This drawing is for you, Dino.
1 One shot
Dino foi acertado com uma das tonfas de Hibari. A região estava dolorida, provavelmente surgiria um hematoma, nada que gelo resolvesse. O moreno olhou com ódio para o Chefe dos Cavallone. Era a segunda vez que ele ousava aproximar-se.
– Você estava caminhando rápido… seria uma trabalheira se eu me perdesse de você. – O italiano tentou explicar o porquê de suas ações.
–Isso não é desculpa. Vou te morder até a morte se ousar me tocar de novo.
Eles não eram amantes, é claro. Apesar de quão difícil Dino tinha tentado.
Tinha sido neste dia em particular que o louro tentou transmitir seus sentimentos claramente a Hibari e saber como o outro ia se sentir em troca. Ele queria perguntar o que sentia em relação a ele, porém tinha medo de perder o laço de aluno e tutor.
Era frustrante.
~x~
– Você gostou? – Dino tentou começar uma conversa de novo. Olhando para Hibari que apenas balançou a cabeça em positivo enquanto mastigava o hambúrguer com sua postura habitual, fria e indiferente. – Ah sim…
Foi então que ambos caíram em silencio mais uma vez, pois estavam concentrados no jantar, o que tornou o clima estranho.
–Kyoya. Eu aposto que você já sabe o que eu venho tentando te dizer o dia inteiro. – o italiano colocou o hambúrguer no prato, observando que o Guardião da Nuvem fez uma pausa em suas ações. O Chefe dos Cavallone tinha sido rodeado por tanto tempo que sentia como se não pudesse desperdiçar um segundo a mais.
Era isso. Ele estava esperando o momento para ser franco.
– Você pode me dar uma resposta? Ou acha que essas palavras são difíceis de dizer? Você pode colocá-las aqui se for assim… — Dino depositou um guardanapo que estava ao seu lado e entregou a Hibari e rapidamente procurou uma caneta no bolso de seu sobretudo que estava usando. – Eu só quero saber…
O louro esperava o moreno pegar o guardanapo e dar a resposta. Quando ele entregou o mesmo, um sorriso bobo surgiu em seu rosto. O moreno apenas exalou um suspiro que era provavelmente devido à frustração e começou a desenhar na folha. Dino engoliu seco devido à ansiedade do desconhecido se acumulando no fundo de sua mente.
O guardanapo foi entregue ao Chefe dos Cavallone. Havia o desenho de um dinossauro
–… Sou eu?!
Dino juntou suas sobrancelhas, em sinal de desaprovação ao olhar Hibari para o dinossauro recém-desenhado.
– Então você entende agora?
–… Eu ainda tenho esperanças, certo? – O italiano mordiscou o lábio inferior e amassou o papel que continha o desenho. –Haverá um dia em que você estará pronto para aceitar-me e você vai desenhar um… O que você quer para representar um sim?
O Guardião da Nuvem revirou os olhos como se estivesse pensando.
–Hambúrguer.
–Um hambúrguer? Serio?!
Depois disso o jantar foi feito em silêncio.
~x~
–Essas garrafas são pequenas demais para beber. – Hibari brincou quando Dino lhe entregou uma garrafa pequena com um largo sorriso no rosto.
–Elas não foram feitar para beber, Kyoya – O italiano soltou uma leve risada e voltou a procurar algo na pala que trouxera.
O moreno soltou um leve suspiro. “às vezes ele é otimista demais. E está sempre sorrindo como se nada de ruim estivesse acontecendo.”
–Dessa vez, eu trouxe os papeis apropriados!
O Guardião da Nuvem só podia olhar desinteressadamente para o Chefe dos Cavallone, que apenas entregou um papel e uma caneta.
–B..bem, nós vamos escrever alguma coisa no papel e mantê-lo dentro da garrafa…. algo importante, um desejo, uma mensagem, o que você quiser!
O louro engoliu em seco quando o moreno apenas continuou olhando para ele.
–…Isso é completamente infantil.
–Fazer coisas infantis não significa que você é infantil ou um garoto de oito anos, Kyoya! Ouça-me.
E assim, Hibari fez.
Mais tarde, depois de terem escrito as carta e colocado as mesmas na garrafa, Dino as enterrou no quintal da casa do homem que amava com um sorriso no rosto enquanto murmurava o quanto estaria feliz se seu desejo se realizasse. Por ora seu desejo era confidencial.
–Quando nós vamos desenterrá-los então?
Essa pergunta foi quase como um martelo para a mente do italiano, que pausou suas ações e ficou sem o que falar.
Hibari tinha um leve sorriso no rosto quando soube que Dino não estava olhando.
– É natural que você volte cedo para a Itália. – O Chefe dos Cavallone mostrou estar triste com isso – Você está agindo como um herbívoro agora.
Automaticamente o mais velho se recompôs, mas o medo de ficar longe de quem ele amava era claro em seus olhos.
– E se você desenhar um hambúrguer para outra pessoa enquanto eu estiver fora?
O Guardião da Nuvem balançou a cabeça em negativo, ignorando as palavras de Dino, que não faziam sentido nenhum. “ele está preocupado com algo desnecessário”
– Eu prometo que estarei de volta logo, de modo que você não dê nenhum hambúrguer para outra pessoa! Eu prometo,tudo bem?
– Eu não preciso de todas essas promessas.
O italiano esboçou um meio sorriso e levemente beijou a testa do moreno.
– Eu estarei de volta.
~x~
O louro tinha um certo brilho nos olhos e estava sorrindo enquanto aguardava ansiosamente sua chegada no Japão. Ele observava as nuvens do céu quando Romário o tirou de seus pensamentos.
–C…chefe! Kusakabe me ligou. Aconteceu algo com ele. – O brilho de antes não era mais visível em seus olhos. No mesmo instante seu celular estava na mão, chamando o Braço Direito de Hibari.
–Dino-san! Ainda bem que ligou. Kyoya-san estava em uma missão, creio que você sabia, e acabou sendo atingido por uma espada envennada. Ele está internado no Hospital de Nmimori. Venha o mais rápido possível!
Dino agradeceu mentalmente por estar faltando apenas alguns minutos para chegar ao Japão.
Ninguem poderia culpá-lo pelo tom áspero e os olhos que não pareciam tão calorosos como sempre. Mas não era só ele. Yamamoto, que estava sempre sorrindo, tinha uma cara preocupada, no momento em que colocou a mão no ombro do louro, de forma consoladora, explicando o que acontecera desde o momento em que desligara o celular com Kusakabe.
– Os médicos tentaram extrais o veneno do corpo dele, mas se espalhou rapidamente e não há cura adequada para ele. Já é tarde demais para ajudar ou fazer qualquer coisa.
Gokudera suspirou quando viu o Chefe dos Cavallone ser direcionado a ala que Hibari se encontrava. Yamamoto não precisava terminar sua frase.
~x~
Ele estava lutando.
Lutando com coisas que ele não podia ver. Seus punhos estavam contra sua caixa toráxica e mesmo ofegante, seu coração parecia doer. Ele havia visto Dino.
–Kyoya, o que está acontecendo? – Ele rapidamente correu para o lado de Hibari segurando as mãos que antes tentavam amenizar a dor. – Eu vou chamar um médico!
O Guardião da Nuvem apenas balançou a cabeça enquanto lutava para falar.
–Eu não consigo… Respirar.
O sussurro de Hibari saiu fraco, quase inaudível. Parecia tão impróprio e incomparável com a voz que ele ouviu no terraço do colégio Namimori. O italiano só queria que essa dor passasse, que tudo ficasse bem.
–Eu faço o que for preciso. Vou encontrar alguém que irá cura-lo por completo. Eu prometo.
O Chefe dos Cavallone puxou o corpo do Guardião da Nuvem para mais perto do seu e colocou seus braços sobre os ombros do homem a sua frente, tentando transmitir confiança com esse simples gesto.
–Basta manter a força Kyoya. Eu vou estar aqui para te ajudar.
O moreno não respondeu. Em vez disso ele simplesmente pressionou sua testa confortavelmente no ombro de Dino, até sua respiração voltar ao normal. O italiano sentiu seu coração apertado, pois tinha a sensação que a promessa que ele fez iria ser quebrada.
~x~
Passaram-se 10 dias após o incidente. Nada mudara. Hibari estava silenciosamente sentado na cama, pegando nas bordas da camisa que usava. A força aumentava quando sua respiração piorava. Quando o Chefe dos Cavallone chamava por ele, nada era respondido. Ele simplesmente abaixava a cabeça e segurava firme tudo o que podia, não dando atenção a nada.
–Kyoya, você gostaria de sair para caminhar? O dia está lindo hoje. Permanecer neste quarto não vai te fazer respirar melhor.
Yamamoto havia lhe falado que seus pulmões já estavam severamente danificados. Ele não fazia ideia se sair para uma caminhada o faria melhor ou não. Só queria que Hibari melhorasse.
Mas não, ele estava pior desde que chegou ao hospital. De novo, nada foi respondido.
–Kyoya, basta olhar pra mim. Podemos falar o que você quiser para se sentir melhor.
O moreno puxou os joelhos para perto do peito e pressionou a testa contra eles, suspirando e recusando o convite.
–… Kyoya.
–Não adianta. – Sussurou – Eu não posso ver mais.
Isso quebrou o coração de Dino tão dolorosamente e lentamente enquanto observava o homem que ele tanto amava perder as coisas que ele um dia tá vete. Foi um milagre a forma como Hibari podia aguentar, apesar de tudo, mesmo que ele pareça um boneco de porcelada quebrado, ele lutava para sobreviver. Algumas partes do Guardião da Nuvem davam para ver hematomas, cortes e cicatrizes devido ao ataque do inimigo.
Com o passar do tempo ele não podia ouvir, não podia falar, nem sentir nada. Todos os dias não passavam de nada para ele. Todos eles eram iguais, pareciam como qualquer outro. Ele não podia dizer as diferenças entre eles.
Apesar de tudo, o Chefe dos Cavallone o visitava todo dia, para dar-lhe um abraço apertado, que ele não podia sentir, piadas que ele não podia ouvir esorrisos que ele não era capaz de ver.
Às vezes, Hibari estava sentado com seus olhos desfocados, concentrado em apenas tocar em qualquer coisa ao seu redor, na esperança de sentir alguma coisa.
Outras vezes, ele estava deitado com os olhos fechados, desejando que tudo voltasse como era antes após abri-los de novo. Ele também se enrolava na fria cama, tremendo. Lutava contra sua respiração e tudo mais.
Sempre que via o homem que amava naquele estado, lagrimas ameaçavam cair dos olhos do italiano, mas ele as forçava de não rolarem sobre seu rosto.
Algum dia Hibari iria abandonar Dino que sempre esteve lá e quebraria a promessa que fez a si mesmo.
~x~
O louro estava sentado ao lado direito do moreno, que estava dormindo, e viu que seu rosto transmitia uma expressão pacífica.
O Guardião da Nuvem parecia tão bem quando estava dormindo, parecia poder sentir, falar, ouvir e ver. Parecia que ele ia acordar como qualquer outro dia, tirando o fato que sua pele estava branca.
Tudo parecia tão calmo, até o momento que Hibari foi pego por tosses severtas que não iriam parar tão cedo.
Até que ele viu. A boca de Hibari tomou uma coloração avermelhada. Não somente a boca como suas mãos.
Sangue. Ele tinha certeza que era sangue. Por toda a parte.
Um pânico imediatamente tomou conta de Dino e rapidamente apertou o botão vermelho situado logo acima da cama para chamar os médicos e enfermeiros para salvar a vida de seu aluno.
Imediatamente lagrimas tomaram conta de seus olhos. Um sentimento terrível acabara de acertá-lo.
Tentara empurrar os médicos enquanto corria com seu braço no rosto, na esperança de esconder o rosto e enxugar as lágrimas.
Antes de sair, Hibari o segurou. Mordeu o lábio, na esperança da tosse passar. Uma fina lágrima caiu de seu olho.
–… Dino
Tudo pareceu parar para o Chefe dos Cavallone. Ouvir o Guardião da Nuvem falar o seu nome o fez olhar para o lado. Era a voz dele. Ouvi-lo falando era o que Dino mais queria.
– Pare de se comportar feito um herbívoro e seque essas lagrimas sem sentido. – Os lábios do louro estavam entreabertos de uma forma atraente enquanto Hibari enxugava as lagrimas que começavam a cair incontrolavelmente enquanto sua respiração falhava novamente – E… Obrigado.
Nas ultimas tosses que foram finalmente liberadas, o moreno moveu seus braços na fraca tentativa de abraçá-lo. O fim tinha chegado. O triste e doentio fim.
Hibari Kyoya caiu sem vida nos braços de Dino, enquanto suas mãos tremiam.
Tudo veio como um choque quando ele se sentou e ficou parado, como moreno em seus braços, como se tivesse certeza que seu aluno (agora, ex-aluno) estivesse apenas dormindo. Porem sua temperatura e cor não iriam mentir. E assim sua mente entendeu.
Hibari o havia deixado.
~x~
O Chefe dos Cavallone escavou o solo sem vida onde haviam enterrado as garrafas. Seus olhos continham olheiras e estavam sem vida, assim como seus cabelos que estavam desarrumados. Ignorando os olhares preocupados que seus subordinados o jogavam.
Cada escavação que ele fez sobre o solo parecia uma facada em seu coração. Não, na verdade cada segundo parecia ser assim. Ele estava se perdendo cada vez mais.
Ele respirou profundamente quando viu a garrafa com um “H”. Esta deveria ser a de Hibari. Destampou-a suavemente e com cuidado retirou o papel enrolado para olha o conteúdo.
Não havia palavras.
Apenas um desenho. Um desenho de um simples hambúrguer.
Tudo pareceu ir embora, como se uma onde tivesse levado tudo que ele tinha. Suas pernas falharam e ele caiu de joelhos no solo. Ele não conseguia parar de olhar o desenho. Sua mãe estava em sua boca e só pode ouvir soluços que vieram acompanhados de lagrimas que caiam sem parar.
Ele chorou. Chorou tanto em vista do que Hibari tinha desenhado.
Tudo estava tão errado e tão injusto. “ele não merecia isso. Ele já me amava de volta, mas fui estúpido de não perceber isso”.
Tudo estava errado.
Dino arrastou seus pés para onde seria o quarto do Guardião da Nuvem. Seu corpo ameaçava ceder a qualquer momento. Sua mente não conseguia parar de rebobinar a ideia de como o moreno o amava de volta. Porem era tarde demais.
Aquele era o pior pesadelo para o Décimo Chefe dos Cavallone.
~x~
Após uma semana da morte de Hibari, Dino voltou para o Japão, na esperança de agarrar qualquer vestígio que seu ex-aluno poderia deixar para trás, apenas para tê-lo mais perto. A morte dele havia chegado tão depressa… O louro precisava de ajuda.
Ele olhou para onde o moreno dormia e seus olhos começaram a lacrimejar ao lembrar quando o Guardião da Nuvem tentava pegar algo na esperança de sentir ou sua dificuldade de enxergar, mas seus olhos não estavam assim por ele estar lutando, e sim por não tê-lo ajudado.
Não houve vista de Hibari tentando lutar uma guerra perdida. O que restou foi apenas seus lençóis e cobertores dobrados.
Os instintos de Dino o fizeram sentar sobre a fria cama. Seus dedos deslizaram sobre os cobertores que o Guardião da Nuvem sempre agarrava. Essas memórias simplesmente eram demais. O louro estava tendo um tempo difícil e demoraria a começar tudo de novo. Ele não poderia sobreviver a isso.
Sua visão tornou-se negra ao fechar seus olhos, uma ultima olhada para achar Hibari Kyoya em sua mente.
E assim ele fez. Naturalmente se colocou no lugar do moreno, que era torturante. Não tendo nenhuma capacidade de falar, ouvir, ver, sentir e com sua respiração que falhava. Era o pesadelo que ninguém gostaria de passar.
O Chefe dos Cavallone ainda podia sentir a colônia que seu ex-aluno usavava. Deu uma ultima olhada no quarto e no jardim da casa, e foi embora. “Hibari sempre estará comigo. Nunca esquecerei dos anos, das lutas e das risadas que tive com ele.”
————————————————————————————————————————————————————Fim~
Notas finais: Não me matem. Eu chorei demais para escrever essa fanfic, ainda mais que eu estava passando por uns problemas... Mas fazer o que? Quando eu estou assim é quando consigo desenvolver o texto xDFinalizo minha primeira death fic de KHR. Futuramente farei uma D18 sem mortes, só yaoi... Me veio na cabeça uma fanfic 1896 (shippo esse pairing sim ok? u.u) mas a ideia ainda é vaga. Aos leitores da fanfic "KHR Talk Show!" eu estive sem ideias para o capítulo, mas logo logo eu postarei ele!~
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