Thinkers Club
2 Capítulo 2: TDAH
Notas iniciais
Quando eu chego na saída da escola, percebo o carro da minha mãe estacionado na frente da escola. Ele não é difícil de notar. É pequeno e verde claro, de acordo com a minha mãe, é para combinar com os meus olhos. Isso é muito estranho.
Ando rápido, quase correndo, em direção ao carro, torcendo para que ninguém me note, ou melhor, note o carro.
Não é um problema que me notem, mas é que todos que já me julgaram pela aparência disseram (ou só pensaram) que eu sou estranha. Não é a toa, sou diferente de todas as garotas da minha escola. Elas tem cabelos compridos, tingidos superficialmente, lisos, usam um quilo de maquiagem e roupas da moda.
Enquanto isso, eu sou a baixinha que usa All Star, roupas amassadas, cabelo curto e ondulado com o resto de algumas luzes que eu fiz no final do ano passado para tentar me enturmar mais ou alguma coisa assim. No final não deu certo, eu me arrependi e resolvi cortar meu cabelo até a metade do pescoço. Sozinha. Por isso ele é desgrenhado.
As vezes eu me pergunto por que Amanda ainda anda comigo. Ela poderia estar vivendo uma bela vida de popularidade e todos os garotos que ela quisesse, mas não. Ela escolheu ser minha melhor amiga. Mas nem sei se é mesmo. As vezes bate uma dúvida, sei lá. Ela conversa com todo mundo e acaba me deixando de lado. A culpa não é dela. Ela é popular, deixa.
Depois disso minha melhor amiga é minha mãe. Ela não sabe de metade da minha vida, mas não tenho ninguém que saiba mais, com exceção da Amanda.
Amanda é a única garota que que sabe dos meus segredos. Tipo: Eu sou uma garota de 17 anos que nunca beijou ninguém. Eu tenho medo de morrer. Eu já sonhei que fui para a escola nua.
Então percebo que estou sentada no carro, do lado da minha mãe, e ela está perguntando como foi o meu dia.
– Então? Como foi seu dia? Hein? – Ela pergunta compulsivamente.
– Hm? Ah... foi bom, mãe.
Então vejo ela baixando a cabeça e dizendo realmente baixo.
– TDAH... O que você fez.
Sim. TDAH. Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Eu tenho isso. As vezes chego a pensar que sou uma decepção para os meus pais. Eu poderia ser normal, mas não. Eu tinha que ter déficit de atenção. EU TINHA.
– Desculpa... Mãe... – Falo baixo.
– Desculpa por que?
– Por que eu sou uma decepção. Tenho TDAH, não sou normal.
Ela para o carro e então se vira para mim.
– Louise, eu te amo, independente de você ser normal ou não, ok? Você é perfeita, e é a coisa mais importante na minha vida.
– Quem dera estar ouvindo isso de outra pessoa.
Ela me abraça e me beija. Quando ela me solta, diz:
– Vamos fazer um acordo. Entre em um clube da escola. Conheça pessoas, faça amigos.
– Mãe... Não me force a ser social.
– Só estou fazendo isso por você. Você tem uma vida, só uma. Não desperdice-a.
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