Thought Of You.
3 hello england - part 2
Notas iniciais
Guadalupe.
Se eu dissesse que já estou completamente habituada a que as pessoas me reconheçam, estaria a mentir e a prova disso foi nada mais, nada menos de quando eu estava no aeroporto de londres. Ao que parece, as fãs ficaram a saber – sabe-se lá como – que a minha mãe vinha trabalhar para a Team Bieber e que eu vinha durante estes 3 meses junto com ela e digamos que isso causou uma ligeira confusão no aeroporto mesmo eu não sabendo o porquê. Toda a gente sabe que eu não gosto do meu primo, eu faço questão de deixar isso bem claro. Já cheguei a esclarecer no Twitter que ele é a razão pela qual a minha vida está de cabeça para baixo e que eu não sabia se algum dia seria capaz de o perdoar por tal, e então por isso, estaria mais que óbvio que as suas fãs me iriam odiar. Mas não, pelo contrário. Tem fãs dele que me idolatram, que me seguem em tudo o que é lado e eu não sei porquê. Eu só faço merda. Mas voltando á razão que me trousse cá, a Londres.
Neste momento eu e a minha mãe estamos dentro de um táxi, em direção ao hotel em que o Bieber está hospedado juntamente com toda a equipa. Ainda estou a tentar preparar-me mentalmente que vou ter de dar de caras com esse filho da mãe, e pior, a minha mãe avisou-me que quando fosse uma premiação qualquer em Toronto em que o Justin vai, eu ia dar de cara com a Selena. Podia haver coisa melhor? Não, mas é a oportunidade perfeita para lhes infernizar a vida toda como eles infernizaram a minha. E enquanto não chegava á porcaria do hotel, com a cabeça encostada no vidro do táxi a minha mente vagava em tantos pensamentos. Eu lembrava-me de quando não discutia com o Justin ou quando isso era raro. Eu lembro-me que ele arruinava sempre qualquer relação minha porque dizia que tinha de me proteger de todos os rapazes. Eu lembro-me que ele na escola me defendia sempre que qualquer rapariga me vinha tratar mal, mas, onde está esse Justin agora? Esse era o meu Justin, aquele que eu não conheço. Não mais.
E foi em volta desses pensamentos que eu cheguei finalmente ao hotel e foi ao perceber que o táxi tinha parado que saí finalmente para fora, e o meu olhar imediatamente cruzou-se com o olhar daquele ser tão desprezível.
Justin.
E se acham que por eu ser o cantor do momento eu tenho algum critério, ou algum voto a escolher quem eu quero ou não para me acompanhar na turné estão enganados. Por exemplo, se eu pudesse fazia com que a mãe da Guadalupe viesse trabalhar comigo, mas também fazia com que a pirralha lá ficasse em casa e não me chateasse o juízo. Afinal, Selena sempre teve razão a respeito da rapariga. Ela só queria a fama, só queria ser reconhecida e depois fazer imagem de coitadinha. A Guadalupe que ele tinha conhecido até aos 12 anos nunca lhe tinha dito que o odiava, nunca o tinha insultado e muito menos tinha dito que ele tinha estragado a sua vida. E pensar que quando pequeno o maior medo dele era um dia vir a perdê-la, e agora pouco se importava. [Ou ele achava que sim]
Eu cheguei até a tentar que ela ficasse em casa, mas quem me deu ouvidos?
- Scooter, ela não podia mesmo ter ficado em casa? – perguntei enquanto esperávamos na entrada do hotel pelo táxi que trazia Sofia e Guadalupe.
- Ela é tua prima Justin Drew Bieber – resmungou minha mãe – vocês davam-se tão bem, eu não entendo. Vocês eram piores que irmãos, qualquer pessoa que vos visse até dizia que era um pequeno casal de namoradinhos. Como é que disso, de crianças tão unidas vocês se transformaram em adolescentes que mais parecem o cão e o gato?
- Acontece que á medida que tu cresces tu começas a abrir os olhos para a realidade. Começas a ver coisas que quando eras pequeno nem fazias ideia que estavam lá ou que existiam. Talvez até de uma grande união em crianças que parecia tão inofensiva aos olhos de outros, trousses se tanto interesse pelo meio – suspirei – e ainda bem que a Selena me abriu os olhos a tempo, porque se não o tivesse feito eu ainda seria amigo daquela interesseira.
- A Selena abriu-te os olhos, ou fechou-os para a realidade? Meu, tu fazes o que bem entenderes mas deixares uma rapariga tomar conta da tua vida como ela faz e ainda por cima dar palpites sobre os teus amigos do passado que ela nem conhecia, é mau demais. E para de parecer um cãozinho bem-mandado ao lado dela, afinal, ela não é nenhuma rainha. Não leves a mal, é só um concelho de irmão – disse Scooter, enquanto me dava algumas palmadinhas nas costas – e elas chegaram, olhem lá.
O meu olhar automaticamente se direcionou ao veículo amarelo acabado de estacionar em frente aquela enorme porta de vidro. Com o olhar acompanhei cada movimento que pudesse lá haver, desde que Sofia saiu com um sorriso radiante e ajudou o motorista a tirar as malas e ela entrou dentro do hotel e logo cumprimentou a minha mãe, até ao momento em que a porta de trás abriu e até ao momento que ela saiu de lá de dentro. Eu não podia negar, ela era linda e estava mais linda desde a última vez que a vi – que foi realmente em 2010, antes de tudo acontecer – mas o brilho no olhar faltava nela. Isso sempre fora algo que eu reparara nela, o brilho no olhar e que ela agora não tem. E foi ao reparar nisso e ao tentar perceber o porquê – e nem eu mesmo sabia o porquê de me estar a preocupar com uma idiota daquelas – que o nosso olhar se cruzou e eu vi o odio e a raiva no olhar dela. Foi aí, que eu percebi que uma guerra tinha começado porque tanto como nela, o meu olhar encheu-se de raiva e ódio mas algo era mais notório. A nossa expressão mostrava algo mais. Saudade.
Narrador.
Depois de uma longa viagem de avião, de uma pequena confusão no aeroporto á chegada e de uma cansativa – porém, pequena – viagem de táxi, Guadalupe e Justin encontravam-se finalmente frente a frente um ao outro. Presos pelo olhar, nenhum deles se atreveu sequer a dar uma palavra ou a mexer um músculo. O táxi podia até já ter partido mas Guadalupe continuava parada, imóvel do lado de fora daquele grande hotel e Justin, continuava no hall de entrada também imóvel a olhar para ela. Todos os outros – Pattie, Sofia e Scooter – observavam atentamente as reações dos dois adolescentes. Embora os 3 esperassem que ambos corressem um para o outro e que se abraçassem e finalmente fizessem as pazes e esquecessem todas as parvoíces que alguma vez pensaram, sabiam que era algo que nunca iria acontecer. E esperaram, em vão. Enquanto isso então, os mesmos continuavam a olhar um para o outro, fixos num olhar. Um olhar que transmitia ódio, raiva, desgosto, nojo e muito mais, mas era um olhar que transmitia algo muito mais importante que tudo isso. Transmitia saudade. Não só a saudade de estarem na presença um do outro, como a saudade de olharem nos olhos um do outro, de saberem que estão perto e naquele tal reencontro, a saudade dos tempos antigos em que eles tão bem se davam.
Guadalupe parece que foi a primeira a despertar para a vida, e finalmente entrou por aquelas grandes portas de vidro caminhando de cabeça erguida em direção a Pattie e Scooter. Apenas um “oi” sem nenhuma emoção e vontade foi dirigido por ela ao seu primo, mas este ainda nada conseguia dizer. Continuava a acompanha-la com o olhar, mas foi quando viu que a mesma olhava para ele de sobrancelha erguida e com um olhar de desdém que a raiva lhe subiu á cabeça. Que todo aquele ódio voltou, e a única coisa que ele conseguiu chegar a fazer foi abraçar a sua tia Sofia e no momento em que se direcionou a Guadalupe apenas proferiu um “Mantem-te longe de mim!” ao que ela respondeu com um sorriso cínico acompanhado por um “Será um prazer”, fazendo com que os três que observavam suspirassem, e afirmassem que os próximos meses, não seriam fáceis.
Notas finais
E é só, espero que gostem. Beijinhos, até ao próximo capitulo!
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