This Is The End
1 Let the tears cleanse your soul
Notas iniciais
Beijos
- O plano é simples Effy – o garoto loiro com os olhos castanhos fala perto do ouvido da menina com cabelos parcialmente loiros e olhos cor de mel – A gente entra, pega o que for necessário e sai.
- Eu sei Danny, mas só temos 5 balas no pente e lá dentro tem muito mais que 5 errantes.
Danny suspira já irritado com a garota agachada ao lado dele.
- Arriscado é continuarmos aqui fora com fome e sede, sabendo que o frio esta chegando.
- Eu sei! Mas eu prefiro morrer de fome do que devorada por esses bichos... – Effy suspira profundamente – Nós vamos encontrar outro lugar Daniel, uma casa abandonada ou algo do tipo! Você sabe que aqui não vamos ter nenhuma chance.
- Mas e se eu morrer? – o garoto solta isso sem pensar nas conseqüências.
Acontece que Effy tem estado muito emotiva desde a última semana quando sua mãe foi pega por errantes e tudo isso para salvar a pele dela e de seu namorado. Daniel sabe que o simples fato de pensar na morte dele a deixaria com lagrimas nos olhos, mas o garoto esta tão faminto que mal pensa.
- Você... Não – ela suspira por um momento e pisca os olhos até as lagrimas desaparecerem – Você não vai morrer Danny.
- Eu sei querida – ele toca o rosto dela com a ponta do dedo e acaricia para cima e para baixo – Eu não vou te deixar, nunca.
Ele a beija rapidamente, apesar de ansiar por mais há vários meses.
Desde que essa porra toda começou, Danny e Effy estão sem ter relações sexuais.
Três anos antes da praga, eles se conheceram no segundo ano do colegial e logo começaram a namorar. E apesar de o namoro deles ser vai e vem – cheio de brigas e términos de um dia – não há dúvida que eles se amam. Effy já estava morando com ele, era o ano que iriam relaxar e trabalhar, a faculdade podia esperar mais um ano. Mas a parte de relaxar foi suspensa assim que os avisos começaram na TV. Os pais da namorada foram morar com ela e desde esse tempo ele esta na “seca”.
Não que Danny seja um viciado em sexo, mas ele sente falta, apesar de compreender porque Effy não tenha mais vontade de praticá-lo como tinha antes.
A garota aperta a mão dele e olha bem dentro de seus olhos.
- Danny, estou falando sério, vamos continuar andando... Aqui não é lugar para dois jovens despreparados entrarem assim!
Daniel olha para o super mercado a frente deles e suspira. Eles estão a 15m de distancia da entrada principal e o estacionamento da frente esta infestado de errantes pegajosos e sedentos por sangue. Ele não pode deixar de se imaginar matando todos e entrando no mercado... Tantos tesouros que eles conseguiriam.
- Você esta certa amor. – ele sorri – Vamos embora daqui antes que eles sintam nosso cheiro.
Depois de 1km Danny começa a achar que foi um erro abandonar o mercado. Nenhum errante os incomodou, mas o vento frio que atormenta essa parte da Geórgia nessa época do ano os faz estremecer a cada passo.
Quando esta quase perdendo as esperanças e desistindo de tudo, o garoto sente o aperto de Effy em sua mão.
- Daniel olhe! – ela sorri radiante – Uma casa!
Danny olha para onde o dedo de sua namorada aponta e vê uma construção colonial de dois andares, a casa que devia pertencer ao dono da fazenda que se estende por uns 5km de plantações mal tratadas, hoje parece abandonada e sem qualquer sinal de moradores ou errantes.
- Parece abandonada! – ele sussurra quase em estado de choque.
- Vamos olhar mais de perto... – Effy o puxa devagar.
A arma que Daniel segura, uma Smith Wesson, calibre .38 tem 5 balas sobrando no pente. O resto da munição foi gasto em errantes que tentaram devorar Claire, mãe de Effy, e na cabeça da própia Claire depois de ser mordida por uma enfermeira sem os braços.
- Pega sua faca. – Daniel ordena a Effy que rapidamente obedece.
Effy nunca foi o tipo emotiva, na verdade. De todas as vezes que eles brigaram, ele só a viu chorar uma vez. Mas depois da morte de seus pais... Sua namorada tem estado muito chorona. Toda noite, quando ele fica de vigia e ela vai dormir na barraca velha deles, ele escuta o choro baixo dela. E isso corta seu coração,mas não há nada que ele possa fazer. Seu pai, falecido anos antes da praga, costumava lhe dizer que quando alguém esta realmente triste tudo o que precisa é chorar e deixar as lagrimas limparem sua alma.
Uma sombra na janela do segundo andar chama a atenção de Daniel e ele para.
- Tem alguém na casa. – ele sussurra. – Vamos entrar devagar, fica atrás de mim.
Com um chute, Danny derruba a porta. Passos são reconhecidos no andar de cima e ele levanta a arma na altura da boca.
Eles entram na casa, caminhando devagar e atentos a qualquer barulho.
Effy bate na parede com força, fazendo barulho para qualquer bicho aparecer.
E lá esta, no topo da escada. Um homem com barba branca respingada de sangue e roupas típicas de fazendeiros, blusa vermelha quadriculada e botas pontudas. A parte superior esquerda de sua cabeça esta funda, como se alguém tivesse empurrado para dentro e metade de sua bochecha foi decepada, dando lugar a dentes podres com restos de carne preso entre eles.
O velho em decomposição desce um degrau, mas acaba caindo e rolando escada a baixo e fica lá no chão deitado tentando se levantar como uma tartaruga com o casco para baixo.
- Me de isso amor. – Danny pega a faca da mão de Effy e caminha até o velho jogado no chão – Sinto muito por isso, mas é necessário.
O velho tenta abocanhar Daniel e agarrar ele com suas unhas enormes, mas com um único golpe, o garoto loiro finca a faca na cabeça do errante e ele fica imóvel.
Um liquido preto escorre pelo buraco na testa do senhor morto quando Daniel puxa a faca.
- Fique aqui atenta e eu já volto. – Danny sussurra perto de Effy e da um beijo em sua bochecha.
Ele vasculha a casa procurando por mais errantes, mas não encontra nenhum. Fica aliviado, afinal mesmo com essa pose de durão, Danny esta morrendo de medo de tudo isso. Fazia seis meses depois do colegial quando isso tudo começou e ele sentia saudade de casa e de sua mãe. A mãe do garoto morreu vários anos antes, num acidente de carro junto com seu pai e irmão mais novo. Daniel teria um jogo de futebol e os pais não queriam chegar atrasados... Um babaca foi ultrapassar eles bem na hora que uma carreta vinha, então esse babaca jogou para o lado e seu pai perdeu o controle. Caíram num abismo de 20m de profundidade. Perda total no carro, todos morreram na hora, caixão fechado.
Depois disso, Daniel foi morar com uma tia que sempre ficava bêbada e sumia por umas semanas. Então resumindo, ele ficou sozinho, por isso assim que acabou o colegial foi morar com Effy, não podia mais viver daquele jeito imundo com sua tia. No dia que falaram na TV para ficar em casa e não abrir a porta para ninguém ele ligou para a tia e ela disse que um louco tinha mordido ela mais cedo e que ela não estava se sentindo bem e iria ao hospital. Hoje ele imagina se ela ao menos conseguiu chegar ao hospital sem virar um deles.
É assim que se pega essa doença sabe, com mordidas e arranhões. O pai de Effy dizia que isso era alguma virose nova e mutável... E ele sempre nos lembrava que iam encontrar a cura. Mas ele não veio conosco. Decidiu ficar no apartamento, mesmo que sua filha e esposa viessem. Danny nunca entendeu, mas não discutiu. Eles apenas saíram daquele lugar antes que tudo explodisse definitivamente. E agora, estão tentando ir para Atlanta.
Notas finais
Meio pequeno, eu sei,mas é só o primeiro capitulo!
Bjs!
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