Three Cheers For Sweet Revenge.
5 I'm Not Okay (I Promise)
Nossa, eu já tinha até me esquecido de como é ruim acordar cedo pra ir à escola. Levantei, tomei um banho, coloquei o uniforme, peguei minhas coisas e desci. Enquanto entrava no carro, recebi uma mensagem de Frank pedindo para pegá-lo em casa. Bom, eu não tinha por que recusar, não é? Liguei o carro e rumei à sua casa. Chegando lá, foi exatamente como o imaginado: seus pais não me deixaram entrar, tive que esperá-lo no meio da rua. Eu já estava cansado de esperar quando ele apareceu, com um sorriso no rosto. Também sorri ao vê-lo. Ele veio em minha direção e entrou no carro.
– E aí, Iero? – Falei rindo.
– Amo você, Gee. – Ele parecia triste.
– Também amo você, Frank. Aconteceu algo?
– Ah, nada não. Só queria deixar claro que amo você. – Notei um sorriso forçado. Não respondi, apenas sorri de volta e liguei o carro. Chegamos lá e entrando, de mãos dadas, indo para nossa sala. Mas fomos paramos no caminho por uma garota que parecia demonstrar nojo da nossa demonstração de carinho.
– O diretor quer falar com vocês dois, agora.– Dizia ela, sem se aproximar muito, como se tivéssemos uma doença altamente contagiosa. Fomos até a sala do diretor, sem discutir. – Viados de merda. – ouvi-a dizer quando nos afastamos. Ao chegarmos lá, o diretor parecia sério.
– Sentem-se – Disse ele. Aquele cara nos fuzilava com os olhos. Sentamos. – Creio que saibam o motivo de estarem aqui, não?
– Desculpe, senhor, mas não. – Respondemos juntos. – O problema é o seguinte: não podemos ter vocês na nossa escola se continuassem com essa louca, entenderam? – Fizemos cara de confusão, afinal, não havíamos feito nada. Eu não, pelo menos. – Sem mãos dadas, beijinhos em público e coisas do gênero, OK?
– O que? Mas por quê? Isso é crime agora? – Frank estava a ponto de explodir, pelo que percebi.
– Não, mas é contra as regras da escola. – Ah, sério? Eu já vi muito casalzinho hétero se agarrando aqui. Pelo jeito era preconceito mesmo – Principalmente quando não é um casal, vocês sabem, normal.
– Ta brincando, não é? Isso é preconceito, seu filho da... – Ele foi interrompido.
– Já chega, Iero. Você fica sentado aí enquanto eu ligo pros seus pais. E os seus também, Way. – O diretor já estava pegando o telefone. Maldito! Não tinha o direito de fazer isso com a gente só porque era um homofóbico de merda. Em cinco muitos, os pais de Frank chegaram àquela sala. Eles pareciam furiosos. Eu tinha sorte de os meus pais estarem a quilômetros daqui.
– Então, senhor e senhora Iero, creio que já sabem porque estão aqui... – Esse cara só fale falar isso, é? – A questão é que o seu filho acabou se metendo em um relacionamento proibido. Eu não quero esse tipo de gente freqüentando a minha escola e, se esse comportamento não parar, não terei outra escolha a não ser explusar o seu filho e/ou o Way daqui.
– Pode me expulsar, não vou parar de ver o Gee. – Frank dizia com indiferença. Meu coração disparou, ele estaria disposto a ser expulso da escola por mim?
– Quieto, Anthony. Deixe seu diretor falar. Apenas ele e nós, que somos seus pais, sabemos o que é melhor para o seu futuro. – Esse cara parecia até o meu pai!
– Iero, Way, estão dispensados por hoje. Podem ir para casa ou sei lá o que pretendem fazer – Pensamentos maliciosos dominaram a minha mente ao ouvir essa frase, não pude evitar. Saímos da sala e fomos em direção ao pátio da escola e, é claro, xingamos o diretor de tudo que alguém pode imaginar no caminho.
– Não acredito! Aquele velho ridículo pensa que é alguém. Ele não vai me separar de você, não mesmo. – Falei enquanto ia em direção ao meu carro. Estranhei o fato de Frank não ter falado nada e só ter abaixado a cabeça. Mas não reclamei, ele deveria estar xingando o cara mentalmente. – Você vem comigo? Quer que eu te leve em casa? Talvez a gente possa aprovei...
– Não, Gee, vou com meus pais. Vejo você depois, OK? – Ele disse enquanto me dava um selinho. Peguei o carro e fui pra casa. Bom, ao menos essa era a minha intenção, mas não deu muito certo. O transito estava um inferno, de novo! Odeio essa cidade. Mas, já que eu não podia pegar o meu carro nos braços e pular por cima dos outros, decidi me distrair. Fui pegar meu iPod na mochila, mas bem na hora meu celular tocou. Era o meu irmão.
– Fala, Miks! – Falei alegre por ter alguém para conversar enquanto os carros não andavam.
– Arthur, por que não atendeu às minhas ligações? Ficou com medo, é? Tive que pegar o celular do seu irmão pra falar com você. – Meu pai gritava do outro lado da linha.
– Pra começar, eu não vi as suas ligações porque eu estava na escola, caso tenha esquecido. E segundo, eu não sou surdo, dá pra parar de gritar?
– É exatamente por isso que eu estou ligando. Escola. Seu diretor me ligou, sabia? O que falando sobre ligações de diretores, Arthur? E o que deu na sua cabeça ao se envolver com um garoto? Primeiro você estraga tudo na melhor escola de Jersey, agora em Orleans?! Estou pensando seriamente em colocá-lo no internato que Michael estudou quando veio para Nova York.
– Internato? Você ta louco de vez, é? Eu não vou! – Ah, jura que eu vou me separar do meu Frank. Haha!
– Então toma jeito aí, entendeu? Na próxima, você vem direto pro internato e só saí de lá quando se formar. Nem nas férias você virá pra casa. – Que ótimo, eu sei que vocês não se importam, não precisa jogar tão na cara, OK? – Desliguei. Meia hora depois, consegui sair do maldito engarrafamento e fui pro meu apartamento. Para minha surpresa, Frank me esperava em frente ao prédio.
– O que você faz aqui, bebê?
– Eu sei que sou pequeno, Gee, mas não precisa me chamar assim. – Ele riu enquanto me abraçava pela cintura. Pegamos o elevador e chegamos ao meu apartamento. – Eu preciso falar com você. Sobre muitas coisas, quero esclarecê-las.
– Que coisas? – Olhei nos seus olhos, já dava para notar as lágrimas vindo. – O que houve, Frankie?
– Eu estou saindo da escola. – O quê??? Por que seus pais fizeram isso? Vamos continuar a nos ver, não é?
– Na verdade, eu não sei, Gerard. – Gerard. Gerard. Por que ele me chamara assim? – Eu preciso ir agora, OK? – Disse saindo bruscamente, nem ao menos me dar chances de explicar.
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