Thomas Avery.
1 1864 - Thomas Avery e sua dor.
Parecia que um buraco havia se formado em seu corpo...ou melhor dizendo em seu coração, que somente uma vez havia semeado o amor por uma mulher, única e insubstituível...mas, ela se fora...Assim como as esperanças dele de um dia vê-la vestida de branco, dizendo a palavra “sim” direcionada a ele.
A culpa lhe corroía com um veneno, que permeava todos os poros de sua pele, mas, aquilo não doía tanto quanto sua perda...Tudo havia sido culpa dele, culpa de sua ideia covarde e imatura de fugirem para o lugar onde a realidade não os encontraria, em vez de enfrentar a ira de um homem que era forte, mas, não tão forte quanto seu amor por Melinda, sua doce e adorável Melinda, a dona de seus pensamentos, sua alma e seu coração.
Observou mais uma vez a clareira onde se encontravam sempre que podiam e deixou com que uma lágrima escapasse de seus olhos que transbordavam uma mistura de sentimentos confusos e incompreensíveis.
Se perguntava mentalmente se a promessa que eles haviam feito realmente se cumpriria, mas, era tão difícil ter certeza o se questionar por algo nesse momento, que parecia ter se tornado eterno, pois as horas pareciam não querer passar, as lágrimas não pareciam ter vontade de cessar, e a dor tampouco tinha planos de ir embora.
Teve vontade de gritar para que o universo o ouvisse ao se lembrar de quando escutou a prima da moça, a qual nunca tinha visto, dizer com pesar as palavras que marcaram aquele dia tão terrível “Melinda Konstantinova morreu”.
Não! Ele não queria acreditar, ele não podia acreditar que o amor de sua vida ...De sua mera existência nesse mundo, havia partido.
Talvez, pensar que ela teria encontrado uma paz, fosse uma boa forma de consolo, mas, não naquele momento, porque a única coisa que ele queria pensar era quando aquela dor iria embora.
Queria sentir os lábios de Melinda, tocarem os seus, queria ouvir as batidas do seu coração se acelerarem, queria sentir sua respiração e se deliciar com seu cheiro, só queria por míseros segundos escutar o tom doce de sua voz...
O tempo seria suficiente para diminuir todo o sofrimento existente naquele homem que implorava respostas concretas? Ele queria acreditar que depois de um tempo,não sentiria isso...mas, ele sabia que tal coisa não aconteceria, pois assim como seu amor por Melinda era eterno, a dor de perde-la também seria.
Fechou os olhos se concentrando na imagem de sua amada, imaginando se ela havia sofrido muito, e se martirizou por isso.
Ela nunca lhe parecera mais bonita, mais perfeita, do que agora que estava morta...
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