Capítulo 4: O Encontro

Eu acordei no dia seguinte com um largo sorriso no rosto. Hoje era o dia em que ia reencontrar meus velhos amigos. Eu estava realmente ansiosa por isso, nós íamos nos divertir tanto! Eu olhei para o teto por algum tempo e depois pulei da cama. Eu fui até o quarto do meu irmão e segurei o riso. Ele tinha literalmente caído da cama. Eu me curvei e comecei a cutucá-lo.

“Taichi, acorde.”

“Hmmm.” Ele disse sem abrir os olhos.

“Acorda, vamos encontrar todo mundo hoje.”

“Eu quero dormir, Hikari.” Ele abriu os olhos um pouco e os fechou novamente.

“Vamos, Taichi.” Eu disse, pegando os braços dele e o puxando.

“Tá bom, tá bom.” Ele esfregou o rosto enquanto se sentava no chão. “Que horas são?”

“Oito da manhã.” Eu respondi. “Vamos encontrá-los na estação Shibuya às nove e meia. Então é melhor se aprontar.”

“Ainda temos muito tempo. Shibuya não é longe daqui.”

“Verdade, mas você demora muito para ficar pronto.”

“Não demoro!”

“Quer apostar?”

Ele suspirou. “Não, você sempre ganha.”

Eu dei um sorriso triunfante e saí do quarto.

“Bom dia.” A Sra. Kamiya disse para seu filho sonolento quando ele entrou na cozinha.

“Bom dia.” Ele respondeu com voz de sono.

“Você está atrasado, maninho.” Eu provoquei enquanto terminava meu café da manhã.

“Não começa, Hikari.” Ele retrucou. “Você me acordou no meio da noite.”

“Eu te acordei às oito da manhã! Você teria uma câimbra muito séria se eu não o acordasse. Você estava quase fora da cama.”

“Tanto faz.” Ele disse, encerrando a conversa.

“Onde vocês dois vão?” Yuuko perguntou, olhando para seu filho e depois sua filha.

“Eu arranjei um encontro com as Crianças Escolhidas.” Eu disse depois de engolir o ultimo pedaço de pão.

“Isso é ótimo, Hikari. Eu não os vejo há um tempo. Não sabia que ainda mantinham contato.”

“Bem, não exatamente.” Eu comecei a explicar. “Eu ainda sou amiga do Takeru e o Taichi é bem próximo da Sora, do Yamato e do Koushiro, mas é só isso. Nós meio que seguimos com nossas vidas e paramos de nos encontrar com freqüência.”

“Entendi. Bem, fico feliz que tenha decidido reunir todos novamente.” Ela disse orgulhosamente. “Espero que vocês dois se divirtam.”

“Obrigada, mãe. Nós vamos.” Eu me virei para o meu irmão. “Estamos quase nos atrasando.”

“Relaxa, maninha. Ainda são quinze paras nove.”

“Eu falei nove e meia? Na verdade, é nove horas.”

Taichi arregalou os olhos e cuspiu o leite. Eu sabia que estava encrencada, então corri o mais rápido que pude.

“HIKARI!”

Sora foi a primeira a chegar. Ela se sentou num banco perto da entrada do metro e começou a ler um livro. Não demorou muito até o Jyou chegar com suas roupas elegantes.

“Sora?”

“Jyou, oi!” Ela exclamou enquanto se levantava e o abraçava. “Faz tanto tempo! Como você está?”

“Estou bem, obrigado. Eu acho que a escola e a vida estão mantendo todos nós ocupados, certo? Enfim, e você como está?”

“Estou bem também.” Ela sorriu. “Realmente estão. Minha professora de tênis me inscreveu para o Wimbledon este ano.”

“Uau, Wimbledon? Eu não sabia que você gostava de tênis.”

“Não gostava.” Ela deu de ombros. “Eu aprendi a gostar enquanto crescia. Agora também estou aprendendo a fazer arranjos de flores.”

“Sério? Eu lembro o quanto você odiava isso.”

“È, bem… eu achei que era de conectar mais com a minha mãe.”

O menino de quinze anos abriu a boca para responder, mas foi interrompido pela chegada do Koushiro.

“Olá pessoal.”

“Oi.” Sora e Jyou disseram juntos.

“Eu achei que o Taichi e a Hikari já estariam aqui.”

“Você conhece o Taichi. Ele está sempre atrasado.”

“Ele ainda faz isso?”

“Que eu me lembre, sim.”

“Por que trouxe seu notebook?” Jyou lhe perguntou.

“É para contatar a Mimi pelo skype.” O menino ruivo respondeu. “Ela não vai poder vir porque está morando nos Estados Unidos.”

“Espera, o que? Quando isso aconteceu?”

“Acho que foi há um ano e meio, não lembro exatamente.”

“Nossa, estou bem por fora. Não me surpreenderia se me dissesse que o Yamato tem uma banda de rock agora.”

“E eu tenho.”

Jyou, Koushiro e Sora se viraram e viram o Yamato e o Takeru a alguns passos de distância.

“Nada mais me surpreende.”

“Olha como você cresceu, Takeru!” Koushiro disse olhando seu amigo de cima a abaixo. “Está mais alto que eu!”

Takeru não conteve um sorriso. “É porque eu venho tendo aula de basquete há mais de um ano.”

“Se continuar assim, ele vai ficar bem mais alto que eu.” Yamato observou.

“Isso não é verdade.” O louro mais novo disse com vergonha.

“Onde estão Taichi e Hikari?” Sora disse olhando em seu relógio. “São quase nove e meia e eles ainda não chegaram.”

“Estamos aqui.” Taichi disse enquanto nos aproximávamos de todos.

“Parece que somos os últimos a chegar.”

“Podemos ir?” Koushiro perguntou.

“Acho que sim.” Jyou respondeu enquanto ajeitava seus óculos.

“Não se esqueçam de mim!” Alguém gritou sem fôlego.

Nós nos viramos na direção da voz, embora todos soubessem de quem era.

“Mimi!” Sora exclamou enquanto se aproximava e elas se abraçaram. “O que está fazendo aqui?”

“Eu não podia perder esse dia, podia? Eu comprei uma passagem logo depois de desligarmos ontem. Eu vim direto do aeroporto.”

“Estou feliz que esteja aqui, Mimi.” Taichi disse com um sorriso malicioso no rosto.

A menina de cabelos rosa sentiu suas bochechas queimarem. “Obrigada, eu também.”

Todos nós entramos na estação para irmos ao nosso destino.

“Parece que foi ontem.” Sora disse após comprar seu bilhete. “Quando estávamos aqui e aquele bebê começou a puxar a Pyocomon e eu tive de fingir que estava fazendo mímica para protegê-la.”

“Uau, eu tinha me esquecido disso.” Takeru andou até ela. “Você disse a mãe dele que tinha comprador numa loja em Nerima e todos correram comprar. Eu imagino a decepção deles quando eles descobriram que não havia loja nenhuma.”

“Eu sei.” Ela começou a rir e o louro se juntou a ela.

“Passamos por muitas aventuras neste mundo também.” Taichi afirmou distraidamente.

“Myotismon nos deu um pouco de trabalho.” Koushiro completou. “Vocês lembram o dia em que o SkullMeramon quase destruiu a Torre de Tóquio?”

“Eu lembro.” Mimi respondeu. “Sora e eu estávamos tentando encontrar a oitava criança. Eu fiquei chocada de ver um homem usando casaco no verão. Se você e o Taichi não estivessem por perto, não o teríamos destruído.”

“Fale por você mesma.” Sora disse brincando. “Birdramon poderia facilmente evoluir para Garudamon e acabar com ele.”

“Mas ela não evoluiu.” Taichi disse orgulhosamente. “Greymon virou MetalGreymon e fez o trabalho.”

“Esse trem está demorando muito, não é?” Jyou reclamou, tentando mudar de assunto.

“O que houve, Jyou?” Yamato perguntou. “Você não quer lembrar os velhos tempos?”

“Não é isso. Falar sobre isso me faz sentir falta do Gomamon. Eu me preocupo com ele às vezes e me pergunto como ele está.”

Nós abaixamos nossas cabeças, pensando em nossos parceiros. O trem chegou logo depois.

“Tenho certeza de que ele está bem. Eu consegui contatar o Tentomon há alguns dias e ele me disse que estão todos bem.” Koushiro sentou perto de Jyou, Yamato e Takeru.

“Queria poder ver o Patamon.”

“E a Palmon também.”

“Mas não podemos. Não pessoalmente.” Sora disse tristemente.

“É, o portal está fechado.” Yamato completou e eles trocaram um breve olhar.

“Nosso tempo lá acabou, temos de aceitar isso.”

“Então, Hikari… quais são nossos planos para hoje?” Takeru me perguntou.

“Eu não planejei exatamente… atividades, quero dizer. Só pensei que podíamos passar o dia juntos e fazer o que estamos fazendo agora. Não é divertido?”

“Eu esqueci o quanto senti falta de todos vocês.” Mimi disse emocionada. “É como se eu os conhecesse há anos e nunca vi vocês antes do acampamento de verão.”

“Sei como é. Vamos fazer uma promessa.” Taichi olhou para todos.

“Uma promessa?”

“Vamos prometer nunca mais perder contato. Eu sei que ainda sou próximo de alguns de vocês, mas é sempre melhor quando estamos todos juntos assim.” O moreno esticou seu braço.

“Nós temos nossas diferenças, mas conseguimos nos dar muito bem.”

“Eu estou dentro.” Sora colocou sua mão sobre a do seu melhor amigo.

Um por um, todos nós fizemos o mesmo. Eu realmente achei que eles estavam sendo sinceros.

Quando o trem ficou vazio o suficiente, quem estava em pé foi sentar em algum lugar. Sora virou sua cabeça e olhou para o Yamato, que conversava animadamente com seu irmão. Ela colocou um olhar determinada no rosto e foi falar com ele.

“Sora!” Takeru disse com excitação.

“O que você quer?” O outro louro disse friamente.

“Por que está falando com ela desse jeito?”

Yamato suspirou com frustração, mas não respondeu.

“Eu queria saber se poderia falar com você.” Ela se dirigiu à ele.

“Não temos nada para conversar.”

“Você não me deixou explicar.”

“Eu acho que foi bem clara.”

“O que está havendo?” Taichi disse do outro lado do corredor, fazendo seus melhores amigos virarem a cabeça.

“Nada, nós já terminamos aqui.”

A menina ruiva percebeu a indireta e voltou ao seu lugar.

“Você realmente precisa parar de tratar as pessoas assim.” Takeru reclamou.

“Por que você não lhe diz para parar de julgar as pessoas?”

“O que?”

“Esquece.” Yamato deu de ombros.

“Se você continuar tratando-a mal assim, você vai perder qualquer chance que tem com ela.”

“Você está alucinando, Takeru. Nós nunca poderíamos dar certo como um casal.”

“Você não vai saber se não tentar.”

“Exceto que eu não quero tentar. Agora pode parar de fazer isso?”

“Eu só acho que ela pode te deixar menos ranzinza, mas tudo bem.” Takeru fechou a cara e encostou-se ao banco.

Nós chegamos ao nosso destino final uns dez minutos depois. Eu estava guiando todos, embora eles conhecessem o lugar melhor do que eu.

“Não acredito que nos trouxe aqui, Hikari.” Taichi me disse. “Eu achei que íamos nos encontrar em outro lugar.”

“É, eu queria que fosse uma surpresa então eu menti sobre o lugar para todo mundo. Sinto muito.”

“Esse lugar guarda tantas memórias.” Sora disse enquanto subia as escadas, com a Mimi ao lado dela.

“O que foi aquilo no metrô?”

“O que?” A menina ruiva olhou para ela. “Ah, você quer dizer o incidente com o Yamato?”

“Isso mesmo.”

“Bem… eu acidentalmente insinuei que ele gostava de ter as meninas aos seus pés o tempo todo porque a maioria das estrelas do rock gosta.”

“Sora!”

“Eu sei, eu sei. Estava tentando me desculpar com ele, mas ele não deixou.”

“Dê um tempo a ele, ele vai te procurar.”

“Eu não sei.”

“Tenha fé, tudo vai se resolver. Vocês dois são amigos.”

“Obrigada, Mimi.” Ela sorriu gentilmente.

“Ele não vai ficar bravo com você para sempre. Eu juro que você vai casar com ele.”

“Não seja ridícula, Mimi. Não somos nada parecidos.”

“Eu não teria tanta certeza.”

“Tá bom, fique quieta, por favor.” Ela disse rindo.

O resto de nós subiu as escadas e deixou as mochilas na cabana. Eu fiquei parada na varanda enquanto todos faziam um círculo e se sentavam. Era minha primeira vez num acampamento de verão. Bem, não era exatamente um acampamento de verão, mas você me entende. Eu não pude vir da primeira vez porque estava gripada, mas eu posso imaginar o que os outros estão sentindo por estarem aqui novamente.

“Hikari, você não vai se juntar a nós?” Takeru olhou por cima do Koushiro.

“Sim.” Eu sorri. “Só estava pensando em algo.”

“Pensando no que?”

“No quão estranho deve ser para vocês vir aqui depois de todo esse tempo.”

“É uma pena que não pode vir ao acampamento de verão.”

“É.” Eu olhei para baixo.

“Eu devo admitir que você teve uma ótima ideia ao nos trazer aqui. Eu não seria tão criativo assim.”

“Você nunca é criativo, Taichi.” Eu provoquei. “Mas, obrigada.”

Eu estava prestes a sentar perto do Jyou quando algo incomum aconteceu. Eu gritei ao mesmo tempo em que os olhos do Koushiro se arregalaram em completo choque. Ninguém sabia para onde olhar ou o que estava acontecendo. No final, todos nós viramos em direção às ondas na nossa frente.

“O que está havendo, Koushiro?” Takeru perguntou.

“Isso… isso não pode ser verdade.” Foi tudo o que ele conseguiu dizer.

“Isso não está acontecendo!” Yamato exclamou.

“Ah, está sim… e eu ainda não gosto disso.”

“O portal está abrindo de novo!” Mimi disse animadamente.

“É como se eles soubessem que estaríamos aqui. O portal não abriu desde que abdicamos do poder dos nossos brasões para salvar o Mundo Digital.” O especialista em computadores disse.

“Mas não vamos fugir dessa vez.” Taichi disse com sua coragem habitual. “Vamos.”

Ele pulou nas ondas. Todos nós engolimos em seco e o seguimos. Um por um, nós fomos envolvidos pela água que nos levaria ao Mundo Digital.