Chegou a hora de eu aceitar a minha sina. Aceitar que mesmo estando disposta a amar, não há ninguém disposto a me amar.

Não há ninguém que se disponha a ultrapassar essa casca de timidez – que, convenhamos, não é muito grossa – e descobrir a caixinha de surpresas aqui contida. Talvez o que assuste as pessoas seja a caixinha, que muitas vezes, surpreende até a mim mesma.

Eu só queria que não desistissem tão facilmente de mim. Lutassem para quebrar essa casca, e se dispusessem a abrir essa caixinha, permanecerem se surpreendendo, até que não se tenha mais medo de abrir a caixa.

Sei que estou longe de ser a garota mais bonita da sala, ou a mais inteligente da escola, ou a mais popular, ou a mais estilosa, ou a mais qualquer coisa; mas nem o bastante eu sou? Nem bonita o bastante, nem inteligente o bastante?

E daí se vez por outra tenho essa vontade repentina de sentar em qualquer lugar e chorar até que eu seque? Eu sou não a única. Eu sou só um ser humano, e por mais estranho que pareça, tenho sentimentos.

Há tempos que o mundo insiste, sussurra nos meus ouvidos à noite, me enche até o sono finalmente chegar, dizendo que já passou da hora de me fechar totalmente e desistir dessa bobagem de “amor”. Antes eu lutava, dizia que não, insistia que um dia alguém gostaria tanto de mim, que não desistiria dessa caixinha de surpresas estranha; ainda insisto, grito que não, que a humanidade não está tão podre a ponto de rejeitar uma pessoa como eu... Mas aos poucos o mundo me convence que sim, eu não sou boa o bastante, nunca vou ser.

Nunca vou ser bonita o bastante, inteligente o bastante, interessante o bastante. Nunca vai haver alguém que se disponha a abrir a caixinha de surpresas. Nunca vai valer meu esforço, minha luta por esse estranho “amor”.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.