This is My Idea
1 One-Shot: This Is My Idea
Notas iniciais
Os cavalos trotavam na estrada de terra, o sol quente do verão naquela manhã dava boas-vindas à princesa Merida e aos seus pretendentes. A ruivinha sentia pressa, estava muito impaciente, queria chegar logo ao seu destino. Ninguém sabia o motivo, todo ano era o mesmo assunto. Quem a conhecia sabia que isso era diferente de um sentimento de acabar rápido, era a mesma ansiedade de alguém que recebe um presente e não pode abri-lo até uma determinada hora. Sua mãe sentia algo mudando na filha, ela estava se arrumando mais, emagrecera, queria estar bonita durante estes dias.
— Animada, filha? – A rainha perguntou com um sorriso esperançoso nos lábios.
— Para que? É sempre a mesma história todos os anos, eu só quero por um fim nisso. – Infelizmente a garota não sabia mentir, não conseguiu disfarçar a vermelhidão de seu rosto redondo.
— Tem certeza que é isso? – Insistiu.
— O que mais seria?
— Amor, eu acho.
— Amor?! – Corou de novo. – Mãe, para, sabe o que peço deles.
— Ainda me lembro de sua reação, quando contei sobre essa nossa decisão eu esperava uma pirraça, mas você ágil com tanta maturidade que me assustou. Parecia ser outra pessoa.
— Ora, posso ser madura quando quero.
— Eu vi quando disfarçou um sorriso.
Merida se viu derrotada, sentiu-se contra a parede, não se pode mentir para sua mãe por tanto tempo, ela até teve sorte por conseguir fingir bem por uns tempos.
— Qual deles é? – Sussurrou a rainha Elinor curiosa.
— Segredo. – Riu-se a princesa. Ela ainda podia esconder esse detalhe.
Chegaram ao castelo de verão ao mesmo tempo em que os outros clãs, como sempre Atur, filho dos Macguffin foi o primeiro a ser cumprimentado; a princesa fez uma reverencia suave e o jovem se curvou em sinal de respeito.
— É bom vê-la outra vez.
— Venho com prazer. – Os dois se cumprimentaram sorrindo sem jeito.
Já o cumprimento feito aos outros dois, Macintosh e Dingwall, era um cumprimento mais de amigos; Merida tentava disfarçar o máximo possível, já que sua mãe já sabia de metade do segredo.
— Disfarcem. – Ela sussurrava perto deles.
Dentro do salão, iniciou-se a sessão de conversa, coisa de interessantes que aconteciam durante o ano; Atur tinha aprendido a falar direito com muito esforço e fez aulas, parecia que tinha coisas que queria dizer a alguém, ele e a ruivinha estavam sempre grudados, mas com os outros dois para não dar pistas, ela até insistia para que eles participassem do assunto para que ninguém percebesse.
— Não andou transformando pessoas em ursos este ano, certo? – Brincou Atur.
— Ninguém que eu goste. – Retribuía Merida.
No jantar era a mesma coisa, Merida sempre sentava ao lado do gordinho, que também emagrecera, como se uma pessoa especial o inspirasse; os dias seguintes eram repletos de brincadeiras, sempre havia cavalgadas para descobrir lugares novos, leituras, jogos, arco e flecha etc. Todos os que trabalhavam no castelo percebiam flertes entre a princesa e o jovem Macguffin, apostas e fofocas eram feitas entre homens e mulheres, e essa era a maior diversão.
— Eles podem perceber. – Macintosh advertia a ruiva enquanto ela lia deitada em uma cadeira.
— Essa é a graça. – Ela riu e voltou a ler.
O relógio batia e a novela continuava, fazia tempo que essa agitação acontecia, relatórios eram feitos e as conversas eram espiadas; nas ditas apostas na sala dos empregados, Atur sempre foi o favorito. Havia um quadro desenhado com giz em que um tipo de gráfico foi feito, os que apostavam em Macintosh ou Dingwall logo desistiram, Macguffin estavam em primeiro.
— Como vamos dividir o dinheiro? – Perguntou uma moça cozinheira.
— Já tinha me esquecido disso. – Riu-se um empregado.
No fim do verão, os dois, Atur e Merida tinham saído. Demoraram muito para voltar, os pais já estavam ficando preocupados.
— Onde essa menina se meteu? – Elinor andava de um lado para o outro. – Espero que ela não faça nenhuma besteira.
— Fique calma, querida. – O rei Fergus tentou acalma-la. – Nossa filha já é adulta.
— É disso que tenho medo e você também devia!
— Pare com isso, eu confio na educação que demos a ela. E ela sabe que se fizer isso que está pensando a cabeça daquele menino ficará numa estaca de frente pro quarto dela.
— Fergus! – A rainha conseguiu rir.
Apesar de preocupada, a rainha percebeu que essa era a oportunidade perfeita de confirmar suas suspeitas sobre a filha. Estrategicamente, dirigiu-se ao Dingwall, que era o menos esperto do grupo, Começou a fazer perguntas sobre toda aquela intimidade e as fofocas dos criados.
— Desculpa senhora, é segredo.
— Não há segredo nisso! – A rainha reclamou depois de se recompor.
— Se a Merida não falou nada, então não vai poder tirar nada de mim, digo isso como amigo dela.
— Mas...
— Com licença, acho que tem alguém me chamando. – Ele sorriu e foi embora.
A rainha, frustrada, já não sabia o que fazer, sentou-se numa pedra derrotada, mas ai ela viu sua filha e Atur caminhando de mãos dadas com sorrisos em seus rostos, levantou-se e foi caminhando disfarçando sua felicidade. Sim, ela sabia o que queria dizer.
— Mãe, eu quero te dizer uma coisa que você sempre quis ouvir. — Disse Merida com alegria.
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