Nesse momento, estou em cima de Will Schuester, tentando espetá-lo com uma faca e ouvindo os gritos de Loretta, recém-chegada no vagão. Noah tenta me controlar, segurando o meu braço. Finalmente, dois Pacificadores entram no vagão e me seguram. William levanta pálido. Olha para mim e morde o lábio inferior.

–Soltem-na. – Ordenou aos Pacificadores, que me soltaram e saíram do vagão. Noah logo me segurou. Sinto lágrimas de ódio escorrerem por minha face.

Ele se se senta à mesa, respira fundo e diz de cabeça baixa:

– Eu tenho pesadelos todas as noites sobre aqueles jogos. Sobre a sua irmã... – Ele para, como se fosse um assunto difícil de falar. Deve ser. – Me arrependo todo dia de não ter morrido em seu lugar.

Olho incrédula para ele e reconsidero atacá-lo de novo. Mas ao invés disso, sento-me em sua frente e o escuto. Somente escuto.

–Ela era uma menina abençoada, de verdade. – Ele sorri fracamente. – Sabia mais de sobrevivência do que eu imaginava. E eu nunca, nunca mesmo, acredite, vou me perdoar por tê-la matado.

Nesse momento estou chorando, me lembrando de Mel. E sinto raiva. Não de Will Schuester. Sinto raiva da Capital. Não é culpa desse homem sentado na minha frente que minha irmã morreu. É culpa desses Jogos estúpidos. Encaro William.

–Me desculpa. – É provavelmente a primeira ou uma das únicas vezes que peço desculpas. Em toda a minha vida. – Não foi culpa sua. Você não tinha escolha. Will sorriu, triste. Noah sentou-se ao meu lado, dessa vez não me encarou. Ouço uma voz fina e cheia de sotaque falar:

–Ótimo. – Diz a aberração que eu esqueci que tinha se juntado a nós. – Agora que fizemos as pazes, Will, ensine aos meninos como sobreviver.

Três pares de olhos a encaram, que sorri e senta nos bancos de trás, para retocar a maquiagem. Olho para Will e peço:

–Tudo bem. Acho que eu sei sobreviver bem em uma floresta, mas... E se não tiver uma floresta na arena?

–Duvido. – Ele diz. – Eles sempre colocam florestas, para não ficar sem graça, entende?

–Sim. – Noah assente, e nós olhamos para ele. – Uma vez, fizeram da arena um pátio de gelo liso. Os Jogos acabaram logo, logo, pois não tinha onde se esconder.

Compreendi lentamente. Enquanto Will falava sobre diversos tipos de arena, eu me pergunto se vão ter machados na arena. Pelo menos um. Faço a pergunta para Will e ele pensa um pouco antes de responder.

–Acho que sim. – Responde, por fim. – Mas não é muito inteligente se arriscar na Cornucópia, por qualquer circunstância.

–Hmf. – Resmungo frustrada. Will percebe e dá uma risada. -Não estou dizendo que você está proibida de ir. Estou dizendo para ter cuidado.

Dou um sorrisinho. Tomar cuidado era algo que eu fazia bem. Enquanto conversamos, não só mais sobre como sobreviver, mas sobre várias coisas, me dá fome. Encho meu prato e como vorazmente, já que não como desde a hora da colheita. Mais tarde, quando estou deitada em meu vagão, alguém bate na porta.

–Pode entrar. – Autorizo, e Noah entra, fechando a porta atrás de si. Me sento na cama.

–Oi. – Diz ele, se sentando ao meu lado.

–Oi. – Olho para ele. – O que houve?

–Nada. – Ele suspira. – Estamos perto da Capital.

Suspiro e compreendo. Ele só quer companhia humana, antes de andar rumo à morte. Ficamos apenas em silêncio, desfrutando do balançar do trem. Trocamos algumas palavras, mas é só. Então quando o trem para, ele sai com um aceno. Saio do trem logo após trocar de roupa – a minha velha, que usei de propósito para provoca-los, por um vestido desconfortável de um tecido que pinicava minha pele. Saio do meu vagão e percebo que todos já saíram – sem mim.

Desço do trem, onde Loretta me espera com duas outras aberrações, uma mulher com pintura de leopardo em todo o corpo e um homem que fez tantas cirurgias plásticas que seu rosto parecia feito de argila. Eles param a conversa e me encaram com um sorriso de orelha a orelha. Será que todos aqui só sabem sorrir?, Penso. E então Loretta me apresenta a eles.

–Santana! Esses são Kitty e Karofsky, que vão te preparar para conhecer seu estilista.

–Oi – Aceno nervosamente para os dois, que ainda sorrindo me pegam cada um por um braço e me levam em direção a o que parece ser um hospital, que na verdade é onde os tributos passam por transformações estéticas.

–XxX-

Estou sentada enquanto espero meu estilista. Minhas “transformações estéticas” foram basicamente tirar qualquer vestígio de pelo no corpo (Fora o cabelo e a sobrancelha, que obviamente não iriam raspar). Eles disseram que meu cabelo é perfeito, e só tiraram um pouco da sobrancelha.

Meu estilista chega pouco depois, e eu meio que me assusto. Ele chega se agarrando com um homem, e parece não notar minha presença. Eles estão gemendo alto, e eu devo estar mais vermelha que um tomate. Quando o homem começa a descer a mão para a bunda do estilista, decido cortar o clima antes que veja mais do que preciso. Pigarreio e eles se separam, parecendo notar minha presença e me encarando. Ficamos um tempo assim, nos encarando, até que um deles – meu estilista- se pronuncia.

–Blaine, vá. Eu falo com você depois. – Diz ele, com um tom formal. O tal Blaine saiu da sala e meu estilista olha para mim. – Quem é você?

–Santana Lopez. Do Distrito 7. Você é supostamente meu estilista.

–Ah, sim. Ok, vista aquela fantasia de árvore e estamos bem.

Olho incrédula para ele. Tinha a esperança que ele fosse legal, e que não me obrigasse a usar uma fantasia de árvore, como todos os tributos do Distrito 7 usam há anos. Parece que me enganei. Encaro-o com raiva e visto a droga da fantasia.

–Kurt Hummel, a propósito. – Ele finalmente se apresenta, enquanto faz minha maquiagem.

–Eu realmente não ligo. – Disparo, dando a ele meu olhar de desprezo. Ele não se importa. Apenas me dispensa quando termina minha maquiagem.

Me dirijo a área onde estão 12 carruagens, nos esperando. Sinto os olhares virando para mim por onde eu passo, e dando risadinhas. Ignoro e só penso em como eu odeio essa fantasia, como eu odeio meu estilista, como eu odeio o peguete do meu estilista, como eu odeio estar aqui. Odeio todos eles. Loretta me vê e abre um sorriso. Novidade. Will e Noah parecem estar se controlando para não rir quando veem minha cara de desgosto. Will se aproxima e ajusta meu chapéu de árvore.

–Eu realmente odeio como eles representam o 7 – Digo. Ele franze a testa, e dá uma risadinha de desdém. Percebo que Noah está vestido exatamente igual.

–Então, desafie-os. – Disse Will, com um brilho de criança levada nos olhos.

Dou meu sorriso de “tive uma ideia maligna”. E subo na carruagem, ajudando Noah. Por sorte ela é aberta, no estilo de uma carroça. É perfeita para o meu plano. Sussurro minha ideia para Noah, que me olha surpreso.

–Você está louca? – Ele pergunta surpreso.

–Então você não está dentro? – Pergunto sem olhar para ele, mas sinto que ele sorriu.

–Você está louca. A carruagem começa a andar, e os primeiros Distritos aparecem para a multidão, causando aplausos e ovações ensurdecedoras.

–Eu abro o seu. Você abre o meu. – Falo para Noah. Ele assente. E posiciono a mão no zíper dele. Ele faz o mesmo, e sim, vamos fazer o que você está pensando.

O distrito 4 entra, Noah abre meu zíper. Eu abro o dele. O distrito 5 entra. Agora o 6. Só mais alguns segundos. Dou o sinal para Noah, e o Distrito 7 entra no Circulo da Cidade. E com um só puxão, em perfeita sincronia, arrancamos nossas roupas.

Notas finais
Caso alguém esteja se perguntando, Noah e Santana não vão ter nenhum tipo de relacionamento! XoXo