This Is My Gang!

169 Capítulo 169


Capítulo 169 — Mensagem Secreta

Só havia um assunto dentro das paredes do Colégio Megatec: o causador das confusões da última semana. Alguém ou algo havia hackeado as câmeras do colégio para aprontar à noite, hackeado o site da escola para mudar as notas e feito diversos atos esquisitos sem ninguém notar (como trocar uma caneta por outra de marca melhor). Os objetivos e intenções dessa criatura, seja lá quem for, não eram claros. E a coordenação da escola estava realmente estressada com tudo isso.

- Ouvi dizer que diretora Silvia não dorme há dias por causa dessas histórias — comentou Wilson, assim que chegamos na sala naquele dia.

- Bem ou mal, ficamos mais uns dois dias sem novidades — falei — Será que descobriram o culpado?

- Não, acho que não — continuou Wilson, enquanto retirava o material de sua mochila — O clima ainda tá meio tenso. Acho que já teria vazado alguma coisa se tivessem descoberto. Você sabe, nessa escola as notícias voam.

As notícias podem até voar, mas o fato é que ninguém tinha a menor ideia de quem era o culpado pelas pegadinhas. E, até que se prove o contrário, todos são inocentes...e suspeitos. A própria NERD estava sendo suspeita de estar por trás daqueles truques, mas todos sabiam que nós nunca agiríamos de forma tão oculta, afinal, nossa meta era justamente o contrário: ser visto por todos e não se esconder. Bem, na verdade a meta do Wilson...eu só entro nas confusões dele por tabela. Ah, você sabe. De qualquer maneira, não havia nada que podíamos fazer. No momento, só podíamos sentar e assistir mais horas e horas de aulas chatas, sem nada acontecendo e...ei, o que era aquilo na minha carteira?

- O que é isso? — disse outra garota, aparentemente espantada com algo parecido.

- O que houve? — a colega perguntou.

- Achei...um pedaço de papel dobrado na minha carteira — respondeu ela.

- É...parecido com este? — perguntei, me aproximando e mostrando o que encontrei na minha mesa.

- Ei, eu também achei um — falou outro moleque da sala.

- O que está havendo? — Wilson perguntou para mim.

- Esse pedaço de papel estava dobrado em cima da minha carteira — falei — E parece que no dela também.

- Ei, no meu também! — falou um outro garoto, sentado mais ao fundo, do outro lado da sala.

Claro que naquela altura todos já tinham aberto os papeis para ver do que se tratava e tudo que havia lá eram letras. Sim. Cada papelzinho tinha uma letra digitada em fonte de tamanho gigante.

- O que seriam essas letras? — perguntou Wilson.

A letra do meu papel era um U. As outras eram A, Q e M. O que isso queria dizer? "Aqum", "Muqa", Qaum", "Quam"...bom, eram vários anagramas, mas não pareciam ter muito sentido.

- Muito bem, turma. Vamos sentando — nossa professora de ciências entrou na sala, achando que seria apenas um dia de aula normal — O que vocês estão vendo ai pra ter tanta bagunça, heim?

- Professora... — Wilson balbuciou — ...acho que fomos vítimas do Troll.

- De quem? — perguntou a pobre docente, tão surpresa com a situação quanto todos nós.

- O Troll...a senhora sabe...o tipo de pessoa que sempre avacalha com tudo. É um termo da Internet, mas perfeitamente aplicável à vida real.

Ótimo. Agora nosso meliante já tinha um codinome.

- Mas o que aconteceu? Alguém pode me explicar?

- Quatro letras...nessas folhas de papel. E sem nenhum sentido aparente entre elas. Eu já mentalizei todos os anagramas, mas nenhum deles parece significar nada. Será que são as iniciais de alguma coisa?

- Achei que fosse algo mais grave — reclamou a professora — Esqueçam isso. Vamos começar a aula.

- Como podemos nos concentrar nos estudos sabendo que há um criminoso a solta? — argumentou Wilson — E o caso da caneta roubada?

- Aquela que foi trocada por outra melhor? Aquilo não fez o menor sentido — disse um outro cara da sala.

- Por isso mesmo é tão estranho! Nada que esse Troll faz tem sentido aparente...o que diabos ele está pretendendo? — Wilson parecia inconformado.

- Deixem que a coordenação cuidará disso — falou a professora — Agora...vamos sentar e abrir as apostilas?

Mas do ponto de vista de Wilson a coordenação não parecia ter as condições necessárias para enfrentar o tal Troll (para usar as palavras do próprio Wilson). Ele passou a aula toda batendo a caneta na carteira, inquieto e sem conseguir parar de pensar em quem poderia ser o responsável por tudo aquilo. E tudo só tenderia a piorar, mais exatamente na hora do intervalo.

- Gente! Gente! Vocês não sabem o que aconteceu! — disse Demi, chegando afoita perto de nós.

- O que houve? Outro ataque do Troll? — perguntou Wilson.

- De quem? — estranhou ela.

- Do cara que está fazendo essas coisas estranhas — expliquei.

- Bem...se foi ele eu não sei, mas foi estranho. Hoje deixaram quatro pedaços de papel na minha sala, cada um tinha uma letra, mas ninguém entendeu nada.

- Cada um...com uma letra? — repetiu Wilson, com os olhos vidrados nela e segurando firme nos ombros da pobre garota — Diga! Que letras eram essas? A, Q, U e M?

- N-Não exatamente — disse ela — Na verdade eram dois As, um D e um R.

A,D, R e A...DRAA, ADRA, RDAA...mais possibilidades.

- Não são iguais — comentou Jorjão — Mas será que elas estão ligadas de alguma forma?

- Possivelmente — disse Karina (chegando sem avisar, como sempre).

- Por que você sempre me assusta?! — reclamei.

- Mais importante do que isso...essas letras parecem mesmo ser obra do mesmo ser dos últimos eventos.

- Eu sei! Mas quem pode ser?

Enquanto nos dirigíamos para o pátio, fomos abordados por uma pessoa conhecida (e não muito querida).

- Wilson! — gritou Cássio, nos chamando com ar ofegante — Até que enfim te alcancei...

- Cássio? Olha, foi mal, mas não estou com cabeça para nenhum desafio que...

- Desafio? Não é você quem está me desafiando?

- Como assim? — perguntou ele.

- Essas mensagens secretas que você deixou nas salas! Só pode ser você!

- Está falando...das letras?

- Sim! O, L, H e E. As quatro letras que apareceram misteriosamente na minha sala!

Apenas para esclarecimento, o oitavo ano do Megatec era dividido em três salas. Wilson, Jorjão e eu estudávamos na A. Demi na B e Cássio na C.

- O, L, H e E....isso forma a palavra..."Olhe"! — exclamou Wilson.

- Não se faça de desentendido! Eu sei que vocês estão por trás disso e das outras pegadinhas do colégio. Irei provar isso, custe o que custar.

- Pare de dizer bobagens — reclamou Wilson — Se alguém aqui é suspeito, esse alguém é você...hackear o site da escola...você tem condições de fazer isso.

- O sujo falando do mal lavado. Você também poderia hackear essa escola facilmente.

- Gente, gente. Parem de brigar — disse Demi — Posso garantir que nós não estamos por trás disso, Cássio. E também não queremos acusar ninguém sem provas.

- Claro...eu nunca faria atos covardes como esses — Cássio retrucou — Meus desafios são bem claros!

- Hmmm....alguma outra sala recebeu mensagens? — perguntou Karina — Digo isso porque na minha sala não aconteceu nada.

Apenas para esclarecer quem não lembra: Karina era um ano mais nova que a gente e estava no sétimo ano.

- Então, será que isso só aconteceu em salas do oitavo ano? — perguntou Wilson.

- Três salas do oitavo...três grupos de mensagens — Karina parecia estar trabalhando seu cérebro de forma desumana — Wilson, você tem papel e caneta aí?

- Sempre — disse ele (de fato, ele sempre carregava algo para anotar).

Karina anotou todas as letras e ponderou um pouco. Por fim, ela disse.

- Quadra — respondeu ela.

- O que tem a quadra? — perguntou Cássio.

- Juntando os grupos de letras das três salas...Olhe — maqu — adra. Juntando tudo fica "Olhem a quadra"

Todos ficamos espantados.

- Agora sim! Faz sentido! — exclamou Demi.

- Então...o Troll está na quadra? — perguntou Jorjão.

- Duvido muito — falei — Mas certamente a próxima pegadinha deve estar na quadra.

- Ou uma próxima pista — pensou Wilson.

- Sim — disse Karina — Essa mensagem...teve algo de diferente das outras pegadinhas.

- Como assim? — perguntou Demi.

- Agora...o truque fez sentido — respondeu a baixinha — É como...se ele quisesse que descobríssemos isso.

- Tá querendo dizer que esse cara está querendo ser descoberto? — perguntei.

- Não sei — ela respondeu — Mas talvez queira mesmo desafiar o colégio. Deve estar confiante de que nunca será pego.

Aquilo era fora do comum, para variar. Então havia um ser misterioso querendo brincar de detetive? Seja lá quem for, o cara estava se arriscando. O hackeamento da rede da escola já era motivo de expulsão. Qualquer um já teria parado. Mas ele continuava...e parecia estar deixando suas pegadinhas mais sofisticadas.

- Pelo que parece, ele deve ter deixado essas mensagens na noite anterior também — comentou Karina — É alguém que atua à noite, na maioria das vezes.

- Ei, o que estamos esperando? — perguntou Wilson — Vamos logo ver o que está acontecendo na quadra! A próxima pista pode estar lá!

Será que está? De alguma forma, esse Troll começou a atiçar minha curiosidade (o que era grande coisa). Se ele não era ninguém conhecido, quem poderia ser?