Through of Time

1 Surpresas de Aniversário


Karen

Meu nome é Karen Hillin, sou órfã desde que me lembre, cresci num orfanato até meus 9 anos, resolvi me virar por mim mesmo, aliás, não demoraria me expulsarem, não que tenha sido uma má criança, mas, não iam com meus olhos, tinha orbes prateadas, ninguém mais tinha, havia sido amaldiçoada, Ryan me deixou para trás, do que adiantaria esperar?

No dia do incêndio, eu vi a verdade, nada era um acidente, era mais um conspiração, por que tinha de trazer tanta má sorte?

Depois deste incidente, cada dia que passava, as crianças que viviam ali no orfanato foram sendo transferidas ou adotadas, não me importava que tenham sido adotadas, nem que não tenham escolhido a mim, mas quando Ryan me deixou a própria sorte, eu me importei, chorei.

–Será que eu sentia algo? — Murmurei

–O que disse Srta.Hillin? — Perguntou um idoso interrompendo seu jornal

–Eeh? Nada não, desculpe

–Jovens — deu uma leve risada e voltou a mirar seu jornal

Retirei minha correspondência e fui em direção ao elevador, apertei o 81, tentei segurar a porta para um vizinho mas dei de cara com a porta na minha cara e derrubando minhas encomendas, alguns minutos e o elevador parou e abriu a porta, sai e fui para o meu apartamento enquanto seguia meu caminho, algumas mulheres estavam vindo em direção em um passo acelerado, quando me notaram, ficaram mudas e aceleraram mais, a mais nova, Nicky, estudava comigo desde o jardim de infância, a olhei e ela escondeu o rosto em um movimento rápido ao soltar os cabelos, passou por mim e esbarrou em minhas compras derrubando-as, me abaixei para pega-las.

–Desculpe!

Parecia querer sumir naquele momento, assim como sua voz ao se desculpar, saiu correndo e as outras foram atrás, me virei para olhar para ela, e peguei em fragrante me olhando enquanto esperava o elevador voltar, me voltei surpresa para o outro lado e entrei em meu apartamento torcendo para que meus bolinhos não tivessem sido esmagados ou algo assim, tranquei a porta e fui à cozinha, nem me preocupei com luzes, coloquei tudo no balcão da cozinha, tirei meus bolinhos escoceses da caixinha e coloquei sobre a mesa, campeei em meio as sacolas as velas e tirei da embalagem três velinhas com estrelas na ponta, botei um em cada bolinho, pensei um pouco sobre meus três pedidos, fiquei avoada por um tempinho, assoprei cada velinha, uma por uma, ouvi a campainha tocar.

–Será que...?

Me voltei e fui até a porta acendendo as luzes e deixei apagadas, abri a porta e estava lá meu vizinho do 758

–Olá – Disse que em um tom indiferente, não foi por querer.

–O-Oi... – Gaguejou

–Acho que pegou a correspondência errada esta manhã

–Ah, desculpe, ando meio avoada vou ver onde deixei a sua, entre! — Disse guiando ele para a sala de estar

–Bela decoração, deve ganhar bem

–Não ganho tão bem, mas é o suficiente

Peguei a correspondência de cima dos temperos já me virando para voltar a sala, peguei a caixa de bolinhos e deixei na mesinha da sala, me sentei num puff azul marinho estendendo minha mão para entregar a correspondência, saiu do sofá e se sentou no chão, segurou minha mão em forma de concha, olhou pra mim, eu o olhei, ficamos ali nos olhando.

–Eer... olha pode parecer estranho isso logo de cara, mas eu sei quem é você, e pode parecer mais estranho ainda mas, me disseram que para falar essas coisas não há um momento ideal, então...

–Então?

–Eu sou seu pai!

–Pai?

Tive vontade de chorar, mas não queria, não devia e nem me sentia segura com toda essa informação, tentei me mostrar o mais calma possível, mas não deu certo, estava tremendo, uma lágrima rolou pela minha bochecha rosada, e começaram a surgir lágrimas e mais lágrimas a rolar, não podia estar a chorar, naquele desespero todo que senti, pulei nos braços de meu suposto pai, estava envergonhada, jamais deixei que me vissem a chorar, escondi meu rosto em seus ombros, ele me enlaçou e esperou eu me acalmar.

–Karen?
–--

Eu acordei após algumas horas, havia adormecido após chorar tanto, estava no sofá coberta por um tricô branco bordado com um nome em dourado, tinha uma mão me fazendo um cafuné, levei um susto e virei para ver quem era, e ai eu cai.

–Desastrada – Debochou

–Mr.Ghost – Virei a cara

Me levantei e sentei ao lado dele me encolhi e cobri, olhei para a televisão para ver o reflexo de meu suposto pai.

–Como fui parar naquele orfanato?

–Nossa família estava sobre ameaças, queríamos que estivesse segura, pagamos a um casal de idosos para cuidarem de você junto com seu filho já adulto, mas como, exatamente eu não faço a mínima ideia.

–Ameaças?

–A família Výprachtický não tem uma história muito boa, ou foram militares, o que não aconteceu muito, ou foram rebeldes durante a guerra dos 84, não somos muito queridos a gerações, Czarnecki não tem uma rivalidade com a família da sua mãe.

–Mãe?

–Lilian – Tirou algo da carteira e me entregou.

–É ela?

Observei a foto de uma moça de olhos verde intenso, cabelos ruivos que iam até um pouco abaixo dos ombros e pele branca, se não fossem esses meus olhos eu seria idêntica a ela...

–Como me achou? – Disse enquanto ele afirmava com a cabeça que era minha mãe

–Seus olhos são famosos, mas só soube onde estava por causa daquele suposto incêndio.

–Era você no telhado, era você o estrangeiro naquela cidade de fim de mundo, não?

–Era eu sim.

–Como tem certeza que sou sua filha?

Minha voz sumiu ao terminar de pronunciar aquilo, nunca me imaginei com uma família, quem dera um pai, e agora me aparece um lindo vizinho meu e diz que é meu pai do nada, ele ficou mudo por um tempo, se sentou na mesa de centro e me olhou nos olhos, trocamos olhares, até que vi que os olhos antes azuis, estavam da mesma cor desta minha cor prata, e se escondia no azul novamente.

–Por que a cor prata?

–Por que temos uma genética alterada, não sei bem como funciona isso.

–Ryan?

–Não entendi

–Ryan, conhece algum Ryan?

–Karen...

–O que foi?

–Você está chorando novamente...

–Droga...

–Quem é Ryan?

–Um garoto do orfanato, gostei dele na época, goste ainda talvez, não tenho certeza se isso é amor, paixão ou algo assim

–Entendo, se o visse novamente, o reconheceria?

–Creio que sim

–Então que tal começarmos a uma caça ao tesouro agora?

–Mas não está tarde da noite?

Deu uma risada e ligou a tela do seu celular que me mostrava que eram 11:52 de sexta-feira, a tela me encarava e eu encarava a tela, fiquei alguns minutos assim até que lembrei do meu expediente no café.

–Droga o café!

Corri que nem louca para meu quarto, puxei uma toalha detrás de porta, fui ao banheiro e tomei um banho gelado, em poucos minutos voltei ao quarto que nem havia tido a preocupação de fechar a porta e lá estava Karel escorado na parede dando risos calmos.

–Boba, ligaram para cá, um tal Yan, perguntou por você e o café, se ofereceu para cobrir o seu horário, mas que teria que trocar de classe caso ficassem separados.

–Yan?

–Sim, não conhece?

–Conheço, não esperava que perguntaria por mim.

–Por que não?

–Não importa, agora vá sair do meu quarto.

–Se não se importa podemos começar a caça ao tesouro?

O arrastei até o outro lado da porta e a tranquei, vesti uma calça jeans branca e uma regata preta, campeei uma caixa turquesa e a achei atrás de meus vestidos, calcei meia e as botas pretas que iam até um pouco acima do joelho, fui a porta e a destranquei, sai pelo corredor e disse animada em um tom de que parecia estar a gritar pro mundo todo ouvir, talvez só a vizinhança, que era quase a mesma coisa.

–Que comece a caça ao tesouro!