.

Se eu não estivesse amarrado a escada, provavelmente o teria socado.

— Mas ela veio até mim como uma pessoa normal.

— Lee, me ajuda aqui.

O moreno ergueu os olhos das luzes que terminava de ajustar, tomando o máximo de cuidado com o próprio equipamento. Lee era sem dúvidas o tipo de amigo que topava qualquer coisa, ótimo quando se estava em apuros tanto quanto era bom em se meter neles. Naruto mal tinha chegado em minha casa quando o estudante de cinema apareceu na Kombi velha do pai, com todos os equipamentos que um estudante poderia ter, e montou um mini estúdio no meu quarto. Nós não nos falávamos muito, na verdade, se não fosse pelo loiro provavelmente nunca teríamos nos conhecido, mas o fato dele ter aceitado me ajudar sem receber nada em troca, gastando um sábado com um pseudo desconhecido, era sem dúvida louvável.

— Eu não posso ajudar muito — comentou, voltando-se a ajustar os refletores. — Eu nem mesmo sei quem ela é.

— É verdade, eu esqueci de mostrar.

— Sasuke — O moreno continuou, chamando minha atenção. — Pode olhar para cá, por favor?

Fiz o pedido, vendo a contragosto o rapaz me fitar através da lente da câmera, indicando que minha sentença já estava dada. Seria cruel eu dar para trás agora e fazer ele desmontar tudo.

Vi pelo canto do olho Naruto caminhar até sua mochila, tirando meio mundo de lápis, cadernos e todas as bugigangas sem sentido que ele sempre carregava na bolsa — aparentemente todo lugar era passível de um momento eureca —, até enfim encontrar seu celular soterrado.

— É sério, você precisa trocar essa tela — comentei, tentando me distrair do desconforto.

— Que insulto! — Continuou de forma dramática. — Ela está ótima, não é Lee?

— Espera, isso era para ser uma tela? — Brincou, sorrindo malicioso. — Achei que era uma de suas intervenções artísticas,

— Isso, tipo um vidro texturizado.

— Nossa, vocês dois são tão engraçados — revirou os orbes — Vem logo aqui.

Lee se aproximou indiferente, sem a menor pressa de largar o equipamento enquanto o loiro se aproveitou disso para fazer seu celular funcionar. E, enquanto ele aproveitava para isso, eu me beneficiava do meu jeito, procurando alguma maneira de soltar meus tornozelos. Sinceramente, não pretendia fazer aquilo e se fosse, não confiava que depois o Naruto não aproveitaria disso para fazer algumas gracinhas.

Me curvei da melhor forma que pude, sentindo com horror minha barriga tremer por completo em espasmos pelo mínimo esforço feito. Naruto tinha razão, eu precisava treinar mais.

Bem aqui.” conclui, enfiando meu dedo pelo nó, tentando abri-lo. Nunca, em toda a minha vida, tinha visto um nó daquele. Ele simplesmente dava uma volta em si mesmo, e cada vez que meus pés se moviam se apertava mais, arranhando minha pele. Porque o loiro sabia fazer um nó desse jeito era definitivamente uma coisa que eu não queria descobrir.

— Olha, ela postou um vídeo novo!

— O quê?

— Deixa eu ver — pedi, tentando me inclinar em sua direção.

O mais velho se aproximou, deixando que eu me esgueirasse para ver a tela trincada. A posição não era nada confortável, mas o fato de eu estar disposto a ficar nela apenas para ver o vídeo, fez eu me sentir um grande idiota. E, ainda assim, mantive os olhos atentos.

— É essa? — Lee indagou surpreso quando seu rosto delicado surgiu na tela. — Cara, ela é muito bonita.

— Sim — comentei, me arrependendo no minuto em que vi seus olhos se cruzarem e o sorriso malicioso brotar em seus lábios. — Calados.

— Qual é mesmo o nome dela?

— Hinata.

— Meio que combina com ela — Naruto comentou, finalmente dando play no vídeo. — Ela parece uma boneca de porcelana.

— Isso são lentes?

— Não. — Disparei em sua defesa.

Estava certo que da primeira vez que a vi também pensei nisso. Seus olhos tinham um tom azul tão claro que chegavam a parecer um branco manchado. Eram tão lindos quanto um céu azul cheio de nuvens. Na verdade, todo seu rosto parecia um céu, pois quando a morena sorria, era exatamente como o sol se iluminando.

— Cara, é muita planta.

Sorri em resposta, dessa vez não tendo como defendê-la. O acúmulo de plantas que a morena tinha pelo quarto seria trágico se o motivo não fosse tão engraçado.

Assistimos em silêncio a Hinata apoiada sobre os joelhos, prendendo o cabelo no topo da cabeça, enquanto movia a mão livre como se estivesse por trás de uma bateria. Seu corpo estava quase que ocultado pelo largo pijama roxo, com pequenos dinossauros desenhados. Rapidamente entendi que devia ser um daqueles vídeos em que trocava de roupa. Ela tinha vários desse tipo, algo justo já que fazia faculdade de moda, e em cada vídeo montava um visual diferente e tão glamuroso quanto o outro.

Já tinha visto inúmeros vídeos desse tipo, mas nenhum deles me preparou para isso. De repente, a música simplesmente mudou, abandonando a melodia fofa para uma eletrônica que meu cérebro mal teve tempo de entender, quando a luz diminuiu e a quantidade de suas roupas também diminuiu consideravelmente. No lugar do largo pijama, Hinata estava com um sutiã preto que perdia as alças sob o largo blazer também preto, abotoado na barriga.

Se a quantia de tecido podia, de alguma forma desviar atenção de seu decote, não podia dizer o mesmo das pernas, que esbanjaram o branco límpido, cobertas apenas por um pequeno shorts branco, com fitas que lembravam laços próximos as coxas, não muito distante de onde as longas meias começavam, desenhando flores em sua pele.

Seu cabelo estava preso em um alto rabo de cavalo, dando total visão de seu busto. Dizer que aquela visão era sexy não passava de puro eufemismo, e cada sorriso que a jovem dava, movendo o rosto de forma tímida, os sinais de que eu provavelmente estava tendo uma overdose pareciam ainda mais claros.

— Uau… — Naruto exprimiu quando o vídeo se repetiu pela terceira vez.

— Nada mal — Lee concordou, rindo de forma nervosa em seguida.

Esses dois!” sem conseguir me conter, estiquei a mão, pouco me importando com a minha posição precária.

— Parem de babar em cima dela... — Rosnei, tentando agarrar o celular.

Ao menos, foi o que tentei dizer, mas mal consegui terminar a frase, ou tão pouco chegar perto do aparelho quando enfim os nós deslizaram afrouxando-se, e a sensação de queda livre tomasse meu corpo. Sendo justo, a sensação durou muito pouco comparada com a dor instantânea que senti ao acertar o chão, caindo de costas com os pés pra cima, enganchados no metal.

— Argh… Merda — xinguei, sem qualquer coragem de me mover.

— Aí, essa doeu — disse apenas, e o senti se curvar sobre mim, bloqueando parte da luz. — Tá tudo bem?

Não respondi. Depois de tantos anos assistindo a série “Eu sobrevivi” tinha aprendido que até as pequenas quedas poderiam ser as mais perigosas, e eu definitivamente não queria me sentir culpado por dizer que está tudo bem agora e mais tarde acordar num hospital, sangrando pelos olhos. Assim, fiquei em completa inércia, verificando se não tinha deslocado algo além da minha dignidade.

— Sim — Gemi por fim, não sentindo nada realmente grave.

No entanto, me mantive ali, de pernas para cima e olhos fechados, oficialmente me sentindo no fundo do poço. A única coisa que queria era conversar com a garota de quem estava a fim, falar o que eu achava bonito nela, como queria conhecê-la pessoalmente, ou como queria chamar ela para sair desde que todos fomos vacinados, e confessar como ela tinha feito minha quarentena mais divertida. Era só isso, e tinha se tornado algo extremamente complicado.

— Sasuke? — Ouvi Lee me chamar, convencendo-me a abrir os olhos.

Ele estava com a cabeça próxima de Naruto, igualmente curvado sobre minha carcaça, fitando com uma expressão que poderia ser a mais pura personificação de pena. Na verdade, seu lábio estava tão repuxado, que minha penúria parecia estar lhe causando dor física. Os olhos castanhos me mediram dos pés a cabeça, em total silêncio, antes do mesmo finalmente suspirar, buscando por Naruto.

— Sabe, acho que vamos precisar de algo muito maior do que só algumas flexões. — Declarou de forma culpada, antes de voltar-se para mim. — Sem ofensas.

Acenei em concordância, voltando a fechar meus olhos e torcer para que o tapete me sugasse para dentro dele.

***

— Como está a cabeça? — Naruto questionou pela terceira vez, aparentemente se sentindo culpado com a minha queda.

Eu sabia que tinha sido minha culpa — os nós estavam bem firmes até eu ficar mexendo neles —, mas isso não significava que não estivesse bravo pelo idiota não ter me deixado descer quando eu pedi, então ocultei essa informação até vinte minutos atrás, quando parecia que ele iria implodir. Ainda assim, mesmo sabendo de minha autossabotagem, Naruto se manteve igualmente culpado, e isso estava começando a me irritar.

— Eu estou bem. — Bufei, focando em meu celular.

— Encontraram alguma coisa? — Lee questionou, largado em meu tapete em uma posição desconfortável, que me fazia questionar as articulações humanas.

— Nada realmente legal.

Suspirei, afundando contra mim, mais interessado em transformar meu corpo no recheio entre a parede e a cama, do que continuar me frustrando no aplicativo. Para ser justo, duvidava que qualquer vídeo existente poderia impressionar, afinal a mulher não parecia do tipo que se impressionava facilmente. Hinata Hyuuga tinha se tornado simplesmente uma das maiores influencers através do TikTok desde o começo da Pandemia, fazendo vídeos divertidos que explicavam e desmentiam fake news sobre o coronavírus. Ao que parecia, ela gastava todo o fim de semana com uma amiga médica para pegar as informações de uma fonte segura, o que, num momento tão assustador quanto os meados de Abril, foi realmente louvável. E foi exatamente assim que eu a conheci, um leitor ávido por qualquer informação real sobre algo que eu nem ao menos conseguia enxergar.

Agora, com a onda de vacinas, as coisas pareciam ter melhorado, mas a morena continuava na mesma temática, trazendo fatos interessantes, além de mesclar com seus conteúdos sobre moda e estilos. A morena também era uma mulher muito bonita, e não demorou nadinha até que vários fãs começassem a fazer de tudo para chamar sua atenção. Era tudo platônico até então, afinal quem era eu na fila do pão? No entanto, depois que deixei um comentário em seu vídeo e Hinata simplesmente passou a seguir minha conta falida e provisória, foi impossível não surtar.

— Sabe, eu estava pensando nisso — comentou, sentando-se no tapete. — A gente tá montando o vídeo e tal, mas como vamos saber que ela realmente vai ver?

— Como assim?

— Bom, e sem querer ser maldoso, mas e se ela simplesmente seguiu? Sabe, apenas seguindo de volta pessoas aleatórias.

— Isso seria meio estranho. — Conclui.

— Pode até ser, mas o tédio causa coisas estranhas.

— Ei, não fale que o amor da vida do meu amigo só falou com ele por tédio. — Senti as mãos do loiro tampando meus ouvidos antes de realmente ver sua enorme forma quase me derrubando para fora da cama na sua esquisita tentativa de salvar minha honra. — Não escuta ele, nerdzinho.

— Primeiro, vai pra porra — Bufei, afastando-me. — Segundo, o Lee tem razão. Ela me seguiu, mas eu não sei se ela vai responder.

Após a troca de alguns olhares, vi os olhos azuis revirar na órbita antes do mesmo se dar por vencido, passando a segurar o próprio queixo. Assim como sua personalidade excêntrica, Naruto parecia uma cópia de Loopty Goopty's, e vivia fazendo gestos particularmente exagerados, como se nada, absolutamente nada, pudesse ser simplesmente simples. Como ele namorava um cara tão tranquilo era um mistério para mim.

— E se a gente fizer um teste?

— Como o quê?

— Você grava um vídeo bem simples, assim se ela curtir a gente vai saber se ela está te seguindo por estar interessada, ou se não.

— Porque ela não pararia para olhar um vídeo simples — conclui, sorrindo para a genialidade do loiro. — Desde que eu não termine amarrado em nada, que mal faz?

— Beleza, qual vai ser?

— Nada de dublagem, você sabe que eu não sou bom nisso.

— Uma vez eu vi um que o rapaz do áudio vai fazendo perguntas sobre você, e você vai respondendo — Lee comentou, rapidamente abrindo o Youtube em seu celular. — É simples e divertido, além disso não precisa ser o rei do carisma.

— Perfeito para o Sasuke.

Certo, sem dúvida isso tinha sido um insulto, mas levando em conta de que ambos estavam se esforçando ao máximo para me ajudar, preferi ignorar. Me juntei ao moreno, assistindo a menina que apontava para os lados conforme uma voz masculina lhe fazia perguntas no ritmo da música. De certo, até eu conseguia fazer isso.

— Consegue fazer?

— Sim.

— Então vamos lá!

E mais uma vez me vi sendo arrastado em frente ao espelho, com Naruto mexendo no meu cabelo da forma que julgava ficar bonito e desamassando minha roupa, enquanto o Lee ajeitava a luz e câmera. Fiquei repassando o vídeo várias vezes, tentando decorar as perguntas ao mesmo tempo que minha mente traia minha concentração, perguntando-me qual seria a reação que ela teria quando visse o vídeo — se ela visse.

Assim que Lee deu a deixa, me posicionei em frente a câmera esperando pela contagem. Sorria como se fosse alguém legal… Tinha sido o que Naruto pediu, e rapidamente tentei pegar um de seus sorrisos emprestados, um daquele que ele usava toda a vez que estava prestes a fazer uma coisa nova. Com certeza em meu rosto não estava tão brilhante ou desafiador, no entanto, torci para que minha Teoria mental desse conta do recado.

E assim movi os dedos, sem deixar de me sentir um grande idiota, enquanto respondia as perguntas sobre minha idade — 22 —, o curso que eu fazia — Pedagogia —, por alguma razão, a minha altura — 1,89 — e mais coisas que eu não sabia até cinco segundos atrás quando perguntei para minha mãe a que horário eu nasci e os meninos fizeram meu mapa astral — Câncer com Lua em Peixes, seja lá o que isso significa.

Tinha sido apenas alguns segundos e me senti extremamente exausto, não perdendo nenhum segundo depois que Lee desligou a câmera para me jogar na cama.

— Ficou bom?

— Parece que sim — respondeu, tirando o celular do poste. — Dá uma olhada.

Abri espaço para que ambos se sentassem ao meu lado, saindo do caminho antes que Naruto me usasse de travesseiro. Os alunos de artes tinham um conceito muito distorcido sobre espaço pessoal.

Lee deu início ao vídeo, antes de colocar o celular na minha mão, deixando que eu me deleitasse com minha estranha imagem. Não estava realmente forçado, na verdade, parecia que eu era apenas tímido, com uma coloração avermelhada nas minhas bochechas. Todavia, todo o resto parecia brilhantemente suave, como se fosse um dia alegre, como num conto de fadas e eu não tivesse acabado de bater a cabeça no chão.

— Ficou bom. — O loiro comentou impressionado. — Você é talentoso, Lee.

— Verdade, ficou muito legal. — Me vi tão surpreso quanto o loiro.

Lee era realmente incrível com câmeras.

— Valeu, é só treino — Sorriu amarelo, bagunçando o próprio cabelo.

— E agora?

— Agora eu só preciso dar uma editada e postar.

— Quanto tempo acha que vai levar para ela ver? — Naruto questionou.

— Bom, ainda é cedo...

— Ela posta vídeo todos os dias às duas da tarde, então provavelmente deve estar online mais ou menos por esse horário — balbuciei.

Os olhares congelaram sobre mim, avisando mais uma vez o quanto minha inútil habilidade de lembrar de informações tão inúteis quanto, poderiam me fazer parecer um completo perseguidor. Antes que tivessem chance de começar a gozação, devolvi o celular ao moreno e segui em direção a porta, tentando ao máximo fingir que não tinha dito algo esquisito.

— Vou tomar um dipirona — disse apenas, fechando a porta em minhas costas.

Assim que a fechei, foi impossível não me escorar, deixando que meu corpo deslizar junto ao meu suspiro. Cada vez que pensava sobre isso, sobre tudo isso, mais parecia loucura. Que tipo de pessoa se apaixonava por alguém através do TikTok e criava uma pauta de debate só para decidir a melhor forma de chegar até ela? Eu, apenas eu.

Dizia que os estudantes de artes que eram esquisitos, mas sem dúvidas eram os de pedagogia que deviam carregar o título de loucura, até porque era impossível exercer essa profissão sem uns parafusos a menos. Aprendiamos a seguir firmemente e fazer coisas malucas como essas para chegar até os alunos, e algo me dizia que isso não era tão saudável para minha vida pessoal.

Estava me lamentando, começando a questionar o sentido da vida quando ela simplesmente me abandonou, ou apenas fosse a porta que abriu-se em minhas costas, me derrubando. Bom, era difícil dizer, me sentia muito dramático hoje. E mais uma vez me vi largado no chão, fitando os olhos azuis que tinham as sobrancelhas vincadas.

— Eu ia pegar água — explicou-se.

— Eu também ia.

— Jeito estranho de fazer isso.

— Mesmo? Acho que meio que combina comigo.

Naruto sorriu amarelo, estendendo a mão em silêncio, a qual eu aceitei. Mal tive tempo de me pôr em pé antes do loiro começar a me arrastar escadaria abaixo, seguindo até a cozinha. Ao menos, só havia nós em casa, então não precisava dar explicações sobre meu estado físico a ninguém.

O rapaz apenas soltou minha mão quando atravessamos a sala, indo direto a gaveta onde os remédios ficavam, e buscando o dipirona sem qualquer cerimônia. Ele vinha aqui desde que éramos crianças malcriadas que arranhavam os joelhos e fazíamos de tudo para limpar sem que nossas mães vissem, apenas para poder voltarmos a brincar livremente. Na verdade, Naruto já passou tanto tempo em minha casa que já fazia parte da família, entrando e saindo sem mais nem menos.

Sabendo o que viria a seguir, apenas me sentei assistindo o loiro colocar água num copo seguido de quinze gotas e me entregar, por fim sentando-se de frente para mim. Pacientemente, vi seus olhos acompanharem meus movimentos, e sua boca só tornou a se mover quando virei o remédio, fazendo careta pelo gosto.

— Então, o que está te chateando?

— Nada realmente — disse apenas, recebendo um grunhido em resposta.

— Fala logo, Sasuke.

Mordi o lábio, pensando em como explicar minha paranoia.

— Acha que isso é maluquice?

— Isso o quê?

— Sei lá, tudo isso — falei exasperado, recebendo um ponto de interrogação desenhado em sua testa. Naruto tinha entendido, eu sabia disso, mas para o loiro a palavra era terapêutica e ele me forçaria a explicar. — Fazer tudo isso só para chamar a atenção de uma garota…

Estalou a língua em resposta, coçando a própria nuca e sem querer me dando minha resposta.

— Sabe que eu não sou uma boa pessoa para julgar isso. Lembra do que eu fiz só para pedir o Gaara em namoro?

Ah, e como eu sabia. O Uzumaki simplesmente colocou o pedido de namoro nos slides do seu TCC, bem no fim da apresentação, como se fizesse parte da conclusão do trabalho. Na hora foi uma comoção, mas isso fez ele estourar dois minutos na apresentação, então acabou que não foi tão bem recebido pelos professores. Ao menos a penalidade parecia ter valido a pena.

Revirei os olhos, chateado demais pela falta de alguém sã em nosso grupo de amigos, e me levantei indo até a geladeira, atrás do pedaço de bolo que tinha guardado. Quem sabe comer me ajudasse a pensar melhor. Voltei a me sentar depois de pegar dois garfos e sem dizer qualquer palavra estendi um ao loiro, e começamos a comer.

— Sabe — Naruto comentou de boca cheia. — Acho que você está olhando da forma errada.

Diferente do loiro, terminei de mastigar.

— Como assim?

— Acho que não é uma questão de ser demais ou não, e sim se você acha que vale a pena, saca?

Se eu achava que valia a pena passar vergonha nacionalmente, cair de cara no chão duas vezes e ter tanto gel no meu cabelo que teria que lavar cinco vezes, só para receber um “Oi” da Hinata? Claro que valia. Apesar de tudo, ainda era egoísta e narcisista o suficiente para querer que ela soubesse da minha existência, e presunçoso o suficiente para desejar que não ficássemos apenas em curtidas, mas que pudéssemos conversar de verdade. Talvez fosse besteira gostar de alguém que eu apenas conhecia por vídeos, mas não estava apaixonado só por isso, mas por cada gesto impensável da morena, da forma como ela ria quando era surpreendida ou como seus olhos enchiam de água quando reagia a vídeos de filhotinhos. Queria conhecer a Hinata além de seus vídeos e se isso significava ter todo esse esforço, tudo bem, valia a pena.

Talvez por meu sorriso, ou por minha falta de resposta, Naruto deu um soco em meu ombro, sorrindo de forma cúmplice para mim. Tinha noção de que lá no fundo, qualquer pessoa olharia como se eu fosse um tapado, e agradeci por Uzumaki pelo menos não ter dito isso.

Abri os lábios para agradecer, tendo minha voz abafada pelo som de passos pesados que corriam até a cozinha, seguida pelo grito de Lee.

— Pessoal! Pessoal, cadê vocês?!

— Aqui na cozinha! — Naruto gritou antes de enfiar outra garfada na boca.

O moreno surgiu rapidamente pela porta, com os cabelos tão desordenados quanto sua respiração, me fazendo questionar qual era a real distância da cozinha até meu quarto. Parecia que Lee tinha corrido uma maratona.

— Eu subi o vídeo. — Suas palavras saíram entrecortadas pela dispneia. — E vocês não vão acreditar!

— No que? — perguntou novamente de boca cheia.

— Não faz nem dois minutos e ela já curtiu.

— O quê?! — indagamos em uníssono, largando os garfos.

— É sério, sobrancelhudo?

— Sim, ela até deixou um comentário.

Corri em direção ao moreno que rapidamente me estendeu o celular, aberto nas mensagens do meu vídeo. Estranhamente já tinha cinco curtidas, e apenas um comentário, o dela.

— O que diz aí?

— Amei e dois corações rosas — ditei sem desviar os olhos da tela, com medo de que caso fizesse acabaria acordando do sonho.

— Puta merda ela comentou mesmo.

— O que faço agora? — indaguei, tentando ao máximo controlar o tremor que ameaçava todo o meu corpo.

— Curte o comentário!

— O que? Não, vai ficar muito na cara.

— Como assim? — Fitei os dois, confuso.

— Naruto, se ele curtir agora, bem em seguida dela ter comentado, vai dar muita bandeira.

— Como assim, cara? Se uma pessoa comenta, você curte, o que diabos tem de errado com isso?

— Gente... — Tentei dizer, sendo totalmente ignorado.

— É um tipo de jogo das mulheres, é assim que elas funcionam — Lee continuou explicando sua teoria conspirativa, enquanto eu vislumbrava minha gafe pela décima vez. — Você não entenderia…

— Sabe, é meio babaca você achar que eu não entendo as mulheres só por ser gay.

Vi o moreno erguer as sobrancelhas em completo silêncio, antes de finalmente tornar a falar, em tom profundamente culpado.

— Tem razão, foi mal.

— De boas.

— Gente! — chamei novamente, me detestando pela besteira que tinha feito.

Ao clicar no texto, tentando acessar o perfil da morena, acabei curtindo a mensagem, simplesmente sabotando o debate dos dois.

— O que foi?

— Eu curti a mensagem — exprimi em desespero.

— Cacete, Sasuke!

— Puta merda — Lee xingou, espiando por cima do meu ombro. — Ele curtiu mesmo e não faz nem segundos que ela comentou.

— O que eu faço?

— Responde — Naruto disse simplesmente.

— Responder o quê?

— Eu não sei.

— Como você não sabe?!

— Ei, a culpa é tua, eu não te mandei curtir nada!

— Tecnicamente você que deu a ideia de curtir — Lee comentou, recebendo um olhar letal do loiro.

— Gente, foca aqui, por favor. — Implorei.

— Que tal um emoji? — o moreno sugeriu — Já que ela colocou dois.

— Boa ideia. — Assumi, abrindo a caixa de chat. — Qual eu ponho?

— Que tal o mesmo que o dela? — Naruto juntou-se ao Lee, espiando por cima de meu ombro.

— Tudo bem — concordei, procurando o coração rosado.

Por precaução, me questionei se não deveria colocar algo mais, optando pela estrelinha que sempre usava, e assim que cliquei em enviar meus pulmões se encheram de ar, me acusando de que estava prendendo-o. Prender o ar para enviar uma única mensagem era a coisa mais ridícula que eu já tinha feito, e olha que sem dúvida tinha muitas opções no páreo.

— E agora?

— Sei lá, que tal curtir o novo vídeo dela?

— Isso, como se estivessem mantendo a conversa.

Era estranho que de uma hora para outra, fazer as coisas rapidamente tinha de repente se tornado uma opção, ainda assim me calei, com medo de que mudassem mais uma vez de ideia. De alguma forma, isso me parecia mais natural. Cliquei em seu perfil, e facilmente encontrei o vídeo que em tão pouco tempo já tinha mil curtidas, e adicionei a minha.

— Pronto, acho que agora é melhor esperar uma resposta dela. — Conclui, voltando para mesa da forma mais confiante que podia.

Na verdade, meu coração parecia que ia explodir, minhas mãos suavam e minha cabeça rodava, mas não queria dar mais munição para que os dois tirassem sarro de mim. Aquela parecia ser a primeira vez que tentava flertar com alguém, e, embora nunca tenha sido bom nisso, agora sim estava me superando.

Se acalma” pedi ao meu coração, levando uma garfada de bolo a fim de enganar o nervosismo, rapidamente indicando a gaveta de talheres para Lee. Todos podíamos estar vacinados há alguns meses, mas cuidado nunca era demais.

— E aí, como está a faculdade? — perguntei, a fim de calar meu cérebro arrumando outros afazeres para ele.

— Argh — chiou com uma careta, antes de se sentar ao meu lado. — Eu tenho quatro meses para bater cem horas.

— Que péssimo. Ajudar um desconhecido com vídeos do TikTok não conta?

— Infelizmente não — riu divertido — E você não é mais um desconhecido, já te vi em uma situação constrangedora e sem camisa, isso deve servir de alguma coisa.

Ri nervoso, agradecendo quando Naruto se juntou a nós sendo a ponte que deveria. De fato, o moreno já tinha me visto passar vergonha mais vezes em um dia do que o próprio loiro em semanas.

— Mas e você? Naruto eu sei que só faltam as provas finais…

— Estou na mesma, minha apresentação do TCC foi mês passado, antes das férias.

— Qual foi o tema?

— A importância do brincar no processo de aprendizagem na primeira infância — respondi de bate-pronto.

Até hoje ainda conseguia me lembrar com clareza das minhas falas e de cada pergunta que a banca fez após a apresentação. Embora fosse um tema infantil, sem dúvida alguma foi um momento bem tenso.

— Uau, parece complicado.

— Pode ser, mas o Uchiha aqui é um gênio.

— Que exagero. — Corei sem conseguir evitar.

— Exagero? Você conseguiu um estágio no quarto semestre e ainda te ofereceram uma vaga efetiva!

— Isso é sério?

— É, só que você esquece que é fácil arrumar estágio em pedagogia, estão sempre em falta.

Aquilo era uma meia verdade. Realmente, arrumar um estágio no meu curso era uma coisa muito simples — alguns de meus colegas conseguiram no Terceiro semestre —, mas eu sabia que não teriam me oferecido a vaga de emprego apenas por necessidade. Eu era um bom professor, e secretamente gostava de ensinar as crianças. Obviamente eu não era um tipo de monge, pronto para nunca mais encarnar, mas gostava de passar para frente tudo que eu tinha aprendido às crianças, desde lições de vida à matérias.

— Ainda assim é meio surpreendente. É difícil achar alguém que queira ser professor. Por que você escolheu isso?

— Isso está parecendo uma entrevista de emprego. — Brinquei, movendo-me desconfortável na cadeira. Era um motivo bobo, e sabia qual seria a reação de ambos antes mesmo de acontecer. — É porque eu simplesmente amo a frase “tio, olha o que eu sei fazer”. — Para o meu conforto, Lee apenas pareceu surpreso, enquanto Naruto não se conteve em rir, como sempre fazia. — Mas e você, Naruto? — indaguei, tentando desviar a conversa. — O que pretende fazer depois da faculdade?

— Tirar pelo menos um ano sabático — disse simplesmente.

— Um ano? — Lee perguntou surpreso.

— Claro! Eu fui direto do Ensino Médio para a faculdade, se eu ver mais uma prova na minha frente, eu choro. Quero parar de estudar por um tempo, só trabalhar e curtir, e depois eu vou atrás da minha pós.

— Acha mesmo que vai voltar para a faculdade depois de um ano parado?

— Meu tio voltou depois de seis — O moreno argumentou.

— Exato. Além disso, não faz sentido para mim entrar numa pós sem ter experiência no básico, então não estou com muita pressa. E você?

Mordi o lábio, sem saber muito bem o que responder. Eu passei os últimos anos tão focado na faculdade que não cheguei a realmente pensar no que faria depois. Com certeza pretendia lecionar, mas não tinha pensado em outras coisas.

— Eu não pensei em algo tão distante, prefiro ir um dia de cada vez para não exagerar muito. Na verdade, se hoje eu conseguir pelo menos mandar uma mensagem para a Hinata, já vou ter uma das metas compridas.

Assisti o loiro soltar o garfo e apoiar-se sobre a mesa, pondo o queixo nas mãos com um sorriso malicioso em lábios. Eu sabia que não ia gostar de ouvir antes mesmo dele abrir a boca.

— Que lindo — debochou. — Agora só precisam de uma música para ser de vocês. Eu imagino você passando letras de músicas em post-its, sabe? Tipo aquele comercial do Telegram.

Ergui o dedo do meio, sem vontade de gastar minha voz em batalhas perdidas. Estava levando outra garfada até a boca quando senti meu celular vibrar sobre a mesa, me fazendo de forma automática desbloquear e ver as notificações.

— Caramba.

— O que foi?

— Ela me respondeu — expliquei, esfregando as mãos na calça antes de abrir a mensagem. — Ela me… Mandou um link?

— Abre — Vi os dedos de Naruto clicando no link antes mesmo de percebê-lo praticamente deitado sobre a mesa.

— Ei! — briguei, puxando o celular. — E sai de cima da mesa.

— Foi mal, tia Mikoto — desculpou-se como se minha mãe pudesse ouvi-lo à sei lá quantos quilômetros.

Para alguém ansioso, dois segundos poderiam levar anos, e para alguém ansiosamente platonicamente apaixonado, dois segundos eram séculos e pude jurar que tive artrite ao me inclinar para mais perto da tela. Assim que carregou, me vi perdido em uma conta que nunca tinha visto antes, mais ainda quando me vi em um vídeo.

— Quem é essa? — Lee indagou quando a figura surgiu na tela.

Cabelos róseos, olhos verdes e sorriso alinhado. Era Sakura Haruno, uma das melhores amigas da Hinata. Já a tinha visto algumas vezes no perfil da morena, sempre em vídeos divertidos de danças e canções, na verdade, a primeira vez que a vi era um vídeo das casas de Harry Potter onde Lufana e Grifinória se juntaram para montar maquiagens e roupas que combinassem. No entanto, a razão pela qual a Hinata tinha me enviado o link do vídeo foi uma incógnita até a morena de olhos esbranquiçados aparecer ao seu lado com aquele sorriso tímido que sempre fazia meu peito apertar.

— Hoje eu estou aqui com a estilista que todos nós amamos, mas ela é só minha, só para deixar claro! — A Haruno ditava animada, abraçando a morena pelo pescoço que ria divertida. — Mas como compartilhar é se importar, eu tive uma ideia para compartilhar a Hina com vocês. Como assim? Olha é bem simples, faz um vídeo, me marca e aí eu e ela vamos reagir ao seu vídeo e o melhor vai ganhar… Ganha o que, Hina?

— Na verdade, a gente nunca chegou nessa parte. — A morena respondeu de voz meiga. — Mas acho que gravar um vídeo com a gente, ou ser divulgado, algo assim. Eu só não posso dar prêmios em dinheiro.

Ri acompanhando as meninas. Era uma condição bem justa para uma universitária.

— Beleza, que tal um lanche? Se a pessoa ganhar, a gente manda um lanche para ela pelo IFood, eu tenho alguns cupons sobrando.

— Me parece uma boa.

— Então, é isso. Manda seu vídeo e o melhor vai ganhar um lanche escolhido por nós duas. Mais compartilhamento que isso não…

A voz sumiu de repente, deixando um sorriso indulgente em meu rosto com a breve imagem congelada de ambas, uma ao lado da outra, rindo de forma boba pela ideia que tinham acabado de inventar. Tão felizes, que nem perceberam que o tempo tinha terminado.

— Espera aí... — Naruto agitou as mãos em frente ao meu rosto. — Isso quer dizer que ela quer que você participe do concurso?

— O quê?

— É, Sasuke — Lee interviu tão agitado quanto o loiro, como se ambos tivessem descoberto a América. — Ela te mandou o link para esse vídeo. Foi um convite.

— Um convite muito direto.

— Já pensou? Se você ganhar, ela vai te mandar um lanche, então vocês vão ter que trocar os números.

— Vai ver ela até vem entregar. — Naruto brincou malicioso, estranhamente obrigando minha mão a se mover, acertando em cheio sua cabeça. — Tá, foi mal.

— Gente, fala sério, isso é um concurso. — Tentei ser a voz da razão, embora já tivesse perdido esse posto horas atrás. — Qual a chance de ela ver meu vídeo? Tipo, vão ter profissionais participando.

Ao meu ver, tinha usado um bom argumento, deprimente, mas muito justo. Hinata era bem conhecida no TikTok, duvidava muito que não teriam vários outros participantes que faziam isso profissionalmente, afinal ela já era conhecida a ponto de ganhar um dinheiro com isso. Foi um bom argumento, mas ao ver o olhar que ambos os rapazes trocaram, seguido por largos sorrisos ladinos, tive certeza que minhas palavras se tornaram uma corda em torno do meu pescoço.

— Então vamos chamar os nossos profissionais.

Notas finais
Espero que tenham gostado e vejo vocês no próximo capítulo! Beijos.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.