Things we have
14 Burning Flames
Notas iniciais
You got that james dean daydream look in your eye
Eu não poderia estar mais feliz do que estava naquele momento. Era tudo realmente perfeito, o Percy me pedindo em namoro naquele túnel, nós dois indo para a casa dele depois e, bem, vocês já devem saber o que aconteceu. Já passava das duas da manhã e eu e ele estávamos deitados na cama, encarando um ao outro, sem dizer nada. Eu me sentia tão feliz, era uma coisa indescritível. Eu sorri para ele, e ele encostou a mão na minha bochecha e me beijou de leve.
–Eu te amo –ele sussurrou, e eu sorri.
–Eu te amo mais. –Sussurrei de volta, e virei de lado na cama. –Mas agora vou dormir.
Ele deu uma risada leve e passou o braço por cima de mim, fazendo então nós ficarmos deitados na famosa “conchinha”. Isso me lembrou de Nico, dá época em que namorávamos. Eu estava sempre na casa dele, tinha até mesmo a chave. Fiquei um pouco triste ao pensar nisso, mas logo passou, assim que lembrei que estava deitada na cama de Percy Jackson, o cara que eu amava.
–Boa noite, anjo. –Ele sussurrou novamente, e eu não respondi. Estava tão cansada que simplesmente fechei meus olhos e cai num sono profundo.
♥
Acordei e me virei para ver se Percy estava na cama, mas foi em vão. O colchão ao meu lado estava vazio. Espreguicei-me e me levantei, prendendo meu cabelo com o elástico que estava no meu pulso, e fui em direção ao banheiro do quarto. No caminho, peguei o celular, que estava na minha bolsa em um canto do quarto. Cheguei ao banheiro, tranquei a porta e verifiquei minhas mensagens no celular. Entre muitas de grupos, estava uma do Percy:
“Quando acordar, desça até a cozinha. –P”
Sorri, bloqueei o celular e entrei no banho. Demorei alguns minutos, sai debaixo do chuveiro, me enrolei em uma toalha e fui me aventurar no quarto de Percy. Abri algumas portas desnecessárias que tinham lá até finalmente abrir a do closet. Peguei uma camiseta grande que ele tinha que ficou mais ou menos nos meus joelhos, pois eu era pequena. Resolvi descer e ir para a cozinha, como ele tinha pedido. Eu estava a espera de um café da manhã digno, romântico e coisas do tipo, mas quando desci as escadas e fui até a cozinha, tive uma surpresa.
O pai, a mãe e a irmã mais nova de Percy estavam á mesa, junto com ele. Mãe não, madrasta, corrigi-me. Eles estavam sorrindo, mas pude perceber que olhavam para o que eu estava vestindo. Nesse momento eu quis enfiar minha cabeça de baixo da terra, e desejava ter ao menos colocado minha calça de pijama.
–Oi. –eu disse, tímida. –Bom dia!
–Bom dia, menina. –Os pais de Percy disseram, e eu me senti pegando fogo.
–Pai, Maddie... –Percy começou a falar, e sua irmã pigarreou. –e Crystal...
–Sim? –Maddie perguntou.
–Essa é... hum... –ele fez uma pausa.
–Você ao menos lembra o nome dela? –o pai dele disse. –E aquela nossa regra de não deixar suas garotas de sempre passarem a noi...
–Pai! –Percy disse. –Essa é Annabeth. Minha namorada.
Ambos os pais o olharam com uma cara de surpresa. Sua madrasta quase se engasgou até. Eu fiquei incrédula. Esse momento era tão inapropriado, e ele me apresentou logo agora. Seria muito melhor com um jantar, almoço ou algo do tipo. E o que será que era aquilo que o pai dele disse sobre regra de garotas passarem a noite? Será que eu era a única com quem ele estava dormindo com nos últimos meses? Antes que eu pudesse falar algo, Crystal desceu de sua cadeira e abraçou minha cintura, que era onde os braços dela alcançavam.
–Mana! –ela disse. Eu fiquei meio desconfortável com o gesto, e Percy percebeu.
–Crystal, a solte. –Percy falou, com um tom um pouco grosso, fazendo Crystal, que tinha 4 anos, chorar.
–Percy! –a mãe da criança o advertiu. –Crystal, vá para o seu quarto.
A garota saiu correndo e chorando até seu quarto, e bateu a porta com força, que eu não sei de onde ela tirou, pois tinha apenas quatro anos.
–Percy. –o pai dele o chamou. –A quanto tempo isso vem acontecendo?
–Isso? –ele perguntou. –Ou eu e Annabeth?
–Você e... Annabeth. –ele disse, com ênfase no meu nome.
–A mais de seis meses, papai. –Ele falou com ignorância.
Eu observei a expressão dele. Ele parecia estar em uma guerra com o pai dele, só de olhar para seus olhos. Nesse momento, o verde mar dos seus olhos parecia uma tempestade. O mesmo com os olhos do pai dele. Assustei-me com a semelhança que os dois tinham. Depois, observei a madrasta dele. Ela parecia um tanto frustrada, tentando digerir a hipótese de que seu 'filho' tinha uma namorada, ou talvez incomodada com o fato de que tinha uma garota apenas de camiseta na sala afirmando ser a namorada dele. O que eu entendi rapidamente foi: ela se surpreendeu porque seu Percy trazia muitas garotas para a cama, passava a noite e mal as deixava ficar para o café. As vezes não sabia nem o nome delas, e não se importava.
–Bom, Annabeth. –Maddie dele disse, com a voz doce, recuperada da surpresa. –Me fale sobre você!
Eu estava chocada demais. Como não percebi que Percy era esse tipo de cara? Como saberia que nesses seis meses que estávamos juntos, mas não namorando, ele não tinha transado com metade das garotas de nossa escola?
Eu já não tinha certeza de nada em relação a ele.
–Annabeth? –Percy perguntou. –Você está bem?
Olhei para ele, e depois para seu pai, meus olhos lhe fazendo a pergunta que martelava dentro da minha cabeça. Ele me olhou triste e baixou a cabeça.
Eu o amava de verdade, mas não podia ficar ali naquele momento.
–Ah, desculpa, Sr. E Sra. Jackson. –Eu disse, dando um meio sorriso. –Eu me lembrei que tenho um compromisso muito importante hoje, e tenho que ir para casa o mais rápido possível.
Ela me olhou confusa, mas sorriu.
–Tudo bem, foi bom não te conhecer! –Ela falou no meio de uma risada.
Eu dei uma risada falsa para “acompanhar” ela, e me virei, correndo escada a cima, com o Percy logo atrás.
Quando cheguei ao quarto, virei-me para Percy.
–Me diga que isso não é verdade. –eu disse para ele. –Me diga que você não estava transando com outras garotas enquanto nós estávamos quase namorando.
–Eu não posso dizer isso. –Ele disse.
Lágrimas brotaram no canto dos meus olhos. Eu coloquei a mão sob meu dedo anelar esquerdo, a cima do anel de diamante que Percy havia me dado na noite passada.
–Apenas me diga nomes. Me diga com quem, e eu penso sobre isso.
–Drew. Silena. –ele fez uma pausa. –Juniper. Jenna, Katie e Rachel.
Eu me surpreendi.
–Rachel Elizabeth Dare? –perguntei incrédula, e ele concordou. –Quando foi a ultima vez que vocês transaram?
Ele fitou o teto, onde ficava o mapa com todos os lugares que ele queria visitar um dia. Uma lágrima caiu de seu olho.
–Ontem na escola. -ele respondeu.
Eu tirei a camiseta dele, sem vergonha alguma, e peguei meu short e minha camiseta de dentro da minha mochila. Peguei a mochila, coloquei meus sapatos, e fui em direção a porta.
Antes de passar pela porta, me virei até ele, tirando o anel de diamante que ele tinha me dado do meu dedo e entregando na mão dele.
–Esqueça tudo de ontem a noite. Finja que não aconteceu.
Eu saí pela porta do quarto dele, desci as escadas em direção a porta de entrada. Ouvi os pais dele falando algo, mas não defini o que era. Simplesmente abri a porta da frente e bati com total força.
Não sei bem aonde fui depois disso.
I heard, oh, that you've been out and about with some other girl
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