This is the life
1 I. Jabá
Notas iniciais
Há sete anos eu descobri o mundo das fanfics, e a primeira que eu escrevi foi de Harry Potter. Hoje, após uma lista de fracassos e anos depois, resolvi voltar a me aventurar por essas bandas. Espero que gostem!
Enjoy ^-^
Albus Potter sabia o que estava fazendo. Por mais que não fosse particularmente dotado na área de confrontos diretos, pela primeira vez ele tinha segurança no que estava fazendo. Provavelmente.
Logo, ia caminhando pelos corredores de cabeça erguida e peito estufado, à procura da torre da Corvinal, onde — possivelmente, se ele tivesse muita sorte — encontraria os gêmeos e diria para eles, com muita convicção, que não iria precisar da ajuda, mas que agradecia mesmo assim.
O garoto contornou a massa de alunos que sempre pareciam estar transitando por essa parte e passou pelas salas de aula, parando de frente para a entrada para a torre.
De cenho franzido e ombros murchando, contemplou as escadas como se elas fossem uma das 7 Maravilhas do Mundo Mágico. Piscou três vezes, ajeitou a gravata imaculada e piscou de novo.
A torre da Corvinal ficava bem no alto. Isso era um problema sério. Não pelas escadas tortuosas que ele teria que subir, mas pelo fato de que o caminho era bem propício para que ele pensasse bem no que iria fazer.
Subiu o primeiro degrau e então o segundo. De repente ele não tinha tanta certeza assim de como recusaria a ajuda dos gêmeos. Sem James e com a maior parte dos parentes que lhe restavam na escola o ignorando (algo sobre o poder da amizade não ser uma forma viável de fonte de energia), os Scamander eram dois dos poucos amigos que Albus ainda tinha.
Mais um degrau e Lorcan e Lysander surgiram na frente do menino Potter, que olhava para o chão e não vira os dois saírem de uma porta escondida.
— De onde vocês surgiram? — ofegou Albus, descendo um degrau para não bater a cara em nenhum dos dois.
— Daquela porta ali. — disse Lysander, apontando para uma parede coberta por um tapete azul e bronze.
— Ela fica escondida debaixo daquilo. — esclareceu Lorcan, vendo a confusão do Potter.
— Ok, hm... — agora que estava finalmente encarando os dois, Albus parecia ter esquecido tudo que queria dizer. — Eu... Hm, eu preciso falar com vocês.
Os meninos balançaram a cabeça na afirmativa e olharam para o lufano, esperando.
Albus piscou duas vezes e limpou a garganta.
Dois primeiro-anistas passaram correndo por eles e tropeçaram.
— Então, sobre o que você quer falar com a gente? — perguntou Lorcan.
— Oh, é sobre aquele oferecimento de ajuda, sabe? Sobre a minha "imagem pública"?
— Ah, sim! — exclamou Lysander, abrindo um sorriso de 220 megawatts. — Eu fico feliz que você tenha aceitado o que te propomos.
Albus engoliu em seco. Não era nada disso, mas eles pareciam tão felizes com a notícia que não protestou quando os dois o escoltaram para dentro do tapete na parede.
Era maior por dentro, ele pôde logo perceber. Gigante, de fato. Papeis voavam pelo ar, de um lado para o outro, sendo dobrados, cortados, movidos de pilha em pilha. Mesas espalhadas pelo recinto cheias de penas e tinta derramada, pessoas trabalhando sem parar nem para olhar quem é que entrara na sala, checando papeis e arrumando máquinas que cuspiam cópias e mais cópias do conteúdo que parecia pertencer a um dos grupos extraclasse e... Oh. Oh.
Sabia onde estava: era o “departamento de imprensa” de Hogwarts, responsável pelos avisos e pelo jornal semanal da escola. Logo, tinha alguma noção básica sobre a pessoa para quem estava sendo levado.
E enquanto não a conhecia, exatamente, já tinha ouvido falar dela. E isso era o bastante.
Os gêmeos o guiaram pelas mesas e pessoas, até pararem na frente de um cubículo minúsculo no cantinho da sala. O nome na plaquinha reluzia como se fosse feito de metal.
— Matilda ‘Chuiler’? — leu Albus, voltando a franzir o cenho.
— Lê-se Skailer, — Albus virou-se e deu de cara com uma garota de vestes azuis e cabelos muito curtos. — e você deve ser o Potter do meio.
Matilda Schuyler era supostamente mais alta do que a garota baixinha que estava na frente dele. E pelo que Albus escutara falar, a coordenadora da imprensa de Hogwarts também era loira, tinha um cabelão e era da Sonserina.
É correto dizer que Albus não sabia de muita coisa.
Para ser bem sincero, a suposta descrição da garota era muito mais condizente com uma das primas dele, ele concluiu, deixando o rosto se contrair em uma careta.
De alguma forma — pelo cenho franzido, os olhos arregalados ou o sorriso sabor chuchu no rosto dele — a garota da corvinal aparentemente adivinhou a confusão do lufano e sorriu para ele:
— Vejo que ouviu falar de mim. E como pode ver, não sou exatamente do jeito que sou descrita, já peço desculpas em antecedência por isso.
Ela fez uma mesura e os gêmeos soltaram risadinhas envergonhadas, enquanto o sorriso chuchu de Albus continuava ali. Ele deu uma cotovelada nos gêmeos e continuou sorrindo, sentindo a ponta das próprias orelhas arderem em chamas.
— Vocês estão precisando de mim para alguma coisa ou eu posso…? — Ela indicou a mesa e levantou uma sobrancelha para os três que estavam parados no meio do caminho.
Como uma máquina bem calibrada, os três deram alguns passos para a esquerda, desbloqueando a passagem, mas não se moveram além disso. Suspirando, Matilda se jogou na própria cadeira e encarou os dois Scamander:
— O que querem?
Agradecidos, Lysander e Lorcan empurraram Albus com um floreiro até ele parar de frente para a mesa, com o sorriso falso ainda dolorosamente plantado no rosto.
— Ele precisa da nossa ajuda.
Olhando de um gêmeo para outro, ela se recostou na cadeira e passou a observar o Potter com olhos clínicos.
Matilda sabia quem ele era, obviamente. Por mais ferrada que a fama dele fosse, o garoto ainda era um Potter. Filho do salvador do mundo mágico, irmão mais novo de James Sirius fucking Potter, que fora considerado pelos alunos, professores, elfos domésticos e quadros como Maior Dor de Cabeça™ desde o original James Potter (afinal de contas, os gêmeos Weasley nunca explodiram nada, e nem colocaram nada na comida de nenhum professor).
Ainda assim, uma incógnita. A família dele tinha uma reputação, que fora justificada diversas vezes por quase todos os outros membros que passaram por Hogwarts. Com exceção de Albus S. (e o “S”, de todos os mistérios da escola, era um dos mais latentes, já que nunca fora revelado para ninguém o que era o “S”) Potter. Primeiro lufano em muito tempo, mais parecia um cachorrinho caído da mudança do que um adolescente que deveria estar fritando com todos os tipos de hormônios e botando tudo para foder somente porque era filho do Menino-Que-Sobreviveu.
— Ajuda de que tipo exatamente? Participar do jornal? — Albus piscou lentamente duas vezes, sem saber exatamente o que dizer — Tudo bem, bastante gente procura nosso departamento pra ter o grupo de extraclasse no histórico, não tem problema.
Ela abriu uma gaveta e tirou uma pasta de lá, pegando a primeira folha de pergaminho e oferecendo-a para o garoto.
— Não, não, — interrompeu Albus, negando o papel entregue a ele, — por mais que venha em boa hora, não é esse tipo de ajuda.
— Não?
— Não.
A porta se abriu, permitindo que os sons do lado de fora ficassem mais altos. Um sonserino que Albus vira algumas vezes nos jogos de Quadribol entrou na sala com uma pilha de papéis nas mãos. Matilda não pareceu se importar e cumprimentou o garoto com um aceno de cabeça, voltando a olhar para o Potter.
— Então, qual tipo de ajuda que você precisa?
Albus abriu a boca diversas vezes para falar, mas nenhum som saía, as palavras simplesmente não vinham. Afinal de contas, ele não via nada de errado com si próprio, mas todas as outras pessoas viam. Logo, ele não sabia exatamente como explicar o que estava acontecendo.
No final, quem respondeu para ele foram os gêmeos.
— Nosso amigo aqui, cara Mattie, — começou Lorcan, colocando a mão no ombro da corvinal — está passando por alguns problemas relacionados a popularidade dele com... Todo o resto de Hogwarts.
— E nós, — continuou Lysander, passando a mão pelo outro ombro dela — na condição de únicos amigos que ele tem, achamos que você é a pessoa mais indicada para ajudá-lo.
Matilda levantou os ombros, retirando as mãos dos Scamander de lá, e olhou para eles com os olhos semicerrados.
— Primeiro: não me chamem de Mattie; segundo: não encostem em mim sem meu consentimento; e terceiro: sério, vocês querem que eu o ajude?!
— Não você, exatamente. Mas nós aqui do jornal em geral.
— Tá, como?
— Ficamos felizes que tenha perguntado. — A sincronia dos irmãos nunca deixara de impressionar Matilda, seja na hora de falar ou de fazer qualquer tipo de atividade, era como se fossem uma só mente dividida em dois corpos — É bem simples, nós iríamos apenas citar coisas sobre o nosso Albus de uma forma que pudesse vir a favorecê-lo com os outros alunos, sabe?
Uma pausa.
— Vocês querem dizer jabá?
— Não! Não é uma propaganda, é mais um apoio à imagem dele, é uma-
— Propaganda. — A garota os interrompeu novamente, balançando a cabeça, e se calou.
Olhando para Albus de forma intensa, ela deixou uma pausa pairar no ar durante vários segundos, e o garoto sonserino de antes vem carregando uma pilha de pastas para a mesa de Matilda, permanecendo ao lado dos gêmeos.
— Albus, — chamou a garota, e os olhos dele voaram para o rosto indecifrável dela — você tem consciência do que está sendo proposto aqui, certo?
Ele concordou com a cabeça, fazendo seu cabelo balançar para todos os lados, parou e ao invés disso negou com a cabeça.
Ela fez mais uma pausa, como se contemplasse algo, suspirando pesadamente, mas sem tirar os olhos do lufano na frente dela. Finalmente, ela levantou da cadeira, com as mãos na cintura.
— Eu não posso concordar com nada até falar com o resto do pessoal, — esclareceu Matilda para Albus e os gêmeos — e eu certamente não estou dizendo que eu concordo com qualquer parte do que os Scamander estão claramente planejando, mas eu vou falar com o pessoal e então lhe comunicaremos, tudo bem?
Ele concordou com a cabeça novamente e ofereceu a mão para a Schuyler, que parecia olhar o membro como se fosse um animal exótico, por fim, o garoto acabou por enfiar a mão no bolso e ofereceu um sorriso chuchu para a corvinal, que sorriu de volta.
— É melhor eu ir. — Decidiu o Potter após ficar parado sem reação alguma por quase dois minutos.
Matilda concordou com a cabeça.
— Nós vamos junto. — Novamente, sincronizados, os gêmeos se pronunciaram, dando ré para junto de Albus, com sorrisinhos muito similares no rosto.
O silêncio finalmente reinou na mesa de Matilda, enquanto todos os outros continuavam fazendo o próprio trabalho da mesma forma, sem terem percebido nada. Matilda olhou para o sonserino, rolou os olhos cruzou os braços.
— Mattie?
— Sim, Alex. — ela olhou para o colega editor.
— Rose vai definitivamente ficar sabendo disso.
— Sim, ela vai.
Uma pausa grávida, da porta fechada, eles ouviram passos decididos subindo a escada.
— Cinco.
— Quatro.
— Três.
— Dois.
— Um. — Eles terminaram juntos e olharam para a porta.
A porta se abriu, revelando uma figura alta, confiante e que olhava para eles com displicência. Os dois que esperavam a entrada de Rose Weasley marchando pela sala estavam completamente embasbacados.
Era Scorpius Malfoy. Sorrindo. Com uma pasta na mão e usando um terno verde abacate.
Matilda suspirou e Alex grunhiu.
— De novo não.
Notas finais
Beijos e até a próxima!
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