–Eu sei. Mas ele é meu amigo.

–Larissa, olha pra mim e diz que nunca sentiu vontade de beijá-lo. –eu olhei pra ela, segurando o riso.

–Eu nunca disse que nunca o beijei. –ela sorriu maliciosa.

–Quantos anos ele tem? –cumprimentamos o porteiro do meu prédio e fomos em direção ao elevador.

–24. Quase sete anos de diferença. Mas quem se importa? –ela continuou falando sobre Matt enquanto eu dava risada. Na sala, Danielle falava no celular e dava risada. Quando desligou o celular, nos cumprimentou. –Quem era no telefone, moça?

–Liam.

–Queria o quê? – Eleanor perguntou cerrando os olhos, nos fazendo rir.

–Nós dois saímos hoje pela manhã e os garotos nos chamaram pra almoçar, mas eu disse que tínhamos planos. Que resolveríamos aqui e ligaríamos.

–Eu não irei desistir da minha tarde de compras. – falei.

–Nem eu. – Eleanor concordou. Danielle deu de ombros.

–Eu aviso pra eles. –ela puxou o celular do bolso e foi até a discagem rápida.

–Só uma coisa. –a interrompi. –Eu sou livre e desimpedida, vocês não.

–Vamos deixar eles um pouco quietos. Eu realmente preciso de um tempo de garotas. –Eleanor disse.

–E nós já vamos vê-los á noite. – Dani concordou.

–Então vamos. –Eleanor levantou-se. -Só vou pegar meu amante cartão de crédito.

–Uau Eleanor! –falei e ambas riram. –Agradeça por ser bonita porque se fosse sobreviver de piada, passaria fome. – ela me deu a língua. Danielle nos levou a um restaurante legal e nós sentamos em uma mesa afastada com a intenção de não chamar atenção, mas como ríamos como retardadas, não deu muito certo. Os outros nos olhavam, cochichavam e tiravam fotos. Era um tanto frustrante. Tão frustrante que tivemos que pagar a conta e ir embora sem a sobremesa.

Acabei reclamando tanto disso que elas me levaram ao Milk-Shake City e eu tomei Milk-shake suficiente pra toda uma vida. Depois passamos o resto da tarde comprando. Eu não era muito fã de compras. Primeiro porque é um desperdício de dinheiro. Segundo porque nisso sou indecisa pra caralho e nunca sei o que levar. Terceiro porque é desperdício de tempo e eu não tenho muito desse pra perder. E quarto, não tem um, mas quis citar pra parecer legal.

Somente o fato de que eu realmente precisava de roupas mais quentes, senão não iria sobreviver com os graus baixos daqui, descartou o item número um da minha lista “por que não ser fã de compras”.

Já no flat, eu tomei banho e coloquei uma roupa confortável pra receber os meninos. Quando o jantar estava quase pronto, os meninos chegaram reclamando infinitamente que nós havíamos os largados. E exigindo que não os largássemos mais do jeito que fizemos.

–Ei, tá chega. –Danielle disse, fazendo-os se calar. -Já entendemos. Não largaremos mais vocês do jeito que fizemos. – Dani começou

–Largaremos de outros modos. – Eleanor terminou, arrancando riso de todos. Louis a olhou indignado e depois me olhou.

–O que você fez com a minha namorada? – demos risada. Louis adorou a noticia de que Eleanor iria morar comigo a partir de amanhã. Ele simplesmente sentou do meu lado e os dois ficaram se beijando como se não houvesse mais seis pessoas observando.

Pigarreei. Eles nem se separaram. Revirei os olhos e franzi o nariz.

O pessoal ali se distraiu e logo eles mudaram de assunto, mas eu não consegui entrar neste. Demonstrações de afeto em público mexem com meu psicológico. Não acho que um dia vá fazer isso com alguém.

Realmente espero não ter que engolir o que eu acabei de dizer.

–Porque essa careta? –Harry perguntou sentando do meu outro lado. Virei pra olha-lo.

–Você vai me achar seca, mas demonstrações de afeto me incomodam. – Harry sorriu. Por quê? Por que ele é lindo assim?

–Na minha opinião, você finge que não gosta. –franzi o cenho, pensando nisso.

–Nah, não faz meu tipo. –dei de ombros. Ele me abraçou pelo ombro e me deu um beijo na bochecha. Olhei pra ele, curiosa.

–Como se sente com essa demonstração de afeto? – eu sorri pra ele. Confortável e incrivelmente incomodada ao mesmo tempo.

–Vocês são uma gracinha, deveriam casar e ter quatro filhos. –Niall falou chamando minha atenção. Pensei que ele estava falando de Louis e Eleanor, mas ele olhava pra mim e pra Harry.

–Mas... Quê? O que tem de...?

–Shhh. –Harry disse pra mim e se virou pra Niall. –Sim, nós deveríamos, mas vou esperar ela terminar a faculdade pra fazer o pedido. –revirei os olhos pra Niall.

–Menos. Vamos jantar. –falei querendo mudar de assunto. Após jantarmos, ficamos sentados no chão da sala e ficamos contando piadas. Depois resolvi apagar as luzes para contamos histórias de terror, foi realmente sinistro.

–Da banda de vocês, sabe quem eu acho o melhor? –questionei.

–Eu? – Louis pergunta convencido. Revirei os olhos sorrindo.

–Também Louis, também. –falei pra faze-lo se calar, e eles riram percebendo. –Mas estou falando da banda. Sandy, Dan e Josh. Acho que o Josh é muito bom.

–Sério?

–Sim. Acho que ele toca muito bem. Na maioria das bandas, as meninas normais sempre se apaixonavam pelo vocalista ou guitarrista. Eu sempre tive crush pelo baterista.

–Bem, vai ter uma festa logo, a gente pode te apresentar ele. – Niall fala distraído. –Ou... Não? –disse olhando pra Harry. Olhei pra Harry e vi que ele cerrava os olhos pra Niall. Dei de ombros, olhando pra Harry. Ficamos conversando até eu, por impulso, olhar pra Zayn que me olhava nervoso.

–Vem. – o chamei. Abri os braços, e ele me abraçou.

–Você vai ficar muito chateada comigo se eu escapar agora?

–Não, não vou. Mas consegue aguentar mais um pouco? –ele assentiu. Tudo o que eu precisava era distraí-lo. Nós começamos a conversar enquanto os outros nos olhavam curiosamente, provavelmente achavam que tinha algo entre eu e Zayn. Um tempo depois, Louis e Eleanor subiram pro quarto que seria de Eleanor, Danielle e Liam foram para o outro, Niall dormia no sofá e Zayn já estava quase dormindo.

Pensei que só eu estava acordada, mas quando levantei o olhar Harry estava ali me observando.

–Ahn... Por que está me encarando? – ele sorriu – Pare de sorrir Harry. Olhe essas covinhas. – Harry riu, sem graça. Abaixei a cabeça novamente e olhei pra Zayn que dormia no meu colo. – Z... – sussurrei.

–Hm? –murmurou.

–Quer deitar no sofá? –ele mal conseguia abrir os olhos. Subir com ele para o meu quarto seria muito difícil.

–Ok. – ele sentou sonolento, bocejou e ficou parado de olhos fechados. Ri ao perceber que ele estava dormindo sentado.

–Zayn.

–Eu. –ele ajoelhou-se e apoiou as mãos no sofá pra levantar. Deu um beijo na minha testa e sussurrou um “obrigado” no meu ouvido antes de deitar no sofá e dormir na hora. Abri a boca, chocada.

Que inveja. Olha a rapidez com que ele consegue dormir.

Eu ficava pensando em mil coisas, inventando histórias, planos e coisas pra fazer com o futuro antes de dormir. Resultado? Acordava querendo dormir de novo.

Suspirei e olhei pra Harry. Deu-me uma vontade de ficar perto e também vontade de sair correndo.

–E sobramos nós dois, nipples– Harry revirou os olhos com um meio sorriso. Levantei-me e estendi a mão pra ele – Vamos.

–Pra onde?

–Você tem duas opções. Sala ou meu quarto – ele pegou minha mão, e eu o puxei. Assim que entramos no quarto, fechei a porta e bocejei. Peguei uma blusa que estava em cima da escrivaninha, virei de costas e a troquei. Virei-me pensando que ele iria se virar também, mas quando o olhei ele estava olhando na maior cara de pau.

–Mas que garoto atrevido, olhando uma garota trocar de roupa.

–Você quem trocou na minha frente. –disse dando de ombros.

–E se eu fosse para o banheiro? Você não iria olhar pela fechadura? – ele deu de ombros sorrindo

–Claro que ia. – ri. Entrei no closet e tirei o jeans, colocando um short de pijama. Lembrei-me dos meninos lá embaixo e busquei dois cobertores, descendo pra sala e colocando um por cima de Niall e outro por cima de Zayn.

–Obrigado. –Niall agradeceu sonolento. Sorri e dei um beijo em sua testa.

Subi novamente e bocejei, deitei na cama e bati no espaço ao meu lado brincando e sorrindo maliciosa pra Harry, que riu e foi tirando sua roupa até ficar com uma cueca samba-canção preta.

Muito bem. O que dizer sobre essa cena excitante que acabei de ver?

Muito excitante. Somente. Depois desse strip-tease particular acho que ele deveria vir até mim e também...

Paro por aqui. Inapropriado pra menores de 18 e olhe só. Eu nem tenho 18.

–Ah. Mas que pena. Pensei que ficaria nu. – falei forçando o tom decepcionado. Mas talvez, bem talvez, lá no fundo, bem no fundo, eu estivesse realmente decepcionada.

–Estou de cueca porque estou te respeitando. Eu durmo pelado, Larissa. –tentei não imaginar isso.

–Não se preocupe com isso, pode ficar a vontade – ele riu e deitou-se ao meu lado.

–Se você tirar suas roupas, eu tiro.

–E aí poderíamos fazer um pouco de sexo. –ironizei.

–Isso foi uma proposta? Porque eu aceito. –dei um tapa no braço dele e ri.

–Não, palhaço. Estava ironizando, é modo de falar.

–Modo de falar que quer transar comigo?

–Harry! –exclamei. Ele riu.

–Que pena. – murmurou. Revirei os olhos e me virei, deitando de barriga pra cima e começando a cantar uma música qualquer.

–Gosto da sua voz. –olhei-o. –Sério.

–Uh. Obrigada, eu acho. – falei franzindo o cenho.

–Vamos conversar um pouco. –deitei de lado pra poder olhá-lo. Harry me imitou. –Diga o que um cara precisa ter pra te conquistar. – me surpreendi com a mudança de assunto.

–Você é bem aleatório. –ele riu. Eu gostava disso. –Eu não gosto que saibam disso, mas... Eu gosto de caras que sejam engraçados e que me tratem bem. Que me passem confiança e que possa ser meu amigo, antes de qualquer outra coisa. – falei desviando os olhos dele.

–O que faria mais seu tipo: o cara tímido ou o cara popular?

–Como eu me odeio, o cara popular. Porque gosto de ter aquilo que os outros querem.

–A sensação de conquista, não é? –assenti.

–E você, Harry?

–O que gosto numa garota? –assenti. Ele olhou para o teto parecendo pensar. –Eu gosto de garotas independentes. Com senso de humor, que me façam rir e esquecer os problemas do dia-a-dia. Alguém que faça... As coisas valerem a pena. –disse e franziu o cenho. Franzi os lábios, um tanto encantada. –E o que você não gosta?

–Eu sou um tanto sensível, então odeio que me critiquem, aumentem o tom de voz pra mim, coisas assim. Acho feio quando o homem se acha demais. Também detesto mentiras, falta de confiança e não suporto traição. –os olhos dele passaram por todo o meu rosto, tentando ver o que estava sentindo, mas ele era um péssimo analista. –E você?

–Não gosto que me digam o que fazer. Não gosto que abusem de autoridade. Odeio falsidade, mentira e traição. E não gosto que me prendam.

–Mesmo se estiver namorando? –ele pensou por alguns segundos antes de coçar a nuca.

–Sim. Acho que tem um limite. Eu não sou um cara ciumento. A única pessoa que sinto ciúmes é minha mãe. –rimos. –Ela e Gemma se veem com mais frequência que eu a vejo. E ela está casada de novo agora, então eu tenho muito ciúmes dela. Apesar de que meu padrasto é ótimo.

–Também não sou ciumenta... Mas acho que quando gosto de alguém, sou muito.

–Acredite, quando eu sentir muito ciúmes de uma garota é porque eu estou muito apaixonado.

–Entendo. –murmurei pensativa. Desviei meus pensamentos dele. –Estou a fim de aprontar alguma coisa. – Harry riu.

–Então vamos. Vamos pintar o pessoal. – nos levantamos. – Onde está sua maquiagem?

–Tem um nécessaire em cima da cômoda no closet – ele entrou e logo saiu segurando a nécessaire. Peguei umas canetinhas e coloquei ali também. – E se fizéssemos assim: as garotas de homem, e os meninos de garota? – ele assentiu rindo – Vou pegar umas lingeries pra colocar neles.

–Onde? – fui até meu closet e abri minha gaveta de lingeries. Harry estava atrás de mim – Sem querer ser um pervertido, mas que lingeries bonitas você usa ein? – revirei os olhos e ri dele.

–Fique longe desta gaveta. –adverti.

–Por quê? Eu gostei tanto dela.

–Vamos, senhor tenho-tara-por-lingeries. –o puxei pela mão. Fomos até o quarto onde estavam Dani e Liam. Paramos no corredor e eu olhei pra ele. – Tenho outra ideia.

–Qual? Você é diabólica, sabia? – ri

–Que tal dividirmos isso com o mundo? – ele sorriu maldosamente.

–Com certeza. Vamos pegar seu notebook – voltamos na ponta do pé pro meu quarto, liguei o notebook e ele logou no twitter dele.

“São quase quatro da manhã e eu ainda não dormi. Por quê? Live stream daqui cinco minutos.”

–Vão achar que você foi abduzido, avisa que é você no seu corpo. –Harry riu e assentiu.

“Não se preocupem, ninguém me abduziu. Eu sei que se o tivessem feito eu falaria isso também, mas acreditem em mim.”

Harry colocou a calça jeans de novo e fez o login. Enquanto carregava fazíamos o plano.

–Olá! –ele falou quando viu que havia carregado.

–Hey! –o imitei.

–Então, aqui em Londres são... – olhou no relógio do notebook. – 03:45. Por que estou acordado esta hora? – ele me olhou. –Bem, a culpa é dela.

–Sonso. –ele deu risada.

–Ela quer aprontar com os garotos. E confesso, também quero. Estão todos dormindo, menos nós dois.

–Vamos deixar as meninas como homens e os meninos como mulheres.

–Ela até pegou lingeries. –eu o olhei e ri. Harry sorriu e eu derreti.

–Sem comentários sobre isso, Harry – ele riu.

–Suas lingeries são bonitas.

–Harry! –dei um empurrão nele e ele caiu na cama rindo. Ri junto

–Certo. – ele se levantou pegando o notebook. Já tinha muita gente assistindo. Conduzi até o quarto onde estavam Liam e Danielle, e abri a porta. Não deixei Harry mostrar ainda, eles poderiam estar num momento constrangedor. Mas graças a Deus os dois estavam vestidos.

Chamei Harry com a mão e ele entrou apoiando o notebook em uma escrivaninha. Acendi o abajur, peguei uma caneta e comecei a pintar as pernas de Dani, deixando com aparência cabeluda. Harry pegou um sutiã e começou a colocar em Liam. Depois eu fiz um bigode e barba em Danielle. Logo peguei a maquiagem e nós dois maquiamos Liam, passando sombras, rímel e batom. Nós dois nos controlávamos pra não rir. Ficou hilário. Tinha vezes em que nos olhávamos e íamos ao chão tentando segurar o riso. Fizemos em todos os outros, menos em Louis e Eleanor.

Eu já sabia que pegaria ambos em uma cena constrangedora então deixei isso de lado.

Voltamos pro meu quarto e finalmente conseguimos rir o que tínhamos segurado. Depois de recuperar o fôlego, deitamos na cama e voltamos a dar atenção à live stream. Respondemos algumas perguntas e depois nos despedimos, e desligamos.

Levantei-me e peguei meu celular, indo até a porta.

–Aonde vai?

–Tirar fotos do Louis e Eleanor. É bom ter pra se prevenir e poder chantageá-los depois. –ele deu risada e levantou junto comigo puxando seu celular da calça que ele já havia tirado. Abrimos a porta do quarto deles e lá estavam os pombinhos. Dormindo abraçados, enrolados em um cobertor roxo. Tiramos algumas fotos e voltamos pro quarto.

–Talvez eu seja maliciosa demais e eles estejam com roupa.

–Sou suspeito pra falar de mente maliciosa, mas desculpa, eles não estavam com roupa não. –demos risada.

–Me dei conta de que nós não tiramos fotos da nossa arte.

–Mas gravamos. Para o mundo todo. – concordei, ele se aproximou de mim. – Agora nós dois – franzi a testa, ele simplesmente deu um beijo em minha bochecha e tirou uma foto. Abri a boca, sem saber como reagir.

–Ei! Eu não gosto de tirar fotos.

–E é modelo. – murmurou irônico, raciocinei e comecei a rir.

–Eu sei que é estranho, mas estamos falando de mim.

–Exatamente. –disse digitando umas coisas no celular, sem me olhar.

–Você não está postando isso. –um sorriso formou-se no canto de seus lábios e ele estendeu o celular pra mim.

“Surprise face, love you girl” sorri um pouco envergonhada. Ele sorriu de volta do mesmo modo. Seria perfeito se eu não tivesse tanto medo de gostar de alguém.

–Me deixe ver suas tatuagens. – ele assentiu mostrando-me todas elas e me contando de onde ele tinha tirado ideias pra cada uma delas.

–Quer fazer? –perguntou curioso.

–Eu gostaria, mas além de não saber o que fazer, eu tenho pavor de agulha. – disse pensativa, ele franziu a testa

–Estranho, pessoas normais dizem que tem medo de doer. Mas tudo bem, estamos falando de você, não é mesmo?

–Ei!– dei língua pra ele, que somente riu e deitou-se ao meu lado.

–Quando você decidir o que quer fazer, me avise porque quero ir com você. – assenti apertando os lábios. Ele desceu os olhos pra minha boca e logo desviou o olhar. –Eu não sei o que dá em mim que... Eu sinto vontade de te beijar a todo tempo. –pude sentir o sangue correndo em meu rosto.

–Qual seu problema com os meus lábios? – ele sorriu.

–Eu não sei. Já se beijou pra saber o que to sentindo? –ri um pouco. –Eu me sinto atraído por você. –confessou e eu paralisei.

–Atraído por mim? – perguntei.

–Muito.

–O que você almoça? – ele balançou a cabeça rindo.

–Se você ainda não sabe, você é muito atraente. –eu franzi o cenho, desconfiada. –Não estou brincando. – falou sério. –Você é muito bonita. Além de ser divertida e inteligente. Não costumo conversar muito com garotas. Com algumas exceções, a maioria é entediante. – levantei as sobrancelhas. Ah Deus, não seria muito mais fácil se eu pudesse simplesmente falar pra ele o que estou sentindo? Eu poderia não ter tanto medo da rejeição nem medo de me machucar me relacionando com ele.

–Isso é motivo pra querer me beijar “a todo tempo”?

–Sim. – falou como se fosse óbvio

–Eu é que sou esquisita – murmurei, ele riu. Bocejei e abracei-o com as pernas. Sem querer, ou nem tanto, passei a mão em seu tórax e ele se contraiu com meu toque.

Olhei-o assustada. Ele se arrepiou com meu toque?

Ah, que isso, relaxa. Não é nada demais, cara. Eu simplesmente só consigo fazer Harry Styles se arrepiar só tocando nele. Qualquer um consegue isso.

Deixei isso de lado e sorri maliciosa. As bochechas de Harry queimaram de tão vermelho que ele ficou. Arranhei seu abdômen com as unhas, ele se contraiu novamente e eu acabei rindo.

–Você está se arrepiando!

–Estou! Olhe o que você está fazendo

–O quê? – perguntei inocente. Ele olhou para os meus lábios novamente.

–Você está simplesmente me excitando. Para com isso. –ergui a sobrancelha, achando graça. –Se eu tentar te beijar e você me impedir, eu ficarei chateado. Você não tem noção de como eu quero te beijar. –balancei os ombros.

–Beija, oras. Estou bem aqui. – Harry me encarou, vendo se eu falava sério. Quando viu que sim, levou sua mão até minha nuca e sem pensar duas vezes, me beijou. Oh meu Deus... Esse cara beija tão bem.

A pessoa que antes estava com frio, agora estava com calor. Essa era eu.

Harry apertou minha cintura com sua mão livre e aprofundou um pouco mais o beijo. Coloquei a mão em sua nuca, puxando-o mais, arranhando a nuca dele, além de entrelaçar os dedos em seu cabelo. Ele aproximava mais seu corpo e eu podia sentir o calor emanando dele.

Cortei o beijo dando uma mordida em seu lábio inferior. Harry me olhou por alguns segundos e colou nossos lábios novamente. Harry virou-se e deitou por cima de mim, apoiando-se no cotovelo. Afastou alguns fios de cabelo do meu pescoço e levou os lábios até aquela região, distribuindo beijos e mordidinhas. Todas as sensações possíveis, eu estava sentindo. Estava arrepiada da cabeça aos pés e estava a ponto de simplesmente me entregar pra ele. Minha blusa levantava aos poucos, percebendo isso, ele levou suas mãos até minha barriga, acariciando-a.

Eu sabia que deveria parar.

–Harry... –murmurei.

–Hm. –ele murmurou de volta, ainda beijando meu pescoço. Abri os olhos e afastei-o um pouco. Ele me encarou. Eu via muito desejo nos olhos dele. Ele me queria. Era bom saber isso. Mas...

Não quero ser “só uma comida”. Não quero perder a virgindade com uma transa casual, e ficar chorando depois porque me apaixonei e ele já teve o que queria.

Eu também o queria. Mas eu sabia que não podia. Ainda era cedo demais.

–Não podemos. – murmurei e ele assentiu. –Desculpe.

–Tudo bem. – ele deitou-se ao meu lado e ficou olhando pro teto. Em seguida, ele suspirou. –Tenho a impressão de que você vai me excitar muitas vezes e depois vai me deixar na mão. Literalmente.

–Harry! –exclamei rindo. Ele riu junto. –Babaca.

–Você me ama.

–Amo, mas não vou confessar isso. –ele sorriu. –Boa noite, nipples.

–Boa noite, Lari. – aproximei-me dele e o abracei. Fechei os olhos e em questão de poucos minutos adormeci. Coisa que acontecia raramente.

*

Eu e Harry acordamos pintados. Parece que resolveram se vingar.

Eleanor e Louis acordaram bastante bem humorados, o que fez eu e Harry comprovarmos a teoria do sexo. Os meninos tiveram uma conferência, Eleanor e Danielle foram trabalhar e eu também.

Sei que à noite nos reunimos no flat novamente. Eu não dei muita atenção aos outros, pois estava preocupada com Zayn. Ele havia me contado que tinha fumado quase um maço porque não conseguiu se segurar.

Harry parecia irritado com alguma coisa e nós mal nos falamos. Louis e Eleanor subiram, os demais foram embora, sobrando eu, Zayn e Harry vendo televisão. Foi quando o celular de Harry tocou e ele saiu pra atender, voltando poucos minutos depois com algo nos olhos.

–Eu já vou, boa noite.

–Aconteceu algo Harry? – Zayn perguntou franzindo o cenho. Vi o olho esquerdo de Harry piscar sozinho e umedeci os lábios. Ele estava irritado com Zayn. E comigo.

–Não. Caroline me ligou e disse que quer me ver. Vou ao apartamento dela. – certo, eu não precisava saber disso. Ele simplesmente podia dar boa noite e ir pro apartamento da ex. Ele realmente não precisava falar isso.

Por que caralhos minha garganta está doendo?

–Você está falando sério? – Zayn perguntou sentando, cético e o encarando como se ele tivesse dito que rasga dinheiro e come.

–Você vê alguma brincadeira no que estou falando? – Zayn fechou a cara pra ele. E eu tentava entender sobre o que era isso tudo.

–Vá, Harry. Mas saiba que está sozinho nessa. Não te ajudarei nem deixarei nenhum dos meninos te ajudar. – falou seco.

–Não preciso da ajuda de vocês. Se eu a quiser, eu terei. –franzi a testa e desviei o olhar da TV pra eles.

–Veremos. – Harry deu um sorriso debochado e levou o olhar até mim.

–Boa noite, Lari.

–Boa noite, Harry. –murmurei torcendo o canto dos lábios em um sorriso. Ele fez o mesmo e saiu do flat. Eu olhei pra televisão sentindo que ia explodir. Não deixava transparecer nem por um segundo o quão magoada havia ficado.

Muito bem. Eu estava mais uma vez acabando com a minha vida por causa de paixões. Precisava parar com isso agora senão logo não estaria mais saindo de casa, ficaria com depressão debaixo das cobertas. Não sei quantos recomeços terei até não aguentar mais.