Through The Eyes Of Asmita
1 One-Shot - O Olhar de Virgo
Notas iniciais
A escuridão... Jamais pude ver uma réstia de luz, as coisas que percebo ao meu redor não passam de sofrimentos e dúvidas... Sofrimento, algo que percebo com uma clareza tão grande que tenho a impressão de que as pessoas comuns não são capazes de ver como eu vejo. A realidade desse mundo parece ser muito simples, somente dúvidas, dor e sofrimentos... Nada mais além destes sentimentos tão melancólicos.
Vivia me perguntando qual seria o verdadeiro motivo em querer viver neste mundo em que encontramos sentimentos tão ruins. Como essas pessoas conseguem ir seguindo suas vidas tão insignificantes em comparação ao universo em que existimos, mesmo com tantas preocupações. Meus outros sentidos são mais intensos, não sei se, mesmo que por algum milagre, eu conseguir enxergar e ver a luz irei mudar meu modo de pensar, isso não fará diferença alguma para mim a esta altura da vida... Mesmo com isso, não pretendo mudar meus pensamentos... No entanto, ainda assim seria razoável se pudesse sentir esta mesma felicidade que as pessoas comuns parecem sentir... Mesmo que seja por um segundo.
Em uma época de minha infância, sentia todos os outros ao meu redor, sorrindo, brincando, vivendo como qualquer ser humano, talvez esta cegueira pudesse me fazer algo de bom, minha percepção das coisas é completamente diferente. Já imaginei algumas vezes como seria ver o mundo com os olhos que qualquer outra pessoa comum pode enxergar e ver a luz... Mas nada pude fazer contra isso, a escuridão se tornou parte do meu mundo.
Passei anos meditando, preparando meu Cosmo para uma única razão que já me fora revelada. Em algum momento terei de sacrificar minha vida juntamente com meu Cosmo, no momento que me foi revelado tal tarefa, confesso que achei de certa forma, injusto. Afinal já nasci privado da visão, e agora abriria mão desta vida, a única coisa que me resta, mesmo que ela seja repleta de sentimentos dolorosos. Porém depois de várias meditações eu não veria problema em abrir mão de uma vida cujo não fui capaz de ver uma réstia de luz sequer.
Apenas a meditação me bastava, talvez eu pudesse adquirir a maior iluminação que o grande Buda poderia oferecer ao um mero ser humano. Apliquei seus conhecimentos através da meditação, o cansaço mental pelo esforço concentrar meu Cosmo, cada dia elevava ao máximo que podia até ficar esgotado. Muitas vezes eu me perguntava se realmente consegui algo com isso, uma vez que terei sacrificado minha vida não terei mais tanta utilidade na Guerra Santa, mas estou disposto a dar aos meus irmãos de batalha a vantagem que somente meu sacrifício poderá proporcionar...
Talvez, quando eu for ao encontro da morte, eu pudesse encontrar a verdadeira luz. Nunca tive certeza se poderia encontrá-la ou não... Apesar do que muitos devem pensar essa cegueira não me incomoda em nada. Ainda mais, posso perceber coisas que os demais não conseguem. Nunca encontrei grandes significados para minha existência... Além de praticar meu Cosmo ao máximo, até certo dia...
–Flash Back On-
Templo do Grande Mestre
– Aquela garotinha é Atena? – pergunto ajoelhado ao lado do Grande Mestre.
– Ela costuma nascer próxima a sua estátua, no entanto nesta vida ela voltou à vida em terras Italianas, longe do Santuário – o mestre responde – Creio que haja alguma razão para isso, a consciência de Atena ainda não despertou nela, por isso ainda é uma garota comum... E agora deve estar se lamentando por ter sido separada de sua família...
Sinto que levam a jovem deusa para além do Templo do Mestre.
– Mas que bobagem... – eu murmuro – Ela poderia ter escolhido ser uma entidade superior... Uma deusa... Mas decidiu nascer como um ser humano e passar por todo este sofrimento.
Na Casa de Virgem
“Como uma deusa assim pode levar a Terra em direção à verdade?”– reflito enquanto medito.
Uma presença me chama a atenção.
– O que veio fazer na Casa de Virgem, Atena? – pergunto.
Sinto a deusa parar a minha frente.
– Se sair por ai com estes trajes deixará o Grande Mestre preocupado – digo calmamente.
– Como sabe a roupa que estou vestindo se está com os olhos fechados? – percebo um tom de surpresa em sua voz.
– Eles estão fechados, mas... Não por minha vontade, Atena – respondo – Mas devido a isso, acabo vendo coisas que não gostaria de ver... Como o sofrimento deste mundo.
– Então é por isso... Que você parece sofrer tanto? – a deusa pergunta sentando-se a minha frente.
“O que?...” Realmente, me surpreendi com tal pergunta... Até então ninguém havia percebido como me sentia.
– Ah... Apesar de ser uma deusa... Eu sinto que carrega uma grande dor em seu coração – digo-lhe.
– Não tem problema eu sentir esta dor! – o jovem responde – Ela significa que não esqueci minha promessa e por isso não faz mal, eu não ligo... Na verdade eu não ligo se tiver que sentir essa dor para sempre!
“Então é isso...?!”.
–Flash Back Desligado-
Agora que estou aqui, diante do final de minha missão, percebo o que a jovem deusa queria dizer, por tanto, não me arrependo de nada, não me importo de sacrificar a vida para dar uma chance de vida aos meus companheiros... Que assim seja...
O Rosário agora está terminado, porém sinto toda minha força se esvair com ele, e esta visão... Não, isso é impossível, pensei que jamais veria a luz, no entanto consigo vê-la...
– Asmita! – a voz do jovem Pegasus soa ao lado.
– É você, Tenma?! – observo a frente, a luz do rosário me mostrou o restante, sinto algo que pensei que nunca sentiria – Como o mundo é belo... Veja aquelas luzes ali, deve haver um povoado... As pessoas vivem lá com suas preocupações e sofrimentos... E, mesmo assim, conseguem ser felizes.
Sinto a reação de Pegasus, lágrimas começaram a desses pelo rosto do jovem, encaro-o sorrindo levemente.
– Minha nossa... Você tem o rosto mais infantil do que eu imaginava — volto-me para o horizonte — Quando nos encontramos no mundo dos mortos e mesmo agora, você me lembra muito Atena, quando ela ainda era pequena. Por isso Tenma, confio Atena a você!
As luzes foram minha última visão. Como havia dito antes, não me arrependo de nada do que fiz, todos esses anos de treinamento e agonia haviam sido recompensados. Pelo menos uma vez na minha vida... Pude sentir a felicidade, que tanto desejava sentir, por um segundo, senti a felicidade que sempre quis ter o prazer de sentir...
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