Notas iniciais
Essa fic é um oferecimento da Nat e de uma conversa muito surtada que tivemos em um grupo do whatsapp. Foi assim que o Darlisinho nasceu, e a gente pode provar!

Dentre todas as noites do mês de junho não seria surpresa para ninguém se o filho de Elisabeta Benedito Williamson escolhesse nascer justamente na única noite em que os pais estavam sozinhos na Fazenda Ouro Verde. Uma noite solitária e chuvosa. Bastante chuvosa. A criança era mesmo teimosa e decidida, como a mãe. Mas, parando para pensar, de certo modo, era simbólico o nascimento na chuva. Seria mais um acontecimento grandioso na vida dos Williamson marcado pela chuva, assim como o pedido de casamento e a reservada cerimônia.

Darcy Williamson andava nervoso de um lado para o outro, e Elisabeta tinha certeza de que a qualquer momento o marido acabaria por criar um buraco no chão do quarto do casal.

— Darcy, meu amor, tenha calma! — Elisabeta pedia entre risos.

— Elisa, você tem certeza de que é agora? Está me parecendo calma demais para quem está em trabalho de parto. Está rindo! Você quer me enlouquecer, mulher! — Começou a desabotoar a camisa, as mangas já estavam erguidas faz tempo. — Meu Deus, essa chuva toda lá fora e esse calor dentro desse quarto!

Elisabeta continuava a sorrir, mesmo com as contrações insistindo em se fazerem presentes. Darcy era sempre tão calmo, poucas vezes viu o marido perder a cabeça, e ali estava ele, quase tendo uma síncope.

— Meu amor, venha cá. Segure minha mão.

— Onde eu estava com a cabeça quando deixei você me convencer de que seria uma boa ideia liberar todo mundo para as festas da cidade com você nesse estado? Festa aliás que já deveria ter acabado por conta dessa chuva!

— Você está aqui comigo, é o que importa.

— Mas não há ninguém, absolutamente ninguém, para chamar o doutor Jônatas. Ou sua mãe. Ou qualquer outra pessoa que saiba o que fazer. Porque eu claramente não sei.

— Ai! — Elisabeta estava tentando ser forte, reclamar de dor só deixaria Darcy ainda mais fora de si, mas a contração veio forte e sem aviso e ela não conseguiu conter o gemido.

— O que foi? Ele está nascendo? Meu Deus, Elisa, o que eu faço? Eu não acredito que deixamos Rômulo sair da cidade antes do nascimento do nosso filho. Eu bem que queria trazê-lo para passar o último mês aqui e você não deixou. Ele está demitido do cargo de tio, que falta de consideração!

— Claro que não deixei, Darcy, pois foi a ideia mais descabida que você já teve na vida. Rômulo é pai de família, tem um emprego, não podia simplesmente passar um mês esperando o filho do lorde Williamson precisar dele.

— Pois deveria!

Em meio as dores das contrações, que agora estavam mais frequentes e em um intervalo menor de tempo, Elisa não podia deixar de sorrir do nervosismo de Darcy.

— Meu amor, com certeza ainda tem alguém pela fazenda. Vá procurar alguém e peça para chamar mamãe.

— E deixar você sozinha? E se meu filho decidir nascer e eu não estiver aqui para vê-lo?

— Eu não vou deixar ele nascer sem o pai por perto. Você sabe que eu sempre consigo o que quero, e essa criança precisa aprender desde cedo quem é que manda nessa família. Vá, nós vamos ficar bem aqui lhe esperando.

Darcy estava receoso em sair daquele quarto. Não queria perder nenhum segundo do que seria o momento mais incrível da sua vida, mas precisava de ajuda. E, mais importante do que isso, precisava avisar Dona Ofélia. Sua sogra jamais perdoaria ser deixada de fora do nascimento do neto. Darcy caminhou até a esposa e a beijou, depositando um carinho em seu rosto.

— Eu volto já, meu amor.

O marido de Elisabeta procurou em todos os cômodos da casa por alguém, e pela primeira vez se questionou se realmente uma casa precisava de tantos cômodos. Meu Deus, eram portas e mais portas, e ninguém atrás delas. Foi somente nos estábulos que Darcy conseguiu encontrar um funcionário. Tadeu ficou preocupado com Tornado naquela chuva e foi se certificar de que o animal estava bem protegido. Darcy estava encharcado, mas não resistiu em abraçar o homem, tamanho era seu alívio.

— Graças a Deus você está aqui, Tadeu. Preciso que corra na casa dos Benedito e avise a dona Ofélia e Seu Felisberto que o neto deles está nascendo. Bata na porta quantas vezes forem necessárias, invada a casa se preciso for. Mas, por Deus, não deixe minha sogra sem essa notícia ou meu filho nascerá sem pai. Sinto muito que você tenha que enfrentar essa chuva, mas é realmente urgente.

O homem saiu de prontidão, sem nem pensar duas vezes. Montou em um dos cavalos, sem sela mesmo e se dirigiu para a casa dos Benedito.

Darcy voltou ansioso para o quarto. Estava todo molhado, a camisa grudava em seu corpo e gotas de água escorriam dos seus cabelos. Elisabeta não conseguiu desfazer a expressão de dor a tempo, o que fez com que o marido corresse imediatamente em sua direção, se ajoelhando ao lado da cama e acariciando meus cabelos.

— Mandei avisar sua mãe. A qualquer momento o furacão Ofélia Benedito passará por essa porta. Espero que ela seja rápida,porque eu estou louco sem saber o que fazer.

— Pois faça. Nosso filho vai nascer, Darcy. E é agora. Eu não consigo mais segurá-lo. Essa criança é teimosa demais.

— Nem imagino a quem ela puxou. — As lágrimas já começavam a se formar nos olhos de Darcy. Ele estava emocionado, ansioso, e ao mesmo tempo morrendo de medo. — Eu conversei tanto com Rômulo, fiz o possível para me preparar para esse momento, mas aqui estou eu, completamente apavorado. Força, meu amor, vamos trazer nosso bebê ao mundo.

***

Quando Ofélia e Felisberto Benedito passaram pela porta da Fazenda Ouro Verde um choro agudo pôde ser ouvido. O coração dos dois imediatamente se encheu de amor, e seus olhos de lágrimas.

A visão que os pais de Elisabeta contemplaram ao abrir a porta do quarto do casal só não era mais bonita que a cena vislumbrada pela própria senhora Williamson. Ofélia e Felisberto viam seu mais novo netinho, mais um membro da nova geração de Beneditininhos que estava se formando, e ele era lindo. Mas o que Elisabeta enxergava era muito maior. Diante dos olhos molhados de lágrimas de Elisa estavam os amores de sua vida, os dois homens que a mudaram por inteiro. Ali, na sua frente, ela contemplava o mundo que sempre sonhou em conquistar. A visão de Darcy, todo molhado, as mãos ensanguentadas, segurando o fruto do amor mais puro e verdadeiro que ela conhecia, o filho que ele mesmo tinha ajudado a nascer, pelas suas próprias mãos, era tudo de mais perfeito que poderia existir. E naquele momento Elisabeta se sentiu completa. Nenhum dos seus sonhos jamais alcançaria aquela realidade diante dela.

Darcy estava completamente imerso em um mundo próprio, um mundo em que ele finalmente era pai. Um mundo em que ele finalmente possuía uma família. Ali, em seus braços, estava a coisinha pequena e mais linda que ele já havia visto na vida. E era uma mistura dele e Elisabeta. Uma mistura perfeita do dedinho do pé minúsculo até o último dos fios de cabelo loiro do seu bebê. Todas as vezes em que Darcy achou ser o momento mais feliz de sua vida Elisabeta mostrava que sempre poderia haver outro momento mais feliz ainda. E aquele era o seu momento mais feliz da vida agora. E ele soube que aquele era o começo de uma sequência de dias mais felizes da vida, porque a cada dia ele descobriria um amor maior por Elisa e seu bebê.

O mundo inteiro pareceu parar por aqueles poucos minutos em que todos admiravam o pequeno Benedito Williamson de olhinhos verdes e chorinho contido.

Felisberto caminhou até a filha e sorriu para sua menina, beijando sua testa. Ele estava tão orgulhoso de sua jóia. Ela era tão forte. E ele tinha certeza de que ela seria uma mãe incrível, afinal tinha um grande exemplo dentro de casa.

Ofélia estava hipnotizada pelo neto, seu dedo preso à pequena mãozinha dele. Os olhos cheios de lágrimas e o sorriso de gratidão dirigido a Darcy. Ela sempre achou que sua missão na Terra estaria completa ao casar as cinco filhas, mas a cada neto que nascia ela tinha a certeza de que sua missão ainda estava apenas começando. Beijou a cabecinha do neto e o rosto do genro e foi até sua filha. Ofélia podia jurar que havia uma luz emanando de Elisabeta, e naquele momento ela sentiu ainda mais orgulho de sua primogênita.

— O meu netinho é tão lindo! Eu sou a avó mais feliz de todo o Vale do Café. Obrigada, meu bem.

— Eu te amo, mamãe. Agora é minha hora de colocar em prática tudo que aprendi com a senhora nesses anos. Nosso Thomas é um menino de muita sorte.

Foi só quando ouviu o nome do filho que Darcy acordou do transe. As lágrimas não paravam de escorrer e Elisabeta tinha certeza de que aquele, entre todos os sorrisos do marido, era o mais bonito. E ali se apaixonou perdidamente por ele mais uma vez.

Darcy caminhou com o bebê no colo e sentou-se ao lado de Elisa na cama, lhe entregando o filho. Beijou a testa da esposa, arrumou seus cabelos e acariciou seu rosto. O olhar de Darcy era mais apaixonado do que nunca.

— É a criança mais linda do mundo. Obrigado, obrigado, obrigado! Você acaba de me fazer o homem mais completo, realizado e apaixonado de todo o universo. Eu te amo tanto, Elisabeta Benedito Williamson. Tanto. E amo nosso filho, amo nosso Thomas. E amo todos os filhos que ainda teremos. Estou pronto para segurar todos os filhos que vierem dessa sua força que me motiva cada dia a ser um homem melhor.

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