This Is My Gang!
76 Capítulo 76
Capítulo 76 — Reconquistando o território!
É. O intervalo ainda não havia acabado. Mas considerando o local onde estávamos imaginei que ele acabaria logo, com a diferença de que ao invés de voltarmos para a sala iríamos é direto para o cemitério. Afinal de contas, porque estávamos na frente daqueles três de novo?
- Ora, ora...vocês realmente gostaram desse lugar, não é? — disse Wilson, de forma provocativa, na frente dos três maiores delinquentes da nossa escola. Por ordem crescente de tamanho seus nomes eram: Abelardo, Murilo e Solano. No entanto, mesmo o menor deles já faria qualquer banana como eu ficar com medo. Estavam ali, ouvindo música tranquilamente, no local que costumava ser nosso. Ate hoje nunca conseguimos recuperá-lo da invasão deles.
- Vocês? — Abelardo se levanta. Nem preciso dizer que a cara deles não era das melhores ao nos ver ali. Já disse que quase todo mundo naquela escola nos odeia? Bem, aquele trio não era exceção.
- Isso mesmo. Viemos...fazer uma visitinha..ao NOSSO lugar no pátio! — disse Wilson, cutucando onça com vara curta novamente.
- Como é que é? Vocês... — disse Solano.
- Escuta aqui...estamos com muita preguiça de bater em alguém hoje — interrompeu Abelardo — Vou dar três segundos para vocês sairem daqui na boa. Odiamos quando alguém interrompe nosso intervalo.
- Não vamos sair. Pelo contrário, viemos tirar vocês daqui!
- Perdeu a noção do perigo, amigão? — disse Solano, pegando Wilson pela camisa e levantando-o facilmente alguns centímetros acima do chão.
- W-Wilson...não é melhor deixar pra lá? — comentei.
- É verdade — concordou Demi — A gente não quer arrumar briga com ninguém!
- Não viemos aqui para brigar! — disse Wilson, balançando as perninhas enquanto era levantado por Solano — Na verdade, viemos propor um jogo!
- Jogo?
- Sim. Viemos desafiá-los para uma Batalha de Tazi! — disse nosso corajoso líder, exibindo um dos Tazi que ganhamos nos salgadinhos.
- Está falando desses Tazi que vem nos salgadinhos? — perguntou Abelardo, por incrível que pareça dando trela para a conversa.
- Exatamente. Todo mundo está colecionando...vocês não devem ser exceção.
- Ah...você não tem alguns desses Murilo?
- Ah, sim — respondeu Murilo, tirando uns três Tazi da jaqueta — São esses aqui, não é? Vieram quando comprei uns salgadinhos por aí...
- Heh!O que tem essas porcarias? — perguntou Abelardo.
- Em um batalha de Tazi apostamos os Tazi, mas desafio vocês a apostarem esse lugar no pátio!
- Como é que é? — estranhou Solano.
- Vocês devem ter pirado de vez! — disse Abelardo — A troco de quê vamos apostar nosso excelente lugar no pátio?
Excelente era exagero. Na verdade, aquele era o pior lugar do pátio e justamente por isso era tranquilo para nós excluídos. Afinal, ninguém aparecia ali para nos encher a paciência.
- Heh! Se vencerem podem ficar com todos os nosso Tazi, mas se nós vencermos, vocês ainda ficam com seus Tazi, mas nós ficamos com o lugar o pátio!
- Nada feito — respondeu Abelardo.
- Não querem?
- Para que diabos precisamos dessas porcarias? Não vale a pena!
- Vocês não entendem, não é? — Wilson continuou argumentando (ele se daria bem sendo vendedor ou advogado) — Esses Tazi, dentro de pouco tempo, irão se tornar a moeda de troca desse colégio! A febre se espalhou tão rápido que logo não haverá um único aluno dessa escola que não colecione Tazi e não meça esforços para conseguir todos!
- Parando pra pensar...ele está certo — falou Solano.
- Vai acreditar nessa besteira, Solanão? — criticou Abelardo.
- Mas é verdade, Abel! Já vi muitos moleques por aí fazendo de tudo para ganhar esses disquinhos. Dependendo dos Tazi que eles tiverem, a gente pode vendê-los por uma graninha.
- Sei...E vocês tem algum Tazi bom? — perguntou Abelardo.
- Claro que sim — disse Wilson — Esses cinco Tazi são os cinco Tazis de bronze mais raros!
- São? — perguntou Jorjão. Demi o cutuca — Ah, sim. Eu tava me confundindo. É verdade. São bem difíceis de achar!
- Tão falando sério? — perguntou Abelardo.
- É verdade que existem Tazis de bronze, prata e ouro. Os de prata e ouro são os mais raros, mas também existem Tazis de bronze raros.
- Quais são os nossos, Murilo? — perguntou Abelardo.
- Os meus você quer dizer...
- Agora são nossos! Vai, que Tazis nós temos?
- Temos dois de bronze e um de prata...
- Sério? Temos um de prata?
- Eles tem um de prata! — falou Jorjão — Se conseguirmos...
- Calma, calma — falou Wilson — Já dissemos que eles podem ficar com os Tazi se ganharem. Nós só queremos nosso lugar de volta.
- Pela cara do gordinho, parece que o de prata vale mesmo — falou Abelardo — Interessante...acho que podemos investir nesse novo negócio.
- Quanto mais Tazi tiverem, mais poder terão nessa escola. Ouça a voz da profecia — continuou Wilson — Se nos vencerem, estarão na metade do caminho para a vitória
- Se tivermos Tazi raros, podemos vendê-los caro — pensou Abelardo — Heh! Tá decidido...vamos enfrentar vocês...
- Mesmo? Mas terão que cumprir a palavra de que nos darão o lugar de volta!
- Hehe! Claro...podem ficar...mas se vencermos, vocês nos entregam esses Tazi e nunca mais voltam aqui, entendido? — disse Abelardo.
- Dito e feito.
- Cumprimento de cuspe — falou Abelardo, cuspindo na mão e oferecendo-a para Wilson.
- Como é que é?
- É o juramento sagrado da nossa gangue — falou ele — Jurar pelo cuspe garante o cumprir as normas dos dois lados do acordo.
- Ai, que nojo! — Demi desvia o olhar.
- Talvez até mesmo eles tenham um código de honra, não é? — disse Karina.
- Irck! — também senti nojo, mas Wilson adere ao cumprimento.
- Que seja! — disse ele, após cuspir na mão também e selar o acordo — Juramos pelo cuspe! Mas...para nossa saliva não atrapalhar na batalha, vou mandar outro membro da minha gangue para jogar.
- Beleza, eu também não sei jogar isso. Murilo, você sabe jogar, não sabe?
- Ah, é moleza — respondeu ele — Só precisa atirar um dos seus Tazi nos Tazi que você aposta.
- Se você garante que pode vencer — falou Abelardo — Então, manda ver!
Murilo chega aquecendo os músculos (tá, é exagero fazer isso para bater Tazi, mas fazer o quê? Foi isso mesmo que ele fez!). Já Wilson, sorri e faz um sinal de positivo para Demi.
- Eu que jogo — disse ela.
- Essa garota? Hahauhaha! — ri Abelardo — Acho que o lugar ainda é nosso, champs!
- Não subestime a Demi — falou Wilson — As aparências enganam.
- Difícil de acreditar que essa patricete jogue alguma coisa, mas vamos lá — disse Murilo — Começo com dois.
- Só dois? — pergunta Solano.
- Bom, deve ser mais difícil de virar — sugeriu Abelardo — Confia no Murilo! Ele sabe o que tá fazendo!
- Também jogo dois — falou Demi — Par ou ímpar?
- Ímpar
Demi joga dois e Murilo também dois. Demi começa jogando e, de cara, já leva todos os Tazi da mesa.
- Como? — Abelardo fica pasmo diante da cena — Como ela conseguiu?
- Heh! Eu disse para não subestimá-la! — falou Wilson.
- Como você fez isso, menina? — perguntou Murilo.
- Eu só joguei normal — explicou ela — Podem ver que não tem nada no Tazi
Murilo examina o Tazi que Demi usou e, de fato, não tinha nada. Acontece que Demi parecia ter um talento especial para jogar aquele troço. Era nossa arma secreta.
- Deve ter sido sorte — falou Abelardo — Continue.
- C-Certo — falou Murilo, sentindo que não se daria muito bem. Na próxima, eles voltam a apostar dois a dois. Demi vence o par ou ímpar de novo e leva os Tazi mais uma vez.
- De novo? — Murilo se espanta.
- É algum truque, não é? — reclama Solano — Se for um truque...
- Não é truque! — reforça Demi — Já não viram que não tem nada nesse Tazi? Eu só joguei normal!
- Que seja! Na próxima o Murilo ganha!
Mas não venceu. Na próxima partida, Murilo coloca o último Tazi, mas Demi ganha de novo e leva todos os disquinhos deles.
- Heh! Vencemos! — comemora Wilson, com um sorriso de orelha a orelha — Hahaihaha! Vencemos! O lugar é nosso!
- Mas...como?
- Ela sabe jogar e...além disso...
- Além disso o quê? — pergunta Abelardo, já com uma expressão nervosa.
- Quando você escolhe par tem sempre uma probabilidade maior de jogar ímpar ou vice-versa. Isso já acelerou nossa vitória, sempre fazendo a gente começar.
- Ora, seus... — Solano parecia furioso, mas Abelardo o interrompe.
- Não faça nada, Solanão — disse ele.
- Abel..
- Nós juramos pelo cuspe! — diz ele, em tom solene — Não podemos voltar atrás
- É...é verdade...o juramento sagrado do cuspe — concordou Solano.
- Mas...vocês podem ficar com os Tazi de vocês — falou Demi. Murilo pega os disquinhos com uma cara cabisbaixa e os três, enfim, liberam nosso lugar.
- O lugar é de vocês — falou Abelardo — Mas treinaremos duro e pediremos nossa revanche!
O trio sai de cena. Wilson os reconhece como um grupo honrado.
- São grandes rivais — disse ele — Tenho certeza que nossas gangues voltarão a se enfrentar algum dia
- Vira essa boca pra lá! — comentei. Mas não era hora de encafifar com isso. O negócio agora era comemorar! Tinhamos nosso lugar de volta e, até para um ranzinza como eu, deixar de passar os intervalos na biblioteca era um alívio e tanto.
- É isso aí! Conseguimos! — gritou Wilson — Valeu, Demi! Toca aqui!
- Valeu! — disse ela, mas logo mudando o tom de alegria para repulsa — Err...Wilson...essa é a mão que você fez o juramento, não é?
- Ops — disse ele — Esqueci
- Que nojoooo!!! — Demi corre para o banheiro para lavar o mão. Bom, apesar dos pesares, tinhamos nosso lugar de volta. Jorjão fica feliz em sentar-se naquele banco de novo. Karina senta-se na muretinha e olha para o céu. Algo me diz que ela estava pensando em algo importante.
- Pensando em alguma coisa? — perguntei.
- Foi bom conseguirmos nosso lugar de volta — disse ela — Mas...
- Mas o quê?
- Acho que esses Tazi não vão nos deixar sossegados — falou ela. Parece que Karina não tinha muita simpatia por Tazi. Qual será o motivo disso? Naquela hora, até eu estava esperançoso de conseguir sucesso com eles. Bem...só o futuro poderia nos dizer as consequências de tudo aquilo.
Notas finais
Até! ^^
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