Think Twice

24 C24. Don't Forget (Final)


Notas iniciais
Estamos aqui, nesta segunda-feira, dia 10 de setembro de 2012, com o tão esperado último capítulo de Think Twice (ou não né, não sei se tem gente realmente lendo a fanfic). E eu devo admitir....
QUE DOR HORRÍVEL NO CORAÇÃO, SHISUUUUUUUUUUUUUUUS!
Acho que foi uma das coisas mais difíceis que eu já fiz em toda minha vida! Está partindo meu coração, ao mesmo tempo de que estou me enchendo de orgulho por ter chegado ao final! Claro que estou morrendo de medo ao mesmo tempo, porque tenho um histórico de TOTAL FAILURE em finais de fanfic e isso me deixou bastante insegura esse tempo inteiro (aliás, é por isso que postar isso aqui foi quase um parto), mas eu consegui!
Mesmo tendo perdido folhas e mais folhas do texto, mesmo tendo bloqueios enormes, crises depressivas por causa de tanta insegurança e medo, eu consegui digitar tudo isso. Mesmo sem conseguir passar das 8 mil palavras que eu alcancei já no capítulo 18, ainda foi um grande feito para mim.
Claro que se eu quisesse ter detalhado o tanto que eu queria detalhar, teria ficado bem maior, mas, haha, ninguém ia ler se fosse tão grande, por isso dei uma resumida.
Como todo final de fanfic minha, esse capítulo tem grandes potenciais para estar muito ruim, confuso e vocês potencialmente podem querer me linchar. Mas enfim.
A música que recomendo pra esse capítulo, hmm... Recomendo várias. Tem Won't Go Home Without You - Maroon 5, também tem Happily Ever After -He is We (que não tem nada a ver, mas eu gostei de escrever ouvindo essa música) e também Yellow - Coldplay. Sim, meio random, mas ok, tudo que vem de mim é random.
Então... essa possivelmente é a última vez que eu apareça aqui, antes de resolver postar algum extra realmente.
Obrigada à todos que chegaram até aqui, mesmo nunca tendo comentado eu amo todos vocês, e espero que tenham gostado da fanfic no geral, mesmo eu própria sabendo que cometi meus erros durante a fanfic.
Sayonara~

Quatro dias. Já haviam se passado quatro dias desde que Heiwajima Shizuo encontrara sua aprendiz pela última vez, e desde então ela realmente nunca mais apareceu – coisa que já estava tirando-o do sério. Ligava em seu celular e dava como fora de área ou não existente, as mensagens pareciam não chegar e não a via em lugar algum, mesmo nos lugares que sabia que ela costumava frequentar, como o colégio. Não que passasse lá tantas vezes, mas passava o suficiente para acabar por encontrar-se com ela, mas aquilo não estava acontecendo. Às vezes até passava pela portaria do prédio onde ela morava, coincidências dos caminhos que fazia por causa de seu trabalho, mas toda vez o porteiro alegava que ela não estava.


Era como se ela tivesse sumido do mapa depois daquilo. Mas como alguém simplesmente desaparece sem deixar rastros? A única vez que achou ter visto ela foi em uma livraria, mas como estava em seu trabalho, não pôde ir até lá. No mesmo momento, acabou por comentar com Tom algo a respeito, mas quando voltou a olhar naquela direção, ela havia sumido, como se nunca tivesse estado ali.


O moreno, sempre muito sensato e sempre seguindo um raciocínio lógico, acabou por dizer em tom de palpite que ela poderia ter saído da cidade. Já sabendo de tudo, tanto por relatos dele quanto por outros tipos de notícia, sabia que não havia nada mais normal do que se a mãe a tivesse tirado de Ikebukuro. Sendo adulto e entendendo todos os argumentos, se forçou a concordar. Às vezes, nossa visão engana, e teria de se conformar com isso. Ela poderia ter ido embora, até, logo depois que se despediu, mas aquilo pareceu errado de alguma forma.


Andava pelas ruas, distraído como sempre, fumando um cigarro atrás do outro, mas ainda com uma sensação incômoda no peito. Seria aquilo solidão? Não era exatamente a solidão que sentia já costumeiramente, mas era só aquilo que conseguia identificar dentro daquele incômodo. Tinha mesmo se acostumado de tal forma à companhia dela, tinha se afeiçoado tanto assim, ao ponto de não se conformar que ela tivesse ido embora, mesmo que ele próprio tivesse achado em muitos momentos que seria melhor assim? Ah, mas que droga. Acabou por voltar em sua própria palavra quando disse para si que não se envolveria. Naquele momento, se sentiu um tremendo idiota, e teve o ímpeto de chutar um hidrante. Como esperado, o hidrante quebrou, mas seguiu seu caminho.


Chegado o fim de sua jornada de trabalho, ficou aonde se despediu de seu colega. Estavam na frente de uma cafeteria, e lá entrou. Sentou-se numa mesa e tomou um café, coisa que já não fazia havia um bom tempo. Por algum motivo, o gosto forte do café lhe acalmava quase como o cheiro do fumo queimando em seu cigarro, mas já havia fumado todos os que tinha consigo naquele dia e não iria comprar algum maço na rua pois sabia que tinha um em casa. Ficou tomando a bebida quente devagar enquanto olhava entediado pela vitrine, tentando se segurar para não pegar o celular e ver se não havia nenhuma mensagem, pois já sabia que não teria. Soltou um suspiro irritado no que voltou a pousar seu copo sobre a mesa. Não conseguia mais negar que não conseguia aceitar que Tsugumi tivesse ido embora, por mais que soubesse muito bem que ela provavelmente iria ficar pior se permanecesse na cidade.


Pensava, de fato, em muitas coisas. Estava sempre pensando em várias coisas, mas ainda não se acostumava ou gostava de pensar tanto assim. Chegava às vezes a ficar irritado. Também porque, muitas vezes, acabava pensando em coisas que apenas incomodavam-no mais especificamente nos momentos em que estava tentando clarear a mente, que estava tentando se acalmar. Era exatamente aquilo que estava acontecendo naquele exato momento, enquanto tentava especular um motivo pelo qual a aprendiz fez o que fez. Bufou mais uma vez. Não era realmente um problema que ela tivesse ido embora. Não pra ela. Seria melhor pra ela ficar longe de onde ela teria problemas com toda certeza, mesmo que ele fosse ficar sozinho. Aquilo não era o mais importante. Portanto, era melhor as coisas como estavam.


Bateu o copo na mesa e olhou ao redor. Tinha um monte de gente olhando para ele, o que o deixou perturbado. Então, pagou seu café e saiu dali, soltando várias bufadas e saindo a caminhar. Além de odiar ser encarado daquele jeito, não conseguia se conformar era a falta de comunicação. Não custava nada se Tsugumi tivesse lhe dito algo antes de ir, e a falta de aviso também estava deixando-o bastante nervoso. Sem nada confirmado, ela ter partido poderia não passar de uma hipótese. E muitas vezes, não se ter certeza das coisas causa nervosismo. Pode ter acontecido qualquer coisa que ele não esteja sabendo, e aquilo estava deixando-o louco.


Shizuo andou por alguns quarteirões, ocupado pensando em outras coisas que não prestar atenção no movimento da rua, quase sendo atropelado duas vezes em cruzamento de rua, apenas não passando perto de uma terceira vez pois foi segurado pelo braço antes de deixar a esquina.


“Shizuo!” era Celty quem o segurara, enquanto voltava para sua moto, que estava estacionada num quarteirão em frente “Aonde vai, andando distraído assim?”


–Ah, Celty. – respondeu em seu tom naturalmente sério e grave – Estava só... Voltando pra casa.


“Fique mais focado no que está acontecendo ao seu redor.” Ela digitou rapidamente em seu palmpad “Você pode se machucar.”


–Certo, certo... –seus olhos se reviraram em suas órbitas no que os fechou depois de ler aquele pequeno sermão que recebera da motoqueira, e então soltou um suspiro.


A Durahan ficou ainda mais um tempo segurando em seu braço, estando virada para ele sem dizer nada. Parecia observá-lo depois que suspirou. Não sabia dizer porquê, mas ela parecia saber que ele estava preocupado ou nervoso com alguma coisa. Deveria ser um tanto óbvio, mas ela não quis perguntar de cara.


Foi caminhando com ele pela rua, levando sua moto pelo guidão para não ter de montar nela, perguntando-lhe a respeito das coisas, tentando conversar. Perguntou como estava indo no trabalho, como havia sido seu dia e várias outras coisas, como se tentasse achar indiretamente um motivo pelo qual ele estivesse daquele jeito que não o seu comum. Shizuo foi respondendo as perguntas calmamente, e às vezes até fazendo algumas perguntas de volta para ela, para manter a conversa fora de algum campo desagradável. Eram bons amigos, se acabassem abordando algum assunto muito desagradável, ele poderia acabar discutindo com ela – e aquela realmente não era uma boa ideia.


Depois de um tempo conversando, ela montou em sua moto e avisou-lhe que teria de ir, e eles logo se despediram. Encontrava-se agora na rua principal de Ikebukuro, vagando com um cigarro recém-aceso entre seus lábios ressecados e na sua cabeça começavam a voltar os pensamentos que tivera logo antes de ter sido abordado por Celty. Tentava permanecer calmo, mas estava tão irritado que era capaz de chutar o próximo poste que visse pela frente até ele cair e provavelmente não iria se acalmar enquanto sua aprendiz não desse as caras – ou, ao menos, lhe desse algum sinal de vida. Estava tão estupidamente indignado com a falta de explicação que até se esquecia da preocupação que estava sentindo. Por um lado, queria sair a procura-la, mas se ela não estivesse lá seria inútil. Mas então o que podia fazer?! Ah, não tinha nada que pudesse fazer! Haviam aquelas duas hipóteses em sua cabeça que não poderia provar ou refutar, e enquanto não escolhesse uma, não seria capaz de fazer coisa alguma!


Acabou por realmente chutar um poste, e este se entortou, mas continuou a caminhar logo em seguida, bufando igual um touro. As pessoas da calçada passavam reto dele enquanto atravessavam as ruas e calçadas. Aquela guria poderia estar em qualquer lugar naquele momento, e poderia até mesmo estar se fazendo de perdida, estar ignorando suas mensagens. Ou ela poderia estar em sérios problemas, outra vez. Aquele projeto de ser humano encrenqueiro...


Aquilo não ficou muito tempo em sua mente como uma sensação de raiva, mas voltou a ser preocupação. Estupidamente preocupante. O que Tsugumi poderia ter aprontado agora que estaria em problemas de novo? Teria de encontrar com alguém que tivesse notícias dela, provavelmente algum daqueles pirralhos que ela chama de amigos, só que não era exatamente fácil achar alguém. Só se fosse o Izaya, porque ele tem aquela mania irritante de sempre aparecer pela rua por perto dele. Esperava encontrar algum colega de sala dela, ou ao menos queria encontrar algum, mas tudo que avistou foram algumas pessoas conhecidas que muito provavelmente não tinham nada a ver com aquilo.


Pôde avistar, parada do outro lado da rua, uma van. Ao redor do automóvel, estavam Kadota e os outros amigos dele, aqueles dois otakus esquisitos e o dono do carro, que estavam sentados, respectivamente, nos bancos de trás da van e no banco do motorista, com as portas abertas. Tinha a lembrança de ter arrancado recentemente uma daquelas portas abertas e teve receio de ir até lá e despertar a fúria do motorista, que não tinha ficado nada contente na ocasião. Outro motivo pelo qual não queria se aproximar era que eles não tinham o costume de fazer nenhum comentário construtivo... Mas o tempo que ele levou pensando naquilo foi o suficiente para ser notado.


–Shizuo-sannn! — a moça gritou do outro lado da rua assim que o viu, e logo se levantou de onde estava, deixando para trás um mangá, e veio ao seu encontro – Quanto tempo!


–Ah, olá. –ele respondeu com pouco gosto. Que ótimo, justo ela tinha de vir falar primeiro.


–Não tem se encrencado demais com Izaya-san, tem? ~ -ela tinha um brilho no olhar. Logo em seguida, os três rapazes atravessaram a rua e vieram conversar também.


–Nem me lembre daquele bastardo... –rangeu os dentes.


–Erika, não comece com esse assunto. – seu ex-colega de classe fez com que ela perdesse os ânimos, trazendo-a um pouco para trás – Isso não vai prestar.


–Mas...! –ela fez bico, mas calou-se, voltando a conversar com aquele que estava mais próximo. Se o barman se lembrava bem, se chamava Walker.


–De qualquer jeito... – de gorro deu uma pigarreada, chamando-lhe a atenção – Você parece perturbado, Shizuo. Aconteceu alguma coisa?


–Ah... –ele hesitou um comentar algo a respeito.


–Sua aprendiz se meteu em alguma confusão de novo? –Kadota perguntou. Provavelmente, por ser observador, deve ter pensado em alguma coisa do gênero.


–Deve ser. –coçou atrás da cabeça – Pra falar a verdade, eu não tenho visto ela já faz alguns dias. Acho que vou procura-la por aí. Aquela garota não pode ficar sozinha, que logo arranja problema.


–Huh? –Erika acabou entrando de novo na conversa ao ouvir tal coisa, voltando-se para o loiro mais uma vez – Ah, você não vai mais ter de se preocupar com a Chibi-chan! Fiquei sabendo que ela vai voltar a morar com os pais!


–Como é? – Shizuo arquejou as sobrancelhas, sem entender- Eles vão morar com ela aqui em Ikebukuro?


–Não é isso não! –em seguida, fez uma expressão de surpresa – Você não ficou sabendo? Por causa da confusão que deu aqui, os pais da Chibi-chan ficaram preocupados com a segurança dela e mandaram ela voltar para Osaka.


–QUÊ?! – fez tamanha cara de espanto que o cigarro que tinha na boca caiu ao chão.


–Karisawa-san, acho que já falou demais... – Walker pareceu preocupado ao ver tal reação.


–Agora já é tarde, vou ter que contar a história toda!


–Como diabos vocês sabem de uma coisa dessas?! –quase avançou sobre os dois otakus, que logo ficaram acuados.


–Ela apareceu no começo da semana na loja em que eu tô trabalhando faz um tempo e ela me contou que estava deixando Ikebukuro. –A moça explicou, assumindo um tom de preocupação – Pelo que parece, o trem dela parte amanhã cedinho, no horário escolar. Coitadinha, estava tão triste...


Shizuo ficou calado um tempão, enquanto ouvia o lamento dos dois esquisitões, que haviam perdido uma companheira com quem “compartilhar aquilo pelo que passamos”, provavelmente falando dos animes que os três gostavam. Kadota foi o único que pareceu perceber sua perturbação e perguntar o que acontecia, mas não recebeu resposta alguma. Togusa também pareceu um tanto desconfortável com aquilo que estava acontecendo, por mais que apenas estivesse de observador. Sua cabeça ainda não havia processado a informação, e seu cérebro por um instante pareceu ocupado meramente por reticências.


Depois de alguns segundos no mais estranho silêncio entre os cinco ali presentes, o barman meramente se retirou, saindo andando com uma expressão bastante pensativa, levando consigo um ar pesado que lhe era bastante natural. Ninguém entendeu muito bem o que estava acontecendo ali e, depois de uma troca de olhares, o grupo decidiu que não iria atrás – a decisão que eles julgaram mais prudente – e continuaram com suas próprias conversas.


Ia fazendo o caminho para sua própria casa com muitas, muitas coisas em mente. Podia se tranquilizar com a garantia de que Tsugumi não precisaria ser salva novamente, mas ainda se encontrava extremamente inquieto. Algo ainda cheirava mal naquela situação, como se aquilo não fosse resolver seu problema. Não era realmente problema seu se a garota havia discutido com sua mãe, mas até onde havia observado da convivência das duas, apesar da constante humilhação que ela deveria sofrer por ter uma mãe daquelas, não havia nada que indicasse que em algum momento ela tivesse de ir embora. Na verdade, chegou a achar que a mãe dela fosse ficar lá morando com ela por um longo tempo, pelo jeito que agiam. Como se ela tivesse se mudado para o apartamento da filha. Alguma coisa deveria ter acontecido para aquilo ter mudado. O que era?


Outra coisa lhe passava pela mente. Se ela havia entrado em contato com Erika recentemente, significava que ela não havia excluído contato total com o mundo. Então por que ela não dava sinal de vida? Seria alguma coisa pessoal contra ele? Se fosse, queria saber o que era. Pra isso, tinha de encontra-la. Provavelmente, a informação de que ela estaria partindo no horário escolar era muitíssimo útil, mas não adiantaria nada se não soubesse de que estação de trem ela iria partir. Tinha muita, muita coisa ainda para descobrir, e muito pouco tempo.


Haviam infindáveis perguntas surgindo em sua cabeça. Por que ela estava evitando-o? Por que aquilo o incomodava tanto? Por que doía a hipótese de ficar sozinho se seria bem melhor para ele do que ter de ficar lidando com uma adolescente? Por que tinha aquela sensação de ser o último a saber? Por quê? Por quê? Por quê? Estava começando a se zangar consigo mesmo e com tanta pergunta.


Estava realmente inconformado com aquilo, mas sequer sabia o que podia fazer a respeito ou se podia fazer algo a respeito. Não poderia interferir numa decisão que não lhe cabia, mas era difícil de aceitar tal acontecimento. Havia alguma parte sua que não aceitava aquela quebra de sua rotina. Já havia chegado ao ponto de gostar de vê-la por aí, de gostar de tê-la por perto. Aquilo não era novidade para ele, mas só havia ficado realmente bastante evidente agora que não teria mais a oportunidade. Nada poderia fazer para mudar o fato de que, depois do dia seguinte, era possível que jamais entrassem em contato de novo. Mas de uma coisa tinha certeza: Queria ao menos dizer adeus.


Mas para isso teria de perder o primeiro período de seu trabalho, então teria de avisar Tom a respeito. E era isso que ia fazer assim que chegasse em casa.


~x~


Estava fazendo um dia cruelmente bonito lá fora. O céu estupidamente azul, as nuvens absurdamente pacíficas e de aspecto macio e os pássaros cantando harmonicamente do lado de fora de sua varanda. Tudo aquilo lhe parecia péssimo, por mais que naturalmente gostasse daquele clima. Tsugumi estava na cozinha com sua amiga Misaki, preparando o café da manhã das duas enquanto observava a sua sala composta puramente de caixotes e malas. Não importava quão perigoso aquele distrito fosse, Ikebukuro era onde queria ficar, mas não tinha aquela opção. Era muito triste aquilo, e estava bastante evidente em seu rosto que seria duro se desatrelar emocionalmente ao local.


–Tsuu-chin... – a ruiva chamou-a com um ar de preocupação, tentando fazê-la parar de olhar o apartamento vazio – Vamos comendo, senão a gente vai perder horário.


–Hai, hai...


Ela sentou-se à mesa sem muita energia e tomou seu café da manhã um tanto apressada, nem sentindo direito o gosto da comida, mais pela amiga do que por si, e, depois de lavar a louça e guardarem os pratos de volta na caixa, pegaram as duas malas e se retiraram do apartamento, indo ao elevador. As caixas seriam levadas depois, então não tinha nada o que fazer com elas. Lá embaixo, conseguiram pegar um taxi, que as levaria à entrada de metrô perto da Raira primeiramente.


A franzina sentou-se imediatamente perto da janela, observando os prédios pelos quais iam passando de carro e se despedindo destes. Tinha vontade de chorar com toda aquela situação, mas já havia chorado o suficiente naquela semana. Não estava disposta a chorar nenhuma lágrima a mais, senão iria acabar com uma enorme dor de cabeça. Não queria acabar chorando até ficar louca, e não duvidava que algo assim pudesse lhe acontecer.


Suspirou pesadamente em um momento. Outra coisa que aumentava sua dor no coração era estar indo embora sem se despedir de Shizuo, a pessoa a quem dedicara parte especial de seu afeto. Sofrera todos aqueles dias em que tentou evita-lo para que não tivesse mais de chorar em seus ombros. Não teria coragem de contar a ele o que estava acontecendo se ele perguntasse, e óbvio que ele perguntaria. Não iria escapar de novo como conseguiu escapar daquela vez na praça. Quando já estivesse longe, quando já estivesse no trem ou até mesmo já estivesse na casa de sua avó, tornaria a ligar seu celular e lhe mandar uma mensagem explicando tudo. Apenas... não queria ter de ver a reação dele ao vivo.


Ah, como queria naquele momento que tudo fosse um conto de fadas. Que ele aparecesse e a salvasse daquela tortura, como um príncipe tira uma princesa do confinamento em sua torre. Bobagens, era aquilo que estava pensando. Tentou tirar aquilo da cabeça, pois fantasias como aquelas não a levariam a lugar nenhum, apenas a iludiriam inutilmente.


–Ah... – Tsugumi disse quando o táxi parou em frente ao colégio- Chegamos...


–Tsuu-chin...! – Misaki emendou sua frase com um abraço fortíssimo, quase que pulando em cima da pequena amiga – Ahh, eu não queria que esse momento tivesse chegado!


–...Eu também não... –droga, claramente ameaçou chorar no que retribuiu o abraço- Mas não tem jeito...


–É... – a ruiva fungou e em seguida se afastou um pouquinho, esfregando os olhos- Quando estiver lá, me ligue toda noite no celular, ok? E me conte tudo! Quero saber como for cada dia seu, porque se algum engraçadinho resolver mexer com você, posso aparecer lá na sua cidade nova e dar um soco nele! E quando estivermos de férias, tenha uma cama preparada pra mim, porque eu com certeza vou te visitar! Se precisar, arrasto o Masaomi e o Mikado também!


–Tá legal, tá legal! – Conseguiu rir diante daquela situação – Nossa, você realmente fala demais!


–Isso não é hora pra ficar me zoando! – estava chorando, limpando as lágrimas no uniforme azul.


–Desculpa, desculpa! – sentiu-se uma tremenda de uma insensível de dar risada ao ver a amiga chorar – Eu vou telefonar pra você todos os dias, ok? Agora vá pra aula! O sinal já vai bater!


–Tá... – ela deu um último abraço na amiga e saiu do carro – Tchauzinho, Tsuu-chin!


–Ja nee... — abriu a janela do táxi e acenou para ela enquanto partia.


Tsugumi ajoelhou-se no banco do passageiro, apoiando as mãos na tampa do porta-malas, vendo a paisagem que mais vira durante aquele quase um ano que estivera ali passar diante de seus olhos uma última vez, dando-lhe uma facada no coração. A última coisa na vida que achava que iria sentir saudades era a escola, mas como iria sentir falta da Raira, ainda mais das pessoas de lá...


Antes de virarem a esquina, pôde ver se aproximarem da amiga os dois rapazes antes mencionados, Kida e Mikado – eles só tendo tempo de olharem confusos ao táxi, enquanto a ruiva voltou a chorar. Acenou a eles sem ter tempo de ver se acenariam de volta, e logo o colégio desapareceu de seu campo de visão. Ela soltou um suspiro pesado e voltou a sentar-se no banco da forma correta, afivelando o cinto, voltando a observar a paisagem pela janela, esta rapidamente se tornando desconhecida.


Acabara por se esquecer de que o caminho ainda seria relativamente longo, considerando o trânsito que fazia e que teria de cruzar alguns distritos até chegar à estação de trem de Tóquio, que era de onde partiria. Era verdadeiramente uma pena que não tivesse a escolha de pegar o trem em Ikebukuro, pois, se essa escolha existisse, a teria certamente escolhido. Mas a cidade de sua avó era muito pequena e só fazia mais contato com a capital, então não tinha como fazer aquilo. Também seria complicado sair de metrô do distrito em que morava até o centro por causa das malas, então era forçada a fazer aquele dolorido passeio no automóvel.


Passou por vários lugares conhecidos. As praças que costumava visitar, as bancas de mangás e lojas de conveniência que ia depois saída do colégio, o Sushi Russo, além de mais alguns lugares memoráveis que a fizeram desviar seu olhar da janela para a cabeça do banco do motorista. Lugares memoráveis que não queria ter de ver, vez que aumentavam sua melancolia, e ainda trouxeram o bônus de reviver a estúpida esperança de que algo a impediria de partir imediatamente.


A cada poste que passava, esperava que subitamente algo o fizesse derrubar – ou melhor dizendo, alguém. Tinha a esperança de, em algum momento, Shizuo irromper atrás de Izaya no meio da rua, derrubando postes, atirando coisas, e fazendo o trânsito parar. Assim, poderia abrir a porta do táxi e sair, indo atrás deles. Mas era uma esperança tola. Seria coincidência demais isso acontecer na rua em que estava, ainda mais estando fora de Ikebukuro. E, mesmo lá, era improvável, a não ser que o barman fosse procura-la. Mas como iria acha-la no meio de tanta gente, de tanto carro, de tanto tudo? Era improvável, quase impossível, que ele simplesmente a encontrasse. Além de que, se ele realmente a encontrasse, provavelmente iria receber uma par de palavras duras, que apenas a machucariam mais em sua partida.


Depois daquilo, passaram-se lá seus 15 ou 20 minutos até que avistasse a estação principal de Tóquio, mas ainda levou um tempo até que o táxi em que estava alcançasse a área onde os passageiros desciam e subiam na estação. Tinham muitos sons se misturando em sua cabeça àquela altura, e aquilo a estava deixando muito zonza. Tsugumi fez um esforço grande para pegar sua carteira em sua pequena bolsa e pagar o taxista o quanto o taxímetro marcava, mais ainda para sair dali.


–Ahh... –ela choramingou ao abrir a porta do carro quase que com um chute, pondo suas pernas pra fora e esticando-se para dentro, esticando um dos braços como se buscasse apoio. E, de repente, recebeu um apouco: O apoio de uma mão.

~x~

–Então, você realmente ia embora sem me falar nada... Não ia?


Foi claro como a água para Shizuo que sua aprendiz levou um susto. Em seu rosto infantil e pálido, havia uma expressão de surpresa que parecia chegar ao ponto de estar aterrorizada, de tal forma que, para que ela saísse do táxi, ele teve de puxá-la pela mão, praticamente pondo-a de pé. Tsugumi apenas parou um segundo de encará-lo quando o taxista veio a trazer suas malas, e ela o pagou. Aquela expressão facial de puro susto poderia ser engraçado para qualquer um que estivesse fora do contexto, das circunstâncias.


A adolescente tentou chama-lo pelo nome, olhando-o em seu rosto com os olhos grandes e trêmulos, enquanto ia lentamente apertando sua mão com seus dedinhos inseguros e inquietos. Era uma surpresa tão grande assim que ele estivesse ali? O rapaz assumiu, então, uma postura mais séria, com um olhar quase severo, ao perceber que ela realmente pretendia ir embora sem dizer coisa alguma.


Agora as duas mãos dela seguravam a sua, enquanto a menina ia se encolhendo, se curvando, até que sua testa encostasse em seu tórax. Sentiu-a tremer um pouco, e aquilo o deixou incomodado, como se ela fosse começar a chorar. Diante daquela hipótese, tudo que ele pôde fazer foi levar a mão livre às costas da menina, tentando acalmá-la antes que ela soltasse alguma lágrima, mas assim que ele tocou suas costas, ela se pôs ereta e saiu a andar. Shizuo arquejou as sobrancelhas com uma expressão quase chocada, confuso com aquilo, mas logo acelerou o passo e ficou ao lado dela.


Andaram lado a lado até o portão de entrada da estação ferroviária, e foram seguindo direto até o portão que indicava a passagem dela. Pelo que observou, e pelo que foi percebendo por passar por mais e mais portões de trens sem entrar em nenhum que ela muito provavelmente não estava indo para Osaka. Aquilo pareceu meio suspeito. Ela iria fugir? Se fosse isso, ele tinha mais motivos para ficar bravo com a aprendiz do que sentir aquela tristeza de ficar sozinho de novo e daria uma bronca feia nela naquele mesmo instante, na frente de toda aquela gente que estavam sentados perto de suas estações, mas não falava nada. Tinha muita coisa a falar, mas não falava nada.


Quando chegaram ao último término de estação, o mais vazio de todos pelos quais passaram, e se sentaram em um banco que havia por lá, ele a olhou nos olhos e percebeu que Tsugumi estava em situação semelhante, mas parecia bem mais nervosa que ele. Era evidente que queria falar alguma coisa, e algo bastante importante a julgar pela forma em que estava encolhida e que tremia as pernas enquanto olhava para o chão acinzentado em volta deles, estava tudo em seus olhos. Aliás, aquele olhar lembrava o seu de quando mais novo, de quando olhava aquelas fotos de sua infância. Talvez fosse essa semelhança que proporcionara o mesmo fracasso social na mesma escola para ambos. Mas por que estava reparando em alguma coisa como essa? Estava ali para por pingos nos is, acertar as coisas.


Aquele silêncio prosseguiu até que ele se forçou a puxar um assunto qualquer. Afinal, não resolveria nada ficando apenas sentado ali.


–Seus ferimentos... Eles já estão bem, não estão? – que assunto que fora escolher. Grande início de conversa.


–Huh? –ela pareceu meio confusa, corando um pouco sem um motivo claro – Ah, estão sim...


–Isso é bom... Fico contente por você. – não se deu ao trabalho de tentar sorrir pois seria obviamente um sorriso falso.


–O-Obrigada... – seus olhos sorriram, brilhando um pouquinho, mesmo que ainda se mantivessem fixos no chão – E aquela sua gripe crônica... já passou?


–Sim, estou melhor.


–Sokka... Que bom. –ela abriu um sorriso quebrado.


O silêncio mais uma vez. Naquele vazio auditivo, o loiro finalmente notou que, alguns bancos adiante, sentava-se um senhor que dormia, que soltou um alto ronco, assustando-o por um segundo. Ignorou totalmente aquilo, esperando pela hora de tentar lhe fazer perguntas que fossem condizentes com aquilo que estava realmente sentindo, e com aquela situação em que se encontrava, mas não achava brecha ou coragem realmente para fazer aquilo.


Ficou vários minutos apenas olhando-a do canto do olho, sem nem saber porque fazia aquilo. Apenas olhava, e ela, parecendo notar, em determinado ponto do tempo começou a hyperventilar, respirando mal, com o rosto vermelho vivo, ardendo de febre. Ela começou a se abanar, comentando algo sobre o clima, mas aquilo não fazia sentido porque, em sua opinião, a brisa que estava batendo era gelada. Tsugumi riu nervosa e encerrou o assunto de novo. Aquilo foi bem frustrante, mas todo aquele nervosismo o fez ter a certeza de que ela também queria perguntar-lhe coisas. Agora se viam igualmente nervosos. Lhe brotou aquela imensa curiosidade de saber aquilo que ela queria lhe dizer, embora, ao mesmo tempo, tivesse certo medo de descobrir.


Shizuo olhava para frente e Tsugumi olhava o chão enquanto esperavam o trem para onde quer que fosse. O tique-taque do relógio de ponteiro que havia logo ali para marcar as horas lhe deixava bem mais nervoso, ainda mais porque, de acordo com o que estava escrito na passagem na mão da menina, o trem chegaria ali em pouco tempo, algo como meia hora. Tinha de sair daquela situação constrangedora onde ela não lhe diria nada e ele não conseguia pôr uma palavra para fora. “Ande, diga alguma coisa! Se apresse!”, era o que sua mente lhe dizia, enquanto lentamente voltava a olhá-la de canto.


Tique...taque... tique... taque... Aquele barulho estava lhe dando nos nervos. Queria quebrar aquele relógio com todas as forças possíveis, chegando quase em seu limite de paciência, mas de alguma forma se mantinha calmo. Talvez fosse o fato de ter algo mais a fazer ali, mas que não estava conseguindo. Precisava mesmo apressar-se e questiona-la logo a respeito de tudo aquilo. Ficar sabendo da história apenas da boca alheia, ainda mais de uma moça que mal conhecia, era um pouco perturbador. Queria ouvir aquelas palavras da boca dela, senão ele não conseguiria aceitar totalmente aquilo. Sabia disso pois era teimoso até o fundo da alma, que sacodia dentro de si, o que era bem estranho.


Agora, parou um pouco para pensar no que exatamente ele diria. Não queria iludi-la com palavras bonitas, pois poderiam perder o significado; pretendia ser sincero e direto, mas tentar não machucar. Mas... O que realmente dizer? Não havia dito muitos ‘adeus’ em sua vida, e das vezes que deu não estava tão agitado. Havia grandes probabilidades dessa falta de sensibilidade do passado ser causada pelo fato de que muito provavelmente aquelas pessoas de quem se despedira voltariam para sua vida, mas duvidava que aquele fosse o caso. Pelo que Erika havia lhe contado, ela iria embora para nunca mais voltar. Seu problema tinha sido que até aquele momento, havia dado mais atenção para o que a menina estava fazendo desde que a encontrara ao invés do que poderia ter causado aquela despedida forçada. Imaginou por um breve instante de que poderia ter algo a ver com o Izaya, mas não tinha nada confirmado. De uma forma ou de outro, ainda iria dar um soco caprichado no rosto daquele verme.


O tremedeira das pernas de Tsugumi estava perturbando-o tanto agora que sentia como se desse pequenos saltinhos no banco, embora não se desencostasse das vigas do banco de madeira. Aquilo estava aumentando a ansiedade que já residia nele. Olhou-a, agora, diretamente no rosto, meio nervoso, poupando suas tentativas falhas de ser discreto, o que fez ela corar ainda mais, fincando os olhos no chão com um desespero ainda maior, mordendo o lábio inferior. Não estava mais conseguindo manter-se quieto! Limpou sua garganta e tentou puxar assunto de novo.


–Eu já estou sabendo do que aconteceu, mesmo que sem detalhes. – ele disse, o que fez com que a adolescente estatelasse os olhos – O que aconteceu pra sua mãe, que parecia estar gostando daqui, te tirar daqui de repente?


–C-Como você...?! – fez uma cara de espanto descomunal, pior do que aquela que ela fez no táxi quando ele segurou sua mão.


–Uma amiga do Kadota me contou. Sabe, a louca dos mangás. – levou uma das mãos à nuca, se coçando de leve, olhando para frente com um ar um tanto vago. Ela pareceu bem confusa. – Ele é um amigo meu do colegial e o encontrei na rua esses dias.


–E-Entendi... –voltou a mirar os próprios sapatos, com evidente insegurança na postura, bastante encolhida, enquanto seu olhar de desespero ia mudando lentamente para uma tristeza. O silêncio se fixou um pouco.


–Bom, seus problemas com a sua família não são da minha conta. –ele suspirou, hesitando em continuar sua frase – Mas algo que não consigo aceitar...


–O-O Q-que não consegue aceitar? – ela fraquejou.


–Que você realmente ia embora sem me dizer nada.


Os olhos de tom violeta da menina diante de si pareceram que iam saltar de seu crânio quando os estatelou, imediatamente ficando úmidos. Seus ombros começaram a sacodir fortemente, enquanto ela retraía os braços e cerrava os punhos. Seu rosto ia tomando uma expressão de sofrimento, e aquilo o fez se sentir culpado, além de que, com aquele gesto de pura dor e tristeza que ela dera, finalmente percebendo que ela não estava tentando partir sem se despedir porque queria. Talvez estivesse sendo forçada ou algo assim.


–Me desculpa... Por favor, Shizuo-kun, me desculpe...- Ela começou a chorar lágrimas pesadas, segurando sua manga da camisa branca enquanto ela se reclinava para mais uma vez se apoiar sobre ele – Tudo tem sido tão difícil... Eu não tive coragem de te avisar antes... –fungou- Me desculpa...


Ele soltou um suspiro pesado. Não era de seu costume fazer aquilo, mas diante daquela situação, a única coisa que pôde fazer enquanto ela chorava foi abraça-la. Ações valiam mais do que palavras, e sempre fora um cara de poucas palavras. Em seguida, abaixou sua cabeça até que estivesse mais ou menos encostado na dela, com o nariz entre os cabelos castanhos da menina, enquanto ela chorava em seu ombro.


–E-Eu não queria ter de ir embora... –ela voltou a falar em alguns minutos daquilo, soltando-se do abraço. Segurava nervosamente o medalhão do colar que usava enquanto dizia tudo aquilo – E-Eu queria ficar aqui, em Ikebukuro... Mesmo com todo esse problema de gangues, mesmo eu odiando meus colegas, mesmo que eu vivesse sozinha e mesmo que a cidade inteira seja quase um túmulo pra mim... F-Foi aqui que eu fui feliz mesmo...


–Tsugumi... –não queria vê-la daquele jeito, querendo interrompê-la. Falar de seu sofrimento muitas vezes era pior.


–Foi aqui que eu encontrei meu lugar. –falou com ênfase, impedindo-o que realmente interrompesse-a – Eu fiz bons amigos... Eu conheci gente parecida comigo... Gente que me aceitou não importasse quais os meus defeitos... P-Pessoas que me acolheram quando eu precisei, que cuidaram de mim... –ela olhou-o diretamente nos olhos – Mas ir embora quer dizer ter de deixar tudo isso para trás! – seu sofrimento na voz aumentou- E se me esquecerem?! O que eu vou fazer?! Eu estando longe, você, a Misaki-chan, o Kida-kun, o Mikado-kun, a Anri-san, a Erika-san, todos podem se esquecer de mim, e eu nem vou ter existido! Waah! –ela gritou, com as lágrimas começando a pingar de seu rosto- Eu não sei lidar com isso!


–Tsugumi! – falou em tom repreensivo, tirando suas mãos de seu medalhão e segurando-as – Eu já lhe disse antes: amigos que são amigos não esquecem nunca! Você está se mutilando pensando em algo que não vai acontecer! Por que continua pensando isso?!


–C-Como pode ter certeza disso? –esfregou os olhos, acabando por levar a mão dele junto.


–Eu já lhe disse. Uma pessoa que é importante para nós não some da memória. – estava bem sério no que dizia, e tinha de estar. Se demonstrasse qualquer fraqueza no que dizia, ela poderia sentir dúvidas com relação àquilo e brigar com ele; temendo essa reação, forçava a confiança.


–... Você... Não vai me esquecer, vai...? – ela o olhou com um olhar que não soube identificar no primeiro palpite o que ele significava.


–Claro que não! – Aquilo foi até meio constrangedor de se dizer, acabando por sentir um nervosismo tremendo dela olhá-lo daquele jeito, corando de leve. – Por que está tão obcecada com isso?! Não confia em mim?!


–N-Não é isso! É que eu te amo demais para correr o risco de ser esquecida! – Tsugumi teve um sobressalto no banco, falando extraordinariamente alto, com um tom quase aflito. Depois de alguns segundos, ela continuou falando, agora com uma expressão birrenta – É! F-Foi isso que você ouviu! Eu amo você, mas você nunca se deu ao trabalho de pensar nisso! Baka!

E tão repentinamente quanto aquela declaração para ele, a adolescente se lançou em sua direção rapidamente, selando seus lábios de leve. Shizuo ficou com os olhos estatelados, arregalados, travado naquela mesma posição do banco. Pôde sentir os lábios macios da menina no que ela fez aquilo, junto do salgado das lágrimas que haviam ficado em seu rosto. Não sabia como reagir. Agora era sua vez de hyperventilar.


–Baka... baka... –ela se afastou, ficando em pé na frente dele no banco, com o rosto absurdamente vermelho, esfregando os olhos de modo infantil, sendo até difícil entender o que ela dizia por seu nariz estar entupido. Nisso, se ouviu o barulho do trem pelos trilhos, ver sua fumaça chegando, assim como outras pessoas se aproximavam – N-Não vou te perdoar se você esquecer qualquer coisa, entendeu?! Não vou!


Ainda estático, ele apenas fez um gesto positivo com sua cabeça. A entrada para os vagões do trem cinza se abriram, com um cobrador saindo de lá de dentro. Uma fila foi se formando para que as pessoas fossem entrando. Tsugumi, que ainda chorava, teve dificuldades em pegar seu ticket e suas malas também, indo toda desengonçada até a fila com o bilhete na boca, tropeçando nos próprios pés. O cobrador chegou a ficar pasmo quando viu seu rostinho choroso e vermelho, perguntando se ela estava bem, e ela nada respondeu, apenas entregou sua entrada e subiu o primeiro degrau para o lado de dentro.


Shizuo olhou-a, e ela o olhou de volta. Os dois não disseram uma palavra, não fizeram sinal algum, só ficaram ali, se olhando, enquanto a menina congestionava o fluxo de passageiros que ia entrando. Depois de ter se tocado disso, ela entrou correndo. Ele se levantou do banco, ficando a olhar as janelas.


Então, percebeu que acabou sem querer arrancando dela o medalhão de seu colar, naquela hora que tirou as mãos dela da corrente. Ficou encarando-o, analisando-o. Era apenas um pingente com um pequeno brilhante. Olhou-a na janela com um ar de surpresa, pensando em parar o trem para que pudesse devolver à dona, mas quando o fez, viu ela a sorrir. Ainda com os olhos úmidos e o rosto vermelho, mas com um sorriso no rosto. Antes do trem começar a se movimentar, ela fechou a mão perto da janela, como se dissesse “Fique com ele, agora é seu”. Mirou mais uma vez o pingente com certo fascínio e então fechou a mão também, e a mirou com um ar sério. Só então ela acenou, se despedindo definitivamente.


Ficou ali, parado, até que o trem sumisse da vista, até que sequer ouvisse seu barulho, com o brilhante na mão. Shizuo estava muito, muito confuso. Sua mente estava quase que em pane, seu coração estava batendo muito apertado e muito rápido naquele tempo. Acabou por levar o brilhante para perto do coração, colocando-o no bolso do colete. Enquanto via os vagões ficando mais distantes, ele começou a perceber o que era aquilo que estava acontecendo, o que havia se passado com ele o tempo inteiro – ele tinha começado a retribuir o que ela sentia, sem sequer perceber.


Agora mesmo que jamais conseguiria esquecer aquilo que aconteceu.


Notas finais
ARGH, TINHA ME ESQUECIDO!
Já tem alguns capítulos que eu andei perguntando pro povo se vocês aí gostariam de ver desenhos que fiz da Tsugumi, mas nunca postei.
Bom, IT IS TIME!
http://kimmi-chan-nyah.deviantart.com/
Cá está o link do meu DeviantART, para vocês verem meus desenhos dela. Tem muitas outras coisas além dos meus desenhos voltados para Think Twice que eu ainda vou fazer também, mas se quiserem só ver os de DRRR, tem um folder chamado "Durarara Thingies". Estão todos lá.
Bom, é só~
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!