Think Twice
15 C15. Recover
Notas iniciais
MAIS DE UMA ATUALIZAÇÃO EM MENOS DE UM MÊS?! IMPOSSIBRU!
Isso é o que eu me dizia até o dia de hoje, em que consegui terminar o capítulo 15 antes que o esperado.
*insira música dod The Legend of Zelda de quem adquiriu algum item valioso*
You Got a Charapter Done!
/ok ando jogando muito video game.
ENFIM!
Cá estamos nós, nesse domingo de verão, depois de sua preguiçosa autora assistir tanto anime que chegou até a cansar de ler legendas, num dos poucos momentos da semana em que não está ocupada fangirlizando a respeito de The Legend of Zelda: Skyward Sword, para trazer-lhes o 15º capítulo de Think Twice, que ruma para um final!
Esse capítulo saiu um pooouco menor do que eu desejava, mas nada que o próximo não compense - algo me diz, vulgo a contagem de páginas do meu caderno, que o próximo vai ser monstro.
Como várias vezes fiz, escrevi este capítulo ouvindo Lacie, uma das músicas do OST de Pandora Hearts, para aqueles que quiserem ouvir também.
Ja ne~
Isso é o que eu me dizia até o dia de hoje, em que consegui terminar o capítulo 15 antes que o esperado.
*insira música dod The Legend of Zelda de quem adquiriu algum item valioso*
You Got a Charapter Done!
/ok ando jogando muito video game.
ENFIM!
Cá estamos nós, nesse domingo de verão, depois de sua preguiçosa autora assistir tanto anime que chegou até a cansar de ler legendas, num dos poucos momentos da semana em que não está ocupada fangirlizando a respeito de The Legend of Zelda: Skyward Sword, para trazer-lhes o 15º capítulo de Think Twice, que ruma para um final!
Esse capítulo saiu um pooouco menor do que eu desejava, mas nada que o próximo não compense - algo me diz, vulgo a contagem de páginas do meu caderno, que o próximo vai ser monstro.
Como várias vezes fiz, escrevi este capítulo ouvindo Lacie, uma das músicas do OST de Pandora Hearts, para aqueles que quiserem ouvir também.
Ja ne~
Tsugumi chorou por horas a fio, da hora do almoço até o jantar e da hora do jantar até cair no sono, por volta das nove horas da noite. Chorava a plenos pulmões um pranto sofrido e alto como o de uma criança que perdera o pai; choro que ecoava pelos corredores de todo aquele andar e partia os corações de quem ouvia com bons ouvidos, que sabiam interpretá-lo, pois ainda haviam aqueles que apenas resmungavam a respeito do barulho. Seus gritos chegavam, mesmo que já mais baixos, até o andar da sala de emergência, onde Misaki estava sentada em uma maca e os médicos fazendo-lhe exames procurando por danos internos. Tais gritos apenas torturando-a mais.
Shizuo, também nervoso com as circunstâncias, mesmo ferido e doente, foi à delegacia naquela tarde, testemunhar para a polícia aquilo que viu e ajudar a investigação, que deu início no começo da madrugada. Iria ajudar mais fazendo aquilo do que permanecendo ao lado da menina assistindo-a chorar sem poder fazer nada para consolá-la – por mais que, no fundo do coração, era isso que queria fazer-. Se prendessem os assassinos do Kyouya, talvez o espírito dele pudesse ficar em paz na vida após a morte (não era do tipo religioso, mas tinha de acreditar em alguma coisa). Não que isso lhe fosse retirar o sentimento de culpa que o estrangulava, mas, ao menos, não seria cúmplice daqueles bastardos amarelos.De quase nada adiantou sua atitude. Percebera com brutal facilidade que a polícia da cidade estava ocupada demais com os casos do Retalhador. Mas eles já não tinham pego o cara? Que inúteis... Rangera os dentes ao ver como tratavam com descaso as demais ocorrências, chegando até a encobrir outros casos de badernas criadas pelas gangues que circulavam na cidade. Mas o que ele podia fazer? Nunca entendera aquele tipo de organização e não existiam muitos modos de pessoas do fora influenciarem-na, então apenas restava fazer sua parte e se manter fora de contato com policiais. Isso o manteria fora de confusões com eles por um tempo. Foi encaminhado para a equipe de investigação do caso e ficou um longo tempo lá, dando testemunhos das atividades da gangue e dando a melhor descrição que podia do ocorrido sem ter arrepios ou sentir-se culpada. Homicídios como esse não deveriam ter tido tantas testemunhas no lugar por sua brutalidade, mas ele fora o único a se dignar a ir dar queixa e ajudar para que o homem que atirou nele fosse preso, ou melhor, condenado à morte, que é o que merecia.Depois de uma ou duas horas, saiu da delegacia, foi para casa tomar um banho, lavar a cara e fumar um cigarro e depois voltou ao hospital o mais rápido que pôde. Alguém tinha de cuidar de Tsugumi, principalmente porque ela não tinha o irmão por perto e nenhum de seus familiares apareceu, mesmo que o hospital tenha mandado um comunicado; a intensa necessidade de protegê-la também colaborou para seu retorno rápido. Andou com passos apressados até seu destino, ignorando muita coisa que acontecia ao seu redor, e também fez isso da porta do hospital até o quarto da aprendiz, onde entrou sem perguntar nada à ninguém. Chegou ao quarto todo silencioso, vendo a franzina profundamente adormecida, abraçada ao seu travesseiro com uma expressão facial de exaustão. Respirava com a ajuda de uma máscara, cujas alças lhe cortavam as bochechas com marcas das lágrimas que já haviam se secado, como mostrava o luar que entrava pela janela de cortinas abertas. Sentira o que parecia ser seu coração rachar devagarinho no que se sentara em sua cadeira – agora, muito mais próxima da cama do que antes.Percorria a testa da menina com o movimento suave de seus dedos, levando a franja dela até a parte de trás da orelha com grande azar pesando em sua alma. Aquela sim era uma garota azarada, pobrezinha. Aquela perda, junto do relato que uma vez lhe dera de uma vida sem qualquer atenção, deveria ser um fardo emocional enorme e pesado com o qual jamais poderia realmente se identificar. Muitas adolescentes em seu lugar teriam pensado e tentado suicídio. Muitas jamais teriam tentado bater de frente com seus problemas pelo que queriam. Não sabia mais dizer se a menina era realmente corajosa ou já estava louca de pedra. Acabou por soltar um breve riso, deboche de si mesmo. Sua mão permaneceu um pouco mais sobre a testa dela, ele mesmo não entendendo o que se passava. Era esquisita a afeição que tinha por aquela guria. Por que, naquela hora, parecia algo tão diferente da afeição que um irmão tem com sua irmãzinha? Queria se socar. Como não entender a si mesmo? Sentia uma raiva profunda de si mesmo por essa falta de auto compreensão, por assim dizer. Mas estava tão cansado que não queria se incomodar com aquilo.Cruzou seus braços e apoiou-os no espaço da cama entre a borda e os ombros Tsugumi, entre seus braços apoiou seu queixo, afastando a cadeira para que alcançasse uma posição um pouco mais confortável, e soltou um longo suspiro. O que era aquilo que sentia? Por mais que não quisesse, aquilo ainda estava cravado em sua mente e respondia àquilo com irritação. Mas que saco, sentir algo que não se sabe o que é. Querer se entender ao mesmo tempo em que não quer. Quanto mais refletia, mais sentia seu rosto quente. Será que estava ficando com febre de novo? Mas que droga... No que ouviu passos do lado de fora, ergueu a cabeça, olhando para a porta, como se esperasse que alguém entrasse.Era só uma enfermeira indo para o quarto ao lado. Shizuo novamente suspirou, deixando a cabeça cair novamente sobre o colchão. Já tinha um ódio muito profundo acumulado de seus tempos de escola por ser forte ao ponto de afastar a todos menos ao próprio irmão, e agora, que não era capaz nem de entender a si próprio, sentia uma raiva ainda maior. Para melhorar, sentia seus olhos pesando e sua cabeça doendo, e, ao mesmo tempo, sentia o corpo amolecer. É, estava ficando com febre de novo. Revistou os bolsos de suas roupas atrás de remédios e apenas encontrou seu maço de cigarros e alguns papéis velhos amassados, o que lhe deu ainda mais raiva. Remexeu-se em sua simplória cadeira, nervoso. Teria de sucumbir à doença ou então ir pedir um daqueles remédios milagrosos que a enfermeira havia lhe dado no outro dia, mas, de um jeito ou de outro, acabaria adormecendo, pelo menos até que viessem conferir o estado da pequena.
Apenas parou de se mexer no que a menina mexeu-se um pouco, ocasionando que sua pequena mão repousasse sobre a dele. Abriu seus olhos, estático. Sentia o pouco calor que vinha dos dedinhos finos de sua aprendiz passar para a palma de sua própria mão, por isso, apenas se mexeu para segurá-los antes que fugissem como ela fugiu de sua casa antes daquela confusão acontecer. Aquele era um conforto do qual não queria ter de se desfazer, de maneira alguma. Parte de seu sentimento de solidão sumia com a companhia dela, então se sentira um pouco mais confortável ao segurar sua mão – assim como ela pareceu, ao mudar sua expressão de carência para uma mais... Tranquila. Soltou um longo suspiro, fechando os olhos com um pouco de paz em seu interior. Ela poderia ficar triste por um longo tempo, mas, ao menos, poderia ter a oportunidade de vê-la melhorar.Acabou por ceder ao sono e adormeceu daquela maneira.~x~A respiração por um momento falhou e, então, abriu seus olhos, estatelando-os. Estava em seu quarto de hospital, com claridade o suficiente para não saber diferenciar entre o pôr ou o nascer do sol, com lágrimas grossas contornando suas pálpebras e escorrendo até seu nariz, por seu rosto estar apoiado de lado em seu travesseiro, e de seu nariz até sua orelha, que captava o bipe da máquina que monitorava seus sinais vitais. Fora isso, apenas o leve som de carros do lado de fora. Olhava ao redor desnorteada, chorando e gemendo baixinho. A dor de seu corpo se limitava ao aperto no peito agora e todo o resto era apenas um fraco latejar, tudo aquilo por um dos pesadelos mais horríveis do qual poderia se lembrar – como se não bastasse aquilo que estava vivenciando-. O pranto não parava de escorrer e molhar seu rosto. Respirou com a dificuldade de quem se afogava tentando recuperar o fôlego. Tentou ficar de barriga para cima, mas algo puxava seu braço esquerdo para baixo, de forma que não conseguia se mover direito. Finalmente conseguiu fazer seus olhos pararem de rodar nas órbitas e perceber Shizuo debruçado na borda da cama, com a cadeira lá atrás, quase caindo dela, segurando sua mão, dormindo naquela posição tão desconfortável com uma expressão serena no rosto. Estatelou os olhos em seu rosto mais uma vez, encarando-o. O loiro estava claramente febril, mas permanecia daquele jeito, como se não houvesse nada. Tentava soltar sua mão, mas ele não a soltava por nada; não tinha coragem para acordá-lo, também. Preferia deixar as lágrimas escorrerem por seu rosto até que secassem daquela maneira do que despertá-lo.Deixou a cabeça afundar ainda mais no travesseiro, bufando. De seus olhos ainda brotavam lágrimas, mas não caíam. Não que não tivesse mais vontade de chorar, mas seu corpo não lhe permitia continuar com aquilo. Talvez algum tipo de defesa contra desidratação. Sua tristeza era profunda em sua alma e sua mente estava confusa. O que aquele diabo de sonho queria dizer? Havia sonhado que seu irmão havia vindo-a consolá-la antes de ir para o “outro lado”, mas não tinha certeza se Kyouya havia vindo mesmo ou se sua cabeça apenas havia criado aquela situação devido aos eventos daquele dia. Não queria mesmo saber qual das duas opções era a correta, mas sabia que aquilo havia destruído toda e qualquer estrutura emocional que pudesse sustenta-la. Chegava a pensar que seria melhor seu irmão morto do que naquela gangue, mas o que diabos ela estava dizendo? Apenas estando louca para achar que era melhor daquele jeito. Havia muito barulho em sua mente, estava confusa... Com sua mão livre, arrancava tufos de seu cabelo. Tinha medo de voltar a dormir e ter mais sonhos ruins. Mesmo que estivesse anestesiada e não sentisse suas feridas, mesmo que estas estivessem tratadas, toda sua existência sofria, apenas tendo um pouco de conforto por saber que seu mestre estava ali, segurando sua mão e quebrando um pouco de seu sentimento de solidão absoluta.Num instante queria acordar seu mestre para lhe perguntar o que havia sido feito de seu irmão e no instante seguinte não queria mais, para não incomodar aquele que ainda dormia. Por mais que nada o traria de volta, ele ao menos merecia um enterro digno, ou o espírito dele nunca descansaria de verdade e não haveria sequer uma prova de que ele existiu. Tsugumi estava presa ali com suas tristezas, dúvidas, e, ainda por cima, a preocupação com o estado de sua amiga, que fora para a sala de emergência naquela manhã. Aquilo a estava consumindo-a de dentro para fora lenta e dolorosamente; assassinato frio e calculista de seu bem-estar psicológico realizado por sua própria mente. O único conforto que tinha era segurar aquela grande e áspera mão, a única coisa que pôde fazer enquanto tentava engolir o choro que se formava em seus olhos de novo e de novo. Por que não era capaz de se dar uma paz? Por que continuava se lembrando de coisas que só a faziam sofrer mais? Seu sofrimento realmente parecia infinito. Pela primeira vez naquele dia, ouviu passos do outro lado da porta – não que ninguém realmente não tivesse andado por lá, mas não havia prestado atenção alguma-. Assim que esses mesmos passos se aproximaram da porta, Shizuo ergueu a cabeça, acordando de imediato, com as faces rosadas típicas de quem está com febre, apesar de que sua expressão parecia demonstrar severo constrangimento. Atitude que chocou tanto a menina, que se pôs sentada assim que sua mão se soltou da dele, quanto Celty, que hesitara em entrar no que abriu um pouquinho a porta. Nervoso, voltou à sentar-se em sua cadeira, apoiando ambas as mãos em seus joelhos, mirando persistentemente o chão com uma expressão séria, apesar das bochechas permanecerem rosadas. Não pôde evitar e acabou por soltar um breve riso. Depois de um tempo observando a menina sentada na cama estática, a Durahan não mais se conteve e lançou-se num abraço apertado, deixando bastante claro que já sabia de tudo. -C-Celty-san... – não conseguiu esconder a dor que sentia – Me solte, por favor...“Me desculpe!” assim que a soltou, começou a mexer as mãos à frente do corpo meio nervosa “Acabei não conseguindo evitar... Não consigo suportar te ver assim.”-Tudo bem... – sorriu, sem graça – Não precisa se desculpar...“Mas que confusão você se meteu, ein...” sentou-se na beirada da cama, com uma postura séria; o silêncio se instalou alguns instantes “Deveria ter falado com alguém sobre isso. Teve muita sorte de ser achada antes que morresse”. Tsugumi abaixou a cabeça, com um ar de tristeza. Não tinha argumentos contra a Durahan, principalmente pois sabia bem onde tinha errado. Seu grande erro, talvez, tenha sido tentar interferir. Estava apenas esperando ouvir Shizuo dizer algo, lhe dar uma bronca, mas ele não disse uma única palavra. Ambos trocaram olhares e a menina entendeu um pouco melhor o que se passava na mente dele das tantas vezes em que o barman dizia que se odiava. Aquela era a dor de causar mal às pessoas a que se quer ajudar. Descobrir como era tal dor se tornou mais um motivo para se sentir mal.-Sumimasen...Disse em um tom melancólico, segurando com força o lençol que cobria suas pernas enquanto estava sentada em sua cama. Os dois adultos pareceram não entender muito bem o que ela queria dizer, ficando calados. A menina pedia desculpas para todos. Ao mestre, a quem só dera trabalho; à Durahan, a quem preocupara; à Misaki, com quem acabara dividindo parte de seu sofrimento físico e psicológico, e, principalmente, ao irmão, a quem lhe trouxe a maior das desgraças –a morte- numa tentativa tola de salvá-lo de algo que não havia feito mal a ele diretamente. Pedia perdão pois aquilo era a única coisa que se via na condição de fazer naquele momento. Era a única coisa que podia pedir depois de tudo que havia acontecido. Afinal, nem mais se sentia digna de ser feliz.~x~“Pobre menina...” Fora aquilo que Celty primeiramente disse, assim que saíram um instante do quarto “Sofrendo tanto tão cedo...”- Eu deveria ter ficado observando de um lugar melhor. – Shizuo mirava apenas o chão, com a culpa lhe corroendo – Poderia ter salvado aquele rapaz se eu não tivesse sido tão estúpido.“Você não é culpado por isso.” Tentou consolá-lo, pondo a mão em seu ombro “Você também é humano, Shizuo. Talvez, mesmo que você tivesse entrado lá, não conseguisse salvá-los. Ao contrário: você poderia se machucar junto”.-Eu sei disso! –socou a parede – Mas... Se eu tivesse feito algo antes, também... Essa louca não teria feito o que fez!
“Não precisa gritar!” Segurou forte o ombro dele, apertando um pouco, mesmo que inconscientemente “Tem coisas que não se pode mudar! Sem falar que tudo que você fez não foi completamente em vão! Você conseguiu salvar a Tsugumi!”-É, eu salvei ela! Pra ver ela numa cama de hospital sem nenhuma vontade de viver! – apontou para a porta – Olhe pra ela! Ela parece ter alguma vontade de viver?!“E você ia ter se seu irmão tivesse morrido?! Isso passa, Shizuo!” Ameaçou lhe dar um tapa no rosto, mas conteve sua mão “Não diga como se salvar a vida de alguém não valesse a pena quando você mesmo foi lutar para salvá-la! Se você não aguenta vê-la triste, isso é normal, eu também não aguento vê-la triste; mas eu não vim aqui pra lamentar, eu vim aqui pra fazer ela se sentir melhor!”Ficou estático diante dela alguns instantes, com uma expressão de profunda confusão misturada com uma ponta de raiva que sobrara do ataque de nervos que o fizera socar a parede instantes antes. Eram amigos havia um longo tempo, mas nunca a havia visto tão brava quanto naquela hora, mesmo que já tenham falado de coisas bastante sérias. Piscou algumas vezes, tão surpreso que não tinha nada a falar, apenas encarava a viseira negra do capacete da mulher à sua frente. Lentamente, aproximou as mãos de seu próprio rosto, cobrindo os olhos com as palmas e enroscando os dedos em seus cabelos, arrependido ao ponto de se achar louco por ter dito o que disse. Julgava-se tão idiota ao ponto de esquecer que estava ali para ajudar a menina a voltar ao seu normal; essa seria a única solução para aquela face tão depressiva que ela abrigava em seu rosto que partia seu coração. Não teria mais de lidar com aquilo se pudesse fazê-la voltar a sorrir, mesmo que fosse daquela maneira tão infantil que em várias noites o irritou. Tudo que tinha a fazer era ajudar a aprendiz a se recuperar. O problema era como iria ajudar, se nem ao menos sabia ajudar a si próprio quando tinha um problema – naquele caso, ignorar não ajudaria em nada. Mas não teve muito tempo para pensar. No minuto seguinte, a motoqueira novamente entrou no quarto e ele não demorou em segui-la.Sentou-se de volta na cadeira em que passara o dia e Celty sentou-se na ponta da cama de Tsugumi, que logo perguntou o que acontecia – obviamente se fazendo um pouco de ingênua, pois não tinha como ela não ter ouvido parte da conversa no tom de voz em que ele havia falado. Quase como se houvessem combinado algo, os dois prosseguiram a conversa, fazendo algumas perguntas à enferma na esperança de mantê-la longe de pensar em coisas tristes, mas era perceptível bem no fundo dos olhos da adolescente o quão frágil e melancólica ela estava, ainda mais porque ela não respondia nada e eles acabavam conversando entre si. Era um esforço que não daria frutos, pois ora ou outra seria inevitável que aquilo voltasse em sua mente, mas seria ainda mais custoso se deixasse que ela caísse em pranto mais uma vez. Aquilo se arrastou por mais alguns minutos, talvez uma hora ou meia, até que a Durahan teve de se retirar, devido ao fim do horário de visita. Ela despediu-se forçadamente, dando mais um breve abraço na franzina e lhe dizendo que, se tudo desse certo, e iria dar, ela iria ficar melhor antes de definitivamente se retirar do cômodo. Num ato impulsivo, o loiro segurou sua pequena mão, com medo que a menina voltasse a chorar, mas nada a impediu de fazê-lo, mesmo que silenciosamente. Aquele era o máximo de apoio que podia dar, já que nada do que dissesse iria consolá-la.Shizuo ficou do lado dela durante toda uma semana, assistindo-a se curar em silêncio. Era realmente estranho que ela não dissesse nada além de agradecer-lhe pela companhia e responder às perguntas dos médicos, mas nada que dizia para tentar fazê-la voltar a conversar surtia algum efeito. Nem com Misaki ela falava muito, mesmo que se abrisse um pouco mais, nas manhãs em que a ruiva escapava da escola para visita-la, mas nada significante. Sofria calada ao tormento que sentia. Era mais que óbvio que só fazia aquilo para não mais compartilhar seu sofrimento com todo mundo, por mais que sentisse. Era como uma cidade completamente cercada por muros que se erguia silenciosamente, ao mesmo tempo em que seus cidadãos, sua parte mais importante, caíam em grande tristeza; tudo sem que ninguém percebesse. De certa forma, aquele silêncio corrompia ambos, mas nada poderia fazer a respeito, apenas permanecer ao lado da pequenina, feliz ao seu modo de poder acompanha-la em seu longo processo de recuperação até que chegasse ao seu final. Assim, esperava poder fazer.
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