Notas iniciais
[REPOSTADA]

Postada também no WattPad e Social.

Essa fanfic foi postada algum tempo como BaekYeol, porém fiz algumas mudanças e decidi traze-la de volta como NaruSasu.

Me pergunto quantas pessoas não dão valor a vida que tem. Me pergunto como seria se pudesse escolher o que iria sacrificar para ter algo de volta.

Com certeza não pensaria nenhum pouco em ter você volta. As pernas, os braços, a visão, a minha vida...eu daria tudo, exatamente tudo, para ter você de volta.

Fomos mandados para guerra. Você como médico e eu como um assassino.

Assassino de pessoas que assim como eu, também queriam proteger algo.

Quando a carta chegou em casa pelo mensageiro de guerra, eu confesso que agradeci por ela ter sido enviada em meu nome em vez do de meu pai. Creio que a senhora Kushina não aguentaria assistir seu marido indo a guerra novamente, mesmo sabendo que o golpe seria tão grande quando soubesse que eu iria em seu lugar. Sakura ficou responsável por preparar a mamãe. Coitada, creio que deva ter sofrido tanto por saber que seu noivo, Sai, também estaria no campo de batalha.

Sai era um bom homem, lembro até hoje como sofreu ao ter que levar aquelas crianças para o campo de concentração, sabendo que não sairiam vivas dali. Com certeza um bom homem. Sakura o esperava para construírem uma família e assim fazer a felicidade do papai, já que ele queria uma criança para chamar de neto. Algo que nós nunca poderíamos dar para ele. Talvez por isso que Deus decidiu mandar Sai de volta e não você.

Um castigo para mim talvez.

Ainda segurando a carta em mãos, pude vê-lo correr e atravessar a porta de casa, me abraçando. Negando-se a acreditar que eu havia recebido minha sentença de morte.

Ora Sasuke, apesar da carranca se sempre levava no rosto, você era muito sentimental.

Lembro de apertar o corpo magro contra os meus braços. Acolhendo as lagrimas em meu peito quando você desistiu de tentar segura-las

Depois de longos minutos de silencio, silencio esse banhado em melancolia. Você tirou a carta, também timbrada do governo, porém a sua era uma opcional, para a elite. Você era um médico, tinha a opção de cuidar dos feridos no hospital ou então no campo de batalha.

Implorei para que não escolhesse a ultima opção, implorei tanto.

“Mas pense pelo lado bom Naruto, eu vou estar perto de você, vou cuidar de você. E você sabe, eu sou um dos melhores médicos do Japão, posso salvar mais vidas lá do que no hospital."

Não havia um lado bom. Sabia que se o fizesse ficar, ele sofreria com a minha partida. E se eu o deixa-se ir, eu sofreria com a preocupação. Eu sabia que não teria nada que eu pudesse fazer.

Foi em meio a um juramento que decidimos: Iriamos sobreviver.

Durante os dois dias que antecederam a nossa ida a linha de frente, tentei me mostrar bem, queria lhe passar confiança. Dizia que estava bem, tentava deixar o clima o melhor possível.

Na ultima noite de sossego, toquei violão para você, enquanto sua voz preenchia o ambiente iluminado pelas estrelas no meu jardim. A melodia de The Scientist saia dos acordes, e as notas perfeitas da sua boca.

Come up to meet you, tell you I’m sorry
You don’t know how lovely you are
I had to find you, tell you I need you
Tell you I set you apart

Esforcei-me a acreditar que nada ruim iria acontecer, mas algo em meu peito insistia em dizer-me o contrário. E estava certo.

Meu medo era perdê-lo.

"Sasuke…você sabe, as coisas podem não dar certo para mim..."

"Não diga isso."

"Vamos ser realista Sasuke. Não quero imaginar você sofrendo depois que e-

"Para, para com isso, por favor, para de falar isso."

Meu Deus, como você chorou naquela hora. E eu fiz juras ao céu, de que nunca, nunca mais queria te ver chorando.

Dormi em seus braços, te ouvindo dizer que tudo ficaria bem. Queria fazer daquelas palavra um manto, para me cobrir de tudo que pudesse acontecer lá fora.

E eu mergulhei na ilusão de que tudo iria dar certo. Que voltaríamos vivos.

Por Deus, como eu queria que voltássemos vivos. Queria mais tempo com você, mais tempo com o seu sorriso.

Mas tudo isso foi tirado de mim.

Não imaginávamos um ataque vindo de trás. Uma emboscada. As barracas do médicos e dos enfermeiros invadidas, reviradas.

Corri até a barraca 07, a nossa barraca. A arma que eu carregava batia na minha coxa, meus pés tocavam o chão em segundos, e as lagrimas, ah, essas desciam de forma abundante pelo meu rosto. Seu nome saia pela minha boca.

Meu Deus, eu não queria te perder.

Mas parecia que Deus estava ocupado demais naquele dia. Ele não atendeu meu pedido.

E caído no chão estava meu tesouro, minha vida. A roupa branca manchada de vermelho. Ainda estava acordado, mas não durante muito tempo. Seus lábios já secos arreganharam-se para seu sorriso quadrado. Enquanto eu chorava, você sorria. "Eu te amo Naruto. Desculpe não ter comprido a promessa."

Nobody said it was easy
It’s such a shame for us to part
Nobody said it was easy
No one ever said it would be this hard
Oh, take me back to the start

"Eu te amo, eu te amo, eu te amo Sasuke."

Você já perdia as forças, seus olhos estavam fechando. Mas consegui ouvir suas ultimas palavras.

“Cuida dele. Por mim. Cuide dele, cuide como se fosse um filho nosso, por favor.”

Foi só então que eu percebi que não estávamos sozinhos. Aquele garoto. Encolhido. Lembro de ver Sai o leva-lo. Ele era da cidade inimiga, havia pedido socorro nas nossas bases. Achamos que fosse algum tipo de espião ou homem bomba, Sasuke não deixou que ninguém o machucasse, dizia que era apenas uma criança. Ele realmente era cabeça dura demais para entender que na guerra tudo era valido. Mas felizmente acabou que ele estava certo, era apenas uma criança, assustada demais e sem família. jogada para morrer.

Ele chorava, chorava tanto quanto eu.

O grito de vitoria fora ouvido. Acabou, havíamos ganhando. A emboscada havia sido a ultima tentativa da base inimiga.

Ganhamos!

Não, eu havia perdido.

Ah, Sasuke! Porque mesmo depois de partir você ainda me prendeu nesse mundo? Meu plano era morrermos juntos, mas uma criança?

Porém, eu só tenho a agradecer. Ele se tornou um garoto de ouro.

Estávamos em sua formartura. Medicina, acredita?

Por isso estou aqui, de pé em frente ao seu tumulo. Infelizmente ele não pode vir, mas eu estou aqui, como sempre estive durante esses dezessete anos que se passaram e como sempre vou estar, até nos encontrarmos na próxima vida.

"Você permanece no meu coração mais profundo que uma cicatriz, não posso apagar você.”

FIM

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!