Thorns, Claws and Horns
5 Capítulo 5 - Cassandra

Meus dedos pressionam as cortinas da carruagem com força, enquanto ergo meus olho para vislumbrar a tão famosa Porto Real. Mal posso acreditar que finalmente chegamos.
– Ethan! – Acordo-o com um empurrão. – Nós estamos entrando em Porto Real.
Como sempre, meu irmão parece embriagado de tanto dormir. Ele mal liga para o que estou dizendo e volta a fechar os olhos resmungando.
A medida que nossa carruagem anda, admiro a paisagem de fora, impressionada com as grandes e incríveis construções da mais articulada arquitetura. Assim que adentramos a cidade, milhões de camponeses abrem caminho para passarmos. Todos parecem curiosos com a nossa presença, já que a última vez que minha família esteve aqui foi há muito tempo.
A notícia do casamento entre meu irmão e a princesa Tyrell ainda não foi divulgada oficialmente e para ser sincera, eu não sei nem se a própria princesa sabe do combinado.
Antes de deixar Ponta Tempestade, ouvi uma conversa interessante entre Octavius e meu irmão... Não que eu seja bisbilhoteira, nem nada, e sei que ouvir atrás da porta é uma atitude inaceitável, mas como já mencionei anteriormente, tudo o que vem de Octavius me faz ficar desconfiada.
Enfim, durante a conversa, Octavius contou ao meu irmão que o baile de aniversário da princesa Tyrell, para que praticamente todos os representantes das famílias mais importantes de Westeros foram convidados, não passa de uma armação do rei Tyrell e sua esposa. O principal objetivo do baile é encontrar pretendentes para a princesa. Não faço ideia do porque, mas Octavius e a rainha, Elizabeth Lannister fizeram um pacto para que Ethan já fosse o pretendente escolhido. A rainha prometeu ao nosso tutor, convencer ao rei de arranjá-lo para a princesa. Em resumo, praticamente todos os pretendentes que comparecerão ao baile para tentar conquistar a filha do rei farão isso em vão.
Ethan, num primeiro momento não gostou da ideia, afinal, casar com a princesa significa ter responsabilidades, e Ethan não é nem um pouco responsável. Entretanto, Octavius e seu maldito dom da palavra, conseguiram manipular meu irmão para que ele aceitasse o casamento.
Diante disso, duas questões me assustam pra valer. A primeira: porque é que a rainha Lannister cedeu à persuasão de Octavius em relação ao casamento de sua enteada? A segunda: o que é que vai acontecer comigo depois de Ethan se unir à princesa? Se Octavius é tão interesseiro assim, logo me casará com qualquer um outro que tenha alguma coisa a lhe oferecer. Se eu tivesse ao menos alguma voz nisso tudo...
A carruagem finalmente para diante do grande palácio real, tão grande e explêndido quanto eu havia imaginado. Os criados já nos esperam do lado de fora para nos recepcionar.
Sem mais paciência sobrando, chuto a canela de Ethan com força e ele acorda berrando e resmungando de dor. Reprimo um sorrisinho malicioso quando viro-me para descer da carruagem.
Uma mão estende-se no ar, na minha direção, servindo de apoio para que eu desça, e sem hesitar, eu aceito a gentileza.
– Muito obrigada. – Agradeço sorrindo a quem acaba de me ajudar.
Porém, meu sorriso se desfaz na mesma hora em que eu o reconheço. Fiquei realmente feliz em termos viajado em carruagens separadas, mas parece que agora está de volta para me aborrecer. E com uma expressão de deboche e falsa gentileza habitual, Octavius responde:
– É sempre um prazer ajudá-la, Lady Cassandra.
***
Estou sentada na lustrosa penteadeira esperando até que uma das criadas termine de arrumar os meus cabelos.
O baile de máscaras em comemoração ao aniversário da princesa está prestes a começar e eu confesso estar muito ansiosa. Nunca estive em um baile desse nível antes, repleto de pessoas importantes, luxo e extravagância. Para falar a verdade, nunca estive em um baile longe de Ponta Tempestade antes.
A criada finaliza meu penteado e me ajuda a colocar a máscara, que eu mesma escolhi antes de viajarmos. Ela é preta, decorada com rendas e ônix-preto.
Estou pronta quando decido dar uma última olhada no espelho. Encaro meu reflexo em minha frente e por um segundo, não consigo me reconhecer, e sim, minha mãe, que nos deixou tão nova... Apesar de ter apenas dois anos quando se foi, sinto-me orgulhosa em estar tão parecida com ela.
Uso um vestido de um ombro só, com rendas negras e alguns detalhes em dourado, que me dá um ar de maturidade e faz parecer um pouco mais velha do que realmente sou. Meus lábios estão cobertos por um batom escarlate um pouco mais escuro do que costumo usar, valorizando tanto o vestido, quando minha pele levemente bronzeada.
Diante de minha própria imagem, sorrio, sentindo-me mais bela do que nunca. A criada ao meu lado também sorri com a minha satisfação.
– Está muito bonita, Lady Baratheon.
– Obrigada. – Eu agradeço com gentileza.
***
Bato frenaticamente na porta do quarto de meu irmão, irritada pelo fato de estarmos atrasados. Depois de dois minutos sem nenhuma resposta meu mau humor piora, mas fica extremamente péssimo quando escuto risos e vozes dentro do quarto de Ethan. Vozes de mulher.
– Ethan! – Meio que grito e sussurro ao mesmo tempo, se é que isso é mesmo possível. Se eu estava irritada antes, aquilo não era nada comparado ao meu estado de agora.
A porta finalmente se abre e eu cubro meus olhos evitando ver certas cenas indesejadas, mas para o meu alívio, todos no interior do quarto estão vestidos. Todos, exceto meu irmão, que está deitado em sua enorme cama, coberto pelos lençóis até metade do abdômen.
Cinco prostitutas saem do quarto despedindo-se de Ethan com risinhos e eu tenho de reprimir uma vontade imensa de atacá-las. Eu tenho de contar até dez e respirar fundo para não fazer isso. Simplesmente não consigo entender o que é que meu irmão tem na cabeça! Como é que ele tem a pachorra de trazer cinco prostitutas para o seu quarto dentro do palácio real, sendo que ele é prometido à princesa Tyrell?!
Octavius surge na ponta do corredor, cumprimenta uma das prostitutas com uma apalpada, coisa que me faz querer vomitar, e caminha até mim com um certo ar de desprezo. Adentramos o quarto de meu irmão e fechamos a porta.
Ethan continua deitado em sua estúpida cama com um estúpido sorriso malicioso em seus lábios, despreocupado e pouco se importando se o baile está prestes a começar ou não.
– Ethan, qual é o seu problema?! – Berro, não ligando em parecer uma louca completa. A verdade é que estou louca de raiva, isso sim. – Você quer colocar tudo a perder? E se te pegam com essas prostitutas aqui dentro?! O que vai ser de você? O que vai ser de nós?
Espero que Octavius me defenda, pelo menos uma vez na vida, e concorde que o que meu irmão acabou de fazer foi mesmo bastante arriscado. Entretanto, para que eu o odeie ainda mais, nosso tutor começa a rir. Como se não bastasse, Ethan o imita e eu entro no auge do meu aborrecimento.
– Eu não vejo graça nenhuma. – Murmuro, cruzando meus braços.
– Relaxe, Lady Cassie... – Octavius começa a dizer, mas eu o interrompo.
– Lady Cassandra, para você. – Corrijo-o, ríspida.
– Certo, desculpe-me, Lady Cassandra. – Octavius diz um pouco mais irritado, parecendo ofendido com a minha correção. – O que estou querendo dizer é que eu comprei o silêncio dos criados desse castelo. Ninguém vai dedurar seu irmão ao rei, isso eu te garanto. – Então ele se vira para Ethan e completa. – Eai, garoto? Gostou dos presentinhos?
Meu irmão ri mais uma vez e levanta-se da cama, enrolado com o lençol, do abdômem para baixo. Isso é mais do que suficiente para que eu me vire de costas.
Balanço a cabeça, com indignação e respiro fundo mais uma vez só de imaginar que as prostitutas foram contratadas por Octavius! Justo Octavius, que deveria intruir meu irmão com atitudes sábias e não arriscadas. Sinceramente, parece que quanto eu mais rezo, mais as coisas pioram, e mais sustos eu levo.
– Estamos atrasados, Ethan. – Informo, cansada de suas atitudes irresponsáveis.
– Eu me arrumo em um segundo. – Ele diz, abrindo e batendo as portas do imenso guarda-roupa, atrás de mim. – Fique tranquila, Cassie.
– Esse é o meu garoto. – Octavius dá uma risadinha bem ao meu lado e de repente sinto o sangue ferver de ódio em minhas veias.
***
Adentramos o imenso salão do palácio real de braços dados, eu e Ethan. Octavius anda bem atrás de nós, sorrateiro e silencioso como uma cobra. Ainda estou completamente chateada com a atitude de meu irmão e ele percebe.
– Desculpe pelo estresse que te fiz passar, mais cedo. – Ele diz, parecendo um pouco arrependido. Não por ter se encontrado com as prostitutas e sim por ter me preocupado. – De verdade, Cassie.
– Tudo bem. – Suspiro, caminhando.
Quanto mais adentro o salão, mais maravilhada fico. Não só a decoração do lugar é incrível, mas também as pessoas por aqui, uma mais bonita que a outra e com suas vestes extravagantes.
– Não disse mais cedo, mas você está muito bonita, irmã. – Ethan me elogia, com um sorriso sincero.
– Obrigada, Ethan. Você também está muito bonito. Tenho certeza que conquistará o coração da princesa sem muita dificuldade. – Olho para o meu irmão, sorrindo de volta e desejando em minha mente que tudo dê certo.
Ás vezes fico muito nervosa com Ethan, pelas suas atitudes impensadas, mas no fundo eu o amo. Ele é meu irmão, afinal, minha única família que me restou. Eu torço para que tudo dê certo em sua vida e fico irritada com o que faz porque tudo o que mais quero, é o seu bem.
– Eu também tenho certeza que a conquistarei sem dificuldade, Cassie. – Ethan diz de um jeito convencido e brincalhão e eu não deixo de rir com isso.
Apesar de termos chegado pela tarde, ainda não nos encontramos com nenhum dos membros da família real, fomos apenas recepcionados pelos criados.
Andamos até um canto mais deserto do salão quando a entrada da princesa Tyrell é anunciada, seguido por sons de trompetes e tambores. A multidão é tanta, que mesmo esticando meu pescoço ao máximo, não consigo vê-la entrar.
Depois de todos os aplausos e estardalhaços, Ethan solta-se de mim, anunciando que deseja tomar um ar antes de conversar com a princesa.
– Eu vou em um segundo e volto em outro. – Anuncia. – Octavius lhe fará companhia, irmã.
Mesmo insatisfeita com a informação, balanço a cabeça como se concordasse. Eu preciso tranquilizar meu irmão, afinal, agora é a vez dele de fazer alguma coisa e impressionar a princesa.
– Não se preocupe comigo.
Nos despedimos rapidamente e então Ethan desaparece em meio a multidão, me deixando sozinha com o homem que, provavelmente, mais odeio no mundo.
Decido sair de perto de Octavius o mais rápido possível, mas infelizmente, ele segura um dos meus braços com força, impedindo-me de fugir.
– Posso saber onde é que você vai, Lady Cassandra? – Ele pergunta de forma grosseira e eu dou-lhe uma cotovelada na barriga, fazendo com que me solte.
– Vou me encontrar com alguns antigos amigos de meu pai, se não se importa. – Digo a primeira coisa que vem em minha mente, com uma pontada de ironia em meu tom de voz. A verdade é que eu preciso ficar longe dele.
Octavius sorri maliciosamente com o que digo e balança a cabeça negativamente.
– Na verdade, eu me importo sim, milady. – Diz, fazendo meu estômago se revirar. – Tenho certos planos para você...
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