Notas iniciais
Olá, maravilhosos da internet! Cá estou eu para mais um capítulo dessa bela fanfic! Queria agradecer a quem colocou essa fanfic nos acompanhamentos e quem comentou no capítulo passado. Logo, muito, muito obrigada Victória Rusher e Miss Red ♥ Espero que gostem desse capítulo o/

Anos de observação haviam condicionado Matilda Schuyler a lidar com essa situação. Mesmo antes do jornal, ela aprendera a decifrar garotos como Scorpius Malfoy sem mesmo ter o conhecido.

Era simples para quem sempre foi invisível para a maioria das pessoas, fazer o que ela fez.

Matilda iria seguir diferentes alunos da forma mais discreta possível, silenciosa e cuidadosa, e iria fazer diferentes anotações em um caderninho que hoje ela mantém numa gaveta. A garota criara listas de categorias, baseadas nesta ou aquela teoria psicológica.

Era o único modo de alguém como ela conseguir sobreviver em Hogwarts.

A categoria mais básica abrangia todos os Extrovertidos, se fôssemos simplificar. Sempre em busca de ação, de algo mais novo, mais excitante, mais especial que o anterior.

Mais, mais, mais.

Obviamente, mais da metade dos alunos de Hogwarts se encaixava aí. No fazer primeiro e pensar depois, de viver e acontecer como se não houvesse nada a perder. Nem dinheiro, nem dignidade, nem o puro bom senso conseguia os frear até conseguirem o que desejam.

E não havia distinção de casa, por mais que o estereótipo dite padrões de comportamento. Infelizmente, humanos sempre foram seres complexos que não gostavam de permanecer em uma só caixinha;

Exatamente por não existirem limites para a ganância é que Scorpius Malfoy é a exemplificação perfeita dessa categoria.

Era a terceira vez só naquele mês. O sonserino parecia ter um estoque interminável de planos mirabolantes, já que a cada não, em duas semanas no máximo ele já estava de volta com uma proposta que aparentemente traria mais visibilidade, mais leitores, mais credibilidade para o jornal. E cada vez com mais urgência, mais charme, mais dinheiro para convencê-los.

Mais, sempre mais.

Afinal de contas, mais sempre foi a melhor opção.

— Não, não, — Scorpius interrompeu Matilda antes mesmo de a garota abrir a boca, e andou com postura ainda impecável até a mesa dela, colocando a pasta de papel virada para a corvina — por favor, leia.

Matilda olhou a pasta, olhou para Scorpius, levantou a sobrancelha para Alex e voltou os olhos para a pasta na mesa quando o garoto deu de ombros, tão curioso quanto ela.

Com uma das sobrancelhas arqueadas, ela pegou a pasta cuidadosamente, abrindo-a, e a outra sobrancelha também se levantou.

Não havia nenhuma capa elaborada, mas sim um sumário com tópicos e mais tópicos que aparentemente seriam tratados nas páginas do que parecia muito mais uma pesquisa acadêmica do que um contrato.

Prós e contras, sessões detalhando cada coluna do jornal, um hipergráfico explicando o processo gradual de mudança. Matilda balançou a cabeça de um lado para o outro, atordoada, e virou a página. Gráficos. Gráficos verdes e vermelhos que indicavam popularidade, credibilidade e arrecadação do jornal, projetados para o futuro ano a ano.

Matilda colocou a pasta de volta na mesa. O garoto Malfoy parecia realmente estar levando aquilo a sério.

— Não cobramos pelo jornal, Malfoy, sabe disso.

Ele balançou a cabeça como se avaliasse o que fora dito pela editora-chefe do jornal e lançou um sorriso de 120 megawatts para ela e para o parceiro de casa, que parecia ler o plano de ação na pasta com muito cuidado.

— Sim, de fato, — ele concedeu, — mas pense bem, Schuyler. A sua maquinaria parece bem antiga, não? Eu bem sei que você se comunica com uma das editoras do Profeta Diário, aquela que já foi aluna daqui, então claramente você ouviu falar das novas impressoras que eles têm.

Era um golpe baixo, se Matilda estivesse sendo pessoalmente sincera. O jornal era o bebê dela, e como qualquer mãe, ela queria tudo do bom e do melhor pra ele. E sim, ela sabia muito bem das novidades do Profeta Diário, fazendo com que lidar com as velharias anciãs cedidas pelos funcionários da escola fosse só um pouco mais deprimente que o normal.

Ela piscou duas vezes e aprumou a postura.

Ainda assim, ela não se deixaria ceder por causa desse tipo baixo de manipulação.

Ela era uma Schuyler, estava acostumada com muito mais que isso.

— O que você quer, Scorpius?

— Eu quero que você leia o meu projeto e me dê uma resposta.

Os dedos dela batucavam na mesa de madeira, num padrão que parecia não fazer sentido. Ela olhou de relance para Alex, que mantinha o mesmo olhar contido enquanto continuava lendo o projeto.

Matilda apertou os lábios.

— É muita coisa, Malfoy.

Ele estava pronto para esse tipo de negação, obviamente. Com displicência, ele abriu o botão do blazer verde — Matilda evitava olhar diretamente para aquela monstruosidade que fazia os olhos arderem de tão berrante que era — e pegou uma bolsa de moedas, jogando-a na mesa com o satisfatório clink das peças de ouro se chocando lá dentro.

— Isso não é problema. Esse dinheiro é apenas uma parte do que eu posso oferecer.

Alex começou a virar as páginas, lendo título após título, tentando compreender exatamente o que estava acontecendo. Matilda, por sua vez, olhava para a bolsa de dinheiro com desgosto pouco escondido pela expressão no rosto dela.

— Passatempos, coluna social… Scorpius, você tem consciência de que isso não é o Profeta Diário, certo?

— Sim! — O loiro estava realmente determinado, uma luz maníaca parecia se acender nos olhos dele — Mas as pessoas querem mudança, elas querem algo novo no jornal! Elas querem participar também, algo além desses anúncios dignos apenas de um informe no quadro de notícias.

— Você quer dizer fofoca? Boatos? Um grande artigo escrito por Rita Skeeter, sem verdade alguma? — Matilda tinha as mãos fechadas em punho.

— Não, mas eles querem mais, um diferencial. Querem participar mais ativamente.

Matilda suspirou.

— Scorpius, você não lê o jornal, não gosta das pessoas daqui, por que é que você continua com essas propostas?

Ambas as mãos na mesa, ele deu um suspiro miserável e olhou para a corvina com olhos cinza e cansados.

— Por favor, — definitivamente não era todo dia que Scorpius pedia qualquer coisa com educação — só... Leia a proposta.

— Eu não posso simplesmente aceitar, você sabe. O jornal não é casa de caridade.

— Oh, e o que foi aquilo que eu ouvi sobre você ajudando o Potter?

Matilda olhou para ele com olhos estreitos e cenho cada vez mais franzido.

— Como você sabe disso?

— As notícias correm rápidas por aqui.

— Ele tinha acabado de sair daqui.

— Muito rápido. — reiterou Scorpius, cruzando os braços. — Matilda, olha, por favor, ao menos leia o que e-

A porta voou aberta, e um flash de vermelho entrou com velocidade alarmante na salinha. Era Rose. E ela estava furiosa.

— Nós não vamos aceitar nenhum tipo de proposta que venha de você, Malfoy!

— Olha só, princesinha, mal chegou e já quer sentar na janelinha? Como você descobriu que eu estava aqui?

— As notícias correm rápidas por aqui.

Matilda levantou da cadeira, com a pasta entregue por Scorpius em uma das mãos. Levantou uma sobrancelha, deu a volta na mesa e encarou Rose de frente.

— Vamos ter calma, sim? Ninguém pode decidir nada sem consultar os outros.

A Weasley flexionou o maxilar e olhou para a Schuyler com a expressão mais irritada que ela conseguiu fazer.

— Você não pode estar realmente considerando a proposta dele!

— Talvez eu esteja, Rose. Mas eu preciso lê-la primeiramente, e eu preciso discutir isso com as outras pessoas do jornal. Eu não decido tudo sozinha, e nem você.

Fechando a pasta com um snap que ecoou pelo cômodo subitamente silencioso, Matilda virou-se para encarar Scorpius, que tinha um sorriso presunçoso nos lábios.

— Eu não aceitei nada, Malfoy, pode tirar esse sorrisinho do rosto.

— Acho que não, cara Schuyler. Esse sorriso ficará no meu rosto apenas pela cara de limão azedo da Weasley.

E realmente, o rosto de Rose tinha se retraído inteiramente em sua fúria. Cenhos franzidos e lábios retraídos, ela encarava o loiro com desdém.

E realmente, o rosto de Rose tinha se retraído inteiramente em sua fúria. Cenhos franzidos e lábios retraídos, ela encarava o loiro com desdém.

Ele sorriu novamente, aprumou a postura e ajeitou a gravata verde e prata do uniforme antes de recolher a bolsa cheia de dinheiro.

— Voltarei no fim da semana para receber a resposta. Até lá, adieu.

Com uma mesura para Rose e Matilda, sem deixar sequer um espaço para argumentos, ele saiu de cabeça erguida, deixando a porta bater com um inaudível click.

— Rose…

— Você não pode! É um Malfoy!

— Vamos todos nos acalmar, — pediu Alex, diplomaticamente — não é hora para esse tipo de discussão, ainda temos muito que fazer se quisermos ter a próxima edição pronta até amanhã.

— Sim, claro. — Concordou Rose, seguindo até a própria mesa — Mas não pensem que isso vai ficar assim.

— Obviamente não irá, — resmungou Matilda, antes de completar, numa voz mais alta — e o seu primo veio aqui pedir ajuda. O Potter do meio.

— O que?! — Exclamou Rose

— Exatamente. E eu estou pensando em ajudá-lo.

Notas finais
Se você gostou desse capítulo, deixe o seu comentário, coloca a fanfic nos acompanhamentos e se você gostou mesmo, pra caramba, de verdade, deixa um favorito ^-^ Beijos e até a próxima!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.