This Sun Has Set
7 Capítulo 6
Notas iniciais
— Hum, boa noite.
— Boa noite. — O homem alto estende a mão em cumprimento. Essa é a última coisa que eu esperava encontrar na porta do Dean. Aperto sua mão.
— O Dean está? — Nunca me imaginei em uma situação tão estranha.
— Qual o seu nome? — Reviro os olhos.
— Katherine. — Cruzo meus braços.
Ele fecha a porta. Que porra! O Dean some e quando eu chego na casa dele, me deparo com um puta de um homem, sem camisa e ele ainda fecha porta na minha cara. Escuto a maçaneta girar. Ótimo!
— Kath? Tudo bem?
— Na verdade, não. — Qual é, Dean?
— Aconteceu alguma coisa? — Suspiro irritada.
— Eu posso entrar?
— Hum… pode. — Hesita.
Passo por Dean e logo posso ver o homem que me atendeu. O que está acontecendo aqui? Olho para os dois.
— Tudo bem, Dean?
— Sim. — Imagino. — Esse é meu irmão, Sam. — Irmão?
— Prazer, eu sou a Katherine… Kath. — Me apresento.
— Prazer, eu sou o Sam.
— Dean, posso conversar com vc?
— Claro, vamos lá para fora. — Se você ia me levar para fora, nem devia ter entrado. Reviro os olhos. — Ou, meu irmão pode ir para fora, não é? — Sam levanta.
Espero ele sair. Ai, ai, que droga.
— O que está acontecendo? — falo séria.
— Como assim? — responde com outra pergunta.
— Você some, falta a aula e nem manda uma mensagem. — desabafo.
— Achei que você estivesse muito ocupada com a sua nova ‘amiguinha’. — Isso é ridículo.
— Que besteira! Você está se escutando? — Agora você deu para falar merda?
— Estou sim, mas parece que não lembra mais de mim. — Isso é besteira!
— Não lembro mais de você? Como assim? O que você acha que eu vim fazer aqui? — grito com raiva. Mas que merda! Vai se foder, cara! — Vim aqui atrás do meu amigo e não de um idiota.
— Me desculpa. — Coça a cabeça. — Acho que fiquei com um pouco de ciúmes. — Você acha?
— Dean, você é meu amigo, não importa quem apareça.— falo com todo o meu coração. Ele sorri.
— É bom saber disso, Kathy. — Kathy? Sorrio.
— Então… Aquele gostosão é seu irmão? — Dou ênfase na palavra “gostosão”.
— Eu tive a quem puxar, não é mesmo? — Convencido! — Eu saí muito mais gostoso do que ele.
— Você não devia se iludir desse jeito. — Damos risada.
— Quer tomar umas cervejas com a gente?
— Pode ser, chama ele.
Que alívio, estava tão agoniada. Ainda bem que agora tudo está bem. Sorrio. Agora vou conhecer o irmão dele, ótimo. Balanço a cabeça.
— Agora que vocês resolveram os seus problemas, podemos beber. — Sam diz todo feliz.
— Então, o que você faz para viver? — Pergunto simpática.
— Trabalho em uma empresa de advocacia. — Que chatice. — Faz faculdade com o meu irmão?
— Sim, estamos na mesma sala.
— Entendi, como se conheceram? — Ainda bem que você não faz muitas perguntas. Penso, irônica.
— Meu Deus, cala a boca, meu! — Dean intervém. — Você pergunta demais! Deixa ela quieta.
— Cala a boca, você! Só quero entender como vocês se conheceram, que saco. — reclama.
Solto uma risada alta e me levanto para pegar minha cerveja. Eles são irmãos mesmo, brigam como duas bestas. Sorrio. Eu e Elena éramos assim, sempre brigando, mas nunca nos deixávamos na mão, sempre unidas. Meus olhos ficam marejados, respiro fundo tentando espantar a tristeza.
— Então, Katherine? Como foi? — Sou retirada de meus devaneios.
— O quê?
— Como foi que vocês se conheceram? — Sam questiona novamente.
— Eu estava bêbada e ele me "salvou". — Faço aspas com meus dedos.
— Entendi. — Ele faz uma cara péssima. Ótimo! Ainda bem que passo uma boa impressão com a minha história.
— Você devia ter visto, ela nem conseguia ficar em pé. — Ai Dean, você abre a boca só para piorar as coisas. Estou completamente constrangida.
— Olha, tenho que ir. Amanhã tenho aula, você vai? — pergunto a Dean.
— Sim, claro. — Finalmente. — Quer que eu te leve?
— Por favor. — Sorrio. — Sam, foi um prazer. — Estendo minha mão.
— O prazer foi meu.
Vou em direção a garagem. Chegar em casa e tomar bom banho, depois cair na cama. Meu celular vibra, mostrando que chegou uma nova mensagem. Pego-o.
Anne: Já chegou em casa?
Kath: Ainda não, passei no Dean.
Envio. Não sei se foi uma boa ideia falar isso para ela.
— Vamos? — Dean entra no carro.
— Sim.
— Então, você conheceu meu irmão.
— Ah, se eu soubesse teria vindo outra hora, desculpa.
— A imagina, relaxa. — Estou relaxada.
— Ele gosta de ficar sem camisa, não é? — Tendo descontrair.
— Pode-se dizer que é uma coisa familiar.
— Você gosta? De ficar sem camisa?
— Sim, é bem melhor, me sinto mais livre. — Livre? Dou risada.
— Mais livre? Sério? — debocho.
— Sim, sinto como se eu respirasse melhor. — Então você deveria raspar o cabelo, assim o seu cérebro respira. Tento me conter, mas mesmo assim solto uma risada.
— E o seu irmão? Também se sente assim?
— Não sei, vou perguntar. — Engraçadinho.
Ele para em frente a minha casa. Finalmente chegamos, vou ficar no mínimo meia hora na banheira.
— Como você comprou sua casa?
— Não comprei, é alugada.
— Você quem paga? — Ainda não, ainda.
— Não, meus pais pagam, por enquanto.
— Sei, precisa de um emprego?
— Preciso, mas não estou me mexendo para conseguir um. — Suspiro. — Tem algum para mim? Trabalho?
— Meu irmão precisa de uma secretária.
— Secretária? Não tem outra coisa, não? — Faço uma voz manhosa.
— Vou começar a trabalhar de mecânico, pode vir comigo, se quiser. — Eu? Mecânica? Nunca!
— Não entendo nada de carros, acho que posso ser secretária numa boa.
— Vou falar com o Sammy, assim ele te entrevista. — Sammy? Que meigo.
— Ok, vou entrar, já está tarde.
— Boa noite, Kathy.
— Boa noite, Dean. — Sorrio.
Saio do carro e corro para dentro. Como sempre deixo uma trilhar de roupas até o banheiro, encho a banheira. Acho melhor mandar uma mensagem para Anne, ela não me respondeu, talvez tenha ficado brava. Solto um suspiro exausto.
Kath: Cheguei em casa. c:
Anne: Legal, boa noite.
É, ela está brava.
Kath: Tudo bem? Parece brava.
Anne: Talvez eu tenha um pouco de ciúmes do Dean.
Kath: Deixa disso, ele também tem ciúmes de ti. haha
Anne: Ok ok, como você está?
Kath: Bem, mas exausta.
Anne: Vou deixar você dormir, nos vemos amanhã?
Kath: Sim, vamos tomar café amanhã mesmo?
Anne: Claro :3
Kath: Dean pode ir?
Anne: Não gostei muito da ideia, mas tudo bem né? Fazer o quê?… Até amanhã, beijooos, linda.
Kath: Até, beijos!
Sorrio e prendo meu cabelo. Melhor mandar uma mensagem para aquele cabeça oca.
Kath: Dean, me pega às 6:55?
Dean: Aonde?
Kath: Na minha casa, vamos tomar café.
Dean: Ok, até amanhã.
Entro na banheira e jogo um monte de sais de banho. Finalmente posso relaxar, Dean e eu estamos bem de novo e Anne, acho que não vai mais se importar com ele. Ensaboo meu corpo e assopro um pouco de espuma, dou risada. Espero que os dois comecem a se dar bem, quem sabe até viram amigos. Balanço a cabeça. Acho que isso é demais também. Ligo a hidro para dispersar toda a espuma, tiro o que resta em meu corpo e desligo. Abro o ralo.
Me enrolo em uma toalha e vou para o quarto pegar uma calcinha. Ai que sono! Melhor desligar as luzes rápido e correr para cama. Chego na sala e pego minhas roupas, tenho uma sensação estranha. Parece que tem alguém me observando. Vou até a janela, só para ter certeza de que não há ninguém. Devo estar louca.
Separo as cortinas e observo a rua, estreito meus olhos e posso ver, do lado de uma grande árvore, uma pessoa, não consigo ver seu rosto. Ai meu Deus, o que eu faço? Corro para pegar meu celular e começo a discar o número de Dean, paro em frente a janela novamente, estreito meus olhos. Não tem mais ninguém. Respiro enquanto algumas lágrimas descem. Tinha alguém ali, não estou louca.
Apago todas as luzes e me jogo debaixo das cobertas, deixo o número de meu amigo para a discagem rápida, tento acalmar meu coração que bate descompassado. Eu sei que tinha alguém, só espero que não seja nada de ruim.
Suspiro pesadamente e fecho meus olhos.
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