Tigers

27 O que o "Hoje" nos reserva?


Notas iniciais
Atualizada: 25/11/2016 às 02:42... Bom! Espero que esse regime de quase 2 anos tenha se encerrado. Boa leitura!

Uma porta de madeira se abre, dando acesso á uma sala com várias celas. Era o calabouço de Sairati. Toni estava em uma delas, ainda desacordado, e dois membros da Eren estavam de guarda em frente a sua cela.

— Por que estamos aqui? — comenta um deles.

— Estamos vigiando esse monstro.

— Mas é isso que ele é. Um monstro. Nós conseguiremos impedi-lo de sair se ele acordar?

— Você não conhece essa cela?

— Não.

— Akishiba a desenvolveu. Ela é feita de materiais feitos com a ajuda do Presente Sagrado. A mesma coisa que ele fez lá fora se mantém dentro das celas.

— Mas não é perigoso para a gente?

— Claro que não. Nossos mantos nos protegem, pois também foram feitos com a ajuda do Presente Sagrado.

— Incrível. O Presente Sagrado faz muitas coisas, não é?

— É verdade, mas me admira que você não saiba disso. É uma das primeiras coisas que aprendemos.

— Talvez meu instrutor não tenha sido tão aplicado em nos ensinar.

— Não se preocupe com isso. E também não se preocupe com ele. Ele não é um perigo para nós e-

Antes de terminar a frase, ambos ficam assustados quando o ar da sala do nada ficou mais frio. Ao olharem para Toni, este estava de olhos fechados, apoiado sobre um dos joelhos e exibia seus poderes com maestria fazendo surgir gelo em partes de seu corpo.

— Saiam daqui!

— Erigashi!

— Agora!

Novamente pontual, Akishiba invade o calabouço. Após a saída dos membros da Eren, ele inicia os mesmos movimentos que fizeram Toni desmaiar.

— Não sei como ainda está de pé, mas está abusando e muito da minha paciência.

O golpe é executado, mas o resultado foi bem diferente.

— Ainda em pé? Está inconsciente. Seus poderes estão descontrolados, assim como você!

O interior da cela começou a tremer, o gelo que se formou em volta de Toni começou a sumir e este novamente vai ao chão.

— Quantos problemas você pretende nos causar?

—---------

Os dias ao lado de Ganeshi Akato sempre foram agitados, eufóricos. Um clima tranquilo e hospitaleiro. Um clima totalmente diferente do que vemos agora. Após Geixa deixar Nizuka aos cuidados de Rati, os humores se alteraram bruscamente: Behina continuava com suas brincadeiras sem saber do ocorrido entre Meretish e Nizuka, enquanto Rati fazia o possível para manter uma paz ali.

— Desse jeito? — Akato pergunta, receoso.

— Por quê está me perguntando? — a anciã responde irritada — Você é o Ganeshi daqui e deveria saber disso!

— Eu estou nervoso! Me desculpe!

— NERVOSO?! Você é a segurança que um ferido buscará enquanto estiver aqui!

— Me desculpe! — com lágrimas nos olhos.

— PARE DE SE DESCULPAR!

De longe, Behina observava a cena enquanto Meretish passava um líquido cinza para pequenos frascos.

— Uau! — a loira se surpreende — Nunca vi o Ganeshi Akato daquele jeito. Até parece uma criança.

Meretish solta um sorriso leve ao ver seu superior desconfortável. Behina se aproxima da amiga e sussurra em seu ouvido.

— E aquela velha é bem cruel, não acha?

Após o comentário, Meretish parou de encher os frascos. Behina volta a observar a cena e se depara com rosto enraivecido de Nizuka a menos de 10 centímetros dela.

— Você me chamou... do que?

— Eu-eu-na-eu-

— Ela te chamou de velha.

Todos se silenciam após as palavras de Meretish.

— Não é um termo ultrajante, já que é algo que você é. Não é uma ofensa. — encara, seriamente, a anciã — Se irritar por algo que você é não é uma ofensa.

— Tish, tá tudo-

— Você, por outro lado, é uma ofensa.

As palavras da jovem espantaram Behina e Rati.

— Sua respiração é uma ofensa.

— Já chega, Meretish.

— Você estar viva é uma ofensa!

— Gashi Verdine, volte para a Oren, imediatamente!

Alguns segundos se passam após a ordem ser dada por Rati, e Meretish continuava a encarar Nizuka. Ela se levanta e sai da sala.

— O que aconteceu aqui? — Behina questiona — Por que ela agiu daquele jeito?

— Não temos tempo pra isso, Behina.

— Por que não? A Tish nunca fez isso! Ela nunca se comportou daquele jeito! — encara Nizuka — O que você fez pra ela?

— Não é o momento para-

— Eu não fiz nada diretamente a ela. — Nizuka ganha a atenção deles — Só que, indiretamente, eu fui a responsável pela morte de seus pais.

— Ganeshi, do que ela tá falando?

A voz de Behina saiu trêmula devido as confissões de Nizuka.

— A sua família também, Behina Demines.

— Como você sabe o meu nome?

— Eu te conheci ainda bebê. Seus pais, Herom e Rittana, eram amigos queridos que perderam suas vidas graças a mim.

Incrédula, Behina olha Rati, mas o pesar em seus olhos aparentava confirmar o que ela dissera.

— Não! — desesperada e com os olhos lacrimejando — Foi você? Você os matou?

— Eu criei a situação para que isso acontecesse.

— Você está mentindo! A Lua dos Duzentos que causou a morte deles!

— Minha ingenuidade quase causou a morte de todos em Sairati. Eu causei a Lua dos Duzentos.

—---------

— Você está bem?

— Estou.

— Seus olhos estão inchados.

— É. — acaricia um dos olhos — Um pouco. Ainda não me acostumei com isso e... quando penso nela...

Após a confusão envolvendo Toni, Mikke e Lika se encontram. Estão em uma sala e compartilham algumas frutas.

— Nós não… vamos nos encrencar por causa disso? — Mikke pergunta, buscando mudar de assunto.

— As leis de Sairati proíbem todo e qualquer contato de membros iniciados da Eren com membros iniciados da Oren. — Lika explica — Mas você ainda não se encaixa em nenhuma dessas características.

— E isso é bom?

— Claro! Você ainda pode ir nos visitar na Oren.

As lembranças de vislumbrar aquele "paraíso" invadem a mente de Mikke.

— Mas tome cuidado com a Satir.

— Satir? Satir...

O medo surge instantaneamente em seu corpo ao lembrar da sua experiência de "quase morte", e do nome que Geixa proferiu: "- Pare com isso, Satir!".

— O que foi? — a irmã pergunta.

— Acho que... teremos que nos ver igual a hoje. Meio que as escondidas.

— Ah é? — com um sorriso no rosto — O que aconteceu lá, Mikke? Eu não fiquei sabendo da história toda.

— Foi só uma experiência que eu não quero passar novamente. Nunca mais. Sem chance.

— Mas você sempre foi aventureiro. O que aconteceu contigo?

— Você já viu aquela mulher? Ela é maior que o Mike Tyson.

— O que você tá pensando? Que vai lutar com ela? Se for só isso, é moleza.

— Você é uma Tiger. Seria moleza mesmo.

— O que está dizendo? Você é um Tiger, também.

— Você acredita mesmo nisso, Lika? — o irmão pergunta meio abatido.

— Que você é um Tiger? Sim, por quê?

— É que… eu não sei. Droga! Eu não sei de nada!

— E o que tem isso? — confusa.

— Esse é o problema! Eu não sei de nada! Não sei as regras daqui! Não sei caçar! Não sei usar os… poderes que eu tenho! Toni consegue controla-los!

— Isso não é possível, Mikke. — satiriza.

— Eu vi! Tia Geixa também! Várias outras pessoas também viram! Até o Akishiba viu e ficou assustado quando-

— Eu não fiquei assustado.

Como se tivesse sido conjurado, Akishiba surge espantando-os.

— Explica isso direito, Frankiba! — Lika aborda o recém-chegado.

— O seu amigo, Toni, não tem controle do Presente Sagrado.

— Mas e a confusão que teve lá fora? E tudo o que ele fez? ELE TE CONGELOU!

— Ele o que?!

— Ele tem noção de como direciona-los, admito isso. Mas não tem nenhum controle sobre eles.

— Mas-

— Direciona-los? Como isso é possível? — Lika questiona incrédula.

— Seus sentimentos precisam estar em uma harmonia perfeita para controlar totalmente o Presente Sagrado. Qualquer fator que possa abalar esse equilíbrio gera um distúrbio no poder. Esse distúrbio pode ser aparentemente bom, como o dele, ou ruim, como o seu.

Irritado com o ofensivo, mas verídico comentário, Mikke serra o olhar para o lado.

— Eu tenho perguntas que quero fazer a ele, mas acredito que ele não acordará tão cedo ou que responderá alguma delas. O que sabem sobre ele, além de seu parentesco com Barok?

— Estudamos na mesma classe desde o primário. — Mikke explica — Nunca fomos amigos ou colegas. Dificilmente nos dávamos bem. Era como se fossemos rivais ou… inimigos.

— Isso só confirma algumas coisas.

— Confirma? — Lika pergunta confusa.

— Achei que havia sido um engano ou um descontrole dos poderes dele, mas não foi. A Enishi te empurrou por que ela sentiu a mesma coisa que eu.

— O que quer dizer?

— Ele estava mirando em você.

— O… que?

— Isso é brincadeira, né? — Lika brinca — Ele te odeia, mas não ao ponto de tentar te matar.

Mikke relembra do olhar que Toni direcionou para ele, logo quando foi arrastado.

— Ele destruiu os portões de Sairati duas vezes, ameaçou e atacou membros da Eren. Se ele representa um perigo maior eu preciso saber.

— Você é quem convive com ele, Mikke. Ele faria algo do tipo se tivesse chance?

— Eu não… não o conheço bem, mas acredito que ele não faria algo assim.

— Você acreditar não é o bastante para deixar os moradores de Sairati a salvo!

— O que você quer que eu faça?! — Mikke se altera — Eu não o conheço ok? Não sei do que ele é capaz!

Mikke e Lika ficam apreensivos quando Akishiba se aproxima do jovem com um ar ameaçador.

— Farei o seguinte: a promessa que eu fiz a você, também se estenderá a ele.

— Acalme-se, Erigashi. — Lika tenta amenizar a situação — Eles são Tigers e-

— Tigers?! — ironiza — Tigers protegem aqueles ao seu redor e trazem esperança para os mais fracos. No que eu enxergo, não passam de ameaças em potencial para Sairati e para qualquer um!

Os olhos de Akishiba fitam Mikke friamente.

— E enquanto eu estiver vivo, eu não permitirei isso.

Akishiba se retira da sala deixando ambos, Lika e Mikke, agitados e assustados.

— O que há de errado com ele? — Lika sussurra consigo — Não sei o que tá acontecendo com o Toni, mas deve ter sido um-

— Obrigado por querer me consolar, Lika. — Mikke fala com seus olhos fora de vista — Eu vou pensar nisso depois. — se levanta e sai da sala.

— Espera!

Lika nota algo que a deixou assustada: a marca de uma mão sobre uma parte derretida da mesa de pedra.

— M-Mikke!

Ao tentar seguir o irmão, Lika se depara com um corredor vazio.

— Droga, Mikke!

Escolhendo um dos lados para seguir, Lika corre para o lado esquerdo, enquanto as marcas do irmão esfriavam ao lado oposto.

—---------

— Hey, hey! Vai devagar. Você vai engasgar assim.

O alerta era de Geixa e direcionado para Lysa que, após a chegada de Melissa, aparentemente voltou ao normal e comia compulsivamente, mas ainda estava de repouso em sua tenda.

— Ré reeu rô rom rome! — balbucia a jovem.

— Quê? — confusa.

— É que — engole — eu estou com fome.

— Mas não coma tão depressa ou passará mal. Ai não poderá participar do evento.

— Evento? — interessada.

— Já consegue se levantar?

— Acho que sim.

— Então vem comigo.

Lysa lentamente se levanta e segue. Do lado de fora, todas as mulheres da Oren estavam esperando algo e conversavam entre elas. Geixa pede e ganha a atenção de todas ali.

— Sei que a tristeza pela perda de nossos entes queridos é recente. Sei também que essa dor irá nos acompanhar durante nossa vida. E também sei que, igual a mim, ninguém imaginou ou quis que isso acontecesse.

Essas poucas palavras fizeram com que muitas delas exibissem um semblante triste e olhos lacrimejados, inclusive Lysa.

— É injusto pedir para que superem isso, mas as nossas vidas devem seguir em frente. A vontade deles era para cumprirmos nossos destinos e sermos felizes, mesmo sem eles ao nosso lado. E é por isso que venho até vocês hoje. Como sabem, de 40 em 40 dias, realizamos o Ritual da União para que os moradores possam se conhecer, rever ou formar uma família.

Todas começam a conversar entre si.

— Mas esse Ritual não iniciará se os membros da Oren ou da Eren se negarem a participar. Os membros da Eren querem continuar com o evento. Cabe a vocês decidirem se querem, ou não, seguir adiante. O que me dizem?

Novamente conversando entre si, as mulheres da Oren logo entram em um consenso.

— Já estávamos pensando nisso e... Celta não parava de falar sobre o Ritual. — comentava uma jovem — Nós iriamos nos apresentar juntas e… isso aconteceu. — lágrimas começam a brotar de seus olhos — Eu vou participar, pois era a vontade da minha irmã.

— Eu também! — responde outra.

— EU TAMBÉM VOU!

E logo uma euforia tomou conta de todas ali e, mesmo com a tristeza forte em seus corações, o desejo de realizar a vontade daqueles que se foram ficou ainda maior.

— ENTÃO MUITO BEM! — Geixa intima — Se é o desejo de vocês, o meu não poderia ser diferente. Mas, se vamos realizar o Ritual da União, em nome dos que partiram, faremos o melhor Ritual de todos! E para isso, teremos a ajuda dela.

Todas olham para a direção indicada por Geixa e observam Safira.

— Esse será o melhor ritual que faremos e Safira será aquela que nos mostrará como. Vá em frente.

Retirando o manto, Safira usava uma sensual roupa de odalisca. Todas observavam com atenção e curiosidade quando a jovem começou a dançar. Elas ficaram impressionadas com os lindos e sensuais movimentos executados por ela.

— Ela é incrível. — Lysa comenta.

— Comecem a treinar e decorem todos os passos, meninas! — Geixa grita animada — Peguem os instrumentos! Vamos produzir mais roupas! Esse dia será inesquecível!

A animação invadiu seus corpos e logo todas estavam dançando, cantando e pegando instrumentos musicais para usar no evento. Ao longe, sobre um galho de árvore, uma lagarta azul aparentemente observava a movimentação ali. Uma ave branca a pega com suas garras e logo a devora. Ela começa a fazer estranhos movimentos e despenca da árvore, aparentemente morta. Se levantando em seguida, ela volta para o mesmo lugar da lagarta e fica na mesma posição que ela, observando a movimentação de Sairati.

Notas finais
É isso aí! Estou retomando a escrita e seguindo o padrão O USO CORRETO É ASSIM e, com o tempo, vou reeditar os primeiros capítulos. Obrigado por acompanhar Tigers!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.