Through The Eyes Of a Wolf
3 Capítulo 2: ....
Berrei um “DROGA” em minha mente, ecoando muito, muito alto. Eu estava com quatro patas, um corpo menor e bem definido, uma grande cauda peluda, o rosto meio achatado e um focinho um pouco grande, médio. As orelhas que se mexiam a todos os lados em que sons que se vinham, e eu sentia os grandes dentes afiados. E claro, um grande par de asas brancas. Resmunguei e declarei que eu era um... Lobo.
Embora eu sentia um tom de reprovação, estava gostando daquilo. Imagine você, com esse corpo completamente pesado e do nada, você o sente tão leve e gostoso de mover. Como se fosse uma pluma, e pudesse sair voando com a simples rajada de vento. Ora, e isso era verdade, pelo menos para mim, com aquelas asas enormes que brilhavam meio prateadas com a luz da lua. Fiz um rosto estranho, levantando uma sobrancelha, e depois, sentindo o vento bater em meu rosto, abri as asas. Quase que de imediato, fui levado para cima, em direção ao vento, com medo, fechei imediatamente antes que pudesse sair mais alto. Suspirei de alivio quando cravei minhas garras ao chão.
Resmunguei algo e olhei para a lua, por puro impulso. Sai andando por aí, procurando minha trilha de volta para a casa ou qualquer coisa que me tirasse daquela maldita montanha. Meus passos eram silenciosos, como os de um gato. E a cauda, balançava no ar graciosamente reprovando o vento frio. O calor de meus pelos era gostoso sentir o calor naquele vento, era bom.
Continuei a andar, em direção a outra montanha, e vi que estava no lado oposto, em direção a fazenda de meu pai. Cheguei a porteira, e passei por ela fácil, em um buraco na grade que eu e Spacer fazíamos para escapar de nosso pai algumas vezes. Estava fechado por uma tabua de madeira, com aqueles pregos podres. Poderia ser tirado fácil apenas puxando-o, e foi isso que fiz, com minha pata. Entrei encolhendo o corpo e segui para a nossa casa. Olhei por uma das janelas, onde dava no quarto de papai. Ele estava dormindo calmamente, e com o ar de preocupação em seu rosto, e ao seu lado, num pequeno criado-mudo de madeira, havia uma vela acesa. Olhei atentamente, depois sai, seguindo para a janela aberta do quarto de Spacer. Ele não estava lá, só Christine, que dormia em sua cama. Suspirei baixinho e entrei silenciosamente pela janela do quarto, fazendo barulho (infelizmente) acordando a cachorra. Esta olhou pra mim, me reconhecendo e disse:
-Olá! Você é o Sandou, né? Ah, é muito bom poder finalmente falar com você!
Nunca notei que sua voz era bonita. De fato, quando eu era um humano, nem podia entende — lá, e isso era um pouco assustador. Observei-a calmamente e finalmente, levei uma hipótese que não queria ter levado. Não, eu não vou querer dizer isso. Mas ela parece com uma, não parece?
-O que foi?-Ela deu uma risadinha. -Perdeu a língua?
Analisei tudo com calma, e num suspiro, dei uma reverencia a ela e disse:
-Desculpe. Sim, eu sou Sandou... Tem algum nome verdadeiro?
Eu me sentia mal por dar um nome a ela. Creio que a mãe dela tenha dado um nome melhor a ela do que “Christine”
-Não precisa de tanta formalidade comigo, Sandou. -Ela sorriu, e eu voltei a posição normal. -Meu nome é Christine mesmo.
Me senti aliviado quanto a isso.E então, pensei novamente. Ela era um lobo. E eu também. E alguma coisa deve ter acontecido, Spacer deve ser um feiticeiro, ele tinha a ver com isso. Ele me perguntou que animal eu queria ser, eu respondi lobo alado, poderia muito bem ser ele. Mas ele é meu irmão, meu irmão! Ok, Ok, levemos este fato depois.
Christine me encarou, e deu outro sorriso gentil.
-Sei que está tudo bem confuso para você, mas... Eu deveria leva-ló até aquele lugar, mas creio que podemos dar um passeio.
Ela deu um pouco de ênfase na palavra “aquele lugar”, dando um ar de ser um lugar meio assustador Apenas sorri sem jeito de volta, e ela pulou da janela. Fui junto, com dificuldades. É difícil se acostumar com este novo corpo. Olhei minhas asas e levantei uma sobrancelha. Poderia ser bom voar, não é mesmo? Ora, vou experimentar agora mesmo.
Assim que estávamos fora da fazenda, um ventinho frio bateu. E então, eu abri de leve minhas asas, e deixei o vento me levar. Levou-me para cima, e uma rajada forte de vento bateu, fazendo com que eu planasse. Eu estava assustado, e assim que a rajada cessou, fechei de leve as asas, pairando sobre o chão, bem assustado quanto aquilo. Não sabia que as alturas eram tão assustadoras assim! Definitivamente, eu não vou mais tentar voar sem conhecimento.
-Não consegue esperara para aprender a voar, huh?-Debochou de mim, num sorriso irônico. -Bem, mas com suas habilidades não sairá do chão tão cedo.
-Cale a boca. -Disse, firme e ela apenas deu um de seus sorrisinhos irônicos.
-Bem, vamos ver como anda treinando, Sandou.-Ela pegou uma pose mais para batalha, e eu não entendi.
-Como assim?
-Assim.
Ela correu sem dar aviso, em disparada para frente, em direção a grande montanha. Agora sim, eu havia entendido. Segui-a meio atordoado, não estava acostumado a isso. --Está vendo? Não estou acostumado a nada, ora!- Alcancei-a fácil, meus pés –ou patas- estavam um pouco mais fortes do que o normal, e agüentava bem o meu peso. Mas difícil era levar o peso das asas. Elas eram bem leves para voar, não para se carregar.
Correndo ao lado de Christine no meio da madrugada me deu certo sentimento de paz. Nossa amizade iria aumentar, mas, eu desejo voltar a ser um humano. Mas receio que não possa mais falar com ela. Com a amizade, chegam os medos, e com os medos, chega à aproximação. É tudo assim, se uma coisa chega, vem outra junto com ela. Encarei o rosto determinado dela ame vencer, e apressei o passo o máximo que minhas pernas agüentavam e não agüentavam, e já estava bem a frente dela. Agora quem estava determinado era eu.
Vendo minha reação quanto a ela, apressou também o passo, ficando ao meu lado. E disse:
-Se eu fosse você, usaria a vantagem que tem contra mim!
Sem mais esperar, ela ficou na minha frente. Eu não podia agüentar mais que aquilo, mas forcei, apenas para mostrar que eu também posso. Já estava ofegante e nem pude responde — lá. De alguma forma, eu me sentia melhor, mas doida um pouco o pulmão correr muito assim, sem nem ter pratica.
Então eu perdi por uma coisa tão insignificante.
Tropecei num galho e sai rolando. Christine parou e sentou-se, e colocou sua pata em mim, me parando. Olhei para ela e sorri sem jeito. Levantei rápido, e arrisquei abrir as asas.
-Vamos continuar. -Disse. E sem nem hesitar, ela voltou a correr. O vento bateu e me levou de novo. Geralmente, os pássaros voam batendo as asas, né? Então, é isso que vou fazer. Não deve ser tão difícil. Eu não gostaria de ser humilhado por ela, nem que eu fosse um humano, eu queria mesmo era ser melhor do que ela. Esse sentimento era misturado com ciúmes, raiva, o amor que eu sentia por ela, e medo. Não sabia se queria vingança, ou seu bem. Por enquanto, vou crer que quero os dois, assim não acabo ficando louco.
Aproposito, ficar louco deve ser uma das minhas maiores prioridades. Essa história está ficando confusa.
Enquanto corríamos e eu ficava em meus devaneios, avistei no leste, um lugar que eu nem sabia que existia. Deixei a corrida de lado e fui até lá, andando. Era uma ótima lembrança para mim, meio estranha, mas era. Não me lembrava bem daquilo, isto é, se fosse uma lembrança minha. Era algo vago, não sei se posso relatar. Parei em frente ao lado, e olhei meu reflexo. Era eu mesmo? Um pequeno lobo branco, com asas, e uma marca de Lua minguante e uma estrela vermelha em uma das patas? Não sou eu ali.
Esse sou mesmo eu?
Olhei para a minha pata, e vi dedos gordos, peludos, e com garras. Um humano não tem dedos assim. Um pequeno peixinho dourado surgiu, e parou para me observar. Creio que ele viu o suficiente estampado em meus olhos para ver a tristeza. Ele apenas saiu, sumindo na água. Coloquei minha na água e observei meu reflexo se difundir em minúsculas ondas. Por um momento, pensei em colocar minha cabeça dentro d’água e não sair mais. Vi o reflexo de Christine ao meu lado, observando nossos reflexos. Não dei importância, apenas fiquei olhando.
-Gosta desse lugar?-Perguntou.
-Nunca... O vi na vida.-Hesitei em falar com ela olhando nos olhos. Ela bateu a pata na água, jogando em mim. Não liguei. Não estava a fim disso. Com o canto do olho, percebi que ela tinha um sorriso, mas logo se desmanchou. Melhor esquecer esse sentimento maluco.
Sai andando, e dei um sorriso falso. Recomeçando a corrida, depois de um meio tempo, já estávamos na montanha. Mas eu não tinha melhorado.
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