Tier
1 Capítulo Único
Notas iniciais
“(...) O que faz um homem
O que faz um homem
O qual entre humano e animal
Não pode-se distinguir (...)”
Fogos de artifício a estourar no palco,
A voz hipnótica e única de Lindermann, a guitarra base de Lander dando o apoio necessário e tendo seu brilho peculiar para brilhar junto a guitarra de Kruspe, o baixo de Riedel que dava seguramente toda a harmonia naquele delicioso caos sonoro junto ao jeito único de Schneider executar a bateria e os teclados de Lorenz para completar a ambientação necessária para aquela música.
O teatro musical estranhamente peculiar da banda alemã Rammstein que instiga, polemiza e para os fãs presentes naquele show em Tóquio, capital do Japão, encanta, onde nessa parcela está incluso o estudante universitário Tetsurou Kuroo. Fã da banda desde os tempos de colegial, onde jogava vôlei no colegial, era o primeiro show internacional dele de toda a vida.
No fundo da plateia, tomando uma cerveja e acompanhado dos antigos companheiros de vôlei — o atual estudante de Relações Internacionais Lev Haiba, o atual estudante de Marketing Morisuke Yaku, os atuais companheiros de faculdade de Educação Física Koutarou Bokuto, Keiji Akaashi (enquanto Bokuto e Kuroo estava no terceiro semestre, Akaashi estava no segundo semestre) e o melhor amigo, o estudante de Desenvolvimento de Jogos Kenma Kozume —, Kuroo estava encantado com a energia e entrega da banda ao palco.
Conheceu a banda através do nipo-russo Lev, pois a banda era fenômeno na Rússia, terra natal do pai do rapaz. Somente Bokuto e Akaashi conheceram a banda através da abertura do seriado norte-americano “American Horror Story”.
Enquanto a música continuava, Kuroo deu uma olhada de relance rápido na plateia e viu algo bem interessante: um ser alto, loiro, com um moletom preto, calça jeans da mesma cor e tênis de lona preto e branco na sua frente. Gostou muito do que viu, principalmente quando o homem virou o rosto de lado. Percebendo o clima, os amigos de Kuroo avisaram:
— Vamos ali pegar mais cerveja para a gente, beleza.
Tetsurou fez um sinal positivo com a mão e assim que os amigos saíram, foi direto na direção do rapaz loiro. Chegou nele por trás e falou no seu ouvido, em um tom de voz bem sensual:
— Quatro-olhos, ooops ... Tsukki, você por aqui... Desculpa te chamar de “quatro-olhos”. É que a força do hábito ainda não acostumou a você com lentes de contato... sexy!
Totalmente assustado, o estudante de Matemática Kei Tsukishima virou para Kuroo e respondeu:
— Sai fora, Kuroo. Aqui não é lugar para esse tipo de coisa. Para começar, nem estava com a mínima vontade de estar aqui.
— Eu sei que você não é lá muito fã de Rammstein... ou por um acaso até seres teimosos como um certo Kei Tsukishima mudam de ideia? — provocou Tetsurou, sussurrando a pergunta na orelha do outro e finalizando-a com um leve beijo no lóbulo esquerdo. O rapaz loiro arrepiou-se todo. Deu um gole na cerveja que segurava em uma das mãos e respondeu:
— Hahaha, engraçadinho. Eu só estou aqui por culpa desses dois aí. — apontou para os amigos desde os tempos de vôlei no colegial, o mecânico Ryuunosuke Tanaka e o host Yuu Nishinoya, que acabaram de fazer mais um stage dive e eram, naquele momento, carregados pela plateia — Perdi uma aposta e por isso estou aqui, satisfeito?!
Kuroo agarrou Tsukishima pela cintura, aproximou seu rosto contra o do loiro e com a boca bem encostada a do loiro, disse:
— Não...
— Kuroo, aqui não é lugar! Esqueceu onde estamos?
— Tsukki, se a gente estivesse no meio, na frente, ou até mesmo aqui, no fundão, mas mais para o meio, eu não faria o que fiz, mas estamos no canto do fundão e dá uma olhada... Tem só casal hétero se beijando?
— Não.
— Então... — Tetsurou nem precisou completar a frase.
Enquanto a banda continuava a cantar uma sarcástica canção sobre como a sociedade naturaliza a pedofilia, em que compara o falso “instinto masculino” com animais, Kuroo e Tsukishima agiam exatamente como o refrão da dita música, chamada “Tier” (animal em alemão).
“(...) O quê — você faz
O quê — você sente
O quê — você é
Não passa de um animal (...)”
(Tier – Rammstein)
Entregando-se ao um dos instintos humanos mais primitivos: a libido e o tesão.
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