Tiamat - Aventuras na Mansão X

1 Parte Única - Bruxa do Caos


Débora Mars tem 32 anos e mora sozinha na Capital do México. Trabalha há 10 anos em um escritório de contabilidade. Já foi casada, mas não tem filhos e hoje está solteira.

Vivia sua vida comum de analista contábil com um salário razoável. Até que um dia estava no metrô e uma senhora sentou-se ao seu lado. Ela disse:

-Você tem uma energia muito boa. Escolho você para ser minha sucessora! Disse e apertou forte a mão de Débora. Ela ficou assustada e puxou a mão de volta. Se sentiu um pouco tonta e quando olhou de volta a senhora não estava mais lá. Sentiu um calor na barriga, e achou que era algum desconforto por causa do estresse e do susto que a senhorinha deu nela.

Chegando em casa, foi tomar banho e olhou a barriga. Tinha uma tatuagem marrom a cima do seu umbigo. Eram símbolos parecendo alguma letra oriental, japonesa. Ela saiu do banho rápido e tirou foto com o celular e pediu informações pra IA.

Segundo a IA, era um símbolo associado a uma lenda antiga de feiticeiras que dominavam a energia do caos. O símbolo passava de feiticeira para feiticeira de geração pra geração. Para passar o símbolo para alguém era preciso rezar uma oração em latim segurando a mão de alguém. Ela então lembra que a senhora murmurou algo no metrô enquanto segurava a mão dela.

Segundo a IA o símbolo dava poder de cura a si e a outros, telepatia, telecinese, teleporte e manipulação da realidade e velocidade e força. Mas para desbloquear o poder a nova bruxa precisava ativá-lo com uma oração à Deusa Tiamat. Débora sente um alívio, então era só não orar que nada ia acontecer. Débora era muito humilde, amava o emprego, amava a rotina. A última coisa que queria que acontecesse era ver seu mundo virando de perna a cabeça. Seu irmão era mutante desde a adolescência. Viu ele tendo que sair de casa, se unindo aos x-men em outro país. Tantas mudanças e responsabilidades. E ele só tinha poder de congelar coisas. Já viu ele na TV algumas vezes com identidade falsa para proteger a família. Ninguém podia saber que eram família.

Desliga o computador e manda mensagem para mãe. Fala que pagou a conta que ela pediu e que vai lá fim de semana. Era quinta-feira.

Dorme. Sonha com a velhinha. A velhinha diz:

-O mundo precisa de você! O mundo precisa das feiticeiras do caos. É uma questão de equilíbrio do cosmos. Ore a Deusa Tiamat e cumpra seu destino.!

Débora acorda assustada. Levanta e lava o rosto. Olha a hora. Ela dormiu menos de 1 hora. Pareceu uma eternidade. Sua barriga estava quente. Tinha a sensação que algo girava dentro dela no plexo solar. O corpo começa a esquentar. Sente coisas girando dentro dela na altura dos 7 chakras. Entrou debaixo da água do chuveiro com roupa e tudo. Respirou fundo e expirou, tentando meditar. Sente seu corpo mais leve e repete 10 frases em latim sem querer. Ela não percebe o que fez, mas faz no automático, sem sequer saber falar latim. Então seu corpo fica quente e emite uma luz. Depois vai esfriando aos poucos e ela sente uma corrente de poder circular dentro de si, cada célula parecia mais viva.

Aos poucos se acostuma com a sensação. Sua calça cai no chão. Ela tira a roupa toda e toma um banho direito. Na frente do espelho percebe que está uns 20 kg mais magra. Parecia uma atleta. Se dá conta que o poder de cura estava ativado. Respira fundo e lembra dos outros dons. Levanta a tampa do vaso sem as mãos. Se seca. Se teleporta nua para a sala e depois para o quarto. Se veste. Senta na cama de uma vez sem querer e ela quebra o pé. Reconstitui o pé da cama. Faz a cama virar ouro só de olhar para ela e copiar o material do colar sobre a mesa. Separa com precisão a parte da madeira. Sente a densidade da cama e faz ela retornar ao que era. Senta devagar. Põe a mão na cabeça. Respira fundo e solta o ar. Sente as pessoas ao redor. Gatos no telhado, cachorros olhando a rua pelas janelas dos apartamentos, pássaros nos telhados, pessoas dormindo, pessoas conversando, pessoas bebendo, pessoas fazendo sexo, pessoas usando entorpecentes. Pensa em ligar pro irmão. Mas talvez fosse melhor esperar até amanhecer para não preocupá-lo. Isso devia ser dito pessoalmente inclusive, depois pensou.

Passou a madrugada pensando e o tempo passava devagar para ela. Logo ela se acostumaria. Planejou toda uma vida e ainda eram 5 da manhã. Resolveu ler alguns livros digitais sobre a Deusa Tiamat, sobre magia do caos e lembrou que é a base do poder da Wanda Maximoff. Seu irmão devia conhecê-la. Estudou sobre Wanda e ainda eram 6h. Deitou e pensou: Agradeceu tanto por não ser mutante quando seu irmão descobriu. O poder é herdado do parentesco paterno e ela tinha pai diferente do irmão e seu pai biológico não tinha poderes. O pai de seu irmão tinha superforça e era um lutador americano de vale tudo.

Dá 7h da manhã. O Instituto Xavier abre às 8h. Invés de esperar um pouco. Testa o teleporte, veste um jeans e uma camisa branca com estampa floral, sandália preta e poucos acessórios, básica como sempre. Sente o ambiente. E se teleporta para o mais longe que alcança. Texas. Depois Tennessee. E por fim Nova York. Em Nova York procurou mentalmente o Instituto. É um pouco complicado. Mas ela vai filtrando e acha. Estava na porta do Instituto em questão de 1 minuto de casa até lá.

O Instituto não estava aberto para visita, mas tinha gente caminhando do lado de fora. Caso contrário ela teria problemas com o alarme e a segurança do local.

Ela procura Bob telepaticamente. Ele estava dormindo. Esbarra na mente de Jean, professor e outros telepatas, Professor a chama para tomar café em seu escritório. Ela se teleporta para a porta e entra.

Ele estava tomando café sozinho mexendo em algo no computador. Diz para ela se sentar e termina de digitar algo. Ela sente um tipo de raio x do corpo dele. Identifica alguns problemas de saúde, inclusive o da coluna que já era conhecido.

Ele termina de digitar algo e fecha o notebook. Ele olha para ela e pergunta curioso:

-Você é mutante?

-Não exatamente… tenho dons, mas não são herdados geneticamente. Foram… tipo doados…

-Interessante. Aqui temos lugar para todos, mutantes, não mutantes, exilados. Venha morar conosco.

Isso a surpreende, ela esperava que ele fizesse mais perguntas antes de um convite como esse.

Débora fica em silêncio por alguns segundos e diz:

-Posso pensar na proposta. Minha vida mudou completamente agora. Faz poucas horas, na verdade, e ainda não processei o que aconteceu. Aqui é o primeiro lugar que pensei em pedir orientação. Na verdade, vim conversar com meu irmão. Imaginei que ele pudesse me ajudar.

-Seu irmão? Ele é nosso aluno?

-Sim. O Bob, um rapaz que congela as coisas.

-Oh sim! Débora Mars! Não te reconheci. Faz muitos anos que te vi. E você está diferente desde a última foto que vi seu irmão mostrar.

-Sim. Eu acho que emagreci uns 20 kg de ontem para hoje e ganhei músculos também. Na verdade, devo estar mais jovem do que quando vocês foram buscar Bob lá em casa, 15 anos atrás.

-Isso mesmo. Você parece uma jovem de pouca idade. E você tem quanto? 30?

-32!

- Nossa, nem Bob vai te reconhecer…

-Provável.

-Quer falar sobre o que aconteceu? Lembro que te testamos e você não era mutante.

-Então… Resumindo: Uma bruxa antiga apertou minha mão e transferiu uma marca de bruxa pra mim. Agora tenho os poderes dela, que ela recebeu de alguém e foram dados pela Deusa do caos Tiamat.

-Tiamat. Conheço a lenda de Tiamat. A marca passada de geração a geração de bruxas. Sempre achei que era um conto, nunca conheci uma Bruxa Tiamateza.

-Então você sabe mais do que eu… Ela simplesmente me passou a marca e, o que sei, achei no google.

-O que você tem de habilidades?

-Pelo visto, posso me curar e curar os outros. Inclusive vejo de longe o problema da sua coluna e rins. Dentre outras coisas tipo…

-Você pode me curar?

-Posso tentar.

Ele se aproxima saindo de trás da mesa e chegando perto com a cadeira de rodas. Débora faz uma imposição com as mãos sobre a barriga dele e sobre as costas. Ele consegue em poucos segundos mover o pé e começa a chorar. Ele tenta se levantar, mas fica fraco de senta de novo.

-Talvez você precise de fisioterapia para voltar a andar. Pode ter desacostumado.

Charles agradece:

-Débora. Muito Obrigado. Nem sei como agradecer.

Ele começa a chorar por uns segundos,mas logo se recompõe. Diz:

-Vou providenciar exames e fisioterapia para acompanhar isso… Prossiga, o que mais você faz?

-Bom, telepatia, manipulação da realidade, e estou forte e bem rápida também. O tempo as vezes parece não passar. E o teleporte e telecinese.

-Incrível. De verdade. Fique conosco. Providencio um dos nossos melhores quartos para você e te coloco na melhor equipe que temos. Junto com Bob. Não tenho dúvidas de que se sairá bem. Mas terá que participar das aulas e treinos, se tornar uma de nós. Uma x-men.

Débora aceita. Eles conversam sobre as missões que estão em andamento em prol dos mutantes e de resgates de mutantes indefesos e Débora se interessa. Professor chama Jean e Ororo. Apresenta Débora. Elas lembravam dela. Jean vai com Charles fazer exames e ver a fisioterapia. Todos ficam felizes com a novidade da nova integrante e do professor ter sido curado. Ororo apresenta o quarto de Débora e a chama para tomar café. O quarto ainda ia ser higienizado, então Débora diz que volta depois com suas coisas. Precisava pedir demissão do emprego e entregar o apartamento. Bem como conversar com Bob e com a mãe. Mas Bob ainda estava dormindo.



Na volta, consegue se teleportar direto para cidade do México. Sente seu poder mais estável. Vai no emprego, pede demissão e diz que vai mudar de país. Põe tudo que lhe pertence em caixas. Dão muitas caixas. Se desfaz de coisas, vende móveis e no fim do dia tinha terminado de arrumar tudo. No meio tempo conversa com o irmão. Ele já sabia da novidade e queria vê-la. Mas ela iria em breve. Vai até a mãe. Conversa. E fala que poderia vir vê-la sempre e com o irmão, dado seu poder. A mãe fica feliz, mas preocupada.



Volta para o apê. Teleporta tudo pro quarto na Mansão X. E volta para entregar a chave pro dono.



Estava finalmente residente nos Eua. Mas tinha estadia ilegal, já que não entrou pela porta da frente.

Janta com todos e Bob aparece e a abraça. Todos se apresentam e ela conta a história toda de novo. Todos ficam felizes, principalmente Bob por ter a irmã perto e tão poderosa, e Professor por recuperar a possibilidade de andar.

-Nossa Débora, você está com cara de ter uns 20 anos no máximo. Talvez até menos. Como a mamãe reagiu? Falei com ela e ela parecia preocupada.

-Ela ficou preocupada. Mas ficou feliz quando eu disse que de vez em quando posso teleportar você e eu até a casa dela.

-E sem deixar rastros!! Nada de avião, carro… Isso é ótimo para a segurança dela! Falando em segurança, já pensou em um novo nome?

Logan fala pela primeira vez:

-Vou precisar do primeiro nome e de uma foto sua para seus documentos.

Débora fala:

-Pode ser Bárbara, muita gente confunde com Débora, é mais fácil de lembrar.

-Ótimo, depois passa na sala de segurança e tira a foto. Lá funciona 24h.

Vampira pergunta:

-Esse lance de manipular a realidade é surreal. Já vi a Wanda fazer. Nem dá pra acreditar no poder que você tem. Vai ajudar muito nas missões.

Ororo diz:

-Depois conversamos mais gente. Débora, ou melhor, Bárbara, morará conosco agora. Então jantem! A comida de vocês vai esfriar! E está tarde, precisam descansar… Amanhã é sábado e tem treino pela manhã. Pra você também Bárbara! Logan deve testar alguns exercícios em grupo e individuais para você ir se adaptando a equipe.

Logan diz:

-Já tenho algumas ideias em mente.

Scott diz:

-Não vai pegar pesado com a irmã do Bob! Não quer assustá-la, né?

Logan diz:

-Não pego pesado. Dou aos alunos o que eles precisam. E o nível dela é bem alto!

Bárbara não se intimida. 24h antes ela poderia até ficar com medo de situações como essa, mas o poder circulando em seu corpo te dava muita confiança.

Bob estava pensativo e calado. Bárbara podia sentir o medo dele. Agora que a irmã era do universo dos heróis, ia passar por muitas coisas. Esperava não perdê-la. Nem por morte, nem pra outro grupo, tipo os vingadores que adoravam recrutar os melhores X-Men.

Ela termina de jantar e limpa o prato, os talheres e o copo com magia e põe no escorredor.

Kitty se assusta ao ver ela por “louça suja” no escorredor, aí lembra do poder dela e fica quieta. Noturno estava feliz por não ser mais o único a ter que teleportar as coisas.

Bob leva Bárbara para a sala de segurança e sai com sua namorada Kitty. Fera estava no turno. Ele tira a foto dela e diz que ela vai ter que refazer os documentos de 5 em 5 anos por causa do fator de cura e que vai por no documento que ela tem 18 anos toda vez e lembra que, nos EUA, ela só pode beber legalmente depois dos 21. Ela ri e fala que não bebe. Fera mostra o mapa da mansão. Lá tinha de tudo. Manda um mapa e um manual de convivência pro celular dela e põe ela no grupo do Instituto e no grupo especial de Missões.

Ororo vem se despedir de seu namorado Fera e Bárbara vai com ela para o andar dos quartos.

Ela entra no quarto. Olha em volta. Vê, enfim, o quanto aquele quarto era grande… O quanto as coisas mudaram…

Ela rapidamente arruma tudo no lugar. Durante o jantar, percebeu que todos usavam roupas de frio e ela usava roupas leves do calor mexicano. Resolve que vai fazer compras sábado à tarde. Ela só tinha dez mil dólares que converteu na conta, mas devia dar. Pensa:

-Podia gerar mais grana, mas ia ser muito aético e anti-econômico... Talvez reproduzir no meu guarda-roupas coisas que eu ver e gostar… Aí vou ferir no máximo direito autoral da peça. Ou enquadra em pirataria? Mas não é pra comercializar… Em fim…

A noite, sem dormir, se teleporta para um shopping 24h. Escolhe roupas, sapatos e acessórios e os reproduz em cima de sua cama. Faz só o suficiente pra usar uma semana sem repetir, pra não sentir que exagerou.

Toma um banho com sabonete líquido de aveia e passa um Body Splash suave para dormir. Deita às 4h da manhã. Tinha treino às 7h. Logan ia a treinar individualmente das 7 às 9h. E de 9h às 11h, treino coletivo.

Dorme 1h. Sonha com a velhinha dizendo:

-Estou orgulhosa de você! Em breve, volto para conversar com você!

Sente que dormiu umas 10h. Estava bem descansada. Mas eram 5h. Ia fazer uma caminhada para relaxar, mas lembra da segurança. Vai pro parque central.

Estava muito frio. Geral agasalhado. Ela arruma uma roupa de esporte de inverno. Essa mais 6 peças. Põe todas no guarda-roupa.

Volta para casa e toma um banho. Seu quarto era ótimo, tinha banheira e tudo. Ela enche a banheira e relaxa um pouco. Gosta de ser pontual, então se veste e vai para sala de perigo que localiza no mapa. Faltavam 13 minutos para às 7h. Logan chega faltando 5 minutos para às 7h. Ele não elogia a pontualidade, mas ela sente que ele gostou disso. Era uma demonstração de respeito pelo serviço dele. Era um sinal de humildade também. Apesar de poderosa, ela claramente não era prepotente.

Eles entraram na sala de perigo e a porta metálica da sala se fechou com um estrondo pesado, selando qualquer som vindo dos corredores da mansão. O ambiente cinzento e estéril se transformou em frações de segundo: o chão se tornou terra batida, árvores retorcidas brotaram do nada e uma névoa rala cobriu os pés de Débora.

Logan jogou a jaqueta de couro em uma raiz saliente. Ficou apenas de regata branca, os braços cruzados, mascando a ponta de um charuto apagado. Os olhos dele mediam cada centímetro da postura dela.

— Você parece confiante demais para quem até ontem preenchia planilha de imposto de renda — disse Logan, a voz rouca cortando a névoa. — Poder cósmico é lindo no papel, garota. Mas o mundo real não espera você folhear o manual de instruções.

— Eu aprendo rápido — respondeu Débora, ajustando a postura. O calor no plexo solar pulsava num ritmo constante, mantendo seus sentidos aguçados.

— Ótimo. Porque aqui dentro, eu não sou seu colega de café da manhã.

As três garras de adamantium saltaram de cada punho com o característico estalido metálico: snikt.

No mesmo milésimo de segundo, Logan explodiu para a frente. Não houve aviso, nem contagem regressiva. Ele cortou o espaço como um predador faminto, mirando um golpe em arco com a mão esquerda diretamente no ombro dela.

O reflexo comum a faria congelar, mas a magia do caos respondeu antes do pensamento consciente. Débora sumiu em um lampejo de ar rarefeito. Reapareceu três metros atrás dele, já em posição de guarda.

— Lenta — Logan girou nos calcanhares com uma ferocidade absurda, usando o próprio impulso para desferir uma rasteira baixa com o cotovelo apontado para o queixo dela. — Você olhou para onde queria ir antes de pular. Em campo, um franco-atirador já teria estourado seus miolos antes de você aterrissar.

Ele não deu espaço para respirar. Foi uma sequência implacável de fintas, investidas pesadas e cortes cirúrgicos. Débora teleportou em rajadas curtas — esquerda, alto, atrás —, sentindo o deslocamento de ar das lâminas rasgando a centímetros do seu rosto. A Sala de Perigo começou a reagir à intensidade do combate: vigas de aço caíam do teto simulado, fendas se abriram na terra e projéteis disparavam das sombras.

Em uma fração de segundo de hesitação ao desviar de uma viga suspensa, o punho de Logan atingiu o flanco de Débora com força brutal. Ela sentiu duas costelas estalarem, o ar escapando dos pulmões enquanto era arremessada contra o tronco de uma árvore maciça.

— Acabou a brincadeira? — Logan avançou a passos firmes, as garras abaixadas, mas o olhar fixo. — O que você faz quando a dor bate, contadora? Entra em pânico?

Débora puxou o ar. A dor era aguda, lancinante, mas o calor na barriga ferveu em resposta imediata. Em menos de dois batimentos cardíacos, uma onda dourada percorreu seu torso. O estalo das costelas se recompondo ressoou no peito; o hematoma sumiu sob a pele clara antes mesmo de ela tocar o chão com os dois pés. O fator de cura não apenas consertava o estrago, mas parecia alimentar sua adrenalina.

— Eu não entro em pânico — murmurou ela, os olhos faiscando em um tom avermelhado profundo, a energia de Tiamat transbordando pelas pontas dos dedos.

Logan avançou de novo, mirando as garras no peito dela para testar o limite de sua reação defensiva. Desta vez, Débora não fugiu com o teletransporte.

Ela ergueu a mão espalmada. A magia do caos colidiu diretamente com o golpe de Logan, parando o mutante no meio do ar como se ele tivesse se chocado contra uma muralha invisível. O adamantium vibrou com um zumbido estridente. Débora não usou apenas telecinese; ela fixou o olhar nas garras indestrutíveis e na massa muscular do braço dele.

Em torno das garras de metal, o ar se condensou em vapor denso e, de repente, o próprio chão sob os pés de Logan perdeu toda a densidade, transformando-se instantaneamente em areia movediça líquida, puxando suas botas para baixo com pressão esmagadora. Simultaneamente, três troncos de carvalho arrancados pela tempestade de energia se dobraram no ar, entrelaçando-se ao redor dos ombros dele como cordas de aço vivo, travando seus movimentos.

Logan rosnou, forçando os músculos contra a madeira encantada e o chão lamacento, mas estava completamente imobilizado. Suas garras cortavam a madeira, mas as fibras se regeneravam e se fechavam no mesmo segundo, copiando a própria habilidade de cura da feiticeira.

Débora deu dois passos à frente, a respiração calma, sem um único fio de cabelo fora do lugar. A névoa ao redor de suas mãos se dissipou lentamente, deixando apenas o cheiro de ozônio no ar.

Logan olhou para os galhos que o prendiam, depois para o chão que voltava a endurecer sob seus pés, e finalmente encarou os olhos dela. Um canto de sua boca se ergueu em um meio sorriso irônico.

— Nada mal para um primeiro dia, Bárbara — ele recolheu as garras, e no mesmo instante os galhos se desfizeram em folhas secas, soltando-o. — Mas ainda faltam noventa minutos. E agora eu vou parar de pegar leve.

Débora sorriu de volta, sentindo o poder correr solto pelas veias.

— Quando você quiser, Logan.

Os noventa minutos seguintes transformaram a Sala de Perigo em um turbilhão de puro desgaste físico e mental. Logan não deu trégua: aumentou os protocolos da simulação para o nível máximo, combinando armadilhas de lasers pesados, disparos de estilhaços em velocidade sônica e investidas corpo a corpo brutais.

Débora logo percebeu que manipular a realidade consumia uma energia diferente de mover objetos ou curar tecidos. A cada alteração molecular — transformar rajadas de projéteis em cinzas, evaporar o ar para sufocar o avanço de Logan ou alterar a gravidade pontual sob os pés dele —, o calor em seu plexo solar aumenta, como uma fornalha acesa exigindo combustível. Quando a sirene de encerramento finalmente ecoou, anunciando o fim das duas horas de treino individual, as paredes retornaram ao cinza metálico neutro.

Logan cuspiu um filete de sangue no chão, respirando pesado enquanto o corte em seu supercílio se fechava lentamente. Ele olhou para Débora, que estava de pé no centro da sala, com a camisa floral levemente rasgada no ombro, mas com a pele intacta e a postura firme.

— Você pensa demais antes de agir — disse ele, jogando uma toalha na direção dela. — Mas reage como um demônio quando encurralada. Para uma novata, seu instinto de sobrevivência é afiado.

— Foram dez anos lidando com prazos fiscais da receita mexicana — Débora brincou, secando a testa enquanto sentia o próprio tecido da camisa rasgada se recompor magicamente apenas com o toque de seus dedos. — Pressão sob estresse é a minha especialidade.

Logan soltou uma risada curta e rouca.

— Guarda esse fôlego. O treino coletivo começa em cinco minutos. E Scott não gosta de atrasos.

A porta da sala deslizou para o lado e o restante da equipe entrou. Bob veio na frente, os olhos fixos na irmã, visivelmente tenso. Atrás dele vinham Scott Summers, Jean Grey, Ororo Munroe, Noturno, Kitty Pryde e Vampira.

— Tudo inteiro por aí? — perguntou Bob, aproximando-se e examinando a postura de Débora com cuidado protetor.

— Inteiríssima, Bob — garantiu ela, sorrindo e tocando de leve o ombro do irmão.

Scott assumiu o comando no centro da sala, ajustando o visor do quartzo-rubi.

— Certo, equipe. O treino de hoje é um exercício de extração e contenção em ambiente urbano de alto risco. Bárbara, você vai atuar na retaguarda móvel com o Noturno e o Homem de Gelo. A missão principal é neutralizar Sentinelas simuladas e proteger os civis sem destruir o quarteirão.

Débora assentiu. Ao seu lado, Kurt Wagner (Noturno) fez uma reverência teatral e sorriu, com a cauda pontiaguda oscilando no ar.

— Uma honra dividir o campo de transporte com você, senhorita Bárbara. Só tente não me jogar contra uma parede quando teleportar.

— Vou tentar deixar as paredes onde estão — respondeu ela, divertida.

A simulação carregou instantaneamente um cenário caótico de uma avenida em Nova York, sob chuva torrencial e sirenes estridentes. Três Sentinelas colossais de trinta metros de altura surgiram no horizonte virtual, com os sensores ópticos brilhando em magenta puro.

"Mutantes detectados. Nível Ômega em análise. Proceder com extermínio."

O chão tremeu quando o primeiro robô disparou uma rajada concentrada de plasma. Scott disparou sua rajada óptica para interceptar o tiro em meio ao ar, enquanto Ororo se ergueu nos céus, convocando ventos congelantes e relâmpagos para cegar os sensores das máquinas.

Bob deslizava com maestria sobre trilhas de gelo, criando barreiras grossas para barrar os disparos secundários e congelar as articulações hidráulicas do segundo Sentinela. No entanto, o terceiro robô lançou uma saraivada de micro mísseis teleguiados em direção a um grupo de civis virtuais encurralados em uma estação de metrô simulada.

— Bárbara, interceptação agora! — gritou Scott pelo comunicador.

Débora não hesitou. Ela não apenas se teleportou para a frente da entrada do metrô; ela arrastou a densidade do ar ao seu redor no salto. No instante em que os mísseis desciam a centenas de quilômetros por hora, ela ergueu os dois braços abertos.

Seus olhos se acenderam com o brilho escarlate de Tiamat.

Em vez de criar uma barreira física de impacto, Débora alterou a probabilidade e a composição química da matéria. No milésimo de segundo anterior à detonação, o combustível propelente dos mísseis virou água pura, e as ogivas de titânio se transformaram em milhares de pétalas de flores de cera vermelha, que caíram inofensivas e silenciosas sobre o asfalto molhado.

Do alto de uma passarela de gelo, Bob parou por um segundo, perplexo.

— Mas o que diabos... você transformou bombas em flores?!

— Era a coisa mais inofensiva que me veio à cabeça! — retrucou Débora, já sumindo novamente no ar.

Ela reapareceu empoleirada no ombro blindado do Sentinela líder. O robô girou os sensores para tentar esmagá-la com a mão mecânica, mas Débora tocou o metal frio da armadura com a palma aberta.

Reversio — sussurrou ela, quase sem perceber, repetindo mais uma das palavras ancestrais que brotavam sozinhas em sua mente.

Uma onda de choque carmesim serpenteia pela carcaça do robô. A liga metálica ultra-resistente perdeu a coesão molecular, tornando-se tão frágil quanto o vidro fino. Quando Logan saltou das sombras com as garras prontas, o impacto de seu golpe não apenas cortou o robô, mas estilhaçou a estrutura inteira de trinta metros em milhões de pedaços cristalinos que se desmancharam no chão antes de tocar qualquer pessoa.

O silêncio tomou a Sala de Perigo. A simulação se encerra automaticamente por aniquilação completa dos alvos.

Scott abaixou a mão do visor, completamente estupefato. Ororo pousou suavemente ao lado de Jean Grey, que olhava para Débora com uma mistura de respeito e genuíno espanto telepático.

— Charles nos avisou que você era poderosa — comentou Jean, respirando fundo —, mas ver a magia do caos agindo em escala física sem desestabilizar o ambiente ao redor... é algo que só vi uma vez na vida. E quase destruiu um continente inteiro.

— Eu prometo que mantenho o controle — respondeu Débora, sentindo uma gota de suor frio escorrer pela nuca enquanto o calor na barriga aos poucos se acalmava. — Não tenho a menor intenção de quebrar a realidade de ninguém.

Logan se aproximou, limpando as garras na calça jeans.

— Você se saiu bem, contadora. Muito bem. Agora vai tomar um banho. Às três da tarde o Professor quer uma reunião com a equipe no escritório. Parece que o Cérebro captou uma atividade estranha na fronteira com o Canadá. E tem cheiro de magia antiga.

Débora congelou por um instante. Lembrou-se do aviso da senhora no sonho: "O mundo precisa de você... Em breve volto para conversar."

O destino que ela tentou evitar na Cidade do México estava apenas começando a cobrar sua presença. x



Já que o treino acabou cedo e era sábado, Bob chamou Bárbara para sair com ele e Kitty. Queria que ela conhecesse melhor a namorada dele e se enturmar. Bárbara já tinha ouvido falar dela, mas não sabia muito sobre. Antes eles mantinham certa distância para preservar a segurança dela e da mãe e a identidade dele, então queriam aproveitar para conversar bastante e voltar a ser amigos.

Antes de Kitty, Bob namorava Vampira. Bárbara sabia que tiveram alguns problemas por causa do poder dela e suas inseguranças. Bob confessou que Vampira, ainda por cima, tinha uma queda pelo Logan. Isso o incomodava um pouco.

Bárbara toma banho. Veste uma das roupas que materializou na madrugada anterior. Um vestido longo azul marinho estampado com mini flores brancas, de meia manga. A manga era justa e não tinha decote. Sandálias marrons. Dois anéis dourados e uma pulseira também dourada.

Ela desce se teleportando para a garagem. Precisavam ir de carro. Enquanto ela manda mensagem perguntando onde o irmão está. Logan passa. Ela estava muito perfumada. Isso irrita um pouco o nariz dele. Mas ele gosta do que vê. Ela estava com o cabelo solto, e ele ainda não tinha visto ela assim. Mas ao passar apenas sorri de canto para ela e segue. Ela faz o mesmo.

Bob estava se arrumando ainda. Isso porque pediu para ela descer para a garagem em 30 minutos. Vendo que ia demorar, ela vai para a cozinha e pede para ele mandar mensagem quando estivesse pronto. Ela precisava comer algo. Treinou com Logan e com a equipe só com o que comeu de madrugada no estômago. Estava faminta. Faz um misto quente e, enquanto esquenta, come um pedaço de bolo de chocolate recheado, que estava na geladeira. Pega leite e enche um copo grande. Come o misto e ainda come duas bananas. Uma mocinha fica observando ela comer. Ela sente, mas não olha. Se teleporta para escovar os dentes e nada de Bob.

Pega o notebook e pesquisa as últimas notícias. O mundo em caos como sempre, heróis, vilões e muita notícia sobre os Vingadores. Que eram os heróis mais comentados do momento. Falavam de seus feitos e até da vida pessoal:

A filha de Stark fez 10 anos e comemorou a primeira festa sem o pai.

Thor salva crianças sequestradas por um ET.

O Gavião Arqueiro treina novos atiradores de elite do exército americano.

Homem Aranha salva universitários de incêndio no MIT.

Nessa notícia do MIT, surgem sugestões sobre tecnologia e pesquisas universitárias. Bárbara acessa algumas pesquisas envolvendo tecnologia hospitalar e se interessa. Anota o endereço da universidade, para visitar o laboratório depois e ver se tem alguma ideia de algo que possa construir ou se pode contribuir com algo.

Bob liga para ela:

-Bora Mana?

-Nossa, até que em fim… Tava morrendo de fome, ataquei a geladeira lá em baixo. Tinha um bolo de chocolate cortado, nem sei se era de alguém, comi um pedaço.

-Ah sim, pode comer. Quando não é para comer, o pessoal põe bilhete ou deixa no frigobar dos quartos.

Bárbara olha em volta e vê um frigobar, nem tinha reparado nele.

-Nossa, tenho que limpar o meu depois. Nem vi que tinha isso aqui.

-A equipe de limpeza limpa sempre, relaxa.

-Equipe de limpeza? Reparei que tem uns funcionários pela casa mesmo… São não-mutantes, né?

-Sim, o professor assina um contrato de confidencialidade com uma empresa que escolhe pessoas para trabalhar aqui.

-Nossa, legal.

Diz Bárbara aparecendo atrás de Bob. Bob e Kitty tomam um susto.

-Desculpa, preciso lembrar de aparecer a uma distância mais confortável.

-Tudo bem. — Diz Kitty. — O Kurt também assusta a gente direto.

Eles vão para o carro e Bárbara senta atrás. Kitty estava de jeans e blusa branca. E Bob de jaqueta e jeans também. Bárbara se sente arrumada demais. Mas deixa para lá.

No Shopping, Kitty os direciona para a loja de games. Bob vê uns jogos que queria e Kitty vai para os cards colecionáveis. Eles ficam namorando as vitrines e escolhendo algo. Não era a praia de Bárbara. Ela vai até as camisetas de anime e gosta de uma de jujutsu kaizen que tem metade do rosto do satoru gojo e metade do sukuna nas costas e escrito jujutsu kaizen no canto direito da frente. Ela pega a camiseta e vai até eles. Bob olha e diz:

-Você assistiu esse anime?

-Sim, amei ele, falta a última temporada na verdade.

Kitty olha a camiseta e diz:

-Nossa, amo eles também. Tenho uma camiseta parecida inclusive, só que com a estampa na frente e escrito o nome do anime enorme atrás. Mas acho que esse número é grande para você não?

Bárbara olha e diz:

-Nossa, peguei G1. É costume…

Ela então volta lá e pega uma G, que ainda era grande, mas era mais folgadinha e comprida.

Eles fazem compras e vão para o cinema. Compram ingresso para um filme de ação que começaria à 1h. Então se sentam na praça de alimentação. Bob e Kitty pegam um combo de hambúrguer e batata no Méqui. Bárbara encontra um lugar que vendia macarrão ao molho branco com camarão e pega. Eles conversam sobre o Instituto, sobre heróis, sobre missões. Bárbara diz que quer visitar o MIT para ter ideias. Bob diz que Fera já estudou e deu aulas lá. E fala para ela conversar com ele depois.

Depois de almoçar, ela higieniza a boca com magia. Mas vai ao banheiro com Kitty. Kitty pergunta:

-Bob era muito bagunceiro quando pequeno?

-Nada… Ele sempre foi comportado. Era ótimo aluno. Até ele ter problemas na escola por causa da mutação e ter que se mudar. Minha mãe e eu sentimos muito a falta dele.

-Ele veio com 14 anos, né? A maioria se transforma cedo.

-Isso, 14 anos. Nossa eu não via ele pessoalmente há uns 5 anos. Desde um natal que ele foi lá em casa. Depois disso… só por vídeo…

-Não vejo meus pais adotivos há um bom tempo também... Mas acho melhor assim. Eles não lidam bem com minha mutação.

-Nossa. Minha mãe também ficou assustada. Nem sei como ela está lidando agora com minha situação. Pelo menos eu já não morava mais em casa com ela.

Elas voltam para a praça de alimentação e vão ver o filme. Na fila para entrar na sala, encontram Vampira, Spike e uma moça chamada Lily. Eles se cumprimentam. Mas o clima entre eles e Vampira não parecia ser dos melhores. Spike lembra:

-O filme acaba às 14:30h. Vamos ter que correr para a reunião do Instituto.

Bob diz:

-Putz, nem lembrava mais… Sábado geralmente é livre. A gente leva uns 25 minutos daqui até a mansão. Espero que a gente não atrase muito.

Kitty diz:

-Qualquer coisa a Bárbara dá um jeito pra gente.

Vampira revira os olhos. Bárbara não sabia se por causa dela, do que a Kitty disse ou por causa de Bob. Talvez as 3 coisas. Mas respeita a privacidade dela e não lê sua mente.

Assistem ao filme. Algumas cenas fazem a Bárbara refletir. Agora aquelas situações de filme podem ocorrer na vida dela. Não é mais só ficção. Mas tenta relaxar e curtir o filme. Estava com seu irmão e amigos, comendo pipoca, em um shopping. Precisava relaxar. Até mesmo porque não sabia o porquê da reunião com o Professor.

Ao saírem da sala de cinema. Bárbara nota um casal suspeito. Eles estavam na porta da saída do cinema e começaram a seguir eles. Eram agentes da Shield. Souberam da chegada dela à mansão e vieram observar de perto.

Bárbara os ignora. Não eram uma ameaça. Não por agora. Mas um dos objetivos das observações deles era encontrar pontos fracos caso precisem neutralizá-la.

Na mansão, todos entram na sala de reunião. O professor estava andando e todos comentam. Mas o foco era outro. O Professor diz que de madrugada de ontem um sítio arqueológico começou a emitir uma radiação comumente associada à magia antiga e que 5 arqueólogos e 9 cidadãos locais estavam desaparecidos. E que um cidadão dizia a todos que eles foram levados por uma bruxa.

Os X-men chegam ao povoado, Jean e Ororo vão até o cidadão que viu a bruxa e os demais caminham até o sítio arqueológico. Bárbara ainda não tinha pensado em um uniforme, então apenas copiou a roupa do irmão e adaptou às suas medidas, mudando também a cor para preto. Assim que ela pisa no sítio arqueológico, ela sente uma tontura e desmaia.

Todos correm para levantá-la. Logan a carrega até o X-jato e pede para Vampira ficar com ela enquanto os outros investigam.

Em sonho Bárbara encontra a senhorinha que passou o poder para ela:

-Sabia que você viria…- A senhorinha diz.

-Você está por trás disso? Onde estamos?

Elas estavam no mesmo lugar, mas estava de noite e tinha um clima estranho no ar.

-Estamos em outra dimensão. No mundo comum você está desacordada, assim como eu. Aqui é a dimensão do caos. Nosso poder é ilimitado aqui. Mas, em breve, meu poder será ilimitado lá também.

-Você não perdeu seus poderes quando passou para mim?

-Não… Não é assim que funciona… De dez em dez anos escolhemos uma nova bruxa para ascender, sinta-se privilegiada. Eu fui a última e você escolherá a próxima, que escolherá a próxima e assim sucessivamente.

-Entendi. E o que você quer comigo agora?

-Preciso de você para um ritual. Preciso de três bruxas para invocar Tiamat e solicitar poder ilimitado. Mas é difícil convencer outras bruxas.

-Por quê? Deve ter algum problema nisso, para ninguém querer.

-Para invocar Tiamat, preciso de entrar em um pentagrama com outras 2 bruxas e cada uma deve sacrificar a sua alma gêmea em troca de poder ilimitado.

-Que loucura. Eu não vou matar ninguém. Mande-me de volta para o mundo real.

-Não é matar, é sacrificar. Você nunca vai encontrar sua alma gêmea em troca disso recebe o poder.

-Nem sei quem é minha alma gêmea… Nem sabia que existia isso! Mas, mesmo assim, não vou fazer isso não! Não parece boa ideia, e minha intuição costuma ser boa!

-Logo vai ter a lua de sangue e não sei quando vou convencer outra bruxa de novo. Só falta uma e vai ser você. É isso ou matarei seu querido irmão.

-Sua bruxa asquerosa.

-Me chame do que quiser. Mas isso vai ser bom para você também. Não sabe o quanto é dolorido se sentir impotente, logo terá coisas que você se verá incapaz de fazer. Imagina o tanto de poder que te aguarda. Não é uma escolha tão difícil, poder ilimitado ou a morte do seu querido irmão? Decida rápido, não tenho tanto tempo.

Bárbara pensa rápido e lança um raio na cabeça da bruxa. A bruxa apareceu atrás dela e deu uma gargalhada.

-Então essa é sua escolha?

-Não, espera!

A bruxa aparece na frente dela e diz:

-Esperar? Na próxima vez que você me atacar mocinha, eu arrebento seus miolos.

-Deixa eu consultar meus amigos antes, o que eles decidirem eu aceito.

A bruxa ri de novo. E diz:

-Sabe porque te escolhi para ser a nova bruxa?

Bárbara espera a resposta:

-Por que vi você dando 5 reais para um morador de rua. Quase escolhi uma outra moça, linda e ambiciosa. Ela certamente já teria aceitado. Mas algo me fez acreditar que seria mais fácil convencer uma tola que doa o próprio dinheiro para qualquer moribundo. E, se quer saber, aquele morador de rua tem mais patrimônio que você! Mais do que você antes e mais do que você agora! Que é uma bruxa do caos ponderada que não abusa do próprio poder e não tem sequer um carro do ano. Você é patética, um desperdício de magia. As outras bruxas do caos nem quiseram te conhecer e olha que todas recebem boas vindas e fazem parte do nosso clubinho.

Bárbara fica surpresa, mas não se ofende. Se todas forem igual a ela, era melhor assim. E a bruxa continua:

-Não sei como a marca de Tiamat não te rejeitou! Você é uma ofensa a tamanho poder!!

A bruxa cospe no chão e suspira. Bárbara pergunta:

-Terminou?

A velha arqueou uma sobrancelha, visivelmente irritada por não ter provocado o choro ou o desespero que esperava.

— Como ousa falar assim comigo? — rosnou a mulher, o tom de voz se distorcendo com um eco metálico perturbador. — Eu lhe dei uma dádiva cósmica! Dei a você a chance de reescrever a própria existência! E você continua pensando como uma humana medíocre que divide moedas e se esconde atrás de mutantes!

Bárbara deu um passo à frente. Ali, naquele espaço escuro e distorcido da dimensão do caos, o ar vibrava como estática pura. O chão parecia vidro partido refletindo nebulosas roxas e fumaça negra. Ela olhou para as próprias mãos. A marca em seu abdômen não doía mais; pulsava num compasso firme, alinhada à sua respiração.

— Terminou o show? — Bárbara repetiu, mantendo a voz tão calma quanto nos dias de fechamento de balanço contábil sob auditoria. — Porque até agora você só me deu discursos clichês. Você disse que precisa de três bruxas para esse ritual. Disse que as outras não aceitaram o sacrifício. E depois tenta me convencer de que me escolheu por eu ser "fraca"?

A bruxa apertou os lábios, os olhos brilhando em um verde doentio.

— Você não sabe nada sobre o cosmos, pirralha!

— Eu sei ler entrelinhas — rebateu Bárbara, o olhar frio se fixando na senhora. — As outras bruxas experientes não te rejeitaram por excesso de ambição. Elas recusaram porque sabem que esse seu ritual com a Deusa Tiamat é uma cilada. Você não quer dividir poder ilimitado. Você precisa de três condutoras porque o corpo de uma só seria pulverizado pela energia. Você veio até mim achando que pegaria alguém ingênua, assustada, fácil de manipular com ameaças ao meu irmão.

A velha ergueu as duas mãos esqueléticas. O tecido daquela dimensão se dobrou; lanças de puro fogo negro se materializaram ao redor dela, apontadas diretamente para o peito de Bárbara.

— Você fala demais para quem está presa na minha mente! Escolha: o ritual ou a cabeça do seu irmão congelador em uma bandeja!

— Acontece — Bárbara ergueu o queixo, e a tatuagem ancestral em sua barriga brilhou através do uniforme preto em um tom carmesim incandescente — que você mesma disse: aqui é a dimensão do caos, onde nosso poder não tem limites. E a marca não me rejeitou por um motivo bem simples. Tiamat representa a criação a partir do nada, não a mesquinharia. A bruxa arqueou as sobrancelhas grisalhas, visivelmente desconcertada pela falta de desespero diante do insulto. Esperava lágrimas, fúria cega ou súplicas, mas encontrou apenas a frieza analítica de quem já passou anos lidando com gente descompensada sem perder a compostura.

— Terminei? — a anciã sibilou, o rosto enrugado contorcendo-se em desdém. — Menina petulante. Você não tem noção da força que rejeita. O tempo está correndo no plano físico, e cada segundo que você perde aqui é um passo a mais do seu irmão em direção ao túmulo.

Débora ajeitou a postura no chão etéreo da dimensão do caos. O calor em seu plexo solar, antes agitado, encontrou uma cadência firme.

— Ótimo, porque se você terminou o show, agora sou eu quem fala — disse Débora, dando um passo lento à frente. O ar denso ao redor começou a vibrar em tons escarlates, espelhando a pulsação do seu peito. — Você passou os últimos minutos tentando me diminuir por ter empatia, por ter limites e por não usar um poder cósmico para ostentar bens materiais ou pisar nos outros. Achou que escolheu alguém manipulável só porque sou humilde. Mas você confundiu decência com fraqueza.

A bruxa ergueu a mão para conjurar outra rajada de matéria caótica, mas as palavras em latim travaram em sua garganta.

O chão sob os pés da mulher começou a perder a forma sólida, transformando-se em correntes de luz carmesim que subiram em espiral pelos seus tornozelos, prendendo-a exatamente como Débora havia feito com a madeira viva na Sala de Perigo.

— Como você...? — a senhora arregalou os olhos, tentando se desmaterializar, mas a densidade do espaço ao seu redor havia sido bloqueada. — Aqui é a minha dimensão! Eu domino este lugar há séculos!

— Você mesma disse quando me puxou para cá: na dimensão do caos, o poder é ilimitado — rebateu Débora, a voz ecoando com uma ressonância dupla, antiga e firme. — E se a marca de Tiamat está em mim, essa energia responde à minha vontade tanto quanto à sua. Você procurou alguém fácil de dobrar, mas esqueceu que quem passa a vida organizando desordem não entra em pânico com ameaça vazia.

Débora fixou os olhos brilhantes na mulher imobilizada.

— Você não vai tocar no Bob. E muito menos vai me usar para sacrificar a vida de ninguém em troca de vaidade.

Com um gesto firme da mão espalmada, Débora não atacou a mente da bruxa; ela colapsou com a frequência daquela projeção onírica. A ilusão da noite eterna estilhaçou-se como uma vitrine de vidro, desfazendo o plano do caos em poeira luminosa.

Débora puxou o ar com força, abrindo os olhos de repente.

A luz metálica do teto do X-Jato substituiu a escuridão. Ao lado da maca, Vampira deu um salto para trás, aliviada ao ver o movimento.

— Ela acordou! — gritou Vampira em direção à cabine. — Logan, Bob, venham cá!

Logan apareceu na porta em dois passos largos, as garras recolhidas, mas a postura estava tensa. Bob veio logo atrás, pálido, ajoelhando-se ao lado da irmã.

— Débora! Você apagou assim que pisamos na terra do sítio. O que aconteceu? Sentiu alguma dor? — perguntou Bob, segurando a mão dela.

Sentando devagar e sentindo o próprio corpo se recompor instantaneamente de qualquer cansaço residual, Débora olhou firme para o irmão e depois para Logan.

— Era a bruxa do metrô. Ela está usando os desaparecidos para tentar um ritual na próxima lua de sangue e nos atraiu até aqui de propósito.

Logan cerrou os dentes e acendeu a ponta de um charuto.

— Então o jogo dela acabou de virar contra ela. Levanta, contadora. Scott já localizou a entrada das ruínas subterrâneas, e a gente não vai deixar essa velha terminar o feitiço.

Eles descem até as ruínas e encontram 14 pessoas acorrentadas perto de um altar cheio de flores. A Bruxa estava sentada com as pernas cruzadas, como se estivesse meditando.

Bárbara diz:

-É ela! A ataquei em uma dimensão de caos que ela me levou. Talvez ela ainda esteja presa lá.

Logan e Kitty soltam as pessoas, que estavam assustadas, e noturno as leva para o vilarejo.

Bárbara conta tudo que ela disse. E eles se perguntam:

Onde está a outra bruxa?

Scott encontra um livro em cima do altar escrito: Magia do Caos e Ritos.

Ele estava aberto na página que dizia como roubar os poderes de outra bruxa e dizia que: era necessário fazer ela matar sua própria alma gêmea na lua de sangue, o que faria ela entrar em desequilíbrio, então seus poderes poderiam ser absorvidos por outra bruxa.

Então Bárbara entende o que iria acontecer, era uma armadilha. Folheando o livro ela encontra outra página importante: A bruxa que for derrotada na dimensão do caos por outra bruxa, fica presa lá por mil anos, até recuperar sua energia.

Bárbara avisa os outros e eles se acalmam. O caso parecia ter sido resolvido. Ela deve ter atacado o povoado para chamar atenção de Bárbara e atrair os X-men para fazer vítimas, inclusive seu irmão Bob. Invocou energias para abrir a dimensão do caos e tentar enganar Bárbara, mas não esperava ser derrotada com toda sua experiência numa armadilha que ela mesma montou.

Na volta, todos resolvem pedir pizza. Bárbara faz amizade com Jean e Ororo. Bob, apesar de ter muita coisa para conversar com a irmã. Deixa ela se enturmar. O Professor passa horas fazendo fisioterapia e dorme cedo.

Bárbara dorme 1h e passa o resto da noite lendo o livro da bruxa. Aprende que há um equilíbrio entre ordem e caos. E que tudo é energia e que tudo tem um propósito. Descobre que o caos pode dominá-la se ela perder o equilíbrio. Talvez fosse o que aconteceu com a bruxa ambiciosa. Aprende sobre a Deusa Tiamat, que ela não gosta de ser incomodada. Descobre um rito que precisa fazer anualmente para alinhar seus chakras e energia. O resto parecia uma questão de bom senso.

Eram 7 da manhã de domingo, quando Bárbara resolve ir caminhar no parque central. Caminhou por meia hora e se sentou em um banco e ficou observando as pessoas. Deixou sua mente expandir e sentiu todos os pensamentos ao mesmo tempo. Por um segundo esqueceu de quem era, era tudo e nada ao mesmo tempo.

Um pombo pousou na sua cabeça e a tirou do transe. Pelo que estudou, era o universo a despertando. Tudo sintonizado. Tudo em equilíbrio.

Ela olha o relógio. Tinha passado 5 minutos. Parecia uma eternidade, era uma eternidade. Infinitas frações de segundo. E, sem perceber, ela absorveu o conhecimento de toda aquela coletividade que ela acessou naqueles minutos. Médicos, cientistas, educadores, policiais, bombeiros, dentistas, advogados, empresários, programadores, vendedores, etc.

Bárbara foi para casa e se arrumou. Faltavam 15 minutos para às 8h. Tomou café. Cozinha quase vazia. Comeu um pão com queijo e tomou um cappuccino. Escovou os dentes e foi para a biblioteca. Estava interessada em tecnologia ultimamente. Lê alguns livros com a rapidez que seu poder permite. Uns 10 livros em menos de meia hora. Já pensa em criar um software que roda em hardwares criados por ela. Um novo supercomputador quântico para rodar uma super IA. Mas… Jean liga para ela:

- Babí, liga no canal de notícias. O pessoal não acordou ainda, mas acho que vai ter missão hoje.

-Nossa Jean, vou ver aqui.

Bárbara vê o jornal. Os Vingadores já estavam no local. Um grupo mutante terrorista tinha feito um ataque ao banco central e fazia plantonistas de reféns. O Homem Aranha estava no local com o Capitão América. Mas tinha muita gente ferida e eles aguardavam reforços. Era domingo e a maioria dos heróis estava com a família. O reforço ia demorar chegar.

Bárbara fala com Jean por mensagem:

-Estou indo lá dar uma força. Depois me avisa se vocês estiverem a caminho.

Bárbara chegou no local e encontrou os feridos. Curou todos rapidamente apenas se aproximando. Eles saem caminhando e ela entra no banco. Desmaia os terroristas e avisa ao capitão América:

-Capitão, eu curei os feridos e desmaiei os terroristas no banco e juntei eles em um canto. Não sei qual é o procedimento agora. Talvez esperar a polícia chegar?

Capitão fica meio atordoado e diz:

-Onde eles estão?

Ela aponta e eles entram. Os reféns correm para a porta. Um deles abraça o Capitão e sai. O Homem Aranha entra e diz:

-Nossa! Como você nocauteou todos tão rápido? Não são aqueles terroristas com superpoderes?

-É… São sim… Não fui eu. Foi ela. — Diz o Capitão apontando para Bárbara.

Barbara sorri e Peter diz:

-Caramba. Quem é você mesmo?

Bárbara lembra que não tem apelido ainda, então diz seu nome fake:

-Dé… Bárbara! Sou a Bárbara.

Capitão diz:

-Ótimo Bárbara! Fez um excelente trabalho aqui. Você é da equipe dos Vingadores de base?

-Não… Sou dos X-men.

-X-men… Muito bom. Então é mutante?- Pergunta Capitão.

Barbara diz:

-Na verdade, não. Acho que abriram uma exceção para mim. Sou tipo uma bruxa, tipo a Feiticeira Escarlate. Manipulo o Caos.

Capitão franze a testa. Parecia preocupado. Homem Aranha solta um:

-Legal!

A polícia chega. Eles colocam bloqueadores de mutação nos infratores e os levam. Bárbara vê aquilo e lembra da Shield estudando ela, para saber como neutralizá-la. Se pergunta se algum agente tinha um livro como o da bruxa que a transformou. Se pergunta o que eles sabiam.

Não havia mais nada a fazer. Bárbara se despede deles. Capitão diz:

-Aparece lá na torre dos Vingadores depois. Você já tem uma equipe, mas pode nos dar uma força às vezes… Se quiser se juntar a nós… Sabe onde fica?

-Sei sim!

-Pergunte por mim, será um prazer recebê-la.

-Obrigada.

Ela se teleporta.

Capitão fica ainda mais surpreso depois que ela se teleporta. Peter diz:

-Nunca viu ela?

-Eu não, você já?

-Não estava lembrando, mas acho que ela é a nova X-men que o Clint tava comentando com uns agentes. Ela é mais poderosa que a Wanda segundo o que eles disseram.

-Nossa, sempre sou o último a saber. — Diz Capitão.

-Devia andar mais com o pessoal.

-Tenho muito trabalho.

Homem Aranha ri e depois diz:

-Ei, tá dizendo que eu não trabalho?

-Você tá dizendo… Eu não falei nada…

Os dois voltam para a Torre dos Vingadores.

Na mansão, Bárbara pega o celular. Mensagem de Bob e da Jean e ligação perdida do Professor. Bob dizia:

-Mana, você saiu no jornal, depois dá uma olhada. Esqueci de te avisar para não usar seus poderes sem máscara. Espero que não se importe, agora é uma heroína nacional pública.

Bárbara suspira. Nem pensou em máscara. No vilarejo do dia anterior não precisou. Nem olha o jornal. Abre o instagram e um monte de mensagem de amigos de faculdade e de escola, parentes distantes, amigos do trabalho e da rua. Jean manda mensagem falando a mesma coisa e que o Professor queria falar com ela.

Liga para o Professor. O telefone estava ocupado. Vai até o escritório dele. Estava vazio. Fera passava pelo corredor e diz:

-Procurando o Professor?

-Sim.

-Ele viajou com Ororo, Scott e Jean. Tem uma convenção sobre os mutantes amanhã.

Bárbara liga para Jean. Jean atende:

-Oi Babí.

-O Professor está com você?

-Sim. Ele está ocupado agora. Vou falar para ele te ligar assim que sair da chamada com o Senador Kelly.

-Tudo bem. Obrigada Jean.

Bob liga para Bárbara:

-Mana, sua identidade vazou na Web. Nem adianta usar o nome de Bárbara mais…

Débora suspira e diz:

-Que droga… Não acredito que vacilei tanto assim…

-Relaxa mana. Você não fez por mal.

-O que será que o Professor que comigo?

-Lembro que ele ia te entregar um cartão para receber o salário do mês. Deve estar com o Logan ou com o Fera.

-Salário?

-Claro, temos salário. Os Vingadores também, toda equipe de heróis recebe para trabalhar… precisamos viver de algo não é?

-Nossa, não sabia… Falando nisso, o capitão América me chamou para ir na Torre dos Vingadores. Disse que era para eu dar uma força pra eles de vez em quando, sem sair da equipe dos X-men.

- Ih Mana, você que sabe… Mas numa dessas já perdemos muita gente. Eles estão sempre precisando de uma força, e, quando vemos, a pessoa muda pra equipe deles… Fora que eles pagam bem mais e tem gente que gosta da fama de ser um Vingador. Eles são meio militares, meio do governo, sei lá… Diferentes da gente que respondemos ao Professor Xavier.

-Nossa, Bem que pensei em nem ir mesmo…

-Não Mana, acho que você deve ir sim. Você é muito poderosa. Eles têm missões que vão aproveitar muito mais seu poder. A gente pode acabar puxando você para trás. Você tem muito potencial.

-Ai Bob… Sei lá… Depois penso nisso. Posso ajudar as pessoas por conta própria também, como fiz hoje… Não preciso ser dos Vingadores para salvar o mundo, caso o mundo precise de mim.

-Não sei se é assim que funciona não mana… Aí você só aparece quando quer? Acha que isso dá certo?

-Falando assim parece meio nada a ver mesmo…

Bob ri. E diz:

-Descansa um pouco. E pega seu cartão com o Fera!

Débora vai até Fera e pergunta se o Professor deixou algo para ela. Ele confirma e diz:

-Quer usar seu nome real? Acho que Bárbara não vai colar mais…

-Ai Fera… É… Esquece esse lance de Bárbara.

Eles conversam sobre tecnologia e sobre a ida ao MIT. Fera apresenta as tecnologias do Instituto e ela se interessa e resolve fazer parte do desenvolvimento e das pesquisas. O cartão fica pronto e ela devolve os documentos da Bárbara. Mas acaba que ela mesma os destrói. Ele entrega documentos que ela ia precisar no nome dela real e ela vai pro quarto. Baixa um app de banco e tinha 20 mil dólares na sua conta americana. Ela se surpreende, tinha os 10 mil dólares na conta mexicana de economias e venda de coisas antes de viajar. 30 mil já era uma boa grana pra começar a nova vida. E como quase não ia gastar, ia juntar bem mais.

O Professor liga para ela e diz que vai pagar 20 mil dólares por mês para ela fazer parte dos X-men. E que os 20k eram um auxílio inicial. E que no momento este era o teto do que ele pagava e não podia pagar mais porque era o que ele pagava aos veteranos, e como ela chegou agora, não seria justo pagar mais. Débora agradece e diz que estava ótimo, que ela conseguia fazer rendas de outras fontes, inclusive construir muita coisa do zero e que o dinheiro não ia ser problema. Mas fica feliz com a remuneração.

Um jornalista chega no Instituto. Ele queria uma entrevista exclusiva com Bárbara/Débora. Bob chama a irmã. Ela pensa em não ir, mas resolve abraçar o problema de uma vez. Veste um vestido preto justo de meia manga e salto dourado. Não põe acessórios. Passa perfume e desce.

Ele filma e grava a conversa:

-Você se chama Bárbara ou Débora?

-Débora, Bárbara era uma tentativa de proteger a minha identidade, mas pelo visto falhei.

-Agradeço a sinceridade! E qual o seu poder? Vimos na filmagem do Banco que você controla o caos como a Feiticeira Escarlate, você confirma?

-Confirmo.

-Então estamos falando de quê? Telecinese, telepatia e manipulação da realidade? Por que vimos você se teleportar e há relatos de que você curou pessoas!

-Você acabou de descrever tudo que posso fazer.

-Poderia citar seus poderes então?

-Não vejo necessidade…

-Você é do tipo misteriosa?

-Eu sei que para muitos isso é um show, mas segurança pública é um assunto sério. Inclusive minha própria segurança é um assunto sério para mim. Não vejo necessidade em enumerar meus poderes e descrever habilidades em uma entrevista. Acho que você já tem material suficiente não acha? Não quero expor mais do que isso. Com o tempo as coisas vão sendo reveladas, mas essa pode ser minha primeira e última entrevista.

-Por motivo de segurança?

-Basicamente.

-Vou cortar essa parte. Que tal começarmos de novo?

-Podemos tentar…

-Você será membro dos Vingadores?

-Ainda estou vendo a possibilidade.

-Você tem um codinome? Como podemos te chamar?

Débora pensa um pouco e diz:

-Luna.

-Luna? Lua?

-Lua não… Luna!

-Por que Luna?

-Tive uma gata com esse nome, gosto desse nome.

-Olha, vou ter que interromper a entrevista de novo. Você é uma das heroínas mais poderosas dos últimos tempos… Não pode se chamar Luna, porque Luna? Por causa de um gato? Isso não gera impacto nenhum…

-Isso realmente é um show para você né?

-Não se trata só de um Show… As pessoas não vão te levar a sério se você não levar as coisas a sério e fora que preciso vender essa notícia. Sabe o trabalho que me deu encontrar você antes dos outros? Eu tenho um trabalho a zelar!

-Eu também tenho. Acho que a entrevista acabou.

-Ótimo. Não dê entrevistas então. Se for falar besteira na frente de uma câmera, opte por ficar calada.

Débora se irrita e se levanta. Se Teleporta para seu quarto. Bob liga para ela:

-O jornalista já foi?

- Sim… Me deu lição de moral e saiu…

-Como assim?

- Ele queria um show, uma entrevista incrível de uma heroína poderosa. Não gostou do que viu… Talvez aquela bruxa velha tinha razão… Sou meio boba mesmo…

-Não se atreva a dizer isso! Olha tudo que você já fez. Mesmo antes desse poder, você sempre foi incrível, a melhor em tudo que fazia. Você está enfrentando coisas fora da sua zona de conforto… Mídia, grandes responsabilidades… Logo você se acostuma e tira isso de letra.

-É… Vai dar certo… Deixei aquele jornalista entrar na minha mente, acho que só estou cansada. Muita gente se metendo na minha vida em um curto prazo de tempo…

-Você pode fazer o que quiser, ir pra onde quiser… Lembra que seu sonho era ir pra Paris?

-Nossa, isso faz tanto tempo…

-Você pode, mana. Você merece! Vai curtir um pouco. A vida não é só bater meta e trabalhar. Curti.

Débora se concentra. Sente todo seu poder, sente a cidade, o país, o mundo. Ela se surpreendia com o que era capaz de fazer. Sente a Torre Eiffel e vai. Lá estava. Era noite. As luzes acesas. Senta em um café em frente àquela paisagem de cartão postal. E fica admirando tudo por um bom tempo.

Enquanto isso, o que menos imaginava que pudesse acontecer, acontece. É reconhecida. O jornalista, se indigna com Débora e posta a integralidade da entrevista. E, pelo visto, as pessoas viram e acharam engraçado. Gostaram de saber que uma heroína tão poderosa tinha medos, não vinha com textos prontos e não ligava para se exibir diante de uma câmera. Então a tentativa do jornalista de difamá-la acabou saindo pela culatra.

Tira foto com alguns jovens. Toma seu cappuccino, come um croissant. Caminha pela cidade. Olha a hora no celular. E vê que ele tava fora de área. Manipula ele com o conhecimento que adquiriu recentemente e faz ele ter alcance de área. Manda foto pro irmão e para o instagram. Vê que têm 50 mil seguidores. Antes tinha mil. Olha o Tiktok e lá tinha 10 mil. Pelo visto estavam descobrindo ela. Ela ri. Logo a foto em Paris ganha curtidas e comentários. Recebe ligação da mãe. Vai para o México. A mãe diz que viu a foto dela na internet e as notícias sobre ela, mas que por sorte os vizinhos e conhecidos, não estavam reconhecendo ela, porque ela era mais velha quando saiu de lá.

Débora varre os pensamentos locais e vê que, na verdade, alguns sabiam, mas optaram por não perturbar a mãe dela.

Débora tranquiliza a mãe e volta para o Instituto. No quarto, pega seu notebook e com um estalar de dedos o transforma em um super computador quântico compacto de última geração e desenvolve softwares de segurança e uma IA avançada integrada para monitorar sinais sincronizados em satélites que ela põe em órbita, bem como sensores, no seu quarto, no instituto e na casa da mãe.

Ela tinha agora um tipo de alarme que era como um sentido de aranha que monitorava entes queridos e locais escolhidos.

Em poucos segundos faz testes e aprimora o sensor.

Faz um sensor mundial apita para focos de terrorismo. Um sinal em especial chama sua atenção. Um grupo de humanos comuns preparava um ataque ao presidente de Portugal. E pretendiam usar um tipo de arma biológica que podia se espalhar pela Europa. Débora analisa a situação e transforma o líquido da arma em suco tang. Depois denuncia o grupo pelas armas contrabandeadas e eles vão presos. Ela faz tudo isso sem chamar atenção para si e pensa: devia ser sempre assim. Sem holofotes, só resolvendo os problemas.

Dias se passam. Débora desenvolve tecnologias no Instituto, principalmente relacionadas à segurança. Visita o MIT e em poucos segundos se sintoniza com todo o conhecimento dos universitários. Faz o mesmo pelas principais universidades dos EUA. E consegue desenvolver cada vez mais tecnologia. Faz dispositivos para os Vingadores e fica conhecida entre eles como Stark Segunda.



Você chegou ao fim do livro. Parabéns!