Tic-Tac
1 Tic-Tac
Notas iniciais
Ouço o Tic-tac do relógio de corda, o barulho insistente do pêndulo que ia de um lado para o outro, Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. "Atchim!", "Shhh" a bibliotecária repreendia o espirro eminente do leitor enfermo, era frio, era gripe, era barulho, depois disso, silêncio de novo.
De repente, quando se menos esperava, quando se ouvia quase nada, "BOOOM!!" e só se via páginas e páginas, pairando pelo ar, incineradas, estraçalhadas e as pessoas? Desesperadas! Saudades. Saudades daquele silêncio, saudades do tic-tac e dos espirros eminentes daquele leitor enfermo que agora no chão não emite mais som algum. Saudades.
Ao seu lado um livro jogado, aberto, fétido, em suas páginas um cheiro impregnado, cheio de pó, de fumaça, de gás, sim, gás o mesmo que ainda escapava da válvula mal fechada, válvula essa que ficava ao lado de uma placa que proibia o fumo na área, fumo esse que antes da explosão estava na mão da bibliotecária, sim, aquela mesma autoritária que agora nunca mais poderia fumar.
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