Thunder
1 Capítulo único.
Notas iniciais
E quero lembrar, novamente, que as falas do Gerard e do Frank no momento em que os dois têm somente sete anos foram escritas em português não tão culto e nem tão correto, afinal, eles ainda são pequenos.
Enjoy. :3
Frank desatou a chorar após ouvir que ao lado de fora de seu quarto estava começando um forte temporal; tal ato fez Gerard acordar. Este, que estava em um colchão ao lado da cama de Frank, levantou-se e deitou-se ao lado do mesmo, passando seus bracinhos pequenos pela cintura de Frank, abraçando-o inocentemente. Passaram-se alguns segundos enquanto Gerard pensava no que dizer a Frank para confortá-lo.
– Sabia que os trovões fazem esses barulhos grandões para mostrar quando estou pensando em você? – o menor encarou Gerard e sacudiu sua cabeça em sinal de negação. – É verdade! Toda vez que eu penso em como eu queria brincar com você, eles mandam uma mensagem pro céu e lá no alto eles fazem esse barulho grandão pra você escutar, Frankie!
– V-verdade, Gee? – indagou Frank assustado, secando as lágrimas com seus dedinhos. – Eu não preciso ter m-medo desses barulhos, né?
– Não, não precisa ter medo. É só lembrar que eu estou pensando em você quando ouvir eles, ok? – o pequeno balançou a cabeça afirmativamente e sorriu, parecendo mais tranqüilo.
Gerard aconchegou-se melhor na cama após afastar-se de Frank, que agora não chorava mais. Ele bocejou longamente e desejou-lhe boa noite com a voz mole, adormecendo rapidamente.
x x x
O suave vento balançava os galhos de árvores em uma dança ritmada, deliciando as crianças que corriam pelo parque, preocupando seus pais e babás por uma possível queda das mesmas. O tempo encontrava-se agradável apesar das nuvens cobrindo o céu; provavelmente indicavam um temporal, que com certeza não tardaria em vir. Grandes árvores localizavam-se ao canto do grande terreno, tornando o local ainda mais atrativo. Vários brinquedos infantis, bancos e até um laguinho compunham o cenário agradável. Justamente por todos estes atrativos, Frank e Gerard adoravam visitar tal parque.
As duas crianças – ambos com sete anos – caminhavam alegremente por dentre as árvores do parque, distanciando-se de seus pais, ambos com sorrisos cúmplices estampados em seus rostos.
– Frank! Vamos sentar em baixo daquela árvore, ali? – disse Gerard apontando alegremente para o local. – Lá tem mais sombra!
– Vamos!
Acomodaram-se em seus lugares e entreolharam-se sorridentes. Gerard suspirou ao que tirou de seu bolso um embrulho pequeno com desenhos do Batman decorando-o, e sorriu para si quando notou o brilho nos olhos de Frank ao ver o que o maior tinha em mãos.
– Frank... É que... Eu fiz isso para você. – Gerard corou com sua timidez aparente, enquanto Frank abria um imenso sorriso. – Feliz aniversário!
Frank pegou o embrulho das mãos de Gerard com rapidez, rasgando-o nas suas pequenas mãos com facilidade. Seus olhos brilharam e seu sorriso alargou-se ao que ele deparou-se com um bracelete de seu time, visivelmente feito a mão.
– Muito obrigada, Gee! Eu adorei. – deu-lhe um abraço de lado, agradecido por todo o carinho que o amigo tinha por si. – Você que fez?
– Sim! Minha mãe iria jogar fora, mas eu peguei ele antes e pintei com tinta guache!
Frank sorriu e ambos ficaram em silêncio por alguns segundos, observando os galhos das árvores próximas remexendo-se pelo vento forte que insistia em continuar soprando. Logo gotas grossas de chuva começaram a cair; o que não assustou nem um pouco as duas crianças, que apenas se entreolharam sorrindo.
Gerard e Frank eram amigos de longa data, apesar de ambos serem jovens; suas mães conheceram-se na adolescência, o que formou uma grande e longa amizade. Até hoje, ambas conversam como duas adolescentes. Donna, mãe de Gerard, engravidou poucos meses antes de Linda, mãe de Frank o que resultou em uma aproximação maior por parte das duas, fazendo assim seus filhos verem-se com certa freqüência para brincarem juntos.
Os pequenos sempre tiveram muito carinho um com o outro; consideravam-se, até mesmo, irmãos.
– Um dia, a minha vovó me falou que quando gostamos de uma pessoa, a gente dá presentes com o coração pra ela... – Gerard voltou a pronunciar-se, tímido. – Sabe, Frankie, eu fiz o bracelete com todo o meu carinho pra você. – Frank o encarava confuso.
Isso quer dizer que você gosta de mim? – Gerard acenou que sim com a cabeça. – Eu também gosto de você. – uma longa pausa fez-se presente ao que ocorreu um pequeno pensamento na cabeça de Frank. – Mas, Gee... Quando duas pessoas se gostam, elas namoram!
Gerard crispou os lábios e pôs-se a pensar por alguns momentos. A chuva engrossava cada vez mais, molhando um pedaço das pernas de ambos, enquanto seus corpos estavam cobertos pelas folhas da árvore a cima dos mesmos. Donna e Linda deveriam estar loucas procurando pelos dois neste momento, pois a chuva não dava resquícios de que pararia tão cedo.
– Então isso quer dizer que nós somos namorados! – Gerard exclamou, fazendo Frank assustar-se com a afirmação repentina.
– Mas menino não tem que namorar menina? – indagou o pequeno com os olhos arregalados.
No mesmo momento, um forte trovão atingiu os ouvidos dos dois garotos, fazendo Frank encolher-se no lugar onde estava sentado. Gerard rapidamente pegou em sua mão e olhou-o nos olhos, demonstrando que estava ali, ao seu lado.
– Você lembra o que você me disse sobre os barulhos? – Frank falou inocentemente, com seus olhinhos brilhando por lembrar-se das palavras de Gerard sobre o significado dos trovões.
– Sim. – Frank baixou o olhar, envergonhado por lembrar-se exatamente das palavras do maior. – Fran, se nós dois gostamos um do outro como melhores amigos, devemos namorar! Eu ouvi dizer, uma vez, que namorados protegem um ao outro. É isso que eu faço com você, então acho que nós somos namorados desde sempre.
Frank parou por alguns segundos, pensando em que seu amigo acabara de dizer. Era verdade, afinal; eles não estão apaixonados, pois apaixonar-se é algo extremamente complicado na cabeça de duas crianças de apenas sete anos. Mas se eles se gostam muito como amigos, por que não?
– Ok, então agora você é meu namorado. – Frank sorriu inocentemente e abraçou Gerard de lado, fazendo o mesmo ficar radiante.
– Ninguém pode saber, viu? Só nós dois somos namorados e ninguém pode se meter. – o maior chacoalhou seus bracinhos em um gesto ansioso, mostrando o quão empolgado estava com a ideia. – Mas, namorados não se beijam? – sua expressão rapidamente mudou para uma careta de confusão, o que fez Frank ficar novamente pensativo.
Após alguns segundos tomando devida coragem, Frank curvou-se em direção a Gerard e, em um gesto rápido, deu-lhe um selinho. Rapidamente, voltou a sentar-se, envergonhado. Ambos estavam corados e com os olhos arregalados por tais atos repentinos; por um momento o maior fez uma careta que aos olhos de Frank pareceu ser de nojo, mas logo ele se recompôs e arriscou-se a encará-lo. Nenhum dos dois pronunciou nada, pois outro trovão desta vez mais alto e forte ecoou pelo local, fazendo os dois assustarem-se com o barulho repentino. Frank estremeceu novamente, fazendo Gerard olhá-lo preocupado, pegando em suas mãozinhas em um gesto de carinho; como sempre foi feito.
– Você sabe por que está trovejando, não é? – Gerard pronunciou-se convicto, enquanto Frank encarava-lhe temeroso. – Porque eu estou pensando em você, meu namorado.
Frank mostrou-se surpreso e contente com as palavras do maior. Ambos não faziam ideia do que estavam fazendo, mas nem de longe parecia ser algo errado aos pequenos olhos dos dois garotos. Sorriram inocentemente um para o outro e abraçaram-se, protegendo um ao outro dos pingos de chuva.
Ambos estavam compartilhando, naquele momento, do sentimento mais inocente e puro que poderia existir: o amor. Seja o amor de uma grande amizade ou de algo ainda mais forte; não importava.
Não naquele momento.
x x x
Frank caminhava lentamente por dentre as árvores do antigo parque tão conhecido, observando cada detalhe novo presente ali. Parou em frente à velha árvore e observou-a atentamente; sua mente transbordou de memórias e momentos que presenciou ao lado de Gerard naquele lugar, o que o fez sorrir bobamente. Raios de sol atravessavam tímidos por dentre as folhas e troncos das árvores do local enquanto uma leve brisa batia em seu rosto, tornando o clima agradável. Frank sentou-se em baixo a árvore onde passou seu último aniversário com Gerard, quando fizera somente sete anos de idade. Hoje, com vinte anos, Frank resolvera fazer uma visita ao parque que possuía tantas lembranças. Mas esta visita não era, nem de longe, à toa.
O menor – Frank sempre tivera baixa estatura, comparado a de outras pessoas de sua idade – repuxava o piercing que possuía no canto de seus lábios nervosamente, enquanto arrumava seu bracelete de seu time preferido em seu pulso. Passaram-se alguns poucos minutos até que Frank avistou uma figura de altura mediana caminhando em sua direção. Seu coração deu saltos quando reconhecera o rosto da figura que agora sorria; pele clara, cabelos pretos médios caindo livres por sua testa, camiseta de banda qual ele julgara ser Misfits, calça preta justa e jaqueta de couro. Ele estava, com certeza, diferente.
Logo após o aniversário de sete anos de Frank, os pais de Gerard tiveram de se mudar de New Jersey, fazendo assim os dois garotos deixarem de falarem-se. Nenhuns dos dois ficaram felizes com a condição, é claro. Gerard, aos vinte anos, decidiu cursar sua faculdade em New Jersey e mudar-se novamente para a cidade. Logo após mudar-se e estabilizar-se, uma das primeiras coisas que Gerard fizera fora procurar por Frank. Achou seu número na lista e (depois de realmente muito tempo pensando e tomando coragem) ligou para o mesmo. Depois de uma breve conversa ansiosa por parte de ambos, decidiram encontrarem-se no antigo parque que ambos tanto sentiam falta.
– Gerard! – Frank levantou-se sorrindo, indo em direção ao maior que também estava sorridente. – Como... Como você mudou.
– Não posso dizer o mesmo de você, Frank. – o maior alargou seu sorriso e abraçou Frank de um modo tímido, porém carinhoso. – Você continua parecendo frágil e fofo. E, meu Deus, você nem cresceu! – começou a analisar o menor dos pés a cabeça em um gesto de zombeteiro.
– Nem venha falar da minha altura, senhor eu sou muito alto! Eu mudei sim. – Frank franziu o cenho enquanto alimentava uma falsa expressão de indignação; logo começou a rir juntamente a Gerard, sentindo-se criança novamente.
– Independente de sua altura, você continua sendo frágil e fofo, Frankie. – o menor corou e lhe sorriu tímido, enquanto Gerard observava as lindas árvores que permaneciam ali, mesmo depois de anos. – Aquela é a nossa árvore...?
– Sim. O meu último aniversário com você. – sorriram e caminharam juntos em direção a mesma.
Sentaram-se em baixo ao tronco e encararam-se por alguns instantes. Frank nunca tivera notado quão expressivos os olhos de Gerard mostravam-se; em como aquelas orbes esverdeadas demonstravam vários de seus sentimentos confusos e sua alegria por estar em tal lugar, tal qual lhe trazia tantos momentos bons. Frank respirou fundo e soltou seu bracelete de seu pulso, remexendo-o em suas mãos.
– Sabe... Um dia disseram-me que quando nós gostamos de uma pessoa, damos presentes com o nosso coração para ela. – Gerard arregalou seus olhos ao lembrar-se dessa fala. – E eu guardei com todo o carinho possível o bracelete que você me deu. – o menor estendeu o objeto que possuía em mãos na direção de Gerard, que o encarava com os olhos curiosos.
Ambos lembravam-se desta cena como nunca.
– Então você gosta de mim? – Gerard pronunciou voltando ao seu tom zombeteiro, fazendo ambos sorrirem largamente. – Eu também gosto de você, Frank.
– Mas você sabe que quando duas pessoas se gostam elas namoram, não é? – Frank arqueou as sobrancelhas em um gesto irônico. Gerard imediatamente fingiu estar pensando em algo extremamente sério, enquanto o menor ainda encarava-o esperando sua resposta.
– Então nós somos namorados. – ambos riram sonoramente, voltando a encararem-se logo depois. – Eu senti sua falta, Frank. – Gerard o abraçou de lado, afagando suas costas levemente.
– Eu também senti sua falta. – suspirou. – Sabe... Depois que você mudou-se de casa, minha fobia de trovões tornou-se pior. – repuxou seu piercing nervosamente, em sinal de que não se sentia confortável para falar sobre o assunto. – Porém, eu sempre me lembrei do que você dizia-me quando algum temporal começava.
Entreolharam-se sorrindo enquanto Gerard, em resposta ao que Frank dissera, apertava-o em seu abraço; minutos passaram-se até que o pensamento de que as falas ainda não estavam completas tomou Frank, fazendo-o rir internamente.
– Gee... Mas namorados se beijam! – Frank observou o maior mudar sua expressão ao ouvir tais palavras e matou-se mentalmente por ter pronunciado-as.
Após longos segundos de silêncio por parte de ambos, o maior sorriu e aproximou-se mais de Frank. O coração do menor disparou ao que sentiu o rosto de Gerard tão próximo ao seu, o que o fez soltar uma baixa exclamação de surpresa. Seus olhares cruzaram-se por um momento, até que o maior juntou os lábios dos dois carinhosamente em um selinho casto. Rapidamente separaram-se, ambos sorrindo inocentemente, com suas respirações e seus corações descompassados.
Estavam compartilhando novamente daquele sentimento puro e inocente que há anos compartilharam neste mesmo lugar: o amor.
Um amor que, ao contrário de antes, não sustentaria somente uma amizade.
E ambos sabiam disto.
Notas finais
Mentira, não me xinguem. Mas caso houver algum erro, avisem-me.
Até a próxima, sweeties.
g
♥
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