This is from Matilda

4 Capítulo 3 - Lembranças


Notas iniciais
Okay, esse capítulo está cheio de açúcar no começo, depois fica um pouco angsty e volta para o açúcar, porque sou dessas. Espero que gostem!

"Qual é o motivo da sua insônia?"

Nico não podia simplesmente aparecer lá pedindo por informações sobre a filha desaparecida do casal. É como se ele estivesse gritando "Hey! Eu matei sua filha!", e pelo que Matilda tinha dito sobre seus pais, Nico não iria parecer nada confiável aos olhos de Oliver Greyfeather, pelo menos não com aquelas roupas pretas e aquele par de all star sujos. Decidiram que a melhor forma de não fazer alguma coisa errada era — tentar — montar um plano.

Ela iria aproveitar seu "poder da invisibilidade" (era como ela gostava de chamar, porque a fazia sentir-se como um X-men ou algo assim), então iria entrar na casa. Tentaria andar entre sua mãe e seu pai e descobrir alguma coisa, qualquer coisa que pudesse ajudá-los a entender o que estava acontecendo e talvez ajudar Matilda a lembrar-se de alguma coisa, então contaria para Nico, e era isso. O plano perfeito: Simples e sem erros.

– Mas amanhã — Ela disse. — Já está tarde e eu não posso passar por dentro de portas. Vou ter que esperar até amanhecer, quando meu pai abrir a porta para ir trabalhar e meu irmão ir para a escola, então eu entro.

Parecia uma boa ideia. Nico pensou e assentiu.

– Depois de tudo, eu nem estou com sono — Comentou Matilda, sorrindo de lado. — Mas você provavelmente está — Ela cutucou ele, apertando seu dedo indicador no ombro do rapaz várias vezes como se estivesse brincando com uma criança.

O filho de Hades riu baixinho como se ela tivsse dito algo realmente engraçado, olhando para o chão com as mãos no bolso. Não, ele não estava com sono.

– Na verdade eu durmo só quando necessário — Confessou, sentando-se na calçada, olhando para o outro lado da rua, onde a última luz da casa se apagava.

Ela o olhou confusa, sentou-se também na calçada, sabendo que Nico provavelmente tinha uma boa explicação para isso. E você sabe o que é pior do que ter um fantasma como companhia? Ter um fantasma interessado na sua história de vida como companhia. Ela era curiosa, aliás, quem não seria? Acabara de descobrir que estava morta, então descobriu que na verdade não estava. A mitologia era real. Nico perguntava-se o que estava passando em sua mente.

O que estaria passando em sua própria mente? Seus pensamentos viviam tão atormentados que ele não gostava de olhar para a bagunça dentro da própria cabeça. Mas a menina parecia ter os pensamentos leves e a mente limpa de qualquer caos, mesmo quase-morta.

Além disso, Nico gostava de contar a Matilda suas histórias. Ela se sentava na calçada e o olhava como se fosse o personagem mais legal de algum livro de mitologia qualquer, e parecia tão interessa que mal piscava os olhos (não que ela realmente precisasse). Mesmo que tecnicamente ele fosse mais velho que todas as outras crianças nos acampamentos, ele nunca tinha tido a chance de realmente ser o irmão mais velho. E Matilda era só uma pequena chance dele ter algo que nunca tivera antes, mesmo que só por alguns dias.

– Quando eu estou com sono — Começou a contar, pacientemente. — Eu como um pouco de ambrósia, ou néctar. Isso me ajuda e tira o sono, como o café para os mortais.

– Café — Ela murmurou, olhando para seus pés. Nico não era realmente bom em decifrar emoções no rosto das pessoas, mas não era díficil ver como Matilda estava. — Eu odiava café.

Nico olhou para os lados, sem saber o que fazer. Pense, pense, pense. Qualquer coisa para não deixá-la para baixo, vamos!

– Ei, você não está morta. Ainda vamos te achar, lembra? — Ele empurrou ela de leve com seu ombro, uma coisa que ele nunca fazia, com ninguém, então ela devia apreciar.

E ela fez. Sorriu, agradecendo pelo esforço dele, afinal, o pouco tempo que passara com Nico era o bastante para perceber o quão difícil era para o garoto tentar parecer uma "pessoa normal", com suas demonstrações de que ele se importava perdidas pelo ar.

– Vamos. É claro que vamos.

xxx

Decidiram que já que ficariam acordados a noite inteira, tinham que fazer alguma coisa para passar o tempo. Conversar parecia uma boa ideia, já que eles teriam que fazer um monte de trabalho juntos pela frente, encontrando Matilda, tentando descobrir quem tentou matá-la e tudo mais. Nico decidiu usar um pouco de sua energia para levá-los até o telhado da casa por meio das sombras.

"Um lugar bom para pensar", segundo Matilda. Realmente, era um lugar fantástico. Ficava bem em cima de uma janela e os dois ficaram ali como naqueles filmes americanos antigos.

Sentaram-se nas telhas sujas, as folhas secas caídas fazendo um barulho somente para ele. A vista era simplesmente o céu negro decorado com milhões de estrelas. Se Nico tivesse um lugar daquele ele nunca dormiria. Ele só iria ficar ali, todas as noites.

– E isso, Nico di Angelo — Disse Matilda, rindo, jogando os dois braços para o alto como se estivesse apresentando o céu escuro para seu convidado especial. — É o motivo da minha insônia.

– Me parece um bom motivo — Nico concordou, rindo verdadeiramente pela primeira vez naquelas horas.

– Então — A menina sentou-se novamente. — Você nasceu na Itália?

Nico assentiu. Se todas as perguntas fossem como aquela, a conversa iria terminar rápido.

– Quantos anos você tem?

Oh, certo, essa era, definitivamente, uma pergunta complicada. Levou um tempo até que ele conseguisse explicar sua idade, porque teve que explicar toda a história do Hotel Cassino Lótus, da sua mãe, do seu pai e da sua irmã, tudo de novo. Ele não gostava de falar disso, mas como ela mesma tinha dito — Ela era um fantasma. E ele sempre gostara de conversar com fantasmas.

– Nico?

– O que?

Alguns segundos se passaram em silêncio onde Matilda parecia pensar se deveria ou não continuar. Decidiu que sim.

– O que aconteceu com sua irmã? — Perguntou, cautelosamente. Ele a olhou.

Muita coisa. Muita coisa aconteceu com sua irmã, mas ela queria uma resposta simples. Por um momento ele lembrou de como Percy olhou com aqueles malditos olhos verdes em seus olhos e contou-lhe a notícia que sua irmã estava morta. Grande herói. E sentiu aquele gosto amargo novamente. Então piscou algumas vezes e suas memórias sumiram como fumaça. Matilda o olhava, ainda esperando uma resposta.

– Ela tornou-se uma caçadora de Ártemis, o que significa que ela se juntou à um grupo de garotas que seguem a deusa da Lua, elas juram virgindade eterna e são imortais.

– Imortais — Repetiu Matilda, como se aquilo não fizesse nenhum sentido junto com o destino de sua irmã. — Certo.

– A menos que caiam em batalha — Continuou Nico. — Tudo bem. Você sabe, ela morreu como uma heroína. Ela salvou Percy.

Matilda apertou os olhos e riu como uma criança, parecendo um ratinho novamente. Como se estivesse prestes a fazer alguma coisa errada e estivesse orgulhosa daquilo. Mas então se recompôs e sorriu.

– Esse Percy era tipo... sua quedinha?

Nico arregalou os olhos, afastando-se levemente da garota. Sangue correu rapidamente por seu rosto pálido, que logo tornou-se avermelhado em volta de sua mão, que cobria seus olhos como se ele quisesse cavar um buraco naquele telhado, cair e morrer. Era engraçado como um semideus filho do deus do Mundo Inferior corava e ficava tímido tão rapidamente só pela simples menção de um nome.

– Como você sabe? — Perguntou, quando sentiu que conseguia controlar o tom de seu rosto.

Ela sorriu satisfeita — por arrancar dele uma reação tão normal e adorável e por acertar em cheio sobre Percy. Deu de ombros.

– Não sei. Poderes de fantasma? — Matilda o puxou, fazendo o garoto voltar ao lugar que estava antes. — Está tudo bem, Nico. Senta aí e cuidado para não cair. Você já conheceu alguém legal lá no mundo inferior?

– Como assim?

– Ah, não sei — Ela deu de ombros novamente, pensando. — Elvis? Michael Jackson? Hum... Kurt Cobain?

Nico riu — Sim, ele riu (o que estava fazendo com tanta frequência que estava começando a estranhar). Nunca tinha pensado em sair pelo mundo inferior procurando pelas almas de artistas falecidos. Nunca nem pensou em perguntar ao seu pai se lembrava-se onde tinham colocado a alma de Kurt Cobain. Matilda tinha mais imaginação que uma criança.

– Não, nunca — Admitiu.

– Bom, isso é uma pena — Ela riu, desapontada. Então parou de rir, pensando por alguns segundos se deveria ou não fazer tal pergunta. Decidiu que sim. — Alguma vez você já... hum, já olhou para um fantasma e pensou "Como esse cara tem sorte?" Digo, ser um fantasma não deve ser tão difícil. Pelo menos não quando você morre de alguma forma mais natural do que assassinato, pelo menos...

Era uma pergunta mais séria do que soava, de verdade. Porque muitas pessoas que Nico conhecia sempre pensavam que estar morto é fácil. "Se eu morresse, todos meus problemas acabariam", quem nunca pensou isso, que atire a primeira pedra. A vida é chata e cansativa, e por algum motivo as pessoas achavam que estar morto facilitaria isso. Não que Nico nunca pensasse assim, muitas vezes ele desejava ser um desses fantasmas. Daí lembrava-se da imagem das almas perdidas nos campos Asfódelos, ou pior, as almas punidas. Então, de repente, não queria mais morrer.

– Algumas vezes — Ele admitiu, encolhendo os ombros. — Não mais.

Ela assentiu e olhou para o céu de novo. Cada vez mais escuro e ao mesmo tempo cada vez mais brilhante. Eles permaneceram em silêncio por pelo menos 5 minutos, até Matilda começar a falar de novo. Dessa vez ela soava diferente.

– E-eu tinha um amigo — Disse, evitando olhar para Nico. — Ele costumava falar que os mortos tinham sorte.

Ela riu, balançando a cabeça em negação e rindo levemente para si mesma.

– Um idiota, realmente — Continuou.

– É, talvez devesse contar para ele como foi sua experiência quando você voltar — Nico sugeriu, tentando sorrir. — Ele vai mudar de ideia.

Silêncio. Mais do que o necessário. Matilda balançou a cabeça novamente e olhou para Nico, dando de ombros pela décima vez na noite.

– Ele se matou ano passado.

– Ah.

Em momento algum aquilo tinha passado pela cabeça de Nico. Imbecil! Agora ele estava sem graça, ótimo. O que deveria dizer? Sinto muito? Não, aquilo soava tão falso. E sabia disso porque sempre que alguém dizia isso para ele, e em sua opinião aquilo não soava verdadeiro.

Pensou em algo bom para dizer.

– Bom, você sabe... essa coisa que as pessoas dizem, que quando alguém se mata, essa pessoa não vai para um lugar bom depois da morte? — Matilda assentiu. — É mentira.

Então ela sorriu.

– Isso é reconfortante — Riu, sem graça. — Hades e sua sala para suicidas, uh?

Mais silêncio constrangedor até que Matilda decidiu quebrá-lo.

– Você não é muito de ajudar desconhecidos. Por que está fazendo isso para mim? — Perguntou, como se o clima não estivesse horrivelmente pesado um minuto antes.

– Porque eu quero! — Nico respondeu, soando como uma criança irritada. Aquilo deve ter sido muito engraçado, porque Matilda riu alto, não que alguém fosse ouvir e reclamar do tom da risada dela, mas mesmo assim.

– Você é um pouco estranho — Ela disse, bocejando. — Mas só um pouco. E incrivelmente, eu estou com sono. Fantasmas dormem?

– Eu acho que não.

Ela deitou-se, os braços abertos tocando as folhas mortas presas nas telhas alaranjadas. Fechando os olhos em direção ao céu com um sorriso no rosto.

– Então eu vou ser a primeira.

Notas finais
Me digam o que acharam, por favor, como sempre qualquer comentário - seja crítica ou elogio - é bem vindo! Enfim, eu realmente espero que tenham gostado! XX Bunny :3