Notas iniciais
Olá pessoal, estou trazendo para vocês mais um capítulo, dessa vez não demorei tanto quanto o anterior. Mais uma vez quero me desculpar pelas reviravoltas que tem acontecido e espero que continuem me acompanhando. Gostaria de agradecer muito pelos comentários que recebi até agora, por todo apoio e tempo que vocês dedicam para me presentear com esses comentários maravilhosos! Espero que gostem do capítulo. o/

— Radamanthys, anda mais devagar, não consigo te alcançar. — O garotinho resmungou com o coração aos pulos, a respiração estava pesada, ruidosa, tentava a todo custo seguir o amigo, mas quanto mais ele caminhava, mais ele se sentia incapaz de conseguir alcança-lo. — Por favor, eu estou mesmo cansado! — Reclamou mais uma vez.

O loiro, visivelmente mais alto nem ao menos se dignou a escutar o menor que praticamente se arrastava atrás dele, mas em dado momento parou, sem se voltar em sua direção. Sentia o corpo inteiro vibrar como nunca, ele raramente sentia emoções, elas simplesmente o haviam abandonado há muito tempo. — Como eu te prometi, você vai achar esse lugar incrível! — Tornou ainda de costas.

— Hm... Mas aqui é longe e... — O pequeno olhou em volta, não havia absolutamente nada de especial, estavam agora no meio da floresta, não havia uma só viva alma por perto, somente aquela cabana velha e esquecida por Deus. Franziu o cenho e deu um passo para trás ligeiramente assustado. — Eu não quero mais ver, vamos embora? Papai vai ficar zangado. — Se explicou, querendo sumir dali, tinha algo no ar que o incomodava e muito.

— Ir embora? — O loiro estremeceu visivelmente, voltou-se ao amigo com um sorriso assustadoramente estranho. Era quase como um esgar, os olhos brilharam de uma forma maquiavélica. — Mas já chegamos até aqui, você disse que queria ver, você quem pediu! Não vamos parar agora, não é? Viemos todo esse caminho à toa? Não seja medroso! Não há nada de errado aqui, venha, venha logo. — Se apressou a segurar os braços do menor e puxou-o com força de modo que fossem em direção da cabana.

— Eu não quero! Eu não vou entrar aí, não vou! — Gritou assustado, debateu-se na tentativa de se soltar, todavia, o amigo era visivelmente mais forte, não tinha chances contra ele. — Me solta, me solta! — Gritou desesperado.

— Eu estou falando sério, você precisa ver isso, precisa ver! — O loiro riu do desespero do menor. — Não seja uma garotinha, pare já com isso, me obedeça, eu sou seu amigo, lembra? Não disse que queria ser como eu? Foi você quem me implorou isso, lembra? Me perseguindo para cima e para baixo, sempre espreitando, enfiando seu narizinho empinado onde não era chamado. Vamos lá, você queria minha atenção, agora não seja covarde, veja o que você tanto queria descobrir! — Virou o garoto de costas para si e imobilizou-o por trás, ergueu-o do chão sem muita dificuldade e caminhou, literalmente arrastando-o enquanto se debatia, praticamente derrubou a porta, quando atirou-o para dentro do local.

— Radamanthys... Radamanthys... Radamanthys...

O loiro se mantinha em silêncio, de olhos fechados, sua mente vagando para longe, aquela voz infantilizada soava como um maldito mantra em sua mente, um mantra que o perturbava e ao mesmo tempo o incitava a sentir coisas que há muito não sentia. Entretanto, ao abrir os olhos, deparou-se com Pandora que o olhava com uma expressão que ele considerou irritante. .

— Radamanthys? — Pandora o chamou pela quarta vez. — Você está me ouvindo? — Indagou um tanto frustrada.

— Sim, claro, estou ouvindo. — Mentiu. — Só não estou entendendo o que infernos você ainda faz aqui, é suposto que como minha secretária deva chegar antes de mim, não acha? — O loiro revirou os olhos irritado e jogou o guardanapo em cima do prato.

— Oras... — Ela entreabriu os lábios, mas resolveu se calar diante do olhar cheio de fúria que recebeu. — Eu estou indo, só estava querendo lembra-lo que marcou de almoçar com aquele detetive.

— Eu sei muito bem disso, acha que eu ia esquecer? Saia de uma vez! — Rebateu ríspido, odiava ser interrompido em suas lembranças, principalmente quando se tratava daquelas em particular. Há dias estava com aquilo na mente, sonhava com o passado, recordava durante o dia, não era à toa que se sentia frustrado.

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— Não! — Camus tornou irritado ao vislumbrar a expressão desesperada do amigo. — Você perdeu o juízo? Por que eu receberia Milo Séferis? Nem sequer o conheço, o pouco que sei sobre ele só me causou problemas, por que você continua insistindo nisso, Afrodite? — O ruivo tornou irritado, havia tido uma péssima noite de sono.

— Eu já disse, ele tem vindo todos os dias desde que você ficou internado, eu não sei mais como me livrar dele! Sabe, ele causou um escândalo um dia desses, acredite, saiu aos socos com o doutor Amamiya. — O loirinho revelou e deixou-se cair ao lado do ruivo, estavam no jardim fazia algum tempo, o dia estava ótimo e Camus optara por tomar café no jardim e agora ambos discutiam acaloradamente, alguns pacientes, embora tentassem disfarçar, lançavam olhares curiosos para ambos. — Fale um pouco mais baixo, não precisa se estressar, depois eu é que gosto de chamar atenção. — Afrodite afundou no banco e encolheu os ombros um tanto sem graça.

— Eu te conheço, Laursen, não me faça de tolo, me veio dar essa notícia aqui, justamente para que eu não pudesse dizer o que você merece ouvir. — O ruivo retrucou entredentes, estava fazendo um esforço hercúleo para não gritar com o amigo e manda-lo embora. Já sabia das constantes tentativas de Milo Séferis, não pela boca de Ikki Amamiya ou do amigo, mas sim das enfermeiras que não conseguiram manter sigilo sobre o acontecido. Obviamente estava curioso para saber os motivos do modelo andar a persegui-lo, mas não se sentia nada a vontade de receber visitas por parte dele, não havia razões plausíveis. — O que ele quer? É por causa do contrato? Por Deus, eu estou de licença médica, não tenho pretensão de tratar de negócios nesse momento e muito menos com aquele lá. — Resmungou. — Vamos lá, admita de uma vez!

— Eu admito, está feliz agora? De fato, eu resolvi contar aqui fora para evitar uma explosão de sua parte, sei que você não lida nada bem quando invadem sua intimidade, eu compreendo e respeito isso, mas temos que resolver essa situação de uma vez por todas. Eu insisto, fale com ele, escute o que ele tem a dizer e aí pode manda-lo embora e ficar livre dele pelo resto da vida. — Sabia que não seria fácil, Camus era uma pessoa complicada, portanto, decidira deixar Milo lidar com a situação. Achava insanidade que o modelo tivesse se apaixonado à primeira vista e insanidade ainda maior que andasse perseguindo o amigo, mas Camus saberia lidar com isso melhor do que ninguém. — Não me olhe assim, eu não faço idéia do porquê, é sério. — Desviou o olhar, era incapaz de dizer aquela mentira olhando nos olhos do ruivinho. Decerto não estava sendo lá um grande amigo ao empurrar a bomba para o lado dele, mas se Saga que era irmão da criatura não havia conseguido colocar juízo naquela cabeça, então era melhor que ele se decepcionasse de uma vez por todas recebendo uma negativa direto da fonte. — Bom, eu adoraria esperar sua resposta, mas prefiro que responda diretamente para o doutor Amamiya, ok? Eu estou atrasado. — Se ergueu, aproximou-se do amigo e beijou a face do mesmo. Viu-o entreabrir os lábios para responder, mas mais do que depressa saiu praticamente correndo dali. Não queria se meter mais naquilo e certamente adoraria desaparecer do mundo quando o amigo descobrisse a verdade e o quanto ele sabia sobre isso.

— Eu devo mesmo estar ficando louco. — O Francês tornou para si mesmo ao ver o amigo desaparecer mais rápido do que poderia prever que ele conseguiria. — Milo Séferis...

— Milo Séferis? — Uma segunda voz repetiu aquele nome. — Eu adoro Milo Séferis! Ele é seu amigo? — A voz indagou curiosa. — Ele é tão bonito, tão elegante, ele anda de um jeito todo cheio de charme e também usa roupas legais!

— Hm? — Camus olhou em volta procurando a pessoa em questão, todavia, não viu nada. — Devo mesmo estar perdendo o juízo, estou ouvindo coisas, falando sozinho e considerando receber aquele vendaval de problemas. — Tornou ao esconder o rosto entre as mãos. — E ele não é tudo isso, é preguiçoso, irresponsável, se atrasa demais. — Começou a enumerar as inúmeras ‘qualidades’ do loiro e a cada palavra se sentia mais frustrado.

— Não tá doido não. E pelo jeito você gosta muito dele, né? Não notou não? Quando você fala dele assim, você faz umas caretas muito legais. — A voz voltou a soar, mas dessa vez a pessoa em questão apareceu, aliás, literalmente saltou para cima do ruivo, recostou a cabeça no ombro dele, a garotinha estava de pé atrás do banco, estava escondida ali, há dias tentava se aproximar do ruivo, mas ele parecia sempre tão distraído e triste que ficara sem jeito. — Eu sou Teodora. — Ela disse com um sorriso lindo que expunha a falta de dois dentes. — Você faz um biquinho assim ó. — Ela sorriu sapeca e fez beicinho. — Irresponsável. — Fez bico. — Se atrasa demais. — Riu. — A propósito, você é o Camus né? — Ela disse como quem não queria nada, saltitando se afastou e deu a volta, sentando-se ao lado do ruivo.

Teria dado um grito se não fosse parecer tão ridículo, tinha que confessar ao menos para si mesmo que havia tomado um grandioso susto ao sentir aquela presença tão próxima, já estava pronto para mandar a criatura às favas, mas ao ver que se tratava de uma criança, bom, ela não devia ter mais do que dez anos de idade, considerou a boa educação que tinha e limitou-se a suspirar. Virou um pouco, mirando a face da pequena. Era linda, o rosto muito bonito, o sorriso ainda mais, todavia, tinha algo que era impossível não reparar, geralmente crianças daquela idade tinham belos cabelos, fossem eles ajeitados em penteados fofos se tratando de garotinhas ou desgrenhados de tanto aprontar, mas ela não, usava apenas um lenço colorido na cabeça, indicando que não tinha cabelos. Ficou um tanto constrangido, esquecera-se completamente que aquele era um hospital que tratava de inúmeros casos e não somente um hospital para pessoas desequilibradas. — Sim, eu sou o Camus, muito prazer Teodora. — Ele estendeu a mão para a pequena que o cumprimentou com um sorriso.

— Não precisa ficar sem graça não, são os meus cabelos né? Aliás a falta deles, está tudo bem, todo mundo olha. — Ela tornou aos risinhos. — Eu estou aqui faz tempo, eu acho que não vou sair não. — Ela disse pacientemente e recostou-se no encosto do banco, deixou escapar um suspiro e olhou para o céu.

— Você vai sair! Por que pensa isso? Você está fazendo tratamento, tenho certeza que logo vai sair e nunca mais vai precisar de lenços. — Ele disse ligeiramente incomodado, não era possível que uma mocinha tão nova estivesse ao ponto de perder a vida. Acreditava realmente que ela iria melhorar, embora não conseguisse compreender como alguém tão jovem pudesse estar tão tranquila diante de uma situação daquelas e falar com tanta naturalidade como se fosse algo corriqueiro. — E não tem nada de errado com a falta dos seus cabelos, eu acho que as pessoas olham, porque você tem um rosto muito bonito. — Ele foi sincero, claro que ficara surpreso com a falta dos cabelos, mas a primeira coisa que notou foi como era uma mocinha bonita e com um sorriso que tocava o coração de qualquer um. — Quantos anos você tem?

— Eu tenho um rosto bonito? Obrigada! Eu... — Ela corou. — Achei que me acharia feia porque sou careca, as pessoas olham estranho, por isso eu coloco lenço, não quero causar incômodos. — Apesar dos pesares, ela não parecia se incomodar com isso, embora fosse óbvio que era desconfortável. — Eu fiz nove ontem. — Ela disse sem olhá-lo. — Eu sei que não vou, eu escuto os médicos dizendo, mas não conte a eles, eu não devia saber disso eu acho, porque eles vivem cochichando. — Segredou a ele. — Mas você deveria sair. — Finalmente voltou a encarar o ruivo, agarrou um punhado de cabelo e deixou escapar um suspiro. — Sabe, você é muito estranho senhor Camus, vive por aí suspirando, como se o mundo fosse um lugar ruim. Eu queria tanto ir lá fora, mas você se esconde aqui dentro, tem um monte de visitas bonitas, por que está tão triste? Está machucado em algum lugar? — Ela indagou curiosa.

— Oh, meus parabéns. — Ele disse sem graça. — Por seu aniversário. — Emendou, ficou em silêncio por longos minutos, não sabia o que dizer diante das informações que recebera, sentia-se triste por ela e também curioso ao ser analisado profundamente por uma garotinha daquele tamanho. — Eu estou machucado aqui. — Segurou a mão da menina e pousou-a sobre o próprio peito. — Dói muito às vezes, aí eu faço coisas que não deveria, como me esconder aqui e ignorar minhas visitas. — Tornou um tanto envergonhado.

— Hm... — Ela pareceu ponderar. — Então por que não diz para aquele moço bonito te ajudar? O que foi embora agora pouco, ele parece um bom médico para o seu problema. Acho que ele te ama de montão. — Sorriu novamente. — Ele vai ajudar a sarar, as pessoas que gostam da gente sempre ajudam. Os médicos do hospital ajudam com remédios, mas o melhor remédio é estar perto das pessoas que a gente gosta, não acha? Fugir não é bom, você está sempre lendo, deve ser muito inteligente, então devia saber disso, ora. Todo mundo sabe.

— Você tem toda razão. — Ele assentiu achando graça, realmente era uma pequena muito esperta, concluiu. — Mas me diga, você gosta mesmo do Milo Séferis? — Apertou de leve a mãozinha da garota, intimamente incomodado por senti-la tão magra, diferente das mãozinhas gordinhas e fofas de crianças daquela idade. — Quer conhecê-lo? — Ofereceu.

— Eu posso? — Ela arregalou os olhos. — Mesmo? — Ela se ergueu e abaixou olhando dentro dos olhos dele. — Jura, juradinho? — Os olhos da pequena brilhavam lotados de esperança.

— Claro que pode. — Se permitiu sorrir. — Entenda como presente de aniversário atrasado, mas você precisa prometer que em vez de ficar ouvindo as bobagens que os médicos dizem vai se esforçar para melhorar e provar que são péssimos profissionais, ok?

— Eu prometo! E obrigada! — Sem pensar duas vezes atirou-se nos braços do ruivo.

— De nada. — Ele afagou a cabeça coberta pelo lenço e apertou a menininha de leve no abraço, sentindo-se realmente miserável por não poder fazer mais do que apenas apresenta-la aquele cabeça oca, queria poder ajudar a criança de outra maneira. Permaneceu ali, apenas abraçando-a e amadurecendo idéias sobre conversas com os tais médicos para descobrir a verdadeira gravidade da situação e tentar fazer algo. — E obrigado também. — Ele disse finalmente, conversar com ela havia dado uma nova perspectiva. Se uma garota daquela idade conseguia viver com tranquilidade apesar da situação, estava mais do que na hora de reagir e sair daquele lugar de uma vez por todas, não iria desistir de maneira alguma.

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“Me encontra no quarto 203”

Albafica olhou para o visor do celular e engoliu em seco, não podia acreditar que aquilo estava acontecendo. Olhou em volta um tanto desesperado e quando Shion adentrou o quarto, quase deixou cair o aparelho.

— Está tudo bem, Alba? Parece que viu um fantasma. — O empresário tornou desconfiado. — Quer um pouco de água?

— Não. E eu estou ótimo. — Forçou um sorriso. — Eu acho que é por causa da viagem, toda essa situação com o Camus, Afrodite está péssimo, estou mesmo preocupado. — Não era de todo uma mentira, estava mesmo preocupado com o irmão e com o amigo, todavia, fora aquela mensagem que o fizera perder o chão.

— Você sabe que seu irmão e eu não somos lá grandes amigos, mas eu entendo sua preocupação. — Rebateu neutro, entendia sim, só não sentia tanta empatia como gostaria pelo cunhado. — Olha, eu preciso sair um pouco, já que vamos ficar por aqui, melhor alugarmos um apartamento, quer vir junto? — Ofereceu, mas pedia internamente para que ele recusasse, não que odiasse a companhia de Albafica, entretanto, tinha assuntos a resolver. Ainda podia se lembrar da expressão irritada de Dohko e naquele momento não conseguiu dizer nada, logo vieram busca-lo e acabou deixando para outro momento. Momento este que não podia mais adiar, almejava encontrar com ele mais uma vez e dessa vez sem interrupções.

— Ah, eu estou mesmo cansado Shion, eu tenho certeza absoluta de que você vai conseguir achar um ótimo apartamento, você sempre resolve tudo. — Havia um ‘q’ de mágoa naquele comentário, era incrível como Shion parecia crer que conseguia ludibria-lo tão facilmente, ele nunca o convidaria para resolver coisa alguma, estava sem dúvidas querendo uma forma de se livrar dele, mas naquele momento, graças a mensagem recebida, ele teria que aquiescer ao pedido do esposo, mesmo que quisesse arrancar dele seja lá o que estivesse escondendo. Desde que o encontrara na lanchonete ele vinha agindo muito estranho.

— Quer me dizer alguma coisa? — Suspirou cansado. — Não quero começar a discutir agora, você sabe Alba, quando voltar vamos conversar, sim?

Não obteve a resposta que almejava, já estava começando a achar frustrante lidar com o esposo e o encontro com Dohko o havia tirado completamente dos trilhos. Decidiu deixar para pensar na relação que tinha com o Laursen mais velho em outro momento. Saiu porta afora, centrado em Dohko e naquele reencontro que o destino decidira promover.


Ficou observando a porta do quarto por alguns momentos, esperou cerca de uns quinze minutos e quando finalmente percebeu que o esposo não retornaria, decidiu ir até o quarto como havia sido solicitado. Ao chegar no local não foi surpresa quando a porta se abriu sem muitos alardes. Bastou uma batida na porta e logo se encontrava dentro de uma suíte quase idêntica à que ocupava no momento.

— Perdeu o que restava do seu juízo? O que veio fazer aqui? — A expressão que Albafica carregava era de puro desespero. — Você me seguiu?

— Não exatamente. — O homem sorriu jocoso e lambeu os próprios lábios mirando-o de cima abaixo. Albafica era lindo e quando estava furioso conseguia ficar ainda mais bonito. Estava irresistível enfiado em uma calça social negra e aquela camisa branca com os primeiros botões abertos, os lábios trêmulos pela fúria, os olhos mais aquosos. E aquele perfume que o deixava completamente louco, se acercou do menor e mesmo diante de protestos, enlaçou a cintura do mesmo puxando-o contra si. — Oras, não faça essa cara, admita, você sentiu minha falta. E depois, ficar trancado no hotel com seu maridinho sem graça seria um tédio, me veja como uma espécie de salvador da pátria. — Escarneceu.

— Minos nós já falamos sobre isso, não dá, temos que parar com isso. — Tocou o peito do mais alto tencionando se afastar, mas a pressão que ele exercia o impediu de fazê-lo ou talvez simplesmente não quisesse de fato se livrar do enlace. Conhecera Minos em uma exposição de arte, Shion os apresentara, fazia cerca de dois anos. O rapaz era um pintor deveras ousado e promissor, se apaixonara por toda aquela paixão que ele expressava nas telas e não demorou a cair de amores pelo artista. — Se o Shion descobrir ele vai... — Mordiscou o lábio inferior ao vislumbrar aquele sorriso trocista que tanto adorava.

— Ele vai fazer o quê? — Minos lambeu os próprios lábios e forçou o próprio corpo para frente de modo que Albafica recuava à medida que ele avançava, cessou os passos assim que estavam próximos da imensa cama. Sem pensar duas vezes empurrou o corpo do administrador e riu ao vê-lo ofegar ao sentir o contato do colchão macio, não demorou a se juntar a ele, agarrou as mãos do mesmo e prendeu-as acima da cabeça. — Vamos Alba, me diga o que seu maridinho vai fazer... — Incentivou, enquanto se sentava em cima dos quadris do mais baixo, inclinou o corpo, contornando os lábios dele com a ponta da língua.

— Vai nos matar, isso é o que ele fará. — Murmurou ofegante e embevecido pelo cheiro do pintor. — Ele não é inofensivo como parece, você não o conhece Minos. — Engoliu em seco ao sentir a língua dele. — Oh Deus, por que você precisa ser tão cretino?

— Porque você ama isso, Alba, eu sei que ama. Não tenho medo da morte, muito menos do seu maridinho, você é meu Alba, meu e de mais ninguém. Nunca vamos terminar, não vou permitir que você fuja. — O pintor deixou um risinho anasalado escapar por entre os lábios antes de mergulhar na boca do outro, o ósculo se iniciou cheio de lascívia e desejo. Ambas as bocas praticamente se devorando, mordidas, chupões e gemidos abafados enquanto ambas as línguas duelavam naquele pequeno espaço.

Inicialmente Albafica ficou parado, mas logo as mãos afoitas começaram a tocar com desespero o corpo do amante. As roupas foram sendo literalmente arrancadas e ambos só cessaram quando estavam nus, esfregando-se um no outro, excitados e doloridos.

— Diga Alba, é assim com ele? Ele consegue te deixar duro só com beijos? — Minos indagou enquanto os dedos sondavam entre as pernas do administrador, sorriu ao senti-lo mover os quadris contra os dígitos ansiando a penetração que sem dúvidas não tardaria.

— Cala a boca. — Rebateu enfezado e mortalmente excitado, o próprio membro doía, duro como pedra, podia sentir o líquido do pré-gozo escorrendo cada vez que Minos movia os quadris, esfregando-se nele, imitando os movimentos de penetração. Sabia que ele o torturaria, o maldito era sádico e sem dúvidas perderia o controle se aquela brincadeira cruel durasse mais tempo. — Vem logo, você sabe que não temos tempo, anda, faz logo. — Exigiu.

— Heh... — O pintor saiu de cima do outro e sentou-se confortavelmente ao lado dele. — Me chupa. — Ordenou sacana, sabia que Albafica Laursen não era o tipo de homem a quem se pudesse ordenar algo, todavia, ele sempre conseguia o que queria, prova disso foi que, mesmo irritado, ele se ajoelhou na cama e engatinhou em sua direção, acomodando-se em meio as suas pernas e não demorou para sentir aquela boca gostosa iniciar os movimentos de sucção. Agarrou os fios azulados e apertou com força, arremetendo os quadris para cima à medida que o outro praticamente o engolia. — Ah, isso, Alba, que boquinha maravilhosa.

O administrador sentia-se em brasa, Minos sempre conseguia despertar aquele tipo de reação, bastava um olhar, um beijo para que se sentisse em chamas. Continuou chupando-o, deliciando-se com o gosto, com a forma com que ele inclinava a cabeça para trás e gemia em êxtase, sem se importar de ser ouvido por quem quer que fosse. Minos era sua perdição e ele não se fazia de rogado quando se tratava de realizar os desejos dele. Ofegou, sentindo-se sufocar com a rapidez com que o outro literalmente estocava em sua boca, sentia os cantos doloridos, mas em vez de parar ou manda-lo diminuir o ritmo, apenas deixou-se levar pelo desejo de sentir o gosto dele. Relaxou a garganta de modo que pudesse recebe-lo quase que por inteiro, os lábios e a língua trabalhavam em conjunto, aumentando a sucção e a destra acariciava os testículos do amante com vigor, mas ao mesmo tempo com cuidado. Quase gozou ao sentir o líquido espesso descer garganta abaixo, afastou-se, ofegante e engoliu tudo.

— Vem aqui. — Ordenou.

Não demorou para que acatasse a ordem e logo estava sentado sobre ele, enquanto os dedos do pintor iam fundo dentro, gemeu, entre dor e prazer. — Minos! — Choramingou. — Não com os dedos, quero você, agora! — Pediu, aliás, implorou, completamente perdido em êxtase.

— Seu pedido é uma ordem, Alba. — Retirou os dedos de dentro do rapaz e segurou o próprio membro que já se encontrava novamente rijo, roçando-o na entradinha apertada. — Senta. — Sussurrou rente ao ouvido do menor, mordiscando a cartilagem da orelha do mesmo.

— Hm... — Sibilou completamente tomado de necessidade, ajeitou-se melhor e sentou-se como ele havia dito, inicialmente devagar, sentindo a intimidade arder, era dolorido sem lubrificante, Minos não era pequeno e fazia um tempo que não fazia sexo. Pensou em pedir para ele esperar um pouco, entretanto, o braço possessivo rodeou-lhe a cintura e puxou-o para baixo de modo que fosse completamente empalado. Mordeu os lábios com força para não gritar diante da dor e do prazer que sentira, pois naquela posição a próstata fora violentamente atingida. Lágrimas deslizaram pela face bonita do administrador que jogou a cabeça para trás com uma expressão que ao ver do pintor era uma verdadeira obra de arte.

— Tão apertadinho. — Murmurou deliciado.

As mãos do pintor agarraram a cintura alva do rapaz, ajudando-o nos movimentos, ambos gemiam em conjunto, incapazes de pensar em qualquer coisa que não fosse aquele momento que dividiam. O prazer, a dor, tudo parecia tão perfeito, tão certo. Minos amava Albafica, embora não fosse de dizer em palavras e sabia que era amado de volta, era impossível não notar quando a boca do amante procurava a dele com sofreguidão enquanto ambos os corpos dançavam sincrônicos. Os barulhos das peles se chocando, tornando-se uma sinfonia erótica no quarto, podia morrer daquele jeito, enterrado nele e certamente não se arrependeria de nada.

— Minos mais rápido. — Implorou à beira de alcançar o clímax. — D-dentro. — Implorou. — Quero dentro.

Sem pensar duas vezes e sem desconectar-se dele virou-se na cama, deixando-o por baixo, agarrou as coxas roliças do menor, enterrando-se mais fundo. Ambos se encontravam suados, Albafica permanecia deitado sobre a cama, gemendo e se contorcendo, os longos cabelos bagunçados em meio aos lençóis enquanto o olhava nos olhos, chamando por ele. Apressou-se a tornar as estocadas mais fundas, ofegando e sentindo-se apertar por aquela cavidade quente e receptiva, gozou quando vislumbrou o amante atingir o ápice, as paredes internas dele se retorceram revoltas, prendendo-o ali e numa última estocada deixou-se desmanchar dentro dele. Ficou ainda algum tempo parado, apenas sentindo a respiração normalizar, para depois se retirar e puxá-lo para mais perto.

— Foi a última vez. — Albafica balbuciou ofegante.

— Você já disse isso várias vezes, Alba. Desista. — Tornou com um sorriso satisfeito e embrenhou os dedos nos cabelos do menor, acariciando-lhe a nuca gentilmente. — Porque eu não vou desistir.

O administrador ergueu a face e mirou a expressão tranquila do amante de olhos fechados, sorriu, sabendo que ele de fato não desistiria e ele próprio também não almejava deixa-lo partir. Shion tinha razão, era momento de terem uma longa conversa, uma conversa decisiva.

—------ ••• -------

— As informações que você pediu estão aí. — Murmurou um tanto irritado e atirou o envelope com o dossiê em cima da mesa. Não gostava daquele homem e mesmo que estivesse pagando uma fortuna pelas informações, não conseguia gostar dele ou confiar nele. No entanto, era o tipo de pessoa que prezava os clientes, precisava deles para sobreviver, embora tivesse vontade de rejeitar aquele em particular, estava realmente precisando do dinheiro.

— Hm... — O loiro pegou o envelope e abriu com uma expressão de enfado, todavia, ao ler rapidamente algumas das informações não conseguiu impedir o sorriso que logo se transformou em risos. — Oras, pode-se dizer que não é tão ruim. — Tornou divertido. — Ele andou bastante ocupado, não é?

— Sei que não é da minha conta, mas o que pretende fazer com isso? — Questionou incomodado. — Não que eu duvide da sua honestidade, mas saiba que não vou permitir que faça nada fora da lei, pois eu poderia acabar envolvido e eu não estou disposto a me complicar por sua causa.

— De fato não é da sua conta e pela quantia que estou pagando isso não importa, não é? Sejamos práticos senhor Vetraska, eu pago e o senhor me entrega o que quero, não há necessidade de tornarmos isso um problema, não acha? Seria uma pena se começasse a criar consciência logo agora, está com graves problemas financeiros. — O sorriso pedante se alargou ao notar a expressão de incredulidade do detetive. — Seria lamentável se perdesse o direito de se aproximar daquela pessoa...

— Andou me investigando? — Crispou os punhos irritado, teve que se segurar muito para não quebrar a cara daquele infeliz.

— Oh sim, é claro, acha mesmo que iria contratar qualquer um? Um homem na minha posição precisa ter algumas garantias, do contrário poderia acabar sendo chantageado por algum infeliz. — Lambeu os lábios e bebericou mais um gole de água. — Por favor, não fique magoado, não é se eu não confiasse no senhor, é apenas procedimento padrão. — Volveu descarado. — Preciso que investigue um pouco mais, quero saber absolutamente tudo a respeito do presente dele, fez um ótimo trabalho com o passado, agora preciso saber o que falta. — Retirou do bolso o talão de cheques e rabiscou uma quantia exorbitante, era até bem mais do que realmente prometera pagar, estava acostumado a comprar absolutamente tudo que desejava e não seria diferente agora. — Se achar pouco podemos aumentar. — Ofereceu com um sorriso mordaz.

O detetive pegou o cheque e analisou a quantia ali proposta, engoliu em seco ao ver os números, de fato, nunca fora tão bem pago como estava sendo naquele momento. Mas isso só fazia com que sua desconfiança aumentasse ainda mais. Analisara o passado do homem em questão a fundo, era um bom homem, azarado, mas um homem de bem. O que aquela serpente poderia querer com um tipo como ele? Respirou fundo e soltou o ar devagar. — Eu vou precisar de mais tempo. — Explicou o óbvio. — Já tenho idéia de onde começar, pelo que pesquisei ele é muito reservado, sem dúvidas ficaria desconfiado se eu começasse a fazer perguntas, mas o amigo dele... Laursen... ele pode ser útil. — Revelou.

— Como vai conseguir não interessa, apenas desejo que faça o mais rápido possível. Lembre-se, posso ser uma pessoa muito generosa com meus aliados. — Obviamente era uma advertência e ao notar a face irritadiça do homem, percebeu que ele havia compreendido muito bem, não precisaria avisar que era totalmente o oposto quando se tratava de inimigos. Não que confiasse no detetive, planejava se livrar dele assim que obtivesse o restante das informações. — Ah, eu já ia me esquecendo, quero que descubra o paradeiro dessa mulher. — Entregou uma das fotos que o próprio detetive organizara no dossiê.

— Isso não é nada complicado. — Sorriu com superioridade, na verdade, já sabia exatamente onde a mulher se encontrava, mas não diria, não ainda, já que aquele infeliz resolvera mostrar as cartas que tinha embaixo da manga, estava mais do que na hora de se precaver também. Continuaria trabalhando para ele, porém, promoveria outro tipo de pesquisas, dessa vez, relacionadas ao passado do ‘chefe’ e então poderiam lutar de igual para igual. — Em breve entrarei em contato. — Se ergueu e deixou o local, nem ao menos se dignou a cumprimentar o maldito, ele saberia em breve que Ângelo Vetraska não era qualquer um e que ele também não gostava de ser chantageado e muito menos colocado em uma coleira.

Notas finais
Chegamos ao fim do capítulo! Espero que tenham gostado, o que acham? Será que o Mask vai usar o Dite realmente para conseguir as informações que nosso querido Rada está querendo? E quem será a mulher que ele descobriu na vida do nosso ruivo?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.