Three hearts, two minds, one TARDIS
1 The storm and the river
Ele a deixava nervosa quando fazia aquela cara. Como alguém podia ser tão odiavelmente adorável e adoravelmente odioso ao mesmo tempo?
Ele abre o seu sorriso mais tentador, e olha para a loira. Ou estava se esforçando para provocá-la, ou tinha acabado de descobrir como explodir uma frota inteira de Cyber naves.
Independente de qual das duas opções fosse seu objetivo, conquistara ambas. Se virou com um pulo e grito de vitória, arrumou sua gravata arrogantemente como sempre fazia e olhou com o canto dos olhos para ela.
— Você está com aquela cara novamente.
— Qual?
— A sua cara de "ele é sexy quando banca o esperto".
— Essa é a minha cara de sempre.
— Exatamente.
— Não é a primeira vez que você me diz isso.
— Também não é a primeira vez que você me olha assim.
Ela corou levemente, não tentou esconder a reação, simplesmente sorriu de volta maliciosamente.
— Eu te odeio. — disse ela.
— Não, não odeia.
Ambos sorriram bobamente um para o outro.
— Ok, explodimos a frota inteira, só sobra a nave em que estamos, a TARDIS está nos níveis inferiores, todos os corredores lotados de Cybermens loucos para nos converterem... o que faremos agora?
— Temos que chegar até a TARDIS.
— E como pretende fazer isso?
— Apesar de eu não concordar muito com essa ideia... Consegue derrubar quantos com sua arma? Uns sete deles em dez segundos?
A loira ri balançando seus cachos, o que faz com que um dos dois corações do Senhor do Tempo bata mais rápido... ou seriam os dois?
— Por você eu derrubo vinte deles nesse tempo, querido.
— Preparada?
— Sempre.
Ele abre a porta com sua chave de fenda sônica. Cerca de 20 Cybermens se encontravam prontamente armados esperando por eles e... bem, realmente, dez segundos foi mais do que o suficiente.
— Como...? Dez segundos... sério?
— O que? Achou que eu estava brincando? Eu fui criada pra isso, se esqueceu? Agradeça que agora não quero mais essa mira apontada pra você.
— Você já me matou uma vez, de qualquer forma...
— Uma vez, na segunda eu me impedi.
— Sim, e colocou todo o universo em perigo criando uma divisão na lin-. — River colocou um dedo sobre os lábios de Doctor.
— Cale a boca, querido. Se não vai acabar igual esses Cybermens.
Como ela conseguia ser tão cinicamente encantadora e tão encantadoramente cínica ao mesmo tempo?
— Ok, passamos pelos primeiros vinte de centenas deles... qual o plano?
— O plano? Não existe um.
— E como pretende chegar na sua nave?
— Improviso.
— E como pretende improvisar?
— Bom... você sabe... você vai lá, e faz.
— É assim que você sempre faz tudo?!
— Não tudo, porém grande parte, o resto é raciocínio e sorte do acaso....
— Você é inacreditável... — rolou os olhos e simplesmente seguiu o homem da gravata borboleta.
Esgueiraram-se por entre portas e corredores escuros para não chamar atenção, porém River não conseguia conter seus instintos, cada vez que via um pequeno grupo de Cybermens ela os matava. Mira certeira, não os dava tempo nem de verem a origem dos tiros... o que deixava Doctor um tanto quanto incomodado, ele não gostava de violência, a prova disso era que não carregava armas, apenas sua pequena chave de fenda sônica.
Logo chegaram no corredor que levava até a sala na qual a TARDIS estava. Agachados num canto escuro observaram a porta. Apenas quatro homens de lata a protegiam. River sorriu.
— Ha! Fácil!
— Fácil até de mais. — respondeu preocupado, olhando os resultados do escaneamento da chave de fenda.
— O que acha que nos espera lá dentro?
Ele olhou mais uma vez para a o pequeno dispositivo. Sua expressão ficou mais dura e séria.
— Não faço ideia, mas com certeza está consumindo muita energia.
— Por que diz isso?
— Olhe mais uma vez pros guardas.
— O que tem eles?
— Eles já teriam nos notado a muito tempo, por mais escondidos que estejamos. Já usei a chave duas vezes, o som seria o suficiente para virem até aqui.
Ele se levantou rapidamente e foi correndo em direção ao perigo eminente. Por que ele tinha que correr tanto? Nesse momento River pensava que o motivo disso eram os dois corações, talvez ele não percebesse a velocidade com que se movimentava. Não... ele sabia, só gostava de causar impacto e surpresa pra qualquer um que estivesse presente... exibido.
Doctor tocou levemente no grande pedaço inútil de metal, deu alguns cutucões aqui e ali e nada, o Cyberman permanecia parado.
— Você é insano.
— Disse a psicopata treinada pra me matar.
— Mas uma vez que isso não é possível só me resta a paixão, meu amor.
Ele sorriu sem que ela pudesse ver. Tentou conter seus corações. Flertar com ela era uma coisa, mostrar o que realmente sentia era outra. Não podia se permitir a isso, não outra vez. Já se sentia culpado o suficiente pelo o que aconteceu com Rose, não saberia como lidar se algo do gênero acontecesse com River... não, nada aconteceria novamente com ela, não com sua querida Melody Pond. Porém o fim era inevitável, como ela mesma um dia disse a ele "seu começo é o meu final". Ele já sabia do fim dela, sabia que sua consciência ficaria presa no computador da Biblioteca.
Observou ela examinar com demasiada cautela o robô inativo. Depois de mais de mil anos de existência, seu olhos já eram treinados para enxergar cada mínimo detalhe: os muitos tons de loiro de seu cabelo, cada cacho encaixado, perfeitamente moldando seu rosto, os olhos verdes que pareciam ler sua mente toda vez que fitava os dele, a agilidade e delicadeza das mãos de arqueóloga.
Ela sabia que ele a observava, sentia o olhar de Doctor sobre ela. Não escondia o que sentia ao perceber isso, nunca o fez, não havia razão para isso, ele sabia de seus sentimentos e o que sacrificou só para ter a companhia do Senhor do Tempo.
— Vai ficar ai me olhando ou vai logo me levar pra cama?
Ele sorriu levemente, adorava o humor ácido e direto dela.
— Se você me ajudar a voltar pra TARDIS eu te deixo escolher.
— Hahaha! Querido, não faça jogos comigo.
Ela chega mais perto para encarar os olhos dele mais de cuidadosamente. Como era possível um rosto tão jovem com um olhar tão antigo quanto o próprio mundo que ela conhecia? Eles tinham um ar de sabedoria, mas ao mesmo tempo doces e serenos.
Ele colocou a mão na cintura de River e a puxou mais para perto. Ela colocou suas mãos ao redor do pescoço dele e o beijou, o qual para a surpresa de River foi correspondido.
— Apenas porque podemos morrer ao atravessarmos essa porta.
— Você diz isso todas as vezes, querido.
— Eu sei.
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