Notas iniciais
Obrigada a todos que comentarem no último capítulo. Espero que gostem deste.

Capítulo 10: Primeiro Beijo

Sora e Koushiro estavam sentados num banco perto do campo de futebol e o menino coçou sua cabeça, sem ter certeza por onde começar a conversa.

“Então…” Sora iniciou a conversa e quebrou o gelo.

“Desculpe não ter conseguido me abrir com você ontem. Isso é uma coisa muito difícil para mim.”

“Tudo bem, Koushiro.” Ela disse, tranquilizando-o. “Nunca é fácil.”

“Eu só não podia falar com o Taichi sobre isso. Ele não é tão bom assim com esse tipo de coisa.”

Sora não conteve o sorriso. Ela sabia que tipo de problema o Koushiro estava tendo, e o Taichi definitivamente não era a escolha mais inteligente.

“Então eu suponho que esteja tendo problemas amorosos, certo?”

“Acho que se pode dizer que sim.” Ele corou levemente.

“Ah, você não precisa ficar envergonhado, Koushiro. Todos nós os temos em algum momento.”

“Está dizendo que já teve?”

“Bem, eu não acho que seja uma coisa que aconteça uma vez só. Mas, sim, é isso que estou dizendo. Na verdade estou tendo neste momento.”

“Sério?”

“Sim.”

“Você não precisa me contar se não quiser.”

“Não, tudo bem. Mas acho melhor você sentar primeiro.”

Koushiro não conseguiu controlar o riso Sora sabia como aliviar a tensão e, de repente, ele não estava mais com tanto medo de falar sobre isso.

“Ultimamente eu venho…” A menina ruiva começou. “Bem, eu venho sentindo algo por um menino.”

“Quem?” Ele perguntou, ansioso para saber.

“É o… é o…Yamato.”

“O que?”

“Eu acho que sinto algo pelo Yamato.” Ela suspirou. “Mas eu não acho que ele me vê como uma menina.”

“Eu te entendo.” Koushiro olhou para ela. “Mas você não vai saber se não contar a ele. Quem sabe? Talvez ele goste de você também e está esperando por um sinal vindo de você.”

“Você acha mesmo?”

“Por que não? O que pode acontecer?”

“Ele poderia dizer não.” Sora parou de falar. “Mas você tem razão. Não tenho como saber o que ele vai dizer se não lhe contar. Enfim, de volta ao seu problema. Você gosta de alguém?”

O especialista em computadores pôde sentir suas bochechas queimarem de vergonha e torceu para que Sora não pensasse que ele era idiota. A menina ruiva sorriu e colocou uma mão no ombro dele, fazendo-o olhar para ela.

“Está tudo bem, Koushiro. Você pode confiar em mim, eu não vou tirar sarro de você. Mas não vou te forçar a falar.”

“Obrigado, Sora. Eu só não sei como dizer isso.”

“Não acho que haja um jeito certo de fazer isso. Nunca há um momento certo também.”

“Você me...” Ele disse inseguro. “Você me ajudaria com uma coisa?”

“Claro. O que é?”

“Eu meio que preciso saber se beijo bem ou não.”

Koushiro estava extremamente corado dessa vez, e Sora não teve como não sorrir.

“É claro.”

Ele não podia acreditar no que tinha ouvido. Ela estava realmente concordando com isso?!

“O que?”

“Eu preciso saber também. Eu não quero passar vergonha se eu conseguir me declarar para o Yamato.”

O menino sorriu de volta para ela. Ele não a podia agradecer o suficiente. Eles se viraram e se aproximaram um do outro. Koushiro ficou realmente surpreso quando a Sora tomou a iniciativa. Ele só conseguiu relaxar depois de alguns segundos. Eles se afastaram depois de vários minutos.

“Então…” Ela perguntou um pouco envergonhada.

“Uau.”

“Eu fui bem?”

“Sim.” Ele olhou para baixo. “Obrigado novamente, Sora.”

“Sempre que precisar.” Ela sorriu.

Sora e Yamato estavam esperando o Taichi terminar de se arrumar para a escola. Koushiro e eu tivemos de ir mais cedo porque estávamos encarregados de deixar tudo pronto para a aula essa semana. A menina estava sentada no chão com as pernas cruzadas enquanto o louro estava apoiado na parede, perto da porta.

“Finalmente.” Yamato disse quando a porta se abriu ao lado dele.

“Vamos nos atrasar para a aula por sua causa.” Sora limpou a saia verde-escura e levantou.

“Vocês dois são tão temperamentais de manhã.” Taichi reclamou. “Bom dia para vocês também.”

“Onde está a Hikari?”

“Ela saiu mais cedo para arrumar tudo.” Ele bocejou. “Então, eu preciso falar com vocês sobre algo.”

“O que é?”

“Há alguns dias eu recebi uma mensagem de Socorro do Agumon no meu digivice. Então eu fui ao Mundo Digital para ver o que estava acontecendo e achei essa coisa chamada Digimental com o símbolo da Coragem nele.”

“O que? Digimental?”

“Sim, e então eu tentei levantá-la e três luzes saíram.”

“Espera, o que isso significa?” Sora perguntou.

“Eu não faço ideia. Então enviei um e-mail para o Koushiro e alguém chamado Miyako o leu. Acontece que ela de alguma forma achou a Hikari e ela e o Takeru vieram atrás de mim.”

“Miyako? Esse nome soa familiar.” Yamato parou de falar e pensou por alguns segundos. “Acho que ela é a menina que mora no mesmo prédio no qual o Takeru e minha mãe acabaram de se mudar. Eles se conheceram no primeiro dia de aula.”

“Entendi, mas isso não é tudo. De alguma maneira o Daisuke conseguiu ir com eles.”

“Mas como isso é possível? Eu achei que só as pessoas que têm um digivice seriam capazes de ir ao Mundo Digital. A menos que…”

“…Daisuke seja uma nova Criança Escolhida.” O louro terminou a frase da tenista.

“Então um novo inimigo apareceu.”

“Aparentemente sim. Eu também vi o digivice dele e é diferente dos nossos. O digimental que eu encontrei quando chegou no Mundo Digital é dele. Eu não tenho ideia do que isso significa.”

“Talvez signifique que nosso novo inimigo é mais poderoso do que os que enfrentamos três anos atrás.”

“Eu não gosto de como isso soa.” Sora disse. “Além disso, nossos parceiros não conseguem evoluir para além de Birdramon, Garurumon e Greymon. Não há como derrota-los desse jeito.”

“Eu liguei para o Jyou e o avisei que vamos nos encontrar no parque para decidir o que fazer. Uma nova situação apareceu e precisamos achar um jeito de combatê-la.”

“Certo, conte comigo.”

“Eu tenho de ensaiar com a banda, mas sairei mais cedo para poder ir. Não posso prometer que chegarei na hora, aliás.”

“Tudo bem, contanto que esteja lá.”

“Bem, eu preciso ir à aula. Vejo vocês depois.”

“Sora, espera. Vamos na mesma direção.” Yamato chamou por ela. “Nos vemos depois, Taichi.”

“Tá bom.” O moreno sorriu enquanto seus amigos se afastavam.

Sora parou de prestar atenção no professor há algum tempo. Ela estava ouvindo uma conversa entre duas colegas de classe sobre primeiro beijo. Ela não pôde evitar em pensar se o Taichi ou mesmo o Yamato já tinham dado o primeiro beijo. E como se ele de alguma forma estivesse lendo a mente dela, Yamato a cutucou no braço.

“No que está pensando? Você nunca ficou tão distraída assim durante a aula de arte. Eu é que deveria estar sonhando acordado porque é muito chata.”

Ele sorriu com a sua piada, mas Sora pareceu não notar.

“Você já pensou no seu primeiro beijo?” Sua mão e braço direitos funcionaram como suporte para seu queixo e ela virou a cabeça levemente para encarar seu amigo. “Você sabe, com quem você quer que seja e como? Talvez até onde?”

“Eu não sei, nunca pensei nisso.” Ele deu de ombros e a olhou. “Por que está falando nisso agora?”

“Eu não sei, Só estava curiosa, eu acho. Quero dizer, isso iria acontecer em algum momento.”

“Provavelmente, sim. Espera um minuto… você já teve seu primeiro beijo?”

Sora estava esperando por essa pergunta, mas foi pega de surpresa mesmo assim. Ela podia sentir suas bochechas queimando enquanto seu rosto ficava vermelho vivo e ela sabia que não poderia negar. Sua reação, de alguma maneira, fez o Yamato se sentir irritado e enciumado.

“Eu posso ter tido ontem.”

“Bem, como foi? Foi bom? Quem você beijou? Eu não me lembro de ver você tendo queda por ninguém.”

“Foi estranho, eu acho. Mas foi bom, sim. Você está certo, não tenho queda por ninguém. Eu só estava ajudando um amigo. Ele também me ajudou, então… ambos saíram ganhando.”

“Isso soa como algo que a Mimi faria. Eu nunca imaginei você fazendo algo assim.”

“As pessoas te surpreendem, certo? “

“Isso é verdade.”

“Então, você nunca beijou antes?”

“Não, algumas fãs atrevidas tentaram me beijar, mas eu me desvencilhava. Eu não quero que o meu primeiro beijo seja assim. Eu quero que ele signifique algo. Tem de ser com alguém eu realmente goste.”

Sora o olhou e algo na maneira como ele disse isso a deixou com ciúme da menina que ele escolhesse para dar o primeiro beijo. Bem lá no fundo, ela tinha esperança de que fosse ela, mas ela sabia que ele nunca a veria do mesmo jeito que ela o vê.

“Enfim, você nunca me disse quem foi.”

“Eu não posso revelar, você conhece essa pessoa e ele ficaria envergonhado com toda provocação que você possa possivelmente fazer. Não consigo nem imaginar como será se o Taichi descobrir.”

“Então o Koushiro, huh?”

“O que?!”

“Você praticamente denunciou. Você deveria aprender a ser mais discreta sobre isso. Eu não consigo acreditar que o Koushiro foi o primeiro menino que você beijou!”

“O que tem de errado com isso?” Ela perguntou irritada. “Ele é um bom menino! E daí se ele é tímido e introvertido? Você também é introvertido. Você só melhorou por causa dos Teenage Wolves.”

“Sora e Yamato, vocês ficarão na detenção por perturbarem a aula.”

“Mas eu tenho aula de tênis mais tarde.” Sora protestou. “Não posso faltar.”

“E eu preciso ensaiar com a minha banda.”

“Deveriam ter pensado nisso antes de falarem tão alto na minha aula.”

Os dois amigos suspiram e encostaram-se à cadeira deles.

Os guardiões do Amor e da Amizade foram avisados que teriam de trabalhar na biblioteca durante a detenção. Os dois protestaram por isso, mas o professora não pegou leve com eles. Em vez disso, ele lhes deu mais atividades do que tinha planejado por causa disso.

“Isso é tão injusto. Eu deveria estar treinando para Wimbledon e estou presa aqui.”

“Ei, não pense que é a única que gostaria de estar em outro lugar. Eu tive de cancelar o ensaio com os Wolves.”

“Por que você teve de reclamar do meu primeiro beijo?”

“Eu não estava reclamando dele.” Yamato retorquiu.

“Você estava tirando sarro dele!” Sora gritou. “Você fez parecer como se fosse horrível eu beijar o Koushiro!”

“Desculpe se eu achei estranho. Não parece ser você.”

“Eu disse que estava o ajudando! Ele também estava me ajudando. Eu não entendo por que está fazendo tempestade num copo d’água. Não é como se ele e eu sentíssemos algo um pelo outro.”

“Mesmo assim, vocês dois são Crianças Escolhidas. Como devemos lidar com isso agora?”

“Mas o que?! Ninguém precisa saber. Eu nem sei por que te contei em primeiro lugar.” Ela suspirou com frustração e saiu de perto dele.

“Ei, desculpa.” Ele a seguiu e pegou o braço dela, girando-a.

“Sabe, você deveria parar de agir feito idiota.” Ela tirou seu braço de perto dele. “Esse é um efeito colateral de ter uma banda de rock. Você fica egoísta e com um ego enorme.”

“Agora está me ofendendo.”

“Ah então agora está ofendido?” Sora colocou as mãos nos quadris com ironia. “Você não parecia se importar quando falou mal sobre eu beijar o Koushiro.”

“Eu sei, Eu sinto muito. Não deveria ter feito isso.”

“Vamos apenas terminar o que temos de fazer. Quanto mais cedo acabarmos, mais rápido sairemos. Com sorte, podemos participar da reunião com os outros.”

“Certo.”

“E mesmo se ele e eu nos tornássemos um casal, o que você tem a ver com isso? Até onde eu sei, nós dois somos solteiros e podemos namorar quem quisermos.”

“Eu sei. Eu não esperava que você fosse falar comigo sobre isso, só isso.”

“Você só está com ciúme que eu beijei antes de você.”

“Ah então agora vou ter de agarrar a primeira menina que vir e beijá-la.”

“Então vá em frente, faça isso.” Sora desafiou. “Vá beijar a primeira menina que vir. Você é tão mentiroso!”

“Como eu sou mentiroso?”

“Você me disse antes que estava esperando pela pessoa certa e agora só quer ter seu primeiro beijo o mais rápido possível?”

“Quem disse que essa menina não possa ser um possível interesse amoroso?”

“Ah, por favor!” Ela zombou. “Você só está com medo de perder para o Taichi. Que diabos, eu aposto que até o Takeru vai beijar pela primeira vez antes de você.”

“O que isso quer dizer? Eu acredito que você queria encerrar esse assunto, então por que continua falando nele?”

“É divertido ver você sem reação nenhuma.” Ela riu.

“Do que está falando?” Yamato tentou soar sério, mas não conseguia parar de rir.

“Eu não acredito que você chegaria na primeira menina que vise e a beijaria sem pedir permissão. Isso é algo que o Taichi faria. Você não tem coragem.”

“Eu certamente tenho coragem! Quer apostar?”

“Eu não sei… o que eu ganharia se vencesse?”

“Ou melhor, quem perder compra um presente para o outro.”

“Isso parece bom! Apostado.”

“Ótimo, bom.”

“Devemos mesmo voltar ao trabalho agora.”

“Claro.”

Sora foi arrumar a parte mais alta de uma prateleira. Um baque surdo pode ser ouvido no ambiente, seguido por um grito suave. Yamato correu para ver o que tinha acontecido.

“Sora, você está bem?”

“Acho que não.” Ela estava com a mão sobre o tornozelo, apertando-o levemente. “Eu acho que torci meu tornozelo.”

“Deixa eu dar uma olhada.” Ele se ajoelhou ao lado dela e tocou o tornozelo machucado. “Isso dói?”

“Um pouquinho.” Ela fez uma careta quando ele segurou um pouco mais forte.

“Devemos ir à enfermaria.”

“Estou bem, Yamato.” Ela fez esforço para levantar, mas caiu novamente.

“É, dá para ver.”

“Precisamos terminar nosso trabalho aqui.”

“Você não vai conseguir fazer nada desse jeito”. Ele fez menção de levantar. “Eu vou trazer o professor aqui.”

“Não, Yamato.” Sora pegou a mão dele. “Por favor, fique aqui comigo.”

“Está bem.” Ele sentou ao lado dela.

A mão dele acidentalmente tocou a dela quando ele a usou como suporte para sentar. Sora corou um pouco com o gesto, mesmo que não tivesse sido intenção dele.

“Você estava falando sério sobre a aposta?”

“Por que não?” Ele a olhou. “Eu teria de dar meu primeiro beijo em algum momento afinal.”

“Mas você disse que ia esperar por alguém que valesse a pena. Eu achei isso muito doce e fofo. Nem todos os garotos estão dispostos a esperar.”

“Bem, eu não sou igual a todos, eu acho.”

“Eu aceito minha derrota. O que você quer de presente?”

‘Você não precisa fazer isso, Sora. Podemos apenas cancelar a aposta.”

“Não.” Ela disse firmemente. “É mais que justo eu ir até o fim com ela.”

“Eu não conseguiria fazer isso, então pronto.”

“Eu agradeço você tentar me fazer sentir melhor, mas deixe-me fazer isso.” Ela pegou a mão dele e entrelaçou seus dedos com os dele.

“Tudo bem, se você insiste.”

“Obrigada.”

“Sabe de uma coisa?”

“O que?”

“Se eu realmente tivesse ido até o fim com a nossa aposta, a primeira menina que eu teria visto seria você.”

“Isso obviamente não contaria. Certo?”

“Isso seria uma coisa tão ruim de fazer?”

“Eu não sei.”

O louro olhou intensamente nos olhos de sua melhor amiga antes de se inclinar. Sora instintivamente fechou os olhos e respirou fundo.