Capítulo 78 — Um dia de sorte!

Nos poucos dias daquela semana nosso estoque de Tazi já havia aumentado consideravelmente. Embora Jorjão continuasse a devorar salgadinhos de diferentes sabores todos os dias, a maioria de nossas conquistas vinham das batalhas, facilmente vencidas por Demi, embora ela continuasse a achar que era tudo uma questão de sorte. Sorte ou não, tudo parecia estar indo a nosso favor e não demorou para nos tornarmos uma gangue poderosa em termos de Tazi.

- Vamos ver, vamos ver — Wilson sorri satisfeito em mais um intervalo com seu bolso cheio de Tazi — O que ganhamos hoje?

- Foi bastante. Aqueles caras que a Demi rapelou tinham vários — comentei.

- Ainda não acredito que eles não conseguiram nenhum dos nossos — disse ela, ainda duvidando de seu potencial.

- O importante é que conseguimos — continuou Wilson — Vejam só...com isso aqui já temos uns 90 Tazi diferentes de bronze. Sem contar que temos metade dos Tazi de prata e uns dez Tazi de ouro. Se continuar assim, nossa gangue será a maior autoridade em Tazi dessa escola!

- Será que seremos mesmo? — comentou Demi — Não conhecemos todo mundo da escola. É bem capaz de existir pessoas com mais Tazi do que nós.

- Heh! Por enquanto! Nunca poderão te derrotar em batalha, Demi! Com o meu faro para oponentes em potencial e com sua habilidade, logo iremos nos tornar os Tazi Masters supremos! Bwahahahaha!

- Andou treinando sua gargalhada diabólica de novo, não é? — comentei.

- É...mas acho que ainda preciso acertar o tom — respondeu Wilson.


— Mas concordo com o que Demi disse — comentou Karina, sem tirar os olhos do livroque estava lendo — Podem estar fazendo o nome de nossa gangue agora, mas como podemos garantir que não há grandes jogadores apenas guardando seu potencial?

- Não seja pessimista — retrucou Wilson — Será só uma questão de tempo até conseguirmos todos os Tazi e finalmente consagrarmos o nome da nossa gangue nesse colégio!

- Heh! Sonhador somo sempre... — diz uma voz cínica, chegando de repente em nosso território.

- Hã? Cássio? Você por aqui? — estranho Wilson. É. Cássio era um rival antigo de Wilson. O que ele queria agora?

- Ouvi dizer que estão conseguindo Tazi por meio de batalhas. Que decepção, Wilson

- Decepção? — estranheie.

- Aquele que considerei meu maior rival na ciência, aquele que eu respeitava como o meu maior concorrente ao prêmio Nobel, comemorando suas vitórias por meios covardes! Que vergonha!

- Por que está dizendo isso? — questionou Demi — Os Tazi podem ser conquistados por vitórias em batalhas. Faz parte do jogo!

- Fala isso porque tem um talento natural para jogar Tazi! Estão abusando de sua força como qualquer valentão folgado! Não são melhores do que eles!

Wilson arregalou os olhos e arrepiou os cabelos ao ouvir aquilo. Compará-lo a um bully ou valentão é um dos piores choque que ele pode sofrer. Isso e perder meio ponto na prova de Matemática por ter errado na conta.

- O...o que está dizendo? — Wilson parecia assolado. Cássio continua seu discurso.

- Se fosse mesmo um cara esperto, usaria de estratégia para conseguir os Tazi

- E usar nossa melhor jogadora de Tazi para conseguir mais não é uma estratégia? — questionou Jorjão.

- Existem estratégias menos covardes...como a estatística!

- Estatística? — repeti, não acreditando muito no que ouvia.

- Eu mexi meus pauzinhos e fiz algumas pesquisas — continuou Cássio — Descobri que existe um algoritmo relacionado ao código de barras de cada salgadinho e é isso que define o tipo de Tazi que você encontrará!

- Que tipo de algoritmo é esse? — indagou Wilson, mas Cássio mantinha sua pose confiante.

- Não acha que vou entregar meu segredo tão fácil, acham? — riu ele — Mas posso provar! Implantei um leitor de código de barras no meu celular incrementado com um software capaz de dizer o tipo de Tazi que será encontrado no salgadinho só com a leitura do código!

- Isso é sério? Sempre achei que os Tazi eram distribuídos de forma aleatória... — opinou Demi.

- Era o que você pensava. Alguém tem um salgadinho aí? — pediu Cássio. Karina pegou um dos salgadinhos que Jorjão ainda não devorou e passa para Cássio. Ele usou o leitor no código de barras e, quase que imediatamente, faz surgir na tela a palavra "Silver"

- Estão com sorte. Vocês tem um Tazi de prata nesse salgadinho!

- Temos mesmo? Jorjão — pediu Wilson e, sem pestanejar, Jorjão devora os primeiros salgadinhos até achar o Tazi e...revelar que é um Tazi de bronze.

- É de bronze...um alienígena Goofus do planeta Bakas. Já temos uns sete desses — falei.

- Impossível! O algoritmo não pode ter falhado! Fiz todos os cálculos direitinho...hackeie o site da indústria dos salgadinhos para obter os dados e...ops!

- Hackeou o site, heim? QUEM ESTÁ SENDO COVARDE AGORA? — falou Wilson, em uma voz seca e cínica.

- Grr....Maldição! Eles devem ter mudado o algoritmo! Agora vai demorar muito mais para achar o Tazi lendário e...

- Tazi lendário? — perguntei.

- Nada...eu não disse nada! — falou Cássio, já saindo dali quase tropeçando nas próprias pernas — Eu vou repensar a estratégia e derrotá-lo antes que possa se tornar um Tazi Master, Wilson! Grave bem minhas palavras!

Não sei se já disse isso antes, mas aquele cara era um panaca. Mesmo assim, fiquei curioso a respeito do que ele disse. Tazi lendário?

- Demi! Empreste seu iPhone? — falou Wilson, obviamente também curioso a respeito do que Cássio falou.

- Claro — disse ela, passando seu gadget para Wilson que, rapidamente, procura a palavra Tazi lendário na busca.

- Ah! Aqui! — disse ele. Todos nós (até Karina) nos apertamos para ler o que a busca tinha a dizer do objeto procurado — Não tem muitas informações, mas em alguns fóruns de Tazi andam dizendo que existe um Tazi especial, além dos 200 conhecidos, extremamente raro. Parece que a indústria só colocou quatro desses em circulação no país todo.

- Só quatro?! — exclamei — É raro pra caramba!

- Então é disso que o Cássio está atrás...um Tazi lendário...tsc! Uma pessoa que possua esse Tazi além dos 200 oficiais será um verdadeiro Tazi Master — suspirou Wilson.

- Sim. Mas quais nossas chances de obter uma raridade dessas? — falou Demi — Mesmo vencendo as batalhas nunca teremos a sorte de achar uma pessoa com um Tazi desses.

- E mesmo que encontremos, duvido que ela aposte seu Tazi lendário em batalha — falei — Uma raridade dessas deve valer uma boa grana!

- Sem dúvida — concordou Karina — Mas..como podemos garantir que a lenda é verdadeira? Não há fotos falando do Tazi, há?

De fato, era tudo texto jogado. Devia ser apenas uma lenda da Internet mesmo.

- É...talvez seja mesmo uma lenda — falou Wilson — Por enquanto, o que precisamos é nos concentrar em conseguir os Tazi oficiais. Tendo todos já nos torna Tazi Masters, não?

- É isso aí! — falei em uníssono, junto com Jorjão e Demi. Ei, espera um pouco, o que está havendo comigo? Minha reputação de rabugento azedo está indo embora. Bem, acontece que as coisas estavam dando tão certo que até eu estava ficando de bom humor! E isso era apenas o começo! Aconteceu algo ainda mais inacreditável naquele mesmo dia, quando estava descendo do carro da minha mãe, após a aula, em um desses momentos onde ela resolve comprar alguma coisa no mercado antes de ir para casa e eu, sem nenhuma pretensão, acabo olhando no chão, próximo ao meio-fio da calçada, dirigindo minha atenção para um pequeno objeto circular refletindo um brilho diferente. Parecia um...um Tazi? Devia ser um desses Tazi de bronze, como o Goofus, que ninguém quer. Mesmo assim, tive um ataque de curiosidade e resolvi ver qual era. Assim que coloquei minhas mãos nele, tive que me apoiar no carro para não cair para trás! Não podia ser! Realmente, não podia ser!

- O que foi, querido? — minha mãe observou minha reação estranha — Está passando mal?

— Pelo contrário, mãe...estou bem...muito bem — respondi. Estava apenas pasmo. O que tinha em minhas mãos era um Lord Blue Dragon, um dragão azul dentro de um Tazi holográfico. Mas era muito mais do que isso...aquilo era um Tazi de Diamante, o chamado Tazi lendário! Sim, eu tinha um Tazi lendário!