Think Twice
19 C19. You Got a Message
Notas iniciais
Estamos aqui na atualização de Abril, praticamente na comemoração de um ano da fanfic.
Que emoção ♥
Eu sinceramente sou muito apaixonada por essa fanfic, e hoje tive um ataque e comecei a escrever loucamente. Dia da inspiração, sabe? Todo mundo tem o seu.
Enfim!
Eu não tenho muito o que dizer... Eu tenho estado tão satisfeita com meu trabalho ultimamente que eu não consigo ficar mais feliz do que já estou com o trabalho inteiro. É como... amor de mãe. Eu sei que a comparação é estranha, mas é que eu amo incondicionalmente essa fanfic, então não gosto de um capítulo mais do que gosto de outro, mesmo que hajam aqueles que me deixaram um pouco triste.
Enfim!²
Dessa vez, acho que vocês poderiam ouvir uma música de vocaloid de novo... Que tal Difficult Love, da Gumi? /é uma das minhas vocaloids favoritas, sim/.
Espero que aproveitem a leitura ~~
Era manhã de sexta-feira. Fazia certo frio apesar do sol brilhar agradavelmente no céu, mas mesmo assim era um clima bom o suficiente para que um passeio ao ar livre fosse uma boa pedida, mas Tsugumi permanecia em sua cama, imóvel, apenas olhando fixo para cima ainda muito lenta, quase letárgica. A vermelhidão de suas bochechas contribuiria para que achassem que estava doente se houvesse alguém no cômodo para ver seu rosto, onde se encontrava um sorriso bobo. Nos braços o seu pinguim de pelúcia e em sua mente ainda passavam as cenas da noite anterior, como um filme.
Havia acordado antes do despertador, quase uma hora de antecedência, imediatamente pensando no quão maravilhosa havia sido sua noite e não conseguindo mais parar de pensar naquilo mesmo depois do alarme tocar, de tão distraída. Não conseguia se desligar de lembrança tão feliz de tal maneira que agia como se o toque do despertador fosse algo desnecessário, como das vezes em que se esquecia de desliga-lo nos fins de semana; agia como se não fosse ter aula naquele dia.
Foi trazida de volta ao mundo real quando sua mãe veio lhe despertar, notando que ela ainda não havia saído do quarto. Só então saiu de sua cama e foi se trocar, mas claro que não conseguiu deixar de lado aquilo que estava pensando. As memórias da noite que passou com Shizuo, da noite anterior, rapidamente retornaram a ser o foco de sua atenção, monopolizando sua mente e influenciando em alguns de seus sentidos.
Abriu um sorriso ainda mais abobalhado que o outro e suas bochechas ficaram ainda mais rosadas. Ainda sentia sua mão junto da dele, sentia a moleza de quando ele a levou nas costas e, principalmente, sentia em seus lábios a textura da pele do rosto dele. Teve um pequeno arrepio ao pensar naquilo pela primeira vez desde que tomara a imbecil atitude de beijá-lo, vez que estava muito sonolenta quando chegou para refletir o que fizera e foi direto dormir. Nunca havia beijado nada nem ninguém além de seu pai, suas pelúcias e seus mangás, e havia tomado tal atitude sem sequer pensar antes – prova de sua impulsividade.
Sequer teve tempo de se desesperar com aquilo, pois logo em seguida foi chamada novamente por Haruko. Vestiu suas meias 7/8 desengonçadamente, terminou de abotoar seu uniforme e saiu de seu quarto já com a mala escola no ombro. Tomou seu café da manhã tão apressada que saiu de casa adiantada – tempo extra que utilizou para caminhar lentamente, levando em conta que suas pernas ainda não tiveram total recuperação e havia exigido bastante delas na outra noite.
Totalmente consciente, andava pela rua com uma expressão apreensiva. Tinha sido muito pouco prudente na noite anterior mesmo antes de ficar com sono, o que retirava toda a possibilidade de sua irracionalidade ter sido resultado do cansaço. Sua mente não funcionara propriamente em nenhum minuto desde que se encontrara com seu mestre. Talvez até antes já não estivesse funcionando direito. Mesmo desperta no dia anterior, falava e fazia coisas que jamais faria em sã consciência. Mas então por que fez? O que estava dando nela? Aquilo havia sido uma das maiores bobagens que fez em sua vida, pois era a melhor prova que tinha de que não era mais capaz de manter seus sentimentos sob controle. Não era mais capaz de escolher o que demonstrar ou não.
Mesmo que o rapaz não soubesse interpretar os sinais lhe dados, era perigoso mostrar a ele que o amava. Preocupava-se mais se outras pessoas poderiam perceber do que com ele o fazer. Ninguém podia saber daquilo, tinha de ser um segredo absoluto. Imagina só os problemas que teria se alguém soubesse daquilo que sente pelo loiro! Tinha isso em mente mesmo que a própria Tsugumi só soubesse que tinha aquilo dentro de si porque sua amiga Misaki percebeu. Talvez o sentido que quisesse fosse que mais ninguém pudesse saber, mas continuava a repetir como se absolutamente nenhuma alma viva pudesse saber. Mas aquele não era o ponto. O ponto era que ela teria grandes problemas se continuasse com aquelas atitudes imbecis de apaixonada; seria muitos problemas.
Entre eles, e provavelmente o que mais preocupava, é que poderia acabar chateando Heiwajima Shizuo com suas atitudes. Aquele beijo era o que mais a fazia se afligir. Lembrava muito bem da expressão facial que ele abrigava enquanto via a porta do elevador se fechar simetricamente. Era tão confusa, e em certo momento pareceu se transformar numa expressão brava. Por mais que estivesse muito vermelho – sinal que considerava tipicamente do constrangimento – não conseguia achar nada além de que ele havia ficado deveras furioso. E fúria era a última coisa que queria provocar. Sentia-se culpada por aquilo que fez. Se perguntava se ele estaria chateado ainda, mas não saberia o que se passava com ele se não perguntasse. E perguntar ou não era dúvida para outro momento.
Estava com a mão sobre os lábios, quase que com os dedos dentro da boca, quando ouviu a estridente voz de sua amiga percorrer a rua e ecoar em seus ouvidos, logo a vendo vir do outro lado da rua em sua direção. Sua primeira reação foi saudá-la com um sorriso, que ela acabou por nem retribuir. Chegou e logo foi passando seu braço por um dos da menor, ficando de braços dados, também sorridente.
– Bom dia, Tsu-chiin~! – sua voz saiu num tom bobo, bastante alegre.
– Misa-chan, ohayo. – olhou com uma expressão doce no rosto – Não esperava te ver antes de chegar na sala. – riu um pouco, em tom baixo – Você normalmente chega depois.
– Oras, em algum dos dias da semana eu tenho que me empenhar! – pousou as mãos sobre a cintura, ainda sem soltar da amiga, e empinou o rosto.
– Seeeeei... –debochou.
– ... E-Eu acordei com vontade de ir ao banheiro e não dormi mais, — fez uma expressão birrenta, corando de leve – tem algum problema?!
– Essa é a Misa-chan que eu conheço!
E então começaram a caminhar juntas em direção à Raira, conversando. Continuavam assuntos não terminados do dia anterior e até de alguns assuntos totalmente desconexos com os anteriores, que surgiam em suas mentes durante o percurso. Eram sempre agradáveis as conversas que tinha com a ruiva, mas esta foi puxando assuntos cada vez mais estranhos, com uma atitude mais petulante que o normal. Perguntava-se o que acontecia. Não conseguia entender, mas decidiu que iria deixar a pergunta para outro momento. E foi aí que foi questionada sobre a noite que passara.
Aquilo foi quase como o apertar do gatilho de uma arma. Tsugumi de imediato estatelou seus olhos, perdendo o sorriso em seu rosto. Suas pupilas se dilataram e se contraíram em seguida, sem saber como reagir àquela pergunta, até que sua reação definitiva foi ira. A ruiva riu e a morena logo se pôs a persegui-la pela rua, gritando.
Sequer havia pensado naquilo quando acordou, mas acabara de se lembrar de que ter passado a noite no parque de diversos com Shizuo havia sido armação da amiga, e aquilo trouxe de volta a raiva que teve de reprimir na noite anterior quando viu aquela linda mensagem de texto em seu celular. Uma profunda e intensa vontade de socar a amiga lhe governava, tal vontade proveniente do fato de que teve de mentir para ele, não do fato de ter sido enganada. Afinal, não se incomodava nem um pouco de passar um tempo a sós com seu mestre, mas não queria isso na base da mentira.
A perseguição parou dois ou três quarteirões de onde havia começado, no que a perseguida parou de correr num ato repentino e se virou para a amiga que a perseguia, rápida o suficiente para que essa não conseguisse frear e parasse em seus braços, permitindo que pudesse abraçar e amansar a pequena fera, que agora apenas grunhe para a mais alta. Era até difícil de acreditar que aquilo havia sido tão efetivo, mas a franzina só conseguia chiar e choramingar. Brava ainda estava, mas não tinha mais aquela vontade insana de mata-la. Agradecia por ter tido tal sentimento irracional reprimido, mas ainda não estava pronta para deixar sua raiva totalmente de lado, mesmo que esta já estivesse quase que totalmente desmantelada.
Vendo que estava mais mansa, Misaki soltou-a e abriu um sorriso. Pediu desculpas, mas se justificou que não resistiu a armar tudo quando viu o barman no mercado comprando aquele bolinho para ela, e que acabou convidando-o para ir por mera impulsividade do momento e acabou tendo de persuadir os outros dois amigos a não irem. No começo, duvidou um pouco da explicação e ficou até com mais raiva, pois ficava apenas imaginando como ela teria convencido Masaomi e Mikado a não irem mais, mas acabou por deixar aquilo para lá. Tendo já grande parte de sua raiva já morta, não conseguia mais estar brava ao ponto de simplesmente não perdoar. Droga de coração mole.
– Yay! – ela deu um breve pulo, logo lhe abraçando apertado – Você sabe que eu te amo, bebê!
– Só não faça nada assim de novo... – mantinha uma expressão brava, com as bochechas rosadas, dando-lhe um ar infantil, pousando apenas as mãos nas costas da amiga para retribuir nem que fosse um pouco ao abraço.
– Hai haaai! ~ — soltou-a, batendo continência – Mas me cooonta.... – em seu rosto novamente surgiu um sorriso petulante, quase malicioso – Como foi com o Heiwajima-san? ~
Teve um tremelique e corou abruptamente, com os olhos novamente bem abertos. Fez um gesto nervoso enquanto tentava iniciar uma frase, soltando apenas fonemas mudos, que desencadeou um alto surto de riso na mais alta. No ímpeto, pôs suas mãozinhas contra a boca da amiga, tentando calá-la. O coração batia rápido, gritando ao cérebro que lhe deixasse tomar a voz, mas o cérebro o continha, causando aquela paralisia vocal momentânea, mas, depois de certos instantes, conseguiu soltar ao menos um som:
–SHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH! – E saiu andando na frente, com passos pesados e meio robóticos.
–Ahh, Tsu-chiiin! – deu uma choramingada e a seguiu.
Ao contrário do que Misaki dizia – ou melhor, resmungava -, queria contar. Queria de uma forma absurda contar tudo. Não só queria contar, quanto sentia que aquilo seria necessário para sua vida. Tinha de contar a fim de manter sua sanidade, pois era uma questão de tempo até que as palavras eufóricas presas em sua garganta a fizessem enferma; ou pior, saíssem de lá enquanto ainda estavam na rua, de modo que todos ouvissem. Tinha de fazê-lo em algum lugar particular, estando apenas as duas presentes em algum lugar bem quieto, vez que aquilo era um segredo. O problema morava no detalhe de que ainda era cedo de manhã e, ainda levariam algumas horas até que fosse possível ter um momento de privacidade.
–Tudo bem se eu te contar hoje na sua casa, depois da aula...? – foi o que disse para a amiga, quando chegaram ao armário de sapatos da escola.
–Tuudo bem! – respondeu entusiasmada, colocando seus tênis dentro do armário e calçando os sapatos guardados ali dentro.
O primeiro bloco de aulas se iniciou com a usual monotonia. Não que não gostasse da calmaria – na verdade, adorava aquele silêncio no início da manhã; dava tanta paz -, mas estava muito agitada, por isso aquilo estava sendo uma tortura. A vontade de gritar todos os seus sentimentos ao mundo, vontade que mantinha lacrada dentro de si, estava começando a causar grande reboliço em seu interior, desde suas veias até seus órgãos. Precisava de forma indescritível algo em que pudesse dissipar tamanha vontade.
Ficou a torcer por uma pequena confusão durante todo aquele bloco de aula em vão. Bateu o sinal do almoço e nada. Todos saíram da sala e sumiram de vista, deixando apenas uma sala de aula impecável. Tsugumi, vendo a lousa limpa e mais ninguém além dela e de Misaki, viu naquilo uma oportunidade de liberar sua tensão desenhando. As duas comeram rapidamente suas merendas e logo foram ao quadro negro, a fim de preenchê-lo todo com o manifesto de seus sentimentos, mesmo que em algum momento acabassem por apenas ficarem a brincar – coisa que não iria realmente incomodar...
Rapidamente lotaram a lousa com as mais variadas figuras, agora parando para admirar a obra e rir de certas coisas que haviam feito de piada. Havia ficado bonito, quase como um painel artístico, mesmo com a matéria escolar misturada ali no meio. Optaram por tirar uma foto daquilo que haviam feito por orgulho, vez que haviam gostado bastante e era mais que óbvio que o próximo professor a dar aula não teria piedade e certamente iria apagar tudo. Tirada a foto, sentiram um pequeno alívio, mas não o suficiente para que se tranquilizassem totalmente, por isso ficaram agora a desenhar em seus cadernos.
Já haviam lotado várias páginas com montes e montes de desenhos pequenos em seus cadernos quando alguém deu duas batidas na porta da sala, que estava fechada. As duas cessaram o riso e olharam uma para a outra, confusas. Se fosse um colega de classe, nem bateriam na porta, automaticamente transformando a pessoa que batia na porta em um aluno de outra sala. Mas o que um aluno de outra sala fazia ali no intervalo? A pessoa bateu outra vez. Ficaram apenas olhando a porta de forma interrogativa, como se esperassem que abrisse sozinha de algum jeito, mas como aquilo não aconteceu, a ruiva tomou a iniciativa de abrir a porta ao “visitante”.
–Quem é você? – foi direto ao ponto quando abriu a porta e viu um garoto ali.
–Takiguchi Ryo desu. – ele não pareceu se importar com o tom grosseiro que lhe dirigiram, se mantendo com uma expressão calma – Eu estava procurando alguém.
–Quem você quer encontrar? – dirigiu-se novamente em tom rude.
–Deixe-me ver... – pegou seu celular e mexeu nele um pouco, até que pareceu achar o que procurava – Aqui. –mostrou a tela do celular aberto num fórum, onde havia um fórum de discussão de um evento que acontecera recentemente com os Lenços Amarelos, onde eles haviam sido atacados por uma garota desconhecida, cuja descrição foi feita por uma pessoa de nome Kanra logo abaixo; descrição que batia com quase todos os traços de Tsugumi – Conhece?
–... Tsuu-chiin, o cara quer falar contigo. – virou-se para a amiga apontando meio que descaradamente ao rapaz, olhando a pequena com uma expressão de surpresa.
–C-Comigo? – levantou-se meio confusa, apontando para si mesma – O que houve?
Antes que ele começasse a falar, as duas puxaram algumas carteiras em um grupo e sentaram-se, o que fez com que ele automaticamente tomasse a mesma atitude. Sentados, os três se observavam, com expressões de dúvida e curiosidade. A primeira coisa que a mais baixa notou fora o braço enfaixado do rapaz, provavelmente quebrado. Por algum motivo, pensou que aquilo tivesse algo a ver com o que ele queria perguntar, mas aquele não parecia o caso. Voltou, então, a olhá-lo diretamente, e percebeu que ele também a olhava em analise, vez ou outra mirando na tela de seu telefone celular. Conferia ali as características de quem procurava, provavelmente, mas aquilo não matava a charada. O que ele queria?
–Ô guri, o que você quer? – delicada como sempre, Misaki quebrou o silêncio dos presentes, com os olhos semicerrados mirando o garoto de forma intimidadora.
–Só conversar. – colocou a mão saudável sobre a parte de trás de seu pescoço, com um ar meio sem graça.
–Conversar...? – A franzina mantinha-se encolhida em sua carteira, tímida.
–É. – falou em tom calmo – Na verdade, queria até te perguntar uma coisa.
–Me perguntar? – inclinou a cabeça levemente para a direita, com o olhar curioso – O que quer perguntar?
– Bom, é que eu fiquei meio curioso a respeito dessa confusão com os Lenços Amarelos. Por acaso fez alguma coisa para aborrecê-los?
–Etto...
Colocou um dos dedos indicadores sobre o rosto, com um sorriso sem graça, que na verdade demonstrava seu nervosismo. Tudo bem que um dos grandes motivos por ela ter sido agredida tão fortemente também tinha a ver com aquele alerta que seu irmão havia dado algumas semanas antes, mas o motivo principal foi o fato de que ela havia ido até a base deles ataca-los. Óbvio que aqueles eram detalhes que não precisava levantar em uma conversa com um desconhecido. Só que, se não era aquilo que iria dizer, então que história contaria ao rapaz? Sabia contar mentiras, mas tinha certa vergonha de mentir para desconhecidos, então estava numa encruzilhada. Ou ela se arriscava a contar tudo como realmente aconteceu ou ela tentava achar um jeito de omitir fatos de forma a não parecer forçado.
Acabou por contar uma história mais próxima da real, mas sem citar Kyouya em momento algum. Ainda era uma memória muito recente, não conseguia pronunciar coisa alguma a respeito do irmão mais velho, mas acabou por confessar que apenas os atacou antes que eles fossem atrás dela para atacarem primeiro, vez que já havia recebido uma ameaça antes. Tal explicação pareceu convencer Takiguchi, que, por algum motivo, sorriu.
–Vejo que você não gosta muito do grupo... – disse meio vago – Até algum tempo atrás, não tinha nada contra, mas agora até posso me identificar com o que você sente.
–H-Hontou ni? – soltou um suspiro aliviado ao perceber que havia corrido tudo bem.
–Sim. – Abriu um pequeno sorriso – Você só me pareceu meio louca de ir se defender atacando eles. – riu de leve, o que fez com que corasse – Se precisa de proteção, acho que deveria entrar para o Dollars.
– Pro Dollars? – Misaki interrompeu-os, um tanto curiosa e até meio surpresa – Mas no que isso vai proteger? Os caras parecem que odeiam os Dollars. Isso não ia ajudar muito.
–Bom, há algum tempo, não ia mesmo. – manteve-se calmo perante a observação da ruiva – Mas ultimamente o pessoal tem se manifestado mais como grupo mesmo, e até ajudando uns aos outros. Claro que é tudo meio coordenado pelo líder, que às vezes pede pra gente fazer umas coisas pra ajudar alguém, mas estamos tomando nossas próprias atitudes. –voltou a mirar Tsugumi – Acho que você deveria entrar.
–Pa-Parece legal... – tinha uma das mãos repousando sobre sua boca, numa expressão pensativa, mas, ao mesmo tempo, seus olhos brilhavam, demonstrando fascínio e admiração – Como é o site?
– Não é complicado de entrar nem de participar, é só saber o site e a senha. – mexe um pouco em seu bolso, tirando um pedaço de papel dali; com uma caneta emprestada dela, escreveu algo no papel e entregou diretamente em sua mão – Aqui.
–Obrigada. – Tomou o papel em mãos e ficou a mirá-lo, com um pequeno sorriso.
A conversa foi se desenrolando mais naturalmente depois daquilo, fugindo um tanto do assunto inicial. Os dois acabaram por se identificar bastante um com o outro por causa da confusão que se meteram, quase como se os machucados os unissem. A menina sentia como se já fossem amigos, mas não sabia bem se aquele era o melhor jeito de descrever o que acontecia. Sentia certo companheirismo ou algo parecido, mas houveram momentos em que se deixou transparecer que havia certo desejo de se fazer amizade, mas dificuldade de se entrosarem. Ainda não sabiam muito a respeito um do outro além de que haviam sido hostilizados pelos Lenços Amarelos, mas aquilo não importou muito. Apenas ficaram conversando. Se continuassem a entrar em contato, muito bom; mas se não continuassem, não saberia muito bem como restabelecê-lo, mas aquilo era dúvida para outro momento.
Ficaram ali sentados nas carteiras até o bater do sinal anunciando o final do intervalo de almoço. Takiguchi não demorou em se levantar, arrastar de volta para a fileira a carteira que estava utilizando e se despediu, se retirando da sala com um sorriso no rosto, que lhe pareceu uma mistura entre satisfação e a genuína alegria, mais puxado para a satisfação mesmo. Imaginou com aquilo que a conversa pudesse ter resolvido muitos dos dilemas do rapaz, dilemas resultantes daquele fórum que ele mostrara no site. E falando no site...
Ia logo sacando seu celular do bolso do paletó azul de seu uniforme escolar quando seus colegas voltaram à sala, forçando-a a retroceder, levando a mão a repousar novamente sobre a mesa, sobre sua caneta. Naquele momento, experimentara uma calma momentânea, desviando-se dos sentimentos que vinha carregando desde cedo para a curiosidade a respeito do site.
Mas, claro, não conseguiu ficar naquela por muito tempo. Deixou seu papel sobre a mesa assim que o professor chegou na sala de aula mais uma vez e voltou a explicar sua matéria, pondo-se à olhar o quadro negro numa esperança de, desta vez, conseguir prestar atenção. Só que, como antes, tudo aquilo que o professor falava lhe deixava cada vez mais entediada – afinal, quando na vida iria utilizar reações químicas? -, e começava novamente a pensar em coisas de fora da escola, o que fez com que sua ansiedade voltasse num pulo, com uma força maciça.
Sendo daquele jeito, acabou por novamente almejar alguma agitação naquele dia de aula. Alguma coisa nova, alguma emoção. Qualquer uma. Poderia até ser um mal estar que a levasse à enfermaria, e então passearia pelos corredores. Precisava liberar aquela energia que acumulava e mexer suas pernas para lá e para cá era algo que gostava de fazer em dias como aqueles. Mas não via maneira de sair a caminhar no meio da aula, então voltava à especulação. Será que seus colegas fariam alguma bagunça hoje? O que fariam se bagunçassem? Não eram daquilo, nunca foram e muito provavelmente nunca seriam, mas ainda havia aquela esperançazinha de que aquele dia fosse diferente, fora do padrão.
Como o esperado, nada. O sinal do final da aula bateu e foi para a área dos armários de sapatos com sua amiga decepcionada com seu dia e até consigo mesma. Por que continuava a se empenhar em desejar algo que só viria a acontecer por magia? Pedir para sua classe fazer bagunça era a mesma coisa que pedir que Shizuo retribuísse aquilo que sentia. Se algum dia ouvisse algo do gênero, ou seria uma brincadeira muito cruel de 1º de Abril ou então uma mensagem divina, mas duvidava que qualquer um daqueles fosse acontecer. Mas aquilo não impedia que falasse sobre sua noite...
–Misa-chan, tudo bem mesmo eu ir pra sua casa agora? – estava apoiada em um pé só, calçando seu sapato normal e colocando as sapatilhas de volta no seu armário de sapatos, mirando a amiga, que estava a algumas fileiras de armários de distância – Assim, tão de repente... Seus pais não ficam bravos?
–Que é isso, minha mãe ama visitas! – a ruiva sorriu, calçando desengonçada seus tênis velhos, aqueles que sempre usava quando ia às ruas– Vamos! – Já estava preparada para deixar a escola, dando um giro em cima de um dos pés e parando diante da porta da escola com uma pose toda caricata, quando parou antes de dar um passo para fora – A-A-Acabei de lembrar que não arrumei meu quarto...
–... Sua mãe vai te matar? – uma gota de suor escorreu por sua testa.
–Vai! – e ela saiu correndo, desengonçada- Q-Quando eu terminar eu te ligo pra você ir em casa! Tchau!
–Ja nee...
Acenou para a amiga enquanto esta corria pelo pátio frontal da escola, dando uma leve risada, mas logo este riso se transformou num suspiro frustrado. Virou-se para o armário e fechou-o com força. AAAAAAAH! Teria de esperar ainda mais para poder contar! Queria tanto contar que não conseguia mais se conter. A frustração foi o suficiente para que acabasse chutando a porta de um dos armários mais abaixo, entortando sua porta de metal, antes de deixar o colégio.
Deixou para trás os portões da Raira num instante, já saindo a caminhar pela calçada com passos largos, brincando de não pisar nas linhas por mais mal humorada que estivesse. Se não teria nada o que fazer até que sua amiga ligasse, coisa que não era a primeira vez que acontecia, tinha de se empenhar, por enquanto, em fazer alguma outra coisa. Mas o quê? O quê?
Optou por simplesmente passear. Vagaria pelas ruas de Ikebukuro simplesmente taxiando, esperando o momento certo de ir se encontrar com sua amiga Misaki e acabar logo com aquela euforia. Mas queria tanto contaaaar! Havia passado grande parte da sua manhã involuntariamente planejando as palavras em sua mente. Como contaria tudo. Chegava a ser ridículo o quanto queria contar aquilo. Se sentia como uma daquelas garotas que tanto desprezava que chegavam na sua sala em Osaka já contando dos menininhos com que haviam ficado numa festa ou que haviam se declarado à elas.
O que lhe fazia lembrar... Será que era bom receber uma declaração? Mirou o céu e ele estava cinza, parecia que o céu ia chorar. Não sabia, nunca havia recebido declaração. Não era lá o centro da atenção dos meninos de sua antiga escola nem da atual, não sendo alta, não tendo um corpo de se dar inveja nem sendo lá muito entrosada. Sem contar que quem seria o tipo de louco a se apaixonar por uma guria socialmente esquisita e que ainda por cima poderia quebrar seus ossos apenas de segurar em seu pulso? Não que fosse realmente tão forte, mas já causara estragos aos outros sem querer. Será que alguém algum dia se apaixonaria por ela? Queria saber qual era a sensação de receber uma declaração. Poderia até perguntar para seu mestre, mas, além de compartilharem aquela condição médica peculiar, sentiria muito ciúmes se algum dia ele há tivesse recebido uma, então tirou aquilo de sua cabeça.
Quando deu por si, estava na loja de animes e mangás em que Karisawa Erika trabalhava, conversando com a mesma no balcão sobre um novo mangá BL que havia lançado recentemente. Tinha, de fato, uma capacidade muito fácil de acabar enrolada na teia da conversa dos outros, principalmente quando lhe eram assuntos tentadores como aquele das quais as duas acabaram por conversar no que ela havia ido pagar por um pequeno boneco e um doujinshi que havia decidido comprar com aquilo que sobrava das despesas do mês.
Deram boas risadas, mas uma hora Tsugumi decidiu retomar sua caminhada, levando seu pequeno bonequinho em uma sacola plástica em suas mãos. Era grande fã da moça, mas suas pernas continuavam inquietas, querendo se mover, então optou por seguir tal necessidade fisiológica.
Agora, saltitava pelos paralelepípedos de uma rua mais antiga e menos movimentada, tentando pular de uma rua movimentada para outra sem ter de lidar com aquela massa de gente que sempre tinham nos cruzamentos. Sem falar que, de algum jeito, aquela rua pareceu bonitinha. Tinha certa queda por coisas com aspecto antigo ou mais rural, por assim dizer. Carinha de cidade de interior. Era fantástico ver algo daquilo no meio de uma cidade grande, mas quis apreciar um pouco sua vista. A única coisa que não percebeu foi que acabou se esgueirando cada vez mais entre as pequenas ruas e indo parar num outro canto da cidade. Sua sorte ser um lugar conhecido: uma das praças de Ikebukuro, a que mais gostava. Aquela que tinha uma estação e era cercada por árvores, dando a impressão de estar em um parque. No final, havia dado uma volta enorme e ido parar perto da escola novamente.
Olhou para baixo e viu que o curativo em seu joelho tinha mancha de sangue, indicando que seu machucado dali havia piorado por causa de sua caminhada. Já estava tão acostumada com os curativos grudados em sua pele e com a dor constante que se esquecia daquilo tudo, mas preocupou-se ao ver sangue e foi sentar-se em um dos bancos examinar-se.
Espiou por baixo do pedaço de gaze, soltando uma das fitas adesivas que o prendia à sua pele e viu que não era grande coisa. A pequena bolha que havia se formado ali havia estourado. Pelo menos não teria mais que fazer aquele procedimento sinistro que se lembrava de sua mãe fazer quando ela era pequena, de furar a bolha com uma agulha esterilizada e o sangue ir saindo na linha de costura em sua ponta, mas no que se sentou, sentia o cansaço da meia hora que passou andando.
Permitiu que sua coluna se adequasse à curvatura do banco da praça, relaxando um pouco, apreciando a vista das árvores. Não importava quantas vezes as visse, ainda lhe pareciam muito belas. Elas eram tão belas que lhe traziam uma sensação de paz que não pertencia ao mundo criado da consciência humana. Parecia loucura, mas era quase como se desenvolvesse uma ligação forte com a frondosa árvore apenas de olhá-la. Ver suas folhas a mexer com o vento, a luminosidade mudar de acordo de como o sol bate em suas folhas, criando sempre aquela adorável sombra que nos guardam em tardes de verão. Aquela praça era quase que seu santuário. Talvez, se permanecesse ali, poderia aguardar calmamente pela ligação de Misaki.
Pena que não tinha tanta paciência assim. Catou em sua sacola plástica o seu doujinshi e colocou-se a lê-lo ali mesmo. Não havia ninguém para julgá-la, mesmo, então para que iria se incomodar em ter de esperar chegar em casa e se trancafiar em seu quarto para fazer sua leitura? Abriu um pequeno sorriso, quase que numa expressão débil, e começou a ler. Mas não teve a oportunidade de ler por tanto tempo.
–Maa maa, olha que sorte a minha hoje~~ — ergueu seus olhos do seu livro com uma expressão de desgosto, encontrando com os olhos de Izaya – Achei que teria de vasculhar a cidade inteirinha atrás de você porque cheguei depois do horário do final das aulas do meu antigo colégio. – abriu um sorriso ao perceber ter chamado a atenção dela — Parece até que estava esperando por mim, Tsugumi-chan! ~
Em seu rosto se acentuou uma feição de irritação. Não chegava a ser a mesma irritação que seu mestre sentia, aquela que fazia ele perder o controle de seu corpo e mente e fazer desaparecer aquilo que ela nele amava, mas ainda assim não conseguia lidar com a vontade que tinha de soca-lo. Ele estava destruindo a beleza e a paz da praça. O queria fora dali e de seu campo de vista o máximo de tempo que pudesse, se possível para todo o sempre. Por que ele tinha que ter uma habilidade tão grande de estragar tudo, de irritar? Qualquer pessoa poderia abordá-la e não teria ficado tão incomodada.
Ele a mirava com um sorriso estranho, mais estranho do que o natural dele já lhe soava desde a primeira vez que haviam se visto. Aquilo trazia uma sensação ruim à colegial, a sensação de que algo não estava certo ali. Não gostava daquele tom malicioso que ele tinha permanente em seu rosto, também característica presente em sua aura. Dava pra sentir. Ele estava ali com um objetivo muito bem estabelecido.
–Por que eu estaria te esperando, Orihara-san? – fechou seu doujinshi mantendo um dos dedos entre as páginas para marca-la – Precisa de alguma coisa?
–Queria apenas te ver ~ — sua voz saiu meio brincalhona – Não quis te visitar no hospital por causa do Shizu-chan, mas queria saber como está ~
–Estou bem. – respondeu seca – Obrigada por se preocupar. – abriu seu doujin de novo e passou a olhá-lo outra vez, como se mandasse um sinal de que deveria ir embora.
–Sabia que é muito rude ler coisas quando se está na presença de outros?~
–Também é rude interromper a leitura dos outros, ainda mais se não tiver algo para falar. – ergueu os olhos do livro, com um ar mordaz. – O que quer, Orihara-san?
–Yare yare, não sabia que agora se precisa de um motivo para querer conversar com uma amiga~~ — fingiu mágoa, mas ainda estava com um aquele sorriso no rosto. Era mais que óbvio que ele queria alguma coisa bastante específica, mesmo que a menina ainda não soubesse o que era. Ele apenas esperava que ela cedesse.
–... – soltou um suspiro de aborrecimento – Sério, o que quer?
O mais velho soltou uma grande risada, indo para frente e para trás num balanço resultante de tão profundo riso, mantendo as mãos na barriga. Ria um riso irritante e profundo que lhe entupia os ouvidos e a fazia ter uma vontade profunda de pular no pescoço dele e arrancar a garganta fora para calá-lo. Mas não queria demonstrar. Afundava novamente o rosto em seu livro. Irritar era aquilo que ele queria fazer e, sendo assim, não poderia dar-lhe a vitória. Não deixaria que ele tivesse esse gosto. Em todo caso, se ele resolvesse fazer alguma gracinha, já mantinha um dos punhos guardado sobre sua perna, apenas esperando que ele aprontasse para soca-lo se preciso.
Orihara Izaya parou de rir depois de um tempo, voltando ao seu sorriso “normal”. Insistiu na história de que considerava-a uma amiga sua e começou a perguntar coisas, tentando puxar assunto para que pudesse surgir alguma conversa. Perguntava das amizades, da escola, se tinha algum hobbie ou coisa parecida, perguntas que a menina respondia sempre curta e grossa, tentando acabar com os assuntos o mais rápido que pudesse.
Se ele se cansasse logo de tentar conversar, talvez fosse embora. E, assim, Tsugumi poderia retornar à sua leitura mais rapidamente. Seu doujin estava tão interessante... Mas o informante não desistia. Continuava a lhe perguntar coisas numa tentativa de prolongar aquilo. Perguntava sobre seu gosto musical, sobre aquilo que estava lendo, entre outras perguntas, que começaram a lhe levantar certas suspeitas. O que ele queria perguntando tanta coisa?
–Por acaso gosta de parques de diversões, Tsugumi-chan? ~ — perguntou com uma expressão despretensiosa, obviamente falsa; foi essa a pergunta que fez com que ela tivesse uma primeira ideia de onde ele queria chegar, fazendo-a ter um tremelique, quase amassando seu doujinshi na mão.
–Go-Gosto sim... – brilhante movimento, Tsugumi. Agora você definitivamente se entregou que aconteceu alguma coisa. – Por que a pergunta?
–Vi você e o Shizu-chan entrando em um ontem, enquanto passeava pela cidade. ~~ — soltou um risinho malicioso. — E você estava toda alegrinha. Aí quis perguntar pra você. Sabe, só pra ver se você estava feliz pelo fato de estar indo em um parque de diversões ou por sua companhia... ~
–NÃ-NÃO É NADA DISSO! N-Não é porque eu estava indo com o Shizu-kun que eu estava feliz!
–“Shizu-kun”?! ~ — ele pareceu entrar em uma crise de riso ainda mais profunda – Já tratando-o de forma tão íntima?~
–A-AH...! – com o rosto corava, mexia as mãos nervosamente, com os braços meio erguidos, como se tentasse pegar de volta as palavras que jogou ao ar, em vão.
Até então, ria de olhos fechados, mas então lançou um olhar quase maligno. O rosto dela assumiu uma coloração absurdamente vermelha naquele momento. Pronto. A resposta estava mais na cara do que a maquiagem de uma gueixa, o que causou um novo ataque de riso por parte de Izaya.
–Ai ai, não importa o quanto eu brinque com você, você sempre reage do mesmo jeito! – parou de rir ao parecer sentir dor em seu abdômen – Chega até a ser sem graça o quão óbvio fica que você gosta do Shizu-chan com tão poucas perguntas!~
–Urusee! – deu-lhe alguns socos no ombro, socos que saíram tão mais fracos do que ela desejava que fossem que ele apenas riu mais, riso que também veio do tom de choro com que ela falara. Em seguida, sessou os socos e cruzou os braços.
–Kawaii nee~ — bagunçou seus cabelos – Mesmo sendo bonitinho o jeito que você gosta dele, você não acha meio perigoso? ~
–S-Se diz isso pelo fato dele ser “um monstro”, agradeço a preocupação mas ela não tem fundamento. – fez birra, olhando para baixo.
–Não, não é por isso~ -riu, abanando a mão para cima e para baixo num gesto que não soube entender bem o que significava – Você não acha meio suspeito um adulto andando por aí com uma menininha de 15 anos? Parece até um tipo de tarado ~~
– EIN?! – ficou ainda mais vermelha, tanto de raiva quanto de constrangimento com tal comentário.
–Tome cuidado com ele, ok? ~ Se precisar de socorro, grite!~
–IDIOTAAA! –meteu-lhe um soco no rosto, mas este também saiu fraco.
–Calma, calma, é só brincadeira!~ -pôs as mãos à frente do corpo em posição defensiva. – Mas mesmo assim, tenha um pouco de cuidado. –Algo nele pareceu sério – Não sei bem o que se passa na cabeça dele.
–Ele não deve me ver mais do que como uma criança que dá trabalho. – falou em tom tristonho, perdendo a raiva no olhar e passando a mirar o chão com um ar de solidão – Não tenho nem chances...
–Ora ora, como pode ter tanta certeza do que diz? – agora, seu sorriso malicioso voltara, acompanhado de um olhar capcioso.
–Tenho tendo... – mantinha o desânimo — Você diz como se tivesse prova de que estou errada.
–E se eu tiver?~ — mexeu no interior de seu casaco, provavelmente num bolso interno, e dali tirou um papel dobrado e fechado com um pequeno adesivo, formando uma carta, que entregou a ela.
–O que é isso aqui? – tomou a carta em mãos, alternando o olhar entre ela e o rapaz.
–Um presentinho pra você. ~~ — levantou-se do banco, esticando as costas – Leia quando puder. Seu livro parece bastante interessante.~~ — deu a entender que iria embora, virando-se de leve para a direção da rua – Agora já me vou, tenho trabalho. Até mais~ -antes que ela dissesse alguma coisa, ele já havia corrido para o outro lado da rua, indo embora.
Tsugumi não pôde fazer nada além de deixar o queixo cair e ficar olhando a carta num estado quase que de choque. Suas mãos tremiam um pouco com o objeto em suas mãos, ao qual apertava com os dedos. O que tinha acabado de acontecer?! O que Izaya estava querendo dizer?! O que era aquilo que ele tinha acabado de entregar?! Tantas perguntas e tão pouca ação de sua parte. Se queria saber o que tinha acontecido, que refletisse. Se queria saber o que era aquilo, que abrisse e lesse. Mas não era tão fácil quando se estava tão inquieta e ansiosa.
Olhou a furto em volta, querendo ter a certeza de que não havia ninguém ali para ver o que estava fazendo, para ter certeza de que estava somente ela ali. E estava. Ela e as árvores, somente. Seus dedos exploravam a superfície do papel querendo abri-lo e desvendar seu mistério. O fato de estar sozinha tornava aquilo ainda mais tentador. Olhou novamente ao redor para ter certeza de que não havia ninguém saindo da estação e ninguém chegando à praça. Tendo essa certeza, desdobrou o papel com certa pressa, e eis aquilo que encontrou:
“Querida Tsugumi-chan,
Creio que devo reforçar aquilo que disse. Você devia tomar cuidado com o Shizu-chan, de verdade, e enfatizo isso diante daquilo que fiz. Fiquei de olho nele um tempo e percebi algo legal.~~
Que amável. Você deve ser a primeira pessoa que ele realmente gosta.
Espero que isso te ajude a se recuperar!~
–Orihara Izaya” e, ao lado, um desenhinho de um sorriso.
Soltou um grito mudo, sua mão tremendo tão forte depois que terminou de ler aquilo que o papel pulou um pouco, em seguida solidificando daquele jeito até o momento em que, no que pareceu um leve espasmo, amassou de leve o papel branco da carta. Maldito informante, merecia o ódio que recebia. Fazendo joguinhos mentais com as pessoas ao seu redor, brincando com suas emoções. Era difícil saber se aquilo era ou não era uma mentira, e não havia realmente um jeito de saber. Ele poderia ser tanto um mensageiro de esperanças ao seu amor até então completamente platônico quanto poderia ser apena o espalhador do caos e desespero. Era difícil saber qual desses papéis ele havia assumido.
Tinha medo de tachar aquilo com mentira simplesmente, vez que... Bom, quem estava lhe dizendo aquilo era um informante que, apesar de que ninguém gostava dele, tinha respeito na cidade por dar informações na maioria corretas. Mas também não podia dizer que era uma informação verdadeira ainda. Poderia ligar para ele e perguntar, mas haviam grandes chances dele não atender ou continuar a jogar com ela. Ser dos infernos! Apenas tornando as coisas mais difíceis.
Seu celular vibrou em seu bolso do paletó da escola, dando-lhe um enorme susto que a fez mudar de foco. Abriu-o rapidamente e viu que era uma mensagem de Misaki, avisando de que ela já poderia vir à sua casa, que não teria problema nenhum. Respondeu rapidamente que já estava indo e guardou suas compras na mala escolar.
Antes de se levantar, segurou a carta bem junta ao seio, sentindo seu coração batendo forte. Sendo aquilo que Izaya havia escrito uma mensagem de algo verdadeiro ou não, aquilo fez uma esperança renascer das cinzas em seu coração. A esperança de ser correspondida, de receber o amor que queria da, a esperança que havia fragmentado havia tanto tempo apenas para parar de se torturar. Sentira uma alegria tão grande tomando-a e se manifestando em um sorriso em seu rosto. Apenas a possibilidade de ser correspondida já curava algumas das feridas que tinha em seu emocional. Era tão doce quanto aquele bolinho de morango que Shizuo lhe dera na noite anterior.
Pensou um instante em jogar fora a carta, queimá-la até. Não queria nenhuma coisa que pudesse coloca-la em risco, não queria que alguém a encontrasse e descobrisse tudo. Pensou seriamente naquilo, mas acabou por, num ato de teimosia, mantê-la consigo, dobrando o papel várias vezes até ficar bem pequeno e guardando no bolso bem sobre seu busto, onde julgou que estaria suficientemente perto do coração.
Mesmo que aquela mensagem fosse mentira... Poderia não ser, e aquilo a deixava tão feliz... Não poderia se desapegar dela.
“Afinal, se eu escondê-la bem, ninguém vai achar isso e não vai ter problema algum”.
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