Tigers

12 O Rumo de Cada Um - Final


Notas iniciais
Então leitores. Esse arco chega ao seu fim com o maior cap que fiz até agora.
Espero que agrade aqueles que gostam de pancadaria e algumas lágrimas.
Boa leitura!

- Estão voltando! Baixem a ponte! – ordenava.

A ponte abaixa e eles entram. O céu noturno é preenchido por nuvens. O presságio de uma forte chuva.

- O que aconteceu? Quem é ela? – um senhor obeso trajando um manto branco e dourado.

Rozekio – Ela já estava assim quando a encontramos. Não sabemos quem é ela.

- Ela veio de outro mundo igual aos outros? Se sim devemos aplicar-lhe o Ita, pois não sabemos o que ela pode ter trazido em seu corpo.

Kalie – Olhe para ela Rati! Olhe para ela e diga se sobreviveria a uma carga de Ita!

Rati – (olhando para Safira não encontra palavras para rebater)

Kalie – As ordens do Erigashi foram para trazê-la pra cá e trata-la. Depois nos preocupamos com o que tem dentro dela.

Rati – Está bem. Está certo. Andem! Vamos logo!

Acompanhado por Kalie e Rozekio, Rati os guia pela entrada de um corredor até uma porta.

Rati – Me entregue ela e voltem para a Oren.

Kalie – Mas ela-

Rati – Você conhece as regras, Kalie.

Igual à sala do Loritai, este coloca a mão sobre uma esfera amarela e a porta se abre. Mesmo sendo contra, Kalie entrega Safira para Rati e se retira.

Rozekio – Ah! Ganeshi Akato?

Rati – Você também conhece as regras, Rozekio. Não pode entrar em contato com membros da Gashi sem permissão do Grande Loritai.

Rozekio – Não é isso, senhor. Eu mencionei mostrar esse objeto no pescoço dela para o Erigashi Akishiba em seu retorno. Poderia cedê-lo a mim?

Rati – Se está com ela é um pertence dela. Não posso fazer isso agora saia daqui! (fechando a porta)

Rozekio – ‘Gordo miserável’

E, rangendo os dentes, Rozekio parte se preparando para o retorno de Akishiba. Dentro da sala esta lembrava muito um laboratório com plantas, vasos com líquidos de diferentes cores e consistências, partes de animais como patas e presas e várias ferramentas.

Rati – Garotas?

- E-eles já foram? – pele morena, loira e trajando manto púrpura.

Rati – Não se preocupem, já foram. Venham que cá eu preciso de vocês.

- Quem é ela?

Rati – É problema nosso agora. Deem-me uma porção de Genki e preparem um recolhimento de Dyuto agora. Vamos garotas, vamos! Behina?

- Sim, Ganeshi Akato. – pele branca, cabelos negros e trajando manto púrpura.

Rati – Me ajude a tirar as roupas dela.

Behina – Mas, Ganeshi! Você não pode-

Rati – Esqueci que você é nova por aqui. Não se preocupe com isso, pois não represento ameaça nenhuma ao seu sexo querida. Ah! E pegue um manto da Oren, sim?

Mesmo sem entender muito bem o comentário, Behina o ajuda retirando primeiro a bússola em seu pescoço e colocando em um canto. Logo esta fica encoberta pelas roupas de Safira.

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Mikke – Como assim… sendo destruída?

Lika – (se ajoelha e olha paralisada para Loritai)

Lysa – (os observa sem entender a situação)

Loritai – Peço-lhe que seja forte e continue o tratamento Grisma Omura.

Janessa – Sim, Grande Loritai. (enxugando as lágrimas e voltando a tratar o corpo de Nakixa)

Loritai – A história de Veratia nos conta que, após a morte, a alma aguarda um novo chamado da vida enquanto o destino prepara seu regresso. Isso é possível se a alma for separada do corpo e estiver aos cuidados da vida, mas é impossível se ela não existir.

Mikke – (apenas olha para baixo) Não… podemos fazer nada?

Loritai – Uma ferida que não pode ser curada sua tendência é aumentar. Qualquer que seja o dano que uma alma receba, ele lentamente a consumirá.

Mikke – (morde os lábios)

Loritai – Não existe nada que possamos fazer.

Janessa – (mesmo de costas a tremedeira causada por seu pranto era visível)

Lika – ‘Droga! (coloca as mãos no chão) Isso não é justo. É cruel demais.’

Mikke – Existe algo que você possa fazer para trazer a alma dela?

Loritai – A menos que eu tenha um resquício idêntico a este, ou maior, não conseguirei quebrar o selo que a prende.

- Temos que encontrar a outra parte!

Acompanhada da pequena Elie, Geixa chega sem nenhuma cerimonia. Sem entender o porquê Lysa sente um arrepio na espinha pela sua chegada.

Geixa – “Os Caminhos Guiados por Vitzha” são duas partes: uma estava com Nakixa e a outra com os irmãos Arakaido. Se encontrarmos Hramesh e Safira nós encontraremos a outra bússola e teremos outro resquício de alma idêntico a este.

Loritai – Isso seria impossível.

Geixa – Ah?

Mikke – O que? Por quê?

Lika – Isso mesmo! (se levanta) Você disse que era fácil trazer uma entidade para Verátia. Trazer uma pequena bússola não seria grande coisa não é?

Elie – Acho que eu posso explicar. O Takeki é um feitiço que pode alcançar qualquer ser ou objeto desejado e pegá-lo, mas só pode ser usado três vezes. Depois disso qualquer energia do Grande Loritai acaba e ele dorme por quinze dias.

Geixa – Se você usar na bússola, não poderá trazer a alma de Nakixa? Tsc!

Lika – Janessa, você poderia trazer a bússola? Igual a este colar?

Janessa – Eu posso tentar.

Loritai – O dano do Takeki é diferente em cada usuário. O corpo de Grisma Omura ainda não contém a força necessária para suportá-lo uma segunda vez e…

Janessa – Grande Loritai, eu… não me importo.

Lika – Janessa, você não…

Janessa – Eu quero tentar. Enishi Sigren abaixe-se e pense na bússola.

Geixa o faz, Janessa coloca o polegar direito em sua testa e estende a mão esquerda com a palma para cima. A mesma vibração começa em sua mão, mas algo estranho acontece: feridas aparecem em sua mão esquerda.

Mikke – JANESSA!

- VOSSA GRISMA! – as mulheres da Gashi se espantam.

Janessa – Fiquem aí! Não… não se aproximem.

Lika – Isso é loucura, Janessa! Não se arrisque assim!

Janessa – Eu não- (cambaleia)

Geixa – Pare com isso, Grisma! Não há sentido em salvar uma vida se perdermos outra!

Janessa – Isso não vai acontecer. Eu não vou desistir tão fácil. Não posso desistir!

Novamente a vibração em sua mão começa, mas mais um efeito se inicia: seu nariz sangra o que faz todos ali se espantarem. Janessa perde as forças e é segurada por Geixa.

Elie – Grisma!

Lysa – ‘Pare’ (leva a mão ao peito)

Geixa – Já chega! Pare com isso criança!

Janessa – Não sou uma… criança. (volta a ficar de pé) Eu sou a Grisma. Escolhida pelo próprio Loritai para um dia lhe substituir. Se eu não posso ajudar quem precisa, esse título não me serve de nada.

Novamente coloca a mão na testa de Geixa.

Lysa – ‘Pare’ (seus olhos lacrimejam)

Janessa – (a vibração começa e agora seus olhos começam a sangrar)

Lika – JANESSA!

Mikke – PARE COM ISSO, JANESSA! (vai para cima dela)

Janessa – NÃO VENHA! EU JÁ DISSE! NÃO SE APROXIMEM!

Elie – Grande Loritai! Por favor, impeça-a.

Loritai – Esse é o desejo de Grisma Omura. Não posso intervir.

Lysa – ‘Pare… por favor!’

Uma lágrima escorre dos olhos de Lysa e tocam o solo. Nesse mesmo instante Janessa para o feitiço e a olha. Observa a lágrima, olha para o Loritai e este confirma. Limpando o sangue de seu rosto ela continua.

Janessa – Garota… Lysa Savana não é?

Lysa – S-sim.

Janessa – Quando esteve com Nakixa, ela te deu alguma coisa?

Lysa – Como sabe que estivemos juntas? (enxugando as lágrimas)

Janessa – Ela te deu algo?

Lysa – Não. Por quê?

Janessa – Por que eu consigo sentir que uma grande quantia de sua alma dela reside em você.

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Barok – Não sabia que ainda existiam guerreiros de Xontor e parece que você é o líder.

Xanferhion – Isso mesmo.

Barok – Lembro-me de ler a respeito do guerreiro Xanferhion, considerado o mais forte desse clã quando fez uma marca de “X” na testa… após matar o próprio pai.

Toni – (se espanta)

Barok – Esse seria você?

Xanferhion – Uau! Sou tão famoso assim?

Barok – Muito. Esse é o problema dos assassinos: quanto mais famosos… mais perigosos.

Xanferhion – Mesmo sabendo disso, não vai tentar fugir?

Barok – Que exemplo eu daria para o meu neto se fugisse?

Xanferhion – Não sei dizer, mas enquanto vivemos qualquer exemplo seria bom. Por que não podemos dar exemplos quando estamos mortos. (ergue os punhos) Preparado?

Barok – Toni. Vou pedir que afastasse um pouco.

Toni – Mas eu-

Barok – Não se preocupe. Isso não vai demorar. Só quero que observe bem e veja… o poder que pode mudar sua vida. (ele toma uma boa quantia de ar e seu corpo começa a ficar azul claro) Tooketsu Hifu (Pele Congelada)

Toni – O que é isso?

Barok – Isso… é a benção que Ann Yria me deu Toni. O poder de usar o gelo. Prepare-se!

O primeiro movimento é de Barok que avança desferindo socos. Igual a antes Xanferhion não se preocupa em defender e recebe muitos dos golpes dele, mas também erra e acerta alguns socos em Barok. Toni observava aquele combate ainda sem entender o porquê dele ter começado. Ambos se afastam e voltam a se analisar.

Barok – Você tem golpes poderosos e parece que aguenta muita bordoada. Vai ser um pouco difícil te derrubar.

Xanferhion – Creio que você não terá essa chance.

Barok – O que?

Xanferhion – A partir do momento em que você decidiu me atacar e eu propositalmente te acertei, ou não, você se tornou uma alma condenada.

Barok – Não enten- (começa a sentir pontos de pressão por seu corpo) O que é isso?

Toni – Vovô!

Aparentemente muita dor invadiu o corpo de Barok, pois o mesmo começou a gritar. Sem saber o que fazer, Toni apenas assistia apavorado e esse pavor aumentou mais quando várias feridas se abriram pelo corpo de Barok jorrando sangue.

Xanferhion – Adeus, Barok!

Barok – (seu corpo fica inerte, começa a tombar, para no ar e novamente fica em pé) Brincadeirinha!

Toni – Mas… o que…

Xanferhion – O QUE?

Barok – Quando não acertam o oponente, os seus golpes causam um tipo de pressão atmosférica que seria fatal em seres normais, pois impediria o fluxo sanguíneo pelo corpo. Quando estou nesse estágio, todos os meus órgãos são revestidos de gelo e essa pequena pressão não conseguiria ultrapassar essa barreira.

Xanferhion – Como você…

Barok – O contrário acontece quando acerta. Uma espécie de bomba de sucção é instalada e puxa todo o sangue para o ponto atingido. Isso funcionaria se eu não conseguisse utilizar a umidade do ar e recriar o meu sangue.

Xanferhion – O que é você?

Barok – Bom. Por hora sou somente alguém que pretende te dar a maior surra da sua vida.

Xanferhion – Então… é só isso? Só preciso quebrar um cubo de gelo? Não parece tão difícil.

Barok – (avança para acertar-lhe um soco)

Xanferhion – (ele abaixa, golpeia o estomago dele e sente algo quebrar)

Barok – (se afasta e cambaleia com a mão massageando o estomago)

Xanferhion – Oh! Será que eu quebrei algo?

Barok – Foi um bom golpe, mas não. Quer tentar outra vez?

Xanferhion – M-maldito!

Ele ergue os punhos, toma mais ar, sua pele ganha um tom azul ainda mais escuro e ele sorri quando vê a expressão confusa do neto.

Barok – Koori no Hifu (Pele de Gelo) Então… está pronto?

Xanferhion – Cale a boca e ataque!

Barok – (aparece diante dele) Okay!

Xanferhion – Drog-

Não houve tempo para defender quando Barok o golpeou no rosto, atordoando-o. Xanferhion se apoia pelo pé direito e desfere um soco no rosto de Barok que sorri quando este o acerta e o golpeia mais quatro vezes fazendo-o cambalear.

Barok – Já está tonto?

Xanferhion – Não entendo. (avança e o golpeia) Você só está coberto de gelo. (o golpeia mais três vezes) Por que não consigo quebrar?

Barok – Não estou coberto de gelo… (segura o punho do inimigo) eu me tornei um com o gelo.

Xanferhion – Como?

Barok – Pense em algo tão frio que, mesmo se for jogado em um vulcão, não seria derretido. Pense em algo tão sólido que nem mesmo uma pressão de 10 mil quilos não poderia quebrar. Pense, agora, que você desafiou esse algo.

Xanferhion – NÃO BRINQUE COMI-

Sem deixa-lo terminar Barok o presenteia com mais sete socos divididos entre o rosto, estomago e queixo de Xanferhion. Toni observava impressionado o poder que seu avô quis lhe passar. A cada golpe desferido no inimigo, este dava mais sinais de sua iminente derrota. Xanferhion recebe mais três socos e vai ao chão.

Toni – ‘Vovô… você é incrível.’

Barok – Diga por que veio atrás de mim e, dependendo da sua resposta, deixarei você ir.

Xanferhion – Eu não vim só atrás de você (cospe sangue) e não me preocupo se você me deixará ir ou não. (se levanta)

Barok – Acho que te acertei muito na cabeça. Não tá dizendo coisa com coisa.

Xanferhion – Não. Estou muito bem. Estou tão bem que percebo perfeitamente a diminuição da força em cada um de seus golpes.

Barok – ‘Ele percebeu?’

Xanferhion – Eu vou te derrubar, Barok. E depois que eu acabar com você, eliminar os Tigers remanescentes não será um problema.

Barok – É o que veremos, mas você terá que me derrubar primeiro.

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Aos poucos a chuva se inicia e o petricor se espalha pelo ambiente. Mas, mesmo sendo algo agradável, Akishiba não poderia parar para apreciar. Alguns relâmpagos cortam os céus e ajudam na iluminação daquele escuro ambiente. Ele avista a grande árvore Térin e diminui a velocidade dos passos. Observando o local ele vê sinais de que uma grande movimentação aconteceu ali.

Akishiba – ‘Eles passaram por aqui, mas onde-‘

Encosta em algo ao qual rapidamente se afasta e empunha sua lança. Um raio desce e ilumina mais o local dando a Akishiba a visão completa do cenário: onze corpos caídos. Oito sem danos aparentes, dois em uma poça de sangue e um sem a cabeça. Olhando para baixo ele vê uma cabeça e a identifica quando mais um raio ilumina os céus: era Tayuu. Akishiba se abaixa, põe a mão esquerda sobre a cabeça e a direita sobre seu olho direito. Mais um raio passa pelos céus e ele vê a ferida no olho de Tayuu que se estendia até a parte traseira de seu crânio.

Akishiba – ‘Ou o nosso inimigo é frio demais… ou alguém muito amargurado se vingou.’ O que aconteceu aqui, quem fez isso e por que fizeram isso. Tenho várias perguntas as quais não sei a resposta, mas eu lhe garanto meu amigo. Por todos vocês companheiros eu garanto que vou descobrir quem fez isso e a justiça será feita. Eu prometo!

Com a ajuda de sua lança ele cortava o solo e com as mãos ele começa a cavar preparando o enterro de seus amigos.

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Mikke – Metade da alma da minha mãe?

Lysa – Eu não-

Lika – Como assim? Elas nem se-

Loritai – Lysa Savana. Filha de Akito e Mariena e irmã mais nova de Melisson.

Lysa – Como você sabe disso?

Loritai – Eu consigo dizer aquilo que consigo enxergar. O que eu consigo enxergar é aquilo que aconteceu ou acontecerá. Você aconteceu Lysa, por isso eu consigo enxergar. Aproxime-se.

Lysa – (mesmo um pouco receosa ela se aproxima)

Loritai – Lysa. Sua vida mudou e muito aconteceu. Não em apenas um dia, mas uma dolorosa cicatriz ainda reside em sua alma.

Lysa – (seus olhos voltam a lacrimejar)

Loritai – Eu não sei se poderei fazer algo que lhe faça feliz, mas farei se possível.

Lysa – Obrigada.

Loritai – Realmente algo reside em seu corpo que pode trazer Nakixa de volta a vida.

Lysa – V-verdade?

Loritai – Eu posso fazer isso, mas eu só o farei se você me permitir por que-

Lysa – Eu permito! (secando os olhos) Se eu posso ajudar eu permito sim. O que quer que eu faça?

Loritai – Estenda suas mãos.

Ela o faz e Loritai ergue a bússola em sua mão direita. Como se estivesse puxando algo, ele balança a mão esquerda e uma luz se acumula entre as mãos de Lysa.

Lysa – Isso é… lindo.

Janessa – Realmente. Não a conheço muito bem, mas Nakixa é uma mulher incrível.

Lika – Por que diz isso?

Janessa – Ela provavelmente sabia que algo aconteceria e tentou se preparar. Esse resquício é tão forte que pode restaurar a alma dela quase que totalmente.

Todos os medos momentaneamente se vão e grandes sorrisos eram vistos. Lika abraça o irmão

Loritai – (ele respira e expira) TA…

O resquício é tão forte que logo todo o salão se ilumina.

Loritai – KE…

O feitiço envolve Janessa e esta vê claramente a alma de Nakixa presa por correntes negras que seguram seus braços e pernas. Ao gritar “KI”, Loritai bate as mãos e uma intensa luz emana do centro delas, toma forma e arrebenta as correntes.

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- Senhor, estamos recebendo sinais do Nizou que foi levado por Xanferhion. Mais 20 horas e poderemos instalar uma base.

Venks – E quanto ao sistema de câmeras?

- Mais 12 minutos e teremos as primeiras imagens.

Venks – Onde está Onihime?

E nas areias escuras do Havaí encontramos Onihime exibindo suas belas pernas, parte de seu kimono aberto entre os seios e olhos fechados desfrutando de um bom cochilo aos pés de uma árvore e sob a luz da Lua.

- Ainda não voltou senhor.

Venks – Me avise assim que ela chegar e ligue os monitores quando as câmeras estiverem conectadas.

- Sim senhor.

Ligado, a imagem do monitor não era nítida, mas o som do lugar já poderia ser escutado. O som que Venks Dregon escutara o fez levantar da cadeira e fixar os olhos na imagem que logo se ajustou. Golpes e mais golpes eram dados em Xanferhion que praticamente se tornou um saco de pancadas. Seu rosto e corpo estavam cheio de hematomas e ele não conseguia se igualar à velocidade de Barok que avançava mais e mais. Barok o golpeia fazendo-o bater em uma parede e cair sentado.

Barok – Você sabe como levar pancadas, mas não creio que aguentará mais. Levante-se e saia daqui. Não gosto de bater em que não pode se defender.

Xanferhion – (se levanta com dificuldade)

Barok – Vai querer mais?

Xanferhion – (movimenta o pescoço estalando-o) Você é um desgraçado forte. Realmente forte.

Barok – Mesmo que me diga isso, não pegarei leve.

Xanferhion – Morrer em batalha.

Barok – Ah?

Xanferhion – Até então esse pensamento era desconhecido para mim, mas você tornou isso real. Já sentiu isso?

Barok – Senti o que?

Xanferhion – Você, alguma vez, já sentiu medo?

Barok – Medo? Sim.

Xanferhion – Por quê?

Barok – Sentimos medo quando temos algo a perder. Isso não é algo anormal de se sentir.

Xanferhion – Mas… e quando não se tem nada a perder?

Na nave, Venks Dregon acompanha a luta diante dos monitores e demonstra ansiedade.

Volgan – Mandou me chamar, senhor?

Venks – Quero que se prepare. Você será o próximo a passar pelo Zaeron.

Volgan – Senhor?

Venks – ‘Cometi um erro. Um grave erro. Como pude me esquecer de sua maldita existência?’

- Venks Dregon. – no canto de um dos monitores a imagem dela aparece.

Venks – Agora não é o momento, Kayera.

Kayera – A alma desapareceu.

Venks – Eles conseguiram romper o selo. Você conseguiu?

Kayera – Sim.

Venks – Então isso não irá durar muito.

Kayera – Exatamente.

Venks – Por hora está dispensada.

A imagem dela some do monitor e eles voltam a acompanhar a luta.

Barok – Nada? Nunca encontrei alguém que não tivesse algo a perder. Sempre acreditei que todos nós tínhamos algo a alcançar.

Xanferhion – Não sei o que eu posso perder ou o que quero alcançar, mas não vou morrer aqui! XONTORIAN GAESHI (Retorno dos Xontorianos). Você cairá, Barok!

Barok – É o que veremos Xanferhion!

E os dois avançam para mais uma troca de golpes.

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Com o feitiço finalizado, a luz desaparece do salão e a preocupação era visível nos olhos de todos ali. A bússola, que antes estava nas mãos de Loritai, agora está no chão. Lysa está no chão e de olhos fechados, mas lágrimas escorrem de seus olhos.

Janessa – (se aproxima e pega a bússola) Grande Loritai?

Mikke – Lysa! (chega perto e a ergue) Lysa.

Lika – O que houve?

Lysa – Meu corpo… dói. Dói muito.

Mikke – O que aconteceu? Por que isso?

Loritai – Mesmo a alma não sendo dela… o corpo se adapta e… cuida da alma. Eu iria alerta-la, mas… sua intenção em ajudar foi maior… do que as precauções a serem tomadas.

Lysa – Eu… ajudei né?

Lika – Por que você não escutou? E se você tivesse morrido? Idiota!

Lysa – Não sei o que se passa nesse lugar, mas não quero ser um peso morto. Mikke. Agora eu só te devo uma.

Mikke – Obrigado. (abaixa a cabeça) Obrigado Lysa. Obrigado.

Lika – Sua maluca! Obrigada!

Janessa – (observa aquela cena com certo ciúme)

Loritai – Um descanso… de cinco dias e ela… se recuperará. Levem-na… de volta para a Eren e… cuidem dela.

Elie – Grande Loritai, você…

Loritai – Um descanso é necessário… para mim também. Peço que… continuemos após… o meu retorno Grisma Omura.

Janessa – Como quiser Grande Loritai.

E após estas palavras, o rosto de Loritai pende e este começa a dormir. Algumas Gashis improvisam uma maca com grandes folhas e levam Lysa para a Eren.

Geixa – Vossa Grisma. Será que deu certo?

Janessa – Eu vi! Sua alma foi solta! Tenho absoluta certeza que foi!

Lika – AH!

Geixa – ALI! A mão dela! A mão dela se mexeu!

Elie – Eu também vi!

Lika – Será que- (dando um passo mais perto do corpo)

Janessa – Não se aproxime Lika. Não sabemos se deu certo, ou não, mas o corpo dela ainda está debili-

Não houve necessidade de falar mais nada. Logo todo o braço direito se move juntamente com o esquerdo. Com o apoio dos braços o corpo, ainda no altar, se senta e todos veem claramente os olhos de Nakixa se abrirem. Ela olha em volta e vê o salão.

Nakixa – Sai… rati. (sua voz sai como um sussurro)

Geixa – Nakixa!

Nakixa – (a olha sem uma expressão clara nos olhos) Geixa. Irmã.

Lika – M-mamãe?

Nakixa – (vira o rosto e a olha) Lika. Minha filha.

Mikke – Mãe?

Nakixa – Mikke. Meu filho.

Mikke – Sim. (sendo abraçado pela irmã)

Nakixa – (abraçando os bíceps) Sinto frio. Eu estou fria. Vocês não morreram, mas eu morri.

Janessa – O Grande Loritai te trouxe de volta com esta bússola. (e mostra o objeto) Seu corpo ainda está debilitado e o estamos tratando.

Nakixa – A outra metade?

Geixa – Não conseguimos traze-la.

Nakixa – Ela está aqui.

Todos se espantam com o comentário.

Lika – O que está aqui?

Nakixa – Eu sinto a bússola e… Safira também.

Geixa – O que?

Nakixa – Eu… preciso da outra metade. Depres-

A calmaria se transforma em desespero quando Nakixa começa a gritar e se contorcer.

Mikke – MÃE!

Lika – O que houve, Janessa?!

Janessa – Não sei! Precisamos encontrar a outra bússola! Vamos até a sala do Ganeshi Akato! Se alguém novo chegou deve estar lá e a bússola também.

Lika – Eu também vou!

Geixa – Então vamos!

Mikke – Eu tamb-

Geixa – Mikke! Você fica.

Mikke – Por quê?

Janessa – A sala do Ganeshi tem a mesma proibição da Eren. Nenhum homem pode entrar. Mikke – Droga!

Lika – Nós vamos encontra-la, com certeza!

E todas as mulheres ali presentes partem deixando Mikke sozinho com sua mãe. Ele chega mais perto do altar e a vê.

Nakixa – Eu vi.

Mikke – Ah?

Nakixa – Eu vi tudo o que aconteceu através dos seus olhos. E depois eu vi pelos olhos de Lysa. Eu sei o que vocês passaram nesse último dia. Me desculpe Mikke.

Mikke – Mãe.

Nakixa – Minha visão está um pouco embaçada. Chegue mais perto para que eu possa te ver.

Mikke – (ele o faz, se abaixa e fica ao lado direito dela) Eu estou aqui.

Nakixa – (ergue a mão e alisa o cabelo dele) Eu sempre gostei do seu cabelo. Quando você era menor e dormia eu passava horas acariciando seu cabelo e me sentia mais calma.

Mikke – Eu não sabia disso.

Nakixa – Eu sei. E tem muitas coisas que você também não sabe Mikke.

Mikke – Por que não me contou? Até a Lika escondeu isso de mim. Por quê? Se tivesse me contado, eu… eu faria de tudo para não te ver assim.

Nakixa – Eu sei disso.

Mikke – Então-

Nakixa – Eu fiz o que uma mãe faria para… proteger o filho.

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As palavras que Xanferhion profetizara eram acompanhadas por vários socos desferidos em Barok que respondia do mesmo jeito. Recebendo um soco no rosto, Barok sente sua pele de gelo trincar. Xanferhion esquiva e desfere12 socos no tórax de Barok fazendo-o se arrastar e se ajoelhar massageando a área atingida.

Toni – VOVÔ!

Barok – Fique aí! ‘Ele era tão forte assim? Seus golpes estão passando por minha pele’

Xanferhion – Vamos Barok!

Barok – ‘Xontorian Gaeshi. Não sei o que é isso, mas ampliou muito sua força e velocidade. O clã de Xontor é tão impressionante assim?’

Xanferhion – O que foi guerreiro de gelo?

Barok – ‘Não tenho escolha.’

Xanferhion – VENHA COLD TIGER!

Se levantando e posicionando as mãos, uma atrás da outra, Barok fecha os olhos e o ar em volta começa a esfriar.

Toni – O que é isso?

Barok – SEIKA –TAMASHII NO CHOOEKI (Canção Sagrado – Aprisionamento da Alma)

Xanferhion – M-meu corpo! (sente se congelando)

Barok – Você é perigoso demais para continuar vivendo Xanferhion. Sua alma será selada para sempre no coração gélido de Ann Yria!

Xanferhion – O QUE?!

Barok – ‘E a minha alma será… o cadeado que o manterá preso. (olha para o neto)’

Toni – (olha para o avô sem entender aquele sorriso em seu rosto)

Barok – ‘E aqui eu me despeço’

Toni – Vovô… o que-

Barok – Ad- (arregala os olhos)

A pele de gelo envolvendo Barok se desfaz revelando seu corpo. Xanferhion se ajoelha após o ar que antes estava frio volta a temperatura normal.

Xanferhion – ‘O que… o que foi isso? Não consigo sentir ou mexer partes do meu corpo. O que esse desgraçado estava tentando fazer?’

Barok – Então é assim que funciona? Há! Há! Que droga.

Todo o seu corpo começa a tremer e uma dor latejante era transmitida pelos gritos de Barok. O desespero era visto nos olhos do neto quando seu corpo cai. Toni, mais do que depressa, corre para auxiliar o avô. Através das câmeras Venks Dregon acompanha a luta.

Volgan – Parece que algo veio a nosso favor.

Venks – Realmente. Eu imagino o que possa ter causado isso, mas não importa. Essa é a hora perfeita para Barok ser eliminado. (exibe um grande sorriso) Nossos planos foram antecipados de uma maneira impressionante, Volgan.

Volgan – Sim senhor.

Venks – Chame Kayera e…

Com muita dificuldade Xanferhion se levanta e começa a se afastar deles.

Venks – O que? Para onde esse maldito está indo?

Volgan – Está fugindo?

Venks – Volte lá e acabe com eles!

Volgan – Como está nossas comunicações?

- Mais duas horas.

Volgan – E o Zaeron?

- Foi danificado quando Xanferhion passou e-

Venks – MALDITO! Volte! Volte lá e acabe com eles! MALDITO XANFERHION!

E do outro lado Xanferhion segue pela saída e se se afasta cada vez mais. Toni está ao lado do avô que está deitado, com os olhos fechados e ofegante.

Toni – Vovô! O que- (observa a camiseta do avô com rasgos e várias marcas no tórax) ‘Naquela hora. (relembra os socos que ele recebeu) Foi ele.’ (se levanta)

Barok – Não. (segura o neto pelo braço)

Toni – Eu… tenho que fazer alguma coisa! Eu preciso…

Barok – Toni. Desculpe-me.

Toni – Por que… está se desculpando?

Barok – Arrependimento.

Toni – Ah?

Barok – Te ensinar o que me ensinaram. Te mostrar o que me mostraram. Ver você crescer e se tornar uma boa pessoa, alegre e com a qual os outros poderiam contar era a minha maior vontade. Talvez eu fosse ambicioso demais para perguntar o que você queria.

Toni – Vovô.

Barok – Querer o próprio bem não é ruim. Ambição também não é ruim, mas as vezes nos leva a um caminho solitário. Igual ao meu.

Toni – O que? (seus olhos começam a lacrimejar)

Barok – Não importa a escolha que iremos ou não fazer, existem riscos. Ambiciosamente fiz uma escolha onde eu… não imaginei os riscos que correria.

Toni – O que quer dizer?

Barok – Durante a Lua dos Duzentos eu… perdi Melody.

Toni – O que aconteceu?

Barok – Ela se feriu muito e… mesmo que o destino tenha me dado o poder para tentar mudar as coisas, eu nunca teria a chance de consertar o passado. Mas eu pude mudar o futuro.

Toni – Eu… aceito.

Barok – O que?

Toni – Eu aceito. O presente de Ann Yria. (com lágrimas nos olhos) Eu aceito!

Barok – Por qu-

Toni – APENAS ME DÊ ESSE PRESENTE! (socando o chão) Droga!

Barok – Toni. Obrigado. Prometa que… cuidará bem dele. (acaricia a cabeça do neto) Combinado?

Toni – Sim. Combinado.

Uma luz azul passa da mão de Barok e envolve o corpo de Toni. Após o ato, a mão de seu avô cai para seu ombro, escorrega e vai ao chão, imóvel. Os olhos de Toni tremem, fartas lágrimas escorrem deles enquanto asas de gelo saem de suas costas. Longe dali Xanferhion foge.

Xanferhion – O veneno do Jambaru ficou mais forte e se ativou no momento perfeito, mas não é o tipo de sorte com a qual possa contar outra vez. (ele para, cambaleia e se apoia) Meu corpo não está suportando o Xontorian Gaeshi? Aquele portal afetou meu corpo e me deixou-

- DESGRAÇADO!

Virando para a direção daquele grito, Xanferhion não encontra meios de se defender daquele soco que atingiu seu rosto com uma fúria e poder grandes o bastante para arremessa-lo fora da caverna, arrancar uma das estalagmites e faze-lo cair de costas. Como não saiu da caverna, Toni não foi reconhecido por Xanferhion.

Xanferhion – B-Barok?

Toni – Não. Meu avô morreu. POR SUA CAUSA!

Xanferhion – Ele passou- Então… temos um neto vingativo aqui? (se levantando) Isso será divertido.

Toni – Realmente. Espero me divertir muito enquanto acabo com você!

Saindo das sombras e partindo para mais um ataque, Toni está com partes do corpo revestidas com uma armadura azul e em seus olhos residem lágrimas congeladas.

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Mikke – Eu não entendi. E a Lika? Ela não é sua filha também?

Nakixa – Eu desejei… muito que ela nunca fosse envolvida nisso, mas quando a escolheram, ela aceitou e ficou muito feliz.

Mikke – Escolheram para que?

Nakixa – Ela ganhou um presente. E com este presente ela poderia ajudar quem precisava. Você também ganhou este presente.

Mikke – “Ajudar quem precisava?” Você precisou de ajuda e essa… droga de presente não ajudou. Eu não sei o que é isso, mas eu não o quero.

Nakixa – Eu… pensei a mesma coisa. Eu ganhei esse presente e… não pude ajudar… seu avô. Eu não queria… mais isso se não pude ajudar quem eu amo. Mas com o tempo eu aprendi a usa-lo e… consegui ajudar muita gente… e eu sei que você pode fazer o mesmo, Mikke.

Mikke – O que quer que eu faça?

Nakixa – Aceite esse… presente que você já tem e… se torne um de nós. Torne-se um Tiger.

Mikke – Tiger?

Nakixa – Use esse poder para… o bem das pessoas a sua volta… como eu e… trilhe um caminho… de sabedoria e compaixão… como seu pai.

Mikke – Papai? Ele também era…

Nakixa – Sim. Eu me sinto culpada… por você não tê-lo conhecido. De ele não… ter ouvido seu choro. Ele sempre quis… um menino para ensina-lo a jogar pôquer. (sente dor e se contorce)

Mikke – Por favor! Não force mais! (segura a mão dela) Lika já vai voltar com a bússola e dai-

Nakixa – Ah. Eu me lembrei de… algo bom.

Mikke – Algo bom?

Nakixa – O dia em… que seu pai disse que você viria… para este mundo. Ele disse… seu nome e deu um grande… sorriso. Não entendi… quando ele fez aquilo, mas… agora eu entendi. Ele sentiu… que você já estava vivo… antes de mim.

Mikke – O que disse? Eu não te ouvi. Mamãe?

Lika – ENCONTRAMOS!

Mikke – Mãe?

O semblante de alegria que acabara de chegar com Lika logo virou tristeza quando Mikke, ajoelhado, segurava a mão de Nakixa e fartas lágrimas desciam de seus olhos. Deixando a bússola cair, ela se aproxima do altar, se ajoelha e abraça o irmão pelas costas. Janessa e os outros membros da Gashi chegam. Ela rapidamente pega a bússola, leva até o altar mas nada acontece.

Janessa – ‘Vamos. Funcione! Por favor… funcione! O que… o que eu posso fazer?’

Lika – Meu irmão, eu-

Mikke – Lika.

Lika – Hum? (com um nó em sua garganta e lágrimas nos olhos)

Mikke – Eu ainda não sei o que está acontecendo. Não sei o que é esse lugar, nem qual profissão gostaria de seguir um dia, mas…

Lika – Mas?

Mikke – Esse presente que você tem e que eu também tenho. Eu o quero. Eu o quero por nosso pai. Eu o quero… por nossa mãe.

Janessa – Mikke.

Mikke – Por nossos pais e para que ninguém se machuque mais, eu serei um Tiger.

Notas finais
MAIS UM!
Cara... estou super feliz que minha fic ta fluindo!
Postarei o próximo o quanto antes.