Tiger's Life
5 Encontros
– É estranho dizer que estou um pouco assustada com isso? – Kelsey disse. O pequeno Kishan, agora com sete meses, estava dormindo no colo dela.
– Não, se pensar no fato de que você vai apresentar seu filho aos seus pais adotivos. – Ren disse se aproximando da porta.
Kelsey passou o bebe para o outro braço, e tocou a campainha.
Ela ouviu um grito agudo de criança vindo de dentro da casa – Rebecca – e depois passos até a porta. A garotinha abriu, ela tinha os cabelos presos em duas tranças, e um dente faltando na boca. Estava bem mais alta do que Kelsey podia se lembrar.
– Mamãe! – ela gritou – Kelsey está aqui! E ela tem um bebe!
– Eu não ganho meu abraço? – Kelsey perguntou, e a garotinha assentiu, Kelsey agachou e ela abraçou, englobando Kelsey e o bebe. – Onde esta seu irmão?
– Samueeeeel! – ela gritou – Venha ver a Kelsey.
Ele veio correndo, o tênis desamarrado, os cabelos, repartidos. Ele pulou no pescoço de Kelsey. Depois escarou o bebe.
– Por favor me diga que esse não é meu mais novo irmãozinho – ele disse, Kelsey ficou um pouco surpresa. Quando ele ficara inteligente o suficiente para isso? Ela se lembrava do garoto com dificuldades para formular palavras.
– Não, esse é o priminho de vocês, é meu filho – ela disse.
– Legal! – disse Samuel.
Então Sarah apareceu, ela limpava as mãos no avental de cozinha. Os cabelos presos. – Crianças, podem ir brincar la em cima? Os adultos precisam conversar. – ela olhou com ternura para Kelsey.
Kelsey sentiu uma pontada no estomago quando ela chamou ela de “ adulto “. Não uma pontada ruim, mas um tipo de orgulho.
Assim que as crianças fecharam a porta, Sarah cobriu a boca com as mãos, ainda a uma certa distancia de Kelsey, e abafou uma exclamação chorosa. Ela sorria por detrás das lágrimas.
– Mike – ela disse. – Mike venha cá! Kelsey... A nossa Kelsey... ela teve um bebe.
Sarah finalmente se aproximou, contendo as lágrimas. Kelsey não conseguiu conter as dela. Sarah era o mais próximo que Kelsey tinha de uma figura materna nesse plano. Ela a criara depois da morte dos pais dela, e ela seria eternamente grata.
– Posso? — ela disse estendendo os braços.
– Claro – Kelsey disse, e lhe entregou o bebe. Kishan abriu os olhos no mesmo instante, os grandes olhos de ouro de pirada.
– Esses olhos – ela disse sorrindo – Não vem de nenhum de vocês.
– Eles são do meu irmão – Ren disse, passando os braços pelos ombros de Kelsey. – Do meu falecido irmão. Nós demos o nome em homenagem a ele também.
– Ah, sinto muito – disse Sarah. Ela brincava com os dedinhos do bebe — Não cheguei a conhecer seu irmão, como ele se chamava?
– Kishan – eu respondi.
– Um belo nome – Sarah observou.
Mike desceu as escadas apressadamente, arrumando a gravata – Você por acaso me chamou Sarah? Eu estava... – ele parou abruptamente quando viu Kelsey.
– Oh céus, Kelsey, querida – ele disse se aproximando, Sarah lhe entregou o bebe, e ele ficou ali, em silencio, contemplando o pequeno bebe. – Eu não acredito — ele disse depois de um tempo – isso faz de mim, tecnicamente, avô.
Isso me fez rir, assim como todos.
Eles se sentaram no sofá. Sarah encheu Kelsey de perguntas sobre a índia, a casa, e o bebe. Kelsey contou tudo a eles animadamente. Ren ficou com Kishan nos braços, o bebe era elétrico, e não parava de mexer as mãozinhas e os pezinhos, além de apertar a cara de Ren enquanto conversávamos.
Eles haviam passado a manha toda la, quando se aproximava da hora do almoçom Kelsey se levantou, sorrindo.
– Bom, acho que já deu nossa hora – ela disse.
– Venham sempre que quiserem – Sarah disse. – São muito bem vindo aqui.
Kelsey abraçou Sarah e Mike. – muito obrigada — ela disse antes de partirem.
– Você pode coloca-lo na cama? – Kelsey disse – Vou preparar alguma coisa para comermos... temos que visitar a Jennifer mais tarde, no parque, se lembra:
– Claro – ele disse – Me chame quando a comida estiver pronta.
Kelsey preparou rapidamente macarrão com molho vermelho. Depois de tirar o avental e limpar as mãos, ela subiu as escadas da casa e parou na porta, apoiada no parapeito.
Ren estava com Kishan no colo, tão concentrado que nem notou Kelsey. Ele ninava o bebe, cantando alguma coisa em Hindu que ela não conseguia entender, ele andava de um lado para o outro, os olhos fixos na criança em seus braços.
Kelsey tinha imaginado inúmeras vezes o bom pai que Ren seria, mas ele excedeu as expectativas. “ Bom “ não era uma colocação suficientemente alta para ele, ele se encaixava em “ exelente” . Alem de fazer as coisas simples, como ajudar a dar de mama, ou trocar as fraudas, Ren era incrivelmente atencioso e muito amoroso.
Ela pode ver o bebe finalmente fechar o par de olhos dourados. Ren o balançou por mais cerca de um minuto, e depois o colocou no berço, se debruçando sobre a grade e beijando a testa do garoto.
Foi só quando se virou, ele notou Kelsey. Ele sorriu um pouco envergonhado e travesso.
– O que? – ele perguntou.
– Nada – ela sorriu – Venha, a comida está pronta.
Depois de almoçar Ren e Kelsey sentaram no sofá. A tv desligada.
– A que horas você combinou de se encontrar com a Jennifer? – Ren perguntou.
– As quatro – ela disse bocejando.
– Eu preciso ir? – ele perguntou.
– Porque? Não gosta dela?
– Não é isso... eu so prefiro ficar aqui. Sinto que não vai ter muito espaço para mim em uma conversa de vocês duas.
– Você tem razão – Kelsey concordou. Ela olhou para o violão, encostado na parede. – Toque alguma coisa. – ela sugeriu.
– Boa ideia – ele disse, pegando o violão. Ele começou a dedilhar, Kelsey ficou ouvindo o doce som, a musica que ele havia composto pra ela. Depois de algum tempo, ela adormeceu.
Kelsey voltou a abrir os olhos quando sentiu um toque familiar no seu braço.
– Kels – Ren disse.
– Acho que eu cai no sono – ela disse esfregando os olhos.
– Eu não queria te acordar, mas você já está dormindo a duas horas, e você tem que se encontrar com a Jennifer, mas se estiver se sentindo indisposta, eu posso ligar para ela e marcar outro dia.
– Não, tudo bem – Kelsey disse bocejando. – Kishan ficou a noite inteira acordado.... eu só estou um pouco cansada.
– Se você acha. – Ren disse. Ele entregou Kishan a Kelsey – Eu coloquei uma troca de roupas mais quentes para ele, caso esfrie.
– Oh céus Ren! Parede ser um marido tão perfeito. – ela sorriu. – Você faz tudo, enquanto eu fico no sofá dormindo, eu me sinto uma inútil.
– Você carregou nosso filho por nove meses. Se casou comigo, me faz feliz todos os dias, prepara biscoitos de manteiga de amendoim e chocolate de um jeito que ninguém mais sabe fazer, e ainda é bela como uma flor. – ele disse – se quisesse ficar deitada no sofá para o resto de sua vida, eu não reclamaria.
– É por isso – Kelsey disse.
– É por isso o que?
– É por isso que eu te amo. Você consegue me fazer sentir maravilhosa mesmo quando faço as coisas mais simples.
– O simples fato de existir já é maravilhoso para mim.
– Nisso, eu preciso dizer, que você é muito bom também – Ela o beijou rapidamente nos lábios. – Preciso ir, aproveite seu tempo livre, a próxima frauda é sua.
Logo que Kelsey chegou ao parque, ela viu Jennifer. A mulher estava sentada em um dos bancos, e quando viu Kelsey se levantou e foi abraça-la.
– Está de baba para arrumar alguns trocados? – ela perguntou apontando pro carrinho ao lado de Kelsey. – Pensei que seu marido fosse dono de uma empresa multimilionária ou algo do tipo.
–Jen, eu não estou de babá – Kelsey sorriu. – Esse é meu filho.
– Seu filho? – ela parecia chocada – Ah céus, você esqueceu de me contar esse pequeno detalhe?
– Talvez. – ela sorriu.
– Posso? – Jennifer perguntou.
– Claro.
Jennifer pegou Kishan do carrinho, ele abriu os olhos, curioso.
– Meu deus Kelsey, ele é lindo! Parece com aqueles bebes de comercial.... e esses olhos, eu nunca vi olhos como esses. Quantos anos você tem afinal?
– Vinte e três agora – Kelsey disse.
– Você é praticamente uma criança – Jennifer disse – mas uma das pessoas mais maduras e resolvidas que eu conheço. Isso não é estranho?
– Um pouco – Kelsey admitiu.
Elas sentam e conversaram, e duas horas passaram voando. Ren estava certo, o tempo ficou frio e Kelsey teve que agasalhar melhor o filho. Ren, naturalmente, havia pensando em varias outras coisas, e na bolsa havia também papinha no caso dele ficar com fome.
– Bom, eu preciso voltar para casa – disse Jennifer – Tenho aula de Wu Shu as sete. Porque você e seu marido não vão?
– Essa é uma ótima ideia – Kelsey disse – Te encontramos lá.
– Vá colocar alguma camisa – disse Kelsey entrando na casa. Ren estava sentado em cima do balcão da cozinha, usando somente uma bermuda, a casa estava confortavelmente quente, embora fora começasse a esfriar. – Estamos indo para uma aula de Wu Shu.
– Você está falando sério? – Ren sorriu.
– Sim.
– E você vai fazer aula também?
– Porque não. Deus sabe que Kishan dorme em qualquer lugar, parece você. Depois que ele dormir, eu entro na aula.
– Bom – Ren sorriu – Vai ser bom fazer alguma luta, já faz um tempo que eu ando meio parado.
– Agora que você disse, estou vendo umas gordurinhas aqui – Kelsey disse beliscando a barriga firme de Ren, tudo o que ela conseguiu foi um pouco de pele.
– Cuidado com a língua, garota – ele disse desafiador
Kelsey mostrou a língua para ele enquanto subia as escadas.
Kelsey e Ren chegaram quando os aquecimentos começaram. Ela falou alguma coisa com o mestre, e logo Ren foi para o tatame, se juntar aos outros. Kelsey estava fazendo Kishan dormir, ela viu Lee, logo na primeira fileira de alunos, mas ele não a viu. Assim que Kishan caiu no sono, ela o colocou no carrinho e ficou na ponta do tatame, ao lado de Ren e bem perto do carrinho de bebe. Ela fez todos os alongamentos e exercícios, Ren a ajudou com algumas posições.
Quando chegou a hora da luta, ela e Jennifer encostaram na parede, Kelsey balançava o carrinho com as mãos. Foi só então que Lee a viu, ele a cumprimentou, sem notar o carrinho de bebe, e voltou-se para Ren.
– Veio para minha revanche? – Lee disse estalando os dedos.
– Pode apostar – Ren sorriu.
Eles foram os primeiros a entrar no tatame, Jennifer sussurrou para Kelsey.
– Aposto dez dólares no seu marido bonitão.
– E eu fico apostando no Lee? De maneira alguma! – isso fez com que ambas rissem.
Kelsey ficou com pena de Lee. Quer dizer, já fazia algum tempo que Ren não treinava luta, e Lee provavelmente vinha no Wu shu todas as semanas, mas se for comparar um príncipe que foi treinado para a batalha des de que aprendeu a andar, passou trezentos anos como um ágil tigre, sobrevivendo, e ainda por cima, com um físico invejável, contra um oriental magrelo, e fraco, por mais que ele fosse exforçado. Lee caiu na primeira tentativa, e a luta inteira seguiu assim, Lee investia contra Ren, ele bloqueava e golpeava. Ele não investiu nenhuma vez contra Lee, mas mesmo assim, o garoto acabou no chão.
– Bela luta – ele disse ao apertar as mãos de Ren.
Depois de lavarem o suor, Ren voltou a aparecer, Lee andava atrás dele.
– Kelsey, eu não acho que seja legal ficar mexendo no carrinho de bebe dos outros – lee comentou quando Kelsey ajustava o banquinho para Kishan deitar melhor.
– Lee – ela sorriu – esse é meu carrinho de bebe.
– Seu? Ah, você está de baba... certo...
– Lee, o bebe, também é meu.
Lee parecia que tinha levado uma porrada no estomago, ele arregalou os olhos, e gesticulou sem fazer nenhum som além de algo que mais parecia um engasgo.
– Seu bebe? – ele engasgou, Ren ria atrás dele, com os braços cruzados, observando. – Você é mãe?
– Bom, foi o que me disseram que eu seria se ficasse nove meses com um bebe na barriga e depois desse a luz a ele – Kelsey disse pegando Kishan no colo, que tinha acordado minutos antes.
– Ah meu deus... você tem tipo, a minha idade, como...
– Bem, quando um homem e uma mulher se amam muito... – Ren disse tirando sarro, atrás de Lee.
– Eu sei como acontece – Lee pareceu ofendido – só não entendo.
– Lee acalme-se – Kelsey disse – eu sou casada, isso era esperado.
– É, vendo assim... mas é que você é tao nova, temos a mesma idade, e mesmo assim, você é uma adulta, é bem assustador.
– Não acho você tão nova assim para a maternidade – Ren sussurrou ao ouvido de Kelsey.
– Isso porque você nasceu 300 anos atrás – Kelsey sussurrou de volta. E Ren sorriu.
–Quer segurar ele? – Kelsey disse em voz alta, para Lee.
– Claro – ele disse estendendo os braços, Kelsey passou o bebe delicadamente para ele.
– Você trabalhou de graça Kelsey – lee comentou – ele é a cara do pai.
– É, eu sei – Kelsey disse.
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