Sora estava olhando o panfleto dos clubes da escola, já que ela tinha terminado sua atividade de matemática. Yamato não pôde evitar olhá-la e ficar maravilhado com o foco dela em tal tarefa. Ele estava doido para perguntar de quem ela estava afim, mas ele estava pronto para sua resposta? E se fosse ele? Ele certamente não estava preparado para qualquer resposta que ela pudesse dar. E se não fosse? Ele sentiu um pouco de ciúme e pensou que, quem quer que fosse, era uma pessoa muito sortuda. A menina de repente percebeu que os olhos dele estavam nela e se virou tão rapidamente que ele não teve tempo de se virar. Yamato xingou mentalmente quando sentiu suas bochechas queimando de vergonha.

“Alguma coisa errada? Você precisa de ajuda com seu trabalho?”

“Não. eu…” Ele olhou para o papel em sua mesa. “Estou quase acabando.”

“Tudo bem, então.” Ela sorriu. “Posso ver?”

“Uh… claro. Eu acho.” Ele deu de ombros enquanto Sora pegava o papel e examinava o trabalho dele.

“Receio que algumas das suas respostas estejam erradas.” Ela amarrou a cara. “Você está passando muito tempo com o Taichi. Você nunca foi tão ruim assim em matemática, pelo que eu me lembre.”

“Acho que eu perdi o jeito.” Ele esfregou sua nuca e sorriu quando a viu rindo. “O que está olhando, afinal?”

“Oh.” Ela olhou para o papel em suas mãos. “Eu só queria ver quais aulas extracurriculares eles estão oferecendo esse ano.”

“Você está planejando entrar em alguma delas?” Yamato perguntou com uma sobrancelha levantada. “Eu achei que você estava ocupada o bastante com o tênis.”

“Estou. Eu só achei que seria legal expandir meus horizontes um pouco, sabe? Não tenho certeza se quero seguir com o tênis profissionalmente, então pensei em tentar coisas diferentes.”

“Você tem algo em mente?”

“Não exatamente.” Sora deu de ombros. “Mas as aulas acabaram de começar, eu acho que posso pensar nisso depois.”

“É.” Ele assentiu. “Ei, você vai se juntar a nós para o almoço hoje?”

“Claro. Isso é um problema para você?”

“Não, de jeito nenhum. Eu meio que senti falta de ter você por perto.”

“Eu também.” Ela sorriu.

“Tem algo que eu venho querendo te perguntar.” Ele disse um pouco nervoso.

“O que é?”

“Bem…” Ele limpou a garganta. “Eu ouvi você falando com o Taichi há alguns dias sobre meninos e eu tive a impressão que você sente algo por algum garoto.”

Sora olhou para baixo e sentiu seu rosto ficar muito vermelho. Ela começou a se sentir envergonhada e em pânico sabendo que o Yamato poderia ter percebido que ela tinha uma queda por ele. Se isso fosse verdade, não havia como ela passar um tempo com todo mundo quando ele estivesse lá. Ela respirou fundo e tentou se acalmar.

“Ah, isso. Eu só disse aquilo para fazer o Taichi deixar para lá. Eu não sinto nada por ninguém neste momento.”

“Tem certeza? Porque não era o que pareceu.”

“O que? Você está me espiando agora?”

“Não.” Ele desviou o olhar e juntou as mãos. “Eu só estava curioso, só isso.”

“Bem, por que importa para você se eu sinto algo por algum garoto? Não é como se estivéssemos namorando.”

Sora não viu as bochechas do Yamato corarem fortemente porque ela estava surpresa com sua indireta não tão sutil. Ela se perguntou se ela realmente queria que ele soubesse que era sua paixonite. Ela estava esperando que ele a surpreendesse e dissesse que ele tinha uma queda por ela também?

“Por que nós estaríamos namorando?” Yamato perguntou depois que se recompôs. “Somos apenas amigos. A menos que haja algo que não me contou.”

“Claro que não!” Ela respondeu rapidamente; suas bochechas ficando mais vermelhas. “Somos apenas amigos. Além disso, deve haver muitas garotas atrás de você. Garotas que são muito mais interessantes que eu.”

“Por favor.” Ele não podia acreditar que ela tinha tão baixa autoestima. “Não vamos entrar nesse assunto de novo. Você lembra o que aconteceu da última vez.”

“Tá bom.” Ela assentiu. “Você ainda precisa terminar seu trabalho.”

Yamato olhou para os exercícios de matemática e amarrou a cara.

Takeru e eu saímos da sala assim que o sinal tocou. Acabamos de ter uma aula chata de história. Não me leve a mal, eu gosto de história, mas o professor tem uma voz tão baixa que quase me faz querer dormir. Eu cobri a boca com a mão enquanto bocejava.

“Você está tão cansada assim?”

“Não muito.” Eu olhei para ele. “É só que o nosso professor pode causar esse efeito em nós. Você não concorda?”

“Na verdade, não.” Ele disse com um sorriso. “Eu acho as aulas dele bem interessantes.”

“Você sempre teve um gosto por história, não é?”

“Acho que pode se dizer isso.” Ele deu de ombros. “Ei, as aulas extracurriculares vão começar semana que vem. Você está pensando em se juntar a alguma?”

“Acho que não. Vou ficar apenas com as aulas de balé. E você?”

“Eu vou me inscrever no basquete novamente ano que vem. Talvez teremos melhor sorte na competição estadual esse ano.”

“Vocês foram muito bem no ano passado também.” Eu disse num tom reconfortante. “Vocês chegaram as quartas-de-final. Foi incrível, considerando que era a primeira vez de vocês no torneio.”

“Obrigado. Mas nosso objetivo é ir mais além dessa vez, talvez nas semifinais.”

“Bem, eu acho que vocês têm o potencial para levar nosso time para as finais. A escola toda iria à loucura se ganhassem.”

“Não tenho dúvidas disso.” Takeru riu e eu não tive como não sorrir.

“Pode imaginar o alvoroço que seria se o time de futebol ganhar a competição nacional e a Sora ficar bem colocada em Wimbledon?”

“Eu acho que os Teenage Wolves seriam uma banda underground se isso acontecesse. E isso quer dizer muito. Eles seriam esquecidos rapidamente.”

“Falando dos Teenage Wolves, há algo que eu venho querendo te perguntar.”

“O que é?” Ele olhou para mim e de repente eu não tinha certeza se deveria trazer isso à tona ou não.

“Bem, eu percebi que o Yamato reage de forma estranha toda vez que mencionamos o nome da Sora ou quando ela está por perto.”

“Ah. Você percebeu isso também?” Ele me perguntou num tom surpreso. “Ele meio que tem uma queda por ela.”

“Então eu não estava só imaginando coisas.” Eu coloquei um dedo sob meu queixo. “Havia realmente algo acontecendo.”

“Eu falei que ele deveria contar a ela. Talvez ela se sinta do mesmo jeito e eles comecem a namorar.”

“Mas você acha que é uma boa idéia? Eu acho que isso nos colocaria numa posição muito desconfortável.”

“O que quer dizer?”

“Não me leve a mal, eu acho que seria ótimo se eles ficassem juntos. Eles têm personalidades parecidas e poderiam dar certo. Mas eu acho que seria estranho para o resto de nós. Sabe, vê-los agindo romanticamente.”

“É, acho que tem razão.” Takeru desviou o olhar, assimilando minhas palavras. “Mas eu adoraria ter a Sora como cunhada. Se ao menos meu irmão não fosse tão teimoso.”

“Se for para ser, eles vão acabar ficando juntos no final.”

“Tem razão.” Ele olhou para baixo e depois levantou a cabeça de novo. “Estava pensando em ir ao Mundo Digital depois da aula. O que você acha?”

“Essa é uma ótima idéia!” Eu disse animadamente. “Eu não vejo a Tailmon desde que voltamos do nosso encontro. Sinto falta dela.”

“Eu também sinto falta do Patamon. É tão estranho ver o Mundo Digital tão pacifico que quase me faz pensar que algo está errado.”

“Não diga isso. Não houve maiores ameaças até agora. Nós não seríamos capazes de fazer muito agora que nossos parceiros não podem evoluir além de Tailmon e Angemon.”

“Tem razão.” Mas eu ainda acho que algo está prestes a acontecer. Ele pensou enquanto olhava pela janela.

Taichi estava deitado na grama e o Koushiro olhava seus e-mails quando Sora e Yamato se juntaram a eles.

“Onde vocês dois estavam?” O moreno perguntou.

“Eu estava esperando o Yamato terminar seu trabalho de matemática. Ele estava com dificuldade em fazer.”

“Yamato sofrendo com matemática?” Koushiro disse sem olhá-los. “Isso é novidade. Ele está passando muito tempo com o Taichi.”

“É isso que eu lhe disse.” Sora colocou as mãos nos quadris. “Ele está começando a pegar algumas características deles.”

“Ei, eu estou aqui.” Taichi protestou. “Matemática é uma droga. Não me surpreende o Yamato estar indo mal.”

“Não estou indo mal.” Yamato se defendeu. “Eu só meio que esqueci um pouco. Nada demais.”

“Enfim, o que vocês dois estão fazendo juntos? Eu achei que houvesse uma coisa estranha rolando entre vocês.”

Tanto Sora quanto Yamato desviaram o olhar, sem vontade de explicar as razões deles para o Taichi e o Koushiro. Na verdade, eles realmente nunca falaram sobre isso.

“Não tem nada de “coisa estranha” rolando. Eu não sei de onde tirou essa idéia.”

“Ah tem sim.” Taichi insistiu. “Não pense que eu não notei.”

“Olha, se você for implicar com isso, eu vou almoçar em outro lugar. Eu achei que você tinha dito que sentia minha falta.” Sora disse impacientemente.

“Desculpa, Sora. Eu sinto sua falta, sim. O almoço não é o mesmo sem ter alguém para deitar na grama comigo e observar as nuvens.”

“Você é uma criança, Taichi.” Ela zombou. “Mas eu também sinto falta.”

“Vocês realmente deitam na grama e observam as nuvens?” Koushiro finalmente tirou os olhos de seu laptop.

“Sim.” Taichi falou como se seu amigo fosse estranho por nunca ter tentado isso. “Você ficaria surpreso com o quão fértil sua imaginação pode ser. Você deveria tentar. Essa também é uma das minhas tradições com a Sora já há algum tempo. Sempre que nos sentimos tristes ou irritados com algo ou alguém, ligamos um para o outro e nos encontramos no parque. Você não acreditaria no quão bizarro alguns dos nossos nomes é.”

“Eu poderia fazer isso agora.” Sora sentou e se encostou a uma árvore. “Já faz um tempo desde a última vez.”

“Você está chateada com algo?”

“Não, eu só…” Ela olhou para o seu melhor amigo. “As aulas de tênis vão voltar semana que vem e eu vou começar a me preocupar com Wimbledon de novo.”

“Sora está pensando em participar de outro clube.” Yamato revelou.

“Não estou pensando em nada. Só estava olhando o panfleto.” Ela amarrou a cara. “Eu queria ver o que eles tinham a oferecer.”

“Bom, porque eu não saberia como você poderia fazer outras atividades já que o tênis basicamente toma todo seu tempo livre. Seu nome é muito falado durante as aulas de futebol, você faz bastante falta lá.”

“Eu realmente sinto falta de jogar futebol, mas achei que era hora de tentar algo novo. Eu gostei de jogar pelo time da escola de verdade.”

“E quanto a você, Koushiro?” Taichi voltou sua atenção para o garoto ruivo. “Pensando em entrar em algum clube?”

“Ei, pessoal!” Takeru e eu nos juntamos a eles. “Desculpem pelo atraso.”

“Ah… você sabe?” Koushiro respondeu um pouco inseguro. “Apenas o clube de informática eu acho.”

“O que vocês estão fazendo?” Eu perguntei enquanto sentava ao lado do meu irmão.

“Estamos falando de quais atividades extras vamos fazer esse ano. Acontece que vamos fazer as mesmas do ano passado.”

“Entendi.” Eu assenti. “Takeru e eu estamos pensando em ir ao Mundo Digital visitar nossos parceiros depois da aula.”

“Essa é uma grande idéia.” Koushiro disse animadamente. “Eu quero ir com vocês.”

“Eu também.” Taichi fez coro ao seu amigo.

“Receio não poder ir hoje.” Sora disse tristemente. “Preciso ajudar minha mãe na escolar de arranjos florais.”

“E eu tenho de ensaiar com a banda. Desculpem.”

Taichi colocou as mãos atrás da cabeça e deitou na grama novamente. “Vocês dois são chatos. Sempre têm algo para fazer.”

“Isso se chama ‘ter responsabilidades’. Você deveria tentar.” Yamato provocou.

“Tenho catorze anos. Tenho muito tempo para ser responsável.” Ele se virou para Sora. “Você ainda quer olhar as nuvens?”

“Sim!” Ela respondeu enquanto deitava ao lado dele e olhava para o alto. “Olha, aquela ali parece um coelho, não acha?”

O moreno seguiu o dedo de sua melhor amiga e amarrou a cara. “De onde tirou essa idéia? Aquilo mal parece um coelho.”

“Tá bom, parece o que então?”

“Vocês dois são tão bobos.” Eu disse brincando, com um sorriso.

“Você está doida para se juntar a nós, não está, Hikari?”

“Sim, claro.” Eu revirei os olhos.

“Por que você e a Sora têm essa tradição e nunca me falaram nada sobre isso?” Koushiro perguntou.

“Estou sentindo um pouco de ciúme da sua parte?” Taichi sorriu sadicamente. “Se serve de consolo, nós temos essa tradição antes de o conhecermos.”

“Vocês ainda me deixaram de fora. Não os perdoarei.”

“Vocês estão todos reclamando do quão infantil o Taichi e eu estamos parecendo, mas eu aposto que querem realmente se juntar a nós. Mas não querem parecer bobos para os outros alunos.”

“Então, três horas está bom para todo mundo?”

“Claro.” O especialista em computadores assentiu.

“Cara, eu realmente queria que a Mimi estivesse aqui.” O jogador de futebol disse. “Ela adoraria fazer isso, eu acho.”

“Falando nela.” Sora olhou para ele. “Eu preciso falar com você… sozinha.”

“Ela pediu para você falar comigo, não é?”

“Sabe, você é muito esperto quando quer.” Ela zombou. “Por que não usa seu cérebro nas aulas?”

“Vá direto ao ponto, Takenouchi.” Taichi disse seriamente.

“Tudo bem.” Sora suspirou. “Ela me pediu para…”

Ela foi interrompida pelo sinal da escola, indicando que era hora das aulas vespertinas. Takeru e eu estávamos conversando sobre o Mundo Digital enquanto ele me explicava por que ele achava que algo ia acontecer. Koushiro e Yamato estavam falando sobre as diferenças entre o ginásio e o ensino médio; o especialista em computadores cuidadosamente fazendo notas mentais para não ficar tão perdido quando fosse começar o colegial. Taichi e Sora de propósito demoraram mais tempo juntando suas coisas e andando em direção ao prédio novamente.

“Então… você estava dizendo?”

“Certo. Ela quer saber como vocês dois ficam. Quero dizer, vocês andam flertando descaradamente um com o outro. Você quer ficar com ela ou não?”

“Eu não sei.” Ele colocou as mãos atrás da cabeça. “Nós nem nos beijamos ainda. Como você pode saber que quer ficar com alguém sem ter feito isso?”

“Você me pegou agora.” Ela olhou para baixo e parou de falar por um momento. “Mas você sente algo por ela, não sente?”

“Eu acho que sim.” Taichi deu de ombros. “Ela é atraente e engraçada. Nós somos diferentes, mas eu acho que podemos dar certo se decidirmos ser um casal.”

“Se quer saber, eu acho que ela está esperando você dar o primeiro passo.”

“Primeiro passo? Quer dizer…?”

“Sim, Taichi. Quero dizer beijar.” Sora disse impacientemente.

“Mas, Sora, ela está do outro lado do mundo! Como eu vou poder beijá-la quando ela está tão longe?”

‘É para isso que temos o Mundo Digital. Vocês dois podem se encontrar lá e finalmente fazer isso.”

“Talvez. Podemos combinar um horário que não seja ruim para nenhum de nós e fazer isso.”

“Uau… você e a Mimi, hein?”

“É.” Ele disse num tom baixo. “Falando nisso, quando você planeja em falar com o menino que gosta?”

“Não há nenhum menino, Taichi. Eu não sei de onde tirou essa idéia.”

“Está estampada no seu rosto, Sora. Pode negar o quanto quiser, mas todo mundo vê isso. Talvez ele se sinta do mesmo jeito.”

“Eu acho que não.” Ela evitou olhá-lo nos olhos. “Eu não quero estragar tudo.”

“Então é mesmo o Yamato.”

“O que? Ele não é o único menino que é meu amigo, só para sua informação.”

“Então quem é?”

“Sinto muito, Taichi. Eu sei que você é meu melhor amigo, mas isso é algo pessoal. Eu tenho de voltar para a sala agora, desculpa.”

Taichi a observou se dirigir até sua sala de aula. A expressão no rosto dele mostrava que ele não tinha acredito numa palavra que ela disse.