This is from Matilda

5 Capítulo 4 - Inquebrável


"And i will die all alone, and when i arrive i won't know anyone"

O plano parecia não ter nada para dar errado. Depois de descobrir que, sim, fantasmas podem dormir (quem diria?), Nico e Matilda já repassavam o que iriam fazer pela terceira vez.

— Certo, já entendi — Repetiu Matilda, revirando os olhos e tentando controlar as mãos de Nico, que faziam gestos grandes com as mãos, batendo em tudo a sua volta enquanto falava.

Um barulho de "clique" os interrompeu. Nico parou por um segundo e logo se jogou atrás de um arbusto, bem na hora em que um homem alto de cabelos grisalhos abria a porta branca da casa.

Matilda apertou os olhos, então andou até seu pai, ficando frente a frente com ele. Seu olhar azul cansado fitou através dela, para o outro lado da rua, e Nico sentiu um frio na barriga como se o homem tivesse o visto.

Ela olhou para ele, dando o sinal de que entraria na casa. Como se já não fosse estranho o bastante, ela teve que passar por dentro de seu pai — atravessando-o para passar pela porta da frente.

— Isso foi a coisa mais estranha que eu já fiz na minha vida — Nico pôde ouvir as reclamações da menina de dentro da casa. — Tem papel para todo lado! — Ela gritou.

Nico esperou talvez uma hora. Sentou-se na calçada, o cabelo negro esvoaçando com o vento e cobrindo seus olhos de vez em quando. Seu rosto já estava rosado pelo frio quando Matilda decidiu sair da casa. Teve, de novo, que esperar que alguém abrisse a porta, já que só podia andar atráves de pessoas, aparentemente.

Passou pela entrada da porta e saiu correndo como se estivesse fugindo de algo, descendo as escadas da varanda e jogando-se atrás do arbusto onde Nico estava escondido. Ele esperava curioso para saber o que tinha conseguido descobrir.

Mas para a surpresa do filho de Hades, tudo o que ela fez foi sentar na calçada onde estavam mais cedo, quase que caindo de joelhos em sua frente enquanto soluçava, escondendo o rosto nas mãos.

— Matilda? — Perguntou, ajoelhando-se sem saber o que fazer. — Ei, o que você viu?

— Ele — Ela gaguejou. — Ele está lá, Nico! Sentado na cozinha, conversando com minha mãe! E eu me lembrei... n-no momento em que coloquei meus olhos nele.

— Ele quem?

— Meu primo Andy — Ela disse, respirando fundo e limpando o rosto molhado com as mãos trêmulas — Você estava certo, Nico. Eu não estou morta ainda.

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— Ele é nojento — Disse ela, enquanto os dois andavam pelas ruas mais silenciosas e escuras que Nico já tinha visto por ali.

Ele não sabia o que dizer. O que Matilda tinha contado a ele era simplesmente horrível. Não sabia como ela ainda não estava morta. Não sabia como alguém poderia ter feito aquilo.

— Não se preocupe — Nico disse, pensando se deveria tocar o ombro da menina ou algo assim.

Nico não gostava de contato físico, nem um pouco. E embora ela parecesse precisar de algum conforto, ele não tinha ideia de como fazer alguém sentir-se melhor.

— Vamos levar seu corpo até o hospital então, quando você melhorar, você conta à policia sobre Andy.

Ela riu tristemente, olhando para Nico pelo canto dos olhos e balançando a cabeça, como se fosse uma ideia ridícula.

— E como vamos fazer para que não desconfiem de você? — Perguntou, levantando as sobrancelhas.

Era uma boa pergunta. Um cara estranho simplesmente leva um corpo quase morto à um hospital e afirma que não é o culpado. Ainda mais, Matilda estava sendo procurada — seus pais não iriam aceitar qualquer tipo de desculpa. Iriam contratar detetives e iriam conseguir prender qualquer um que fosse suspeito.

Não que Nico tivesse problemas em escapar da prisão ou coisa assim, mas não queria virar um fugitivo da polícia. Problemas de mais para alguém que já tem que ficar correndo de monstros o tempo inteiro.

— Eu digo que ouvi você gemer e desci no esgoto para ver o que tinha lá? — Sugeriu, antes de pensar numa ideia melhor.

Ela começou a rir, então riu mais alto, escondendo o rosto nas mãos como se fosse passar mal e desmaiar de tanto rir. Nico olhou para os lados completamente confuso, procurando por alguma explicação para aquilo.

— Isso soou muito mal, Nico — Explicou, ainda rindo.

Ele fez uma careta em resposta, entendo o duplo sentido de sua frase. Pelo menos ela não estava mais tão triste, então de um jeito ou de outro — mesmo que de um jeito bem idiota — ele havia conseguido confortar ela, talvez.

–— Tanto faz — Apontou para o chão. — É esse, não é?

Matilda olhou para a tampa de ferro no chão. Acentiu, batendo o pé três vezes e ouvindo o barulho estranho que fazia.

— Estou bem aqui embaixo, não vamos precisar andar muito.

Ele concordou em ser o primeiro a descer, já que na verdade, nenhum dos dois queria fazer isso. Com muito esforço e uma ajuda das sombras, conseguiram tirar a tampa de ferro, encarando o buraco negro que estavam prestes a se enfiar.

— Já vi coisa pior — Comentou Nico, baixo.

Ela deu uma risadinha.

— Certo, mas se você cair lá embaixo, eu vou morrer de rir — Disse, mordendo o lábio para não rir alto de mais.

Nico a olhou mortalmente, semicerrando os olhos. Anos no Acampamento Meio-sangue, um tempinho no Acampamento Júpiter, e essa era a pior piada relacionada a morte que ele já tinha ouvido. Isso porque fora feita por um fantasma — ou algo assim.

— Você entendeu? Morrer de rir... ai ai, pode falar, eu sou o fantasma mais legal que você já conheceu!

— É sério — Disse, apoiando o pé direito num degrau da escadinha que fica fixada na parede e descendo lentamente, escorregando a cada dois passos.

Não era tão fundo. Levou um minuto para descer e 10 para tirá-la lá de dentro. Ele até podia ser o filho do Deus da Morte e todos tinham aquele impressão de que ele era sombrio, macabro e fúnebre, mas eles deviam ver a cara dele quando ele viu o corpo de Matilda lá jogado.

Realmente a situação estava horrível. Ele saiu carregando seu corpo, ambos sujos de seja lá o que fosse aquilo dos pés a cabeça. Nenhum dos dois parecia muito vivo naquele momento.

— Ew — Ela disse, apertando o nariz. — Você está fedendo.

— Olha quem fala.

Os dois olharam para o corpo quase morto em sua frente. Então olharam um para o outro. Alguém tinha que checar, e se Matilda fizesse isso, seria estranho demais.

— Ew — Repetiu Matilda. — Tem pulso? Quero dizer... eu tenho pulso?

Ele começou a checar, ao mesmo tempo em que os olhos de Matilda-versão-suja começavam a mexer as pálpebras lentamente.

— Está parando! — Exclamou Nico, arregalando os olhos.

Ele colocou os braços da menina ao redor de seu pescoço, o que já fora difícil, considerando que ela estava incosciente.

— Você bem que podia ajudar — Resmungou, apressado, levantando-se. — Matilda?

Olhou ao redor. Nada. Matilda tinha sumido em meio a escuridão. A rua estava totalmente deserta. Ela não podia ter simplesmente evaporado, ou podia? Como resposta, Nico sentiu seus braços mais apertados ao redor dele.

— Nico? — Ela sussurrou, tão baixo que nem parecia uma voz real. Era mais como o vento murmurando em seu ouvido.

Mas aquilo era bom. Matilda tinha conseguido voltar ao seu corpo, e ainda lembrava dele. Ela ia sobreviver. Antes ele ainda duvidava, mas agora ela ia sobreviver e ele sabia disso. No momento de felicidade ele nem percebera, mas Matilda era bem pesada — ou talvez ele não fosse tão forte assim. Seus braços começaram a cansar e ele tinha que achar um hospital rápido.

— Nico? — Ela murmurou de novo.

Ele a apertou mais forte, carregando a garota pelas ruas, porque não sabia o que dizer. Ele iria salvar alguém, pela primeira vez. Bem, não literalmente, já que ele já tinha ajudado vários semideuses nas batalhas — Mas agora era diferente. Não seria como Bianca. Ele não pudera ajudar Bianca, mas Matilda não ia morrer.

Ela escondeu o rosto em seu casaco. Era difícil saber quem estava mais sujo: Nico acabara de sair de um cano subterrâneo fedorento e ela tinha ficado lá por dias. Ele só precisava encontrar um hospital. Precisava viajar nas sombras.

É claro que estava cansado e totalmente desconcentrado. Se tentasse viajar nas sombras poderia ir para em qualquer lugar — Mas era uma questão de vida ou morte. Ele tinha que fazer isso, e, incrivelmente, ele conseguiu.

Notas finais
Frase do ínicio é da música "Jesus Christ" da banda Brand New. Esse capítulo tem um pouco mais de coisas acontecendo, ou talvez não? Eu demorei para postar porque as aulas começaram e eu quase não tenho tempo de entrar, mas agora como esse foi o penúltimo (depois tem mais um e então o epílogo) eu vou tentar postar mais normalmente. Espero que tenham gostado e como sempre, sugestão e críticas sempre bem vindas! XX Bunny
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.