Things We Lost in The Fire

17 4x17 - The Monster at the End of This Book


Notas iniciais
Oi, gente! Aqui está mais um capítulo para vocês. É sim, o episódio que vocês estão pensando. É um dos meus favoritos de toda a série e merecia estar aqui. Eu adorei escrever esse capítulo... Faltam apenas quatro capítulos para terminar essa temporada (serão todos adaptações de episódios), então calculo que a finalizarei entre o fim de abril e o meio de maio. espero que gostem! obs: faz SEMANAS que eu to com uma ideia na cabeça para uma história no estilo de Numb (capítulo único e grande que se passa num grande período de tempo), Sam e personagem original, mas dessa vez um romance com final feliz... Quem sabe durante o feriado eu escreva. Estou pensando em aproveitar para adiantar uns 2 caps de TWLF, vamos ver o que sai...

Vivemos em uma cidade que você nunca verá na TV

Não muito bonita,

Mas nós sabemos como comandar as coisas

Vivendo nas ruínas do palácio dos meus sonhos

E você sabe

Estamos no mesmo time

Estou um pouco cansada de me mandarem

Colocar as mãos para cima

Então ai está

Então todos os copos quebraram,

Os cacos ficaram sobre nossos pés

Mas não foi culpa minha

E todo mundo está competindo

Por um amor que não vai ganhar

Porque o que esse palácio quer é liberdade

Lorde

Billings, Montana. 3 de abril de 2009. Bar. Meia noite.

Alicia acenou para Anabel, que tinha acabado de entrar no bar. A loira estava com uma expressão irritada e carregava um pacote nas mãos.

–Finalmente, Alicia. – ela disse, colocando o pacote na mesa e se sentando – estou tentando falar com você há duas semanas. O que inferno aconteceu?

–Eu sinto muito, Anabel. As coisas ficaram meio loucas.

Sabia que Anabel estava esperando uma explicação melhor, mas a verdade era que Alicia estava num mau humor constante desde o término com Sam e o encontro com sua mãe em 1983 não tinha ajudado em nada. Shane a estava mantendo ocupada com um monte de coisas, especificamente, envolvendo Selos. Parecia que os anjos tinham simplesmente desistido de proteger os Selos.

–Eu sei que deveria ter dado notícias.

–Ou respondido as ligações.

–O que era tão importante que tinha que ser pessoalmente?

–Uns livros que eu achei. Uns livros intitulados Sobrenatural, de um tal de Carver Edlund.

–E tem alguma informação útil nesses livros? – perguntou Alicia, sem entender qual era o drama de Anabel a respeito disso.

Ela abriu o pacote, espalhando um monte de livros na mesa. Alicia pegou um deles.

E imediatamente entendeu o problema.

–-

Dean e Sam estavam em Nebraska. Fazia alguns dias desde o último caso deles e essa noite eles estavam em intensa pesquisa em busca do próximo caso que poderiam investigar... Ou de sinais de quebras de selo.

Os dois irmãos não estavam conversando muito ultimamente. Dean não gostava da maneira que Sam estava agindo. Sabia que ele estava escondendo coisas dele e pior, mentindo sobre isso. E sentia muita raiva do irmão mais novo pelo que ele fez a Alicia. Dean mal conseguia continuar convivendo com ele ultimamente, mas em nome da família, ele ainda estava ali, esperando que Sam voltasse a ser ele mesmo.

–Oi.

Tanto Dean quanto Sam se assustaram, dando um enorme pulo. Sam derrubou sua cadeira no chão. Alicia tinha aparecido ali.

–Meu Deus, Allie, não faça isso, podemos acabar atirando em você... – falou Dean.

–Dean – falou Alicia, fingindo que Sam, que pegava a cadeira no chão, não existia. – temos um problema. Alguém escreveu livros sobre nós.

–Livros? Como assim? – perguntou Dean confuso. Alicia colocou a caixa com toda a série Sobrenatural em cima da mesa. Dean pegou um dos livros, intitulado Guerra, Morte, Ruína e Fé. Na capa, havia o desenho de uma mulher morena, que Alicia temia que fosse ela, usando um top decotado, shorts muito curtos e coturnos, com uma floresta tropical em volta.

–Eu nem sei como começar a explicar.

Alicia então contou sobre Anabel, e que os livros tinham histórias de acontecimentos desde o momento que Alicia tinha voltado para os Estados Unidos, no primeiro livro, intitulado Sobrenatural, até o último, que contava a ida de Dean para o Inferno, chamado Sem Descanso para o Amaldiçoado.

–-

Algumas horas depois.

–Isso é insano. Como esse cara sabe tudo isso? – falou Dean, jogando um dos livros longe. – está tudo ai. Todos os casos. Até tem eu fazendo sexo. Como nunca ouvimos falar disso antes?

–São livros poucos conhecidos – falou Sam, que fazia uma pesquisa no notebook – quase zero de circulação. Começou a ser publicado em 2005. São cerca de vinte livros.

–Olhe esse site – falou Sam, e Dean e Alicia se aproximaram dele – tem fãs. Não muitos, mas eles existem.

–Apesar de serem fãs, eles com certeza reclamam bastante – observou Alicia, lendo alguns comentários – “A história sobre demônios é clichê e pouco realista”. Foda-se você. Nós vivemos isso.

–Continue lendo – murmurou Sam.

–Há Sam Girls e Dean Girls – leu Dean – eu tenho fãs?

–Precisamos achar esse Carver Edlund – falou Alicia, fechando o notebook. Ela não tinha gostado nadinha da existência de Sam Girls.

–Isso não vai ser tão fácil. Carver Edlund é um nome falso. Não há nada sobre ele em lugar nenhum. Muito menos um endereço.

–E se nós procurássemos a editora dos livros?

–-

A editora dos livros se revelou ser uma grande fã da série, inclusive tinha feito uma tatuagem antipossessão também. Ela só concordou em revelar o nome real do autor dos livros depois de obrigar o trio a responder infinitas perguntas sobre a série, ou seja, sobre a própria vida deles.

Chuck Shurley era o nome verdadeiro do autor. Ele vivia em Nevada, numa pequena cidade chamada Kripke’s Hollow. Alicia queria transporta-los até lá, mas Dean insistiu que iriam de carro. Não deixaria a Baby para trás.

Era uma casa comum do subúrbio, com um pequeno jardim em frente. Tinha sido quase um dia de viagem até lá. Era o meio da manhã. Dean saiu do Impala direto até a porta, determinado a dar um belo soco em qualquer um que esteja escrevendo sobre a vida deles. Sam e Alicia o seguiram. Os dois estavam falando o mínimo possível. Sam olhava para Alicia sempre, mas ela recusava o contato visual.

A porta se abriu, revelando um homem baixo, de cabelos cacheados e barba. Ele olhava para as três pessoas na sua porta com desconfiança.

–Você é Chuck Shurley? O Chuck Shurley que escreveu os livros Sobrenatural? – perguntou Alicia.

–Talvez. Por quê?

–Eu sou Alicia. Esses são Dean e Sam, sobre quem você tem escrito.

Chuck fechou a porta, o que fez Dean apertar a campainha com fúria. Ele reabriu.

–Olha, eu aprecio o entusiasmo de vocês. De fato, eu aprecio. É sempre ótimo saber dos fãs... – ele olhou os três de cima a baixo – e vocês fizeram um ótimo trabalho. Mas eu recomendo fortemente que vocês arrumem uma vida.

–Então, ai é onde está o problema. Nós temos uma vida. E você está escrevendo sobre ela. – o tom de Dean deixava muito claro que ele não estava brincando. Ele empurrou a porta e entrou na casa a força, Chuck se afastou dele, aterrorizado.

–Olha, isso não é engraçado – falou o autor.

–Nós só queremos saber como você está fazendo isso – disse Sam, calmamente. – você é um caçador?

–Eu não sou um caçador coisa nenhuma! Eu sou um escritor. Dean, Sam e Alicia são personagens que eu inventei. O que vocês querem? Quem são vocês?

–Eu sou Sam. Esses são Dean e Alicia. Vamos te mostrar uma coisa.

Eles acompanham Chuck até o Impala, para mostrar a ele todas as coisas que tinham no porta-malas do carro. A cada minuto que passavam na companhia de Chuck, menos eles entendiam as coisas. Chuck estava aterrorizado pela presença deles, isso era visível.

–Isso são armas reais? – gaguejou Chuck, olhando para o porta malas do Impala.

–Yup. E isso são verdadeiras balas de sal e falsos cartões de identificação reais. – respondeu Dean.

–Bem, eu tenho que admitir... Vocês são realmente meus fãs número um. – ele falou, muito nervoso – por favor, não me machuquem.

–O quanto você sabe? – perguntou Alicia – você sabe sobre mim? Sobre a profecia? Sobre os anjos, os selos?

Chuck estava tão branco, que Alicia temia que ele desmaiasse a qualquer momento.

–Espere um minuto, como você sabe tudo isso?

–A pergunta é como você sabe – corrigiu Dean, tentando não perder a paciência.

–Porque eu escrevi isso.

–Você continuou escrevendo? – disse Sam, apavorado.

–Sim, continuei, mas como os primeiros livros tiveram pouco sucesso, eu não consegui publica-los. Isso é uma piada, certo? Phil mandou vocês aqui?

–Bom, prazer em conhecer você. Eu sou Dean Winchester e esse é meu irmão, Sam Winchester. E Alicia. – repetiu Dean pela milésima vez.

Chuck ficou ainda mais branco.

–Os sobrenomes nunca estiveram nos livros. Eu nunca os escrevi. Eu nunca os contei para ninguém.

–-

Mais tarde.

Chuck já estava, sozinho, na metade de uma garrafa de whisky. Não pela primeira vez, ele fechou os olhos com força. Ao reabrir e ai encontrar seus personagens parados ali, falou:

–Vocês estão ainda aqui. Vocês realmente não são uma alucinação. Bem, obviamente tem alguma explicação. Eu sou um Deus.

–Você não é um deus. – falou Sam, revirando os olhos.

–Como não? Eu escrevi coisas e elas se tornaram reais. Eu sou definitivamente um deus. Um deus muito cruel e sádico. As coisas que eu fiz vocês passarem... As lutas, a tortura... Eu matei o pai de vocês. O pai de Alicia é um demônio cruel que a torturou. Eu queimei a mãe de vocês e fiz Sam passar de novo por isso com Jessica. O relacionamento de Sam e Alicia é uma desgraça e eles não têm escolha. Com que o objetivo? Eu os fiz sofrer... Para entretimento.

–Você não estava brincando conosco, Chuck. Vamos ser lógicos – Alicia interrompeu a confissão do autor, tentando acalma-lo – você não nos criou.

–Vocês realmente passaram por tudo isso que eu escrevi? – perguntou Chuck, ainda incrédulo. – eu sinto muito. Eu quero dizer, horror é uma coisa, mas ser forçado a viver em uma escrita ruim... Eu juro que eu soubesse que era real, teria feito diferente.

–Chuck, você não tem controle sobre o que acontece com nós – repetiu Alicia. – você não é deus, no máximo é um médium.

–Não. Se eu fosse um médium, eu não estaria escrevendo. Escrever é difícil.

–De alguma maneira – falou Sam – você está focado em nossas vidas.

–No que você está trabalhando agora? – perguntou Dean, com curiosidade e também um pouco de medo... Mas seria bom se eles pudessem saber o que daria errado antes de dar errado.

–O que eu estou escrevendo? – repetiu Chuck, franzindo a testa. De repente, ele ficou ainda mais pálido – bem, é esquisito. Eu escrevi sobre mim mesmo, na minha casa, conversando com meus personagens...

–-

Momentos mais tarde, lavandaria.

Sam estava colocando roupa para lavar, enquanto Dean e Alicia estavam sentados num banco, lendo o que Chuck tinha escrito.

–Eu estou sentando numa lavanderia, lendo sobre eu mesmo sentado numa lavanderia lendo sobre eu mesmo. Minha cabeça dói – disse Dean.

–Tem alguma coisa errada aqui – falou Sam – esse cara não está nos contando tudo.

–“Sam jogou suas roupas gigantescas na maquina de lavar. Ele estava começando a ter dúvidas sobre Chuck, se ele estava realmente contando a verdade” – leu Dean.

–Pare.

–“Pare, disse Sam.” Adivinhe o que você diz em seguida. “Sam se virou de costas para Dean e Alicia, pensativo.”

Alicia arrancou as folhas da mão de Dean, um meio sorriso nos lábios.

–Eu não sei como ele está fazendo isso, mas ele está fazendo. – falou Alicia – Sam acabou de pensar que Dean é um idiota.

–Esse cara é bom – falou Sam.

Alicia leu na folha: “Sam se sentiu feliz e aliviado, era a primeira vez que Alicia reconhecia a existência dele desde que tinha aparecido”. Alicia amassou a folha. Não devia ter cometido esse erro.

De volta a casa de Chuck.

–Então – disse Alicia, entrando direto na sala, sem esperar que Chuck os convidasse a entrar. Sam e Dean vieram atrás – você escreveu outro capítulo?

–Isso era muito mais fácil antes de eu saber que vocês eram reais. Vocês definitivamente não vão gostar disso.

–Nós aguentamos, fale logo – disse Dean. – eu aguentei o Inferno.

–Lilith está vindo atrás de Sam, hoje a noite.

–Ela simplesmente vai aparecer aqui? – repetiu Dean, incrédulo.

Chuck começou a ler das páginas que tinha na mão:

–“Lilith passou a mão pela cama sedutoramente. Incapaz de resistir ao desejo, Sam sucumbiu, e eles afundaram nas chamas da paixão demoníaca.”

Os Winchester e a Alicia ficaram sem reação. Bem, na verdade, a primeira vontade de Alicia foi mandar aquela casa toda pelos ares. Explodir tudo. Não bastasse Ruby, agora Lilith também? Sam tinha resolvido que ia passar o rodo em todas as vadias do inferno que encontrassem pelo caminho? Era algum tipo de fetiche?

Ela queria vomitar.

Mas, apesar disso, aparentemente foi a primeira a se recuperar do choque, porque foi a primeira que conseguiu dizer alguma coisa, tentando esconder toda a dor, ódio e amargura que estava sentindo agora. Sua voz saiu extremamente controlada e sem emoção, ao mesmo tempo que a ânsia de vomito que ela sentia ficava mais intensa. Ela realmente estava engolindo tudo o que sentia. Em algum momento, ia acabar com uma ulcera no estomago, não tinha duvidas.

–Bem, sua escrita é realmente ruim, Chuck.

–Você está brincando comigo, não é? – falou Sam, dando risada.

–Você acha que isso é engraçado? – perguntou Dean, muito menos controlado que Alicia. Estava furioso.

–Vamos lá, “chamas da paixão demoníaca?” –repetiu Sam, ainda dando risada. Não era possível que Dean estivesse levando a isso a sério. Alicia podia estar com a expressão impassível, mas ele a conhecia bem demais e sabia que também estava levando a sério. Certo, ele tinha cometido... Alguns erros com a Ruby, mas Lilith era outro nível. Ele a odiava. Queria mata-la. Era sua missão de vida, sua vingança. Dean e Alicia deveriam saber disso... Mas eles não confiavam nele, não acreditavam nele. Era sempre assim. Sempre a mesma desconfiança. Era isso, pensou Sam, que o afastava deles e o aproximava de Ruby. Ruby confiava nele.

–Espere um momento – falou Alicia – Lilith possui uma garotinha.

–Não. Dessa vez ela é uma dentista de Bloomington, Indiana.

–Ótimo. Perfeito. – falou Dean. – o que acontece depois da paixão demoníaca?

–Ainda não veio – respondeu Chuck, dando ombros.

–Dean, pare com isso – pediu Sam – você não pode estar levando a sério. Eu e Lilith? Na cama?

Alicia deu uma risada irônica. Sam olhou para ela com irritação. Odiava quando ela se comportava dessa exata maneira que estava se comportando agora, a desconfiança, a ironia e o sarcasmo. Por que ela não podia gritar com ele, chorar, qualquer demonstração de emoção que não fosse passiva-agressiva e simplesmente odiável?

–Então – falou Dean, claramente ignorando Sam. – como essa coisa psíquica sua funciona?

–Bem, começa com uma dor de cabeça. Uma dor de cabeça realmente ruim. Aspira não funciona, então eu... Bebo até dormir. A primeira vez que aconteceu, eu achei que era apenas um sonho louco. E depois continuou vindo, fluindo... Eu apenas não posso parar. E preciso escrever, se não os pensamentos não me deixam em paz.

–-

Dean tinha um plano bem claro: pegaria o que Chuck tinha escrito e fariam de tudo para não fazer o que estava escrito lá. O problema era, que durante todas as horas que eles tentaram fugir, eles acabavam na mesma situação descrita por Chuck. Era enlouquecedor. Sam estava furioso. Para ele, a ideia dele ir para a cama com Lilith era absurdamente ridícula e o fato que Dean e Alicia consideravam isso como possível o deixava completamente furioso.

Sam via aquilo como uma oportunidade: se Lilith estava na cidade, devia aproveitar para enfrenta-la, e quem sabe, mata-la.

Estava escrito que Lilith iria encontrar Sam no Red Motel, então eles se hospedam no Toreador Motel. Sam passaria a noite fazendo pesquisa, enquanto Dean e Alicia passavam o dia dirigindo o Impala. Assim, Dean mandou que Sam assistisse algum pornô, enquanto saia com Alicia para estacionar o Impala em algum lugar seguro. Assim que os dois saíram, a placa onde estava escrito Toreador em neon, pifou. E apenas as letras R E D ficaram.

Assim que os dois saíram, Sam ligou para Chuck.

–Eu quero saber o quanto você sabe sobre mim. – perguntou Sam, diretamente.

–O que você quer dizer?

–Você tem visões de mim quando eu não estou com Dean?

–Ah. Você quer saber se eu sei sobre o sangue de demônio.

–Você não contou a eles – falou Sam, entre aliviado e agradecido.

–Eu nem ao menos escrevi nos livros – falou Chuck, com um olhar que Sam reconheceu como pena. – eu estava com medo que isso faria você parecer patético. Quer dizer, sugar sangue? Você sabe que isso é errado.

–Me assusta como o Inferno – admitiu Sam, falando em voz alta a primeira vez sentimentos que estava o tempo todo tentando conter – Eu quero dizer, eu sinto a necessidade. Eu desejo que eu pudesse parar.

Ele falava como um viciado, e ambos perceberam isso.

–Mas você continua procurando por isso – observou Chuck.

–Que escolha eu tenho? Se me ajudar a matar Lilith e deter o apocalipse...

–Eu pensei que isso era o trabalho de Dean – cortou Chuck – foi o que os anjos disseram, não foi?

–Dean não tem sido ele mesmo ultimamente. Não desde que ele saiu do Inferno.

–Então você tem que carregar o peso?

–Bem, ele cuidou de mim a vida toda. Eu não posso retornar o favor?

–Claro que pode... Se isso tudo é sobre retornar o favor.

–Sobre mais o que isso seria?

–Eu não sei. Talvez o sangue de demônio faça você se sentir mais forte. Mais no controle.

–Não, isso não é verdade. Eu apenas gostaria que Dean, e Alicia também, pudessem ver meu lado...

–Eu sinto muito, Sam. Eu sei que é um fardo enorme, sentir tudo isso sobre seus ombros.

–E está sobre meus ombros?

–Parece ser para onde a história nos levou.

–Eu sou forte o suficiente para parar Lilith essa noite?

–Eu não sei. Eu não vi tão longe ainda.

Os dois homens ficaram em silêncio. Sam estava indeciso se queria saber ou não o que estava prestes a perguntar. Por fim, ele decidiu que precisava saber.

–Alicia é forte o suficiente para parar Lilith?

–Ela é. Se assim o desejar. Só que ela não quer.

–Mas ela não tem interesse em matar Lilith? Acabaria com o apocalipse. Resolveria nossos problemas.

–Bem, Sam, Alicia não é motivada por vingança. E ela tem uma visão muito mais clara que a sua sobre a situação atual...

–O que está querendo dizer?

–Mesmo que você mate Lilith, isso não quer dizer que o apocalipse vai parar. Alicia não está caçando Lilith. Você pode pedir ajuda para ela, mas...

–Ela provavelmente recusaria porque sou eu. Você está me dizendo que Alicia não quer matar Lilith, porque ela não quer fazer algo que eu quero fazer.

–É, é exatamente isso que estou dizendo.

Sam suspirou, frustrado. O tempo todo, ele pensava nele e em Alicia, tentando entender qual foi o momento em que as coisas ficaram tão ruins. Quando o fim tinha começado. Será que ela falava sério que estava tudo acabado? Sam não conseguia acreditar.

Mas Chuck provavelmente saberia.

–O que Alicia tem feito ultimamente? — perguntou Sam. Chuck estava se servindo de uma velha garrafa de whisky barato que encontrou num canto do quarto.

Chuck tomou um gole e deu um sorriso amargo.

–Alicia está lutando. Os anjos, eles andam meio ausentes da Terra... Alicia tem tentando evitar que mais selos se rompam. E ela está perdendo. Muitos aliados dela morreram. – Chuck bebeu mais um pouco, avaliando se deveria contar o que realmente ocupava todo o tempo de Alicia em suas visões. – mas o que ela realmente a consome é que...

–O que, Chuck? – o homem parecia hesitante em revelar o que Alicia fazia e isso deixou Sam inseguro e ansioso. Ele não gostava de perdê-la. Mas ele já a havia perdido.

–Ela está pesquisando sobre almas gêmeas. Ela quer... Romper a ligação que há entre vocês dois. É o que ela realmente deseja, seguir em frente.

Sam odiou o desespero que sentiu. Odiou o quanto estava magoado. Ele não queria isso. Não queria ficar sem ela. Não queria que terminasse.

Mas foi ele que causou aquela situação.

Precisava saber uma coisa.

–Chuck, Alicia por acaso... Está com outra pessoa? – ele pronunciou as palavras como se falasse um sacrilégio. E, ao ter a ideia de Alicia com algum outro homem, finalmente conseguiu entender um pouco do que ela deveria estar sentido.

Chuck olhou para Sam com tristeza.

–Sam, Alicia está destruída. Ela está tão... Quebrada por dentro, que eu honestamente não sei como ela tem sobrevivido. Ela passou dos limites do que é capaz de aguentar. Tudo o que ela quer... É não sentir mais nada.

–-

Chuck voltou para sua casa, porque não se sentia nada bem. Toda aquela interação com seus personagens estava acabando com ele.

E não tinha acabado, porque Dean e Alicia o esperavam em sua sala.

–Você parece péssimo, Dean – brincou Chuck, para tentar cortar o clima pesado e a expressão feia de ambos.

–Porque eu fui atropelado por uma minivan! – gritou o Winchester – toda a merda que você escreve sobre mim se torna verdade, e você quer que eu aceite isso tranquilamente?

Alicia se levantou do sofá, encarando Chuck. Chuck sentiu medo. Sabia muito bem do que ela era capaz de fazer e não iria querer sua fúria voltada para ele.

–Por que eu tenho o sentimento que você não está nos contando alguma coisa? – perguntou ela. Chuck sentiu um arrepio na espinha. Alicia o assustava.

–O que eu estaria escondendo de vocês? – ele mal conseguia formular a frase. Não era corajoso.

–Como você faz isso, para começar! – gritou Alicia. Ela levantou a mão. Chuck fechou os olhos.

–Alicia, deixe ele ir!

Castiel tinha aparecido do nada. Ele segurou Alicia pelos braços, ela começou a se debater.

–Esse homem deve ser protegido. Ele é um profeta do Senhor.

–Você é Castiel, não é?

–É uma honra conhecer você, Chuck. – Castiel soltou Alicia – eu admiro seu trabalho.

–Espere, esse cara que escreve esses livros ruins é um profeta do senhor? – falou Dean, desorientado. – você sabia sobre isso?

–Eu talvez tenha sonhado com isso – admitiu Chuck – mas era muito grandioso. Para não dizer arrogante. Eu quero dizer, eu mesmo me escrevendo na história é uma coisa, mas como um profeta? Isso é demais.

–Esse é o cara que decide nosso destino? – perguntou Alicia. Bem, se ela tinha achado o culpado por ferrar toda sua vida, ela precisava mesmo ter uma conversa com ele.

–Ele não está decidindo nada – corrigiu Castiel – ele está apenas conduzindo a palavra.

–A palavra? A palavra de Deus? – falou Alicia. – é como um novo testamento?

–Um dia, esses livros serão chamados do Evangelho dos Winchester – contou Castiel, como sempre como se falasse de algo simples como o clima do dia.

–Você está brincando – falaram Dean, Alicia e Chuck ao mesmo tempo.

–Eu não estou brincando – falou Castiel, sério.

–Eu preciso de um minuto – falou Chuck, e saiu correndo escada acima.

–Ele? Realmente? – falou Dean. – um profeta?

–Você devia ter visto Lucas – respondeu Castiel. – eu não sei como os profetas são escolhidos. As ordens veem dos níveis mais elevados do Céu. Dizem... Que são linhagens de sangue.

–Como paramos isso? – perguntou Alicia. – como impedimos que Sam role na cama com Lilith?

Ela falou as últimas palavras num tom que indicava o nojo absoluto que ela tinha pela ideia.

–O que um profeta escreveu, vai acontecer. Não temos como impedir. – disse Castiel.

–-

Dean e Alicia voltaram ao motel com um plano: Alicia levaria Sam para outro lugar, para o outro lado do mundo, se fosse necessário. Mas eles não ficariam mais ali. Sam tinha outros planos. Queria enfrentar Lilith. Dean e Sam tiveram começaram a velha discussão de sempre: Sam queria lutar, Dean tinha medo que ele se transformasse em algo maligno.

Alicia ficou parada na porta do quarto, bebendo o que tinha sobrado do whisky da garrafa que Chuck tinha achado.

–Alicia, me ajude aqui! – chamou Dean.

–Você saber? – ela disse, apática. – eu estou cansada. Se ele quer dormir com a Lilith, ou com todos os demônios da encruzilhada... Quem sou eu para impedir? Vá em frente. Se ele se tornar mal, vai ser mais fácil mata-lo.

–Allie... – começou Sam. A garrafa caiu no chão com um estrondo, se quebrando, o liquido se espalhando pelo carpete e o forte cheiro de álcool tomando o ambiente.

Alicia tinha desaparecido.

–Filha da puta! – xingou Dean, e furioso, derrubou umas cadeiras no chão antes de sair do quarto, deixando Sam sozinho.

–-

Dean, sentando no carro sozinho. Que ótimo momento para Alicia ter um ataque! Por que Sam era um idiota teimoso? Por que ele tinha que resolver tudo sozinho?

–Bem – ele falou em voz alta – eu me sinto estupido fazendo isso. Mas eu estou sem opções. Então, por favor, eu preciso de ajuda. Eu estou rezando. Venha, por favor.

–Rezar é um bom sinal de fé, Dean. Isso é bom – disse Castiel, aparecendo no banco ao lado dele.

–Isso significa que você vai me ajudar?

–Eu não sei se eu posso. É uma profecia, eu não posso interferir.

–Você tem me testado e me jogado de um lado para o outro há meses. Eu nunca pedi nada. Nenhuma maldita coisa. Bem, estou pedindo agora. É o mínimo!

–O que você está pedindo para eu fazer... Não está no meu poder.

–Foda-se você. Você e sua missão. Seu Deus. Se você não me ajudar agora, quando a hora chegar e você precisar de mim... Não me procure.

–Dean... Dean, você precisa entender que eu não posso interferir. Profetas são especiais. São protegidos. Se qualquer coisa ameaçar um profeta, um arcanjo vai aparecer e destruir a ameaça. Eu impedi Alicia bem a tempo. Arcanjos são implacáveis, absolutos, a arma mais terrível do Céu. Na verdade, acho que Alicia só conseguiu ficar no mesmo ambiente que ele porque ela é metade anjo também...

–Isso quer dizer, que se um demônio ficar num mesmo ambiente que um profeta...

–A força mais terrível do Céu irá cair sobre ele.

–-

Enquanto isso, alguém batia na porta do quarto de Sam. Ele abriu lentamente, o coração explodindo de expectativa.

–Olá, Sam.

Lilith estava ocupando um corpo de uma mulher loira, alta, bonita e com grandes seios. Usava um vestido preto decotado.

–Eu estava esperando por você – afirmou Sam.

Os olhos dela ficaram completamente brancos. Ela entrou no quarto e Sam fechou a porta.

–Onde está a faca, Sam?

–No criado mudo. Ao lado da cama.

Lilith se deitou na cama, sorrindo sedutoramente para Sam.

Sam levantou uma mão, pronto para ataca-la. Nada aconteceu.

–Você está forte. Mas não forte o suficiente. Não ainda.

–Então por que você não me mata?

Lilith riu.

–Talvez eu não queira isso. Talvez sejam só boatos... Talvez, o que eu queira, Sam, é conversar.

–Bom, não estou interessado.

–E se eu oferecer para recuar? Parar de quebrar os selos, parar o apocalipse, tudo?

–Você espera que eu acredite nisso?

–Não. Você sempre foi o mais esperto. Mas é verdade. Você pode acabar com isso, Sam, aqui, neste momento. Eu vou parar tudo... Acontece que, talvez eu não saia viva dessa guerra. Talvez eu seja morta, bem quando a parte boa começar.

–O que você quer?

–Sua cabeça e a de Dean num prato. Chame isso de um premio de consolação. Mas o que eu mais quero é voltar para os dias bons, antes que eu tivesse que lidar com anjos o tempo todo. Quando era sangue de bebê o tempo todo. Não é esse o estilo dos Winchester, se sacrificar por um bem maior?

–E você espera que eu acredite nisso?

–Se eu fizer um pacto, eu tenho que segui-lo a risca. São as regras, e você sabe disso. Ou você é tão arrogante que colocaria a vida de bilhões de pessoas inocentes em risco para salvar a sua? Talvez seja todo o sangue de demônio em você...

–Eu não sou em nada como você!

–Então prove – ela disse, sorrindo sensualmente. Ela tocou a cama. – ah, um contrato comigo precisa muito mais que um beijo. Muito mais. Mas não se preocupe. A dentista aqui quer isso tanto quanto eu quero.

Sam se aproximou. Lilith sorriu e o puxou para cima dela. Com um movimento brusco, ele agarrou a faca e tentou ataca-la.

A porta se abriu com um estrondo.

–Eu sou Chuck e sou um profeta! – gritou ele, correndo para dentro do quarto, com Dean atrás dele.

Uma luz brilhante surgiu do nada, acompanhada de um som terrível.

Notas finais
Não, a Alicia não está nada bem... Como vocês podem ter percebido. A música de inicio foi escolhida por dois motivos: porque na minha interpretação tem um pouco a ver com o fato dos Winchester descobrirem que são personagens de um livro, mas também tem muito a ver com que a Allie ta sentindo. Acho que dá para notar que sim, por mais que Sam tbm se sentisse mais forte e no controle com o sangue, tudo que ele fez, foi pelo Dean. ele realmente achou que estava ajudando o irmão... por fim: Indicação de série: Penny Dreadful. Por que assistir? 1. Tem a Eva Green (ou seja, a Alicia) Qualquer coisa com ela já vale a pena de ser vista, porque ela brilha. 2. É sobrenatural. Precisa de mais motivos? Porque tem: é super bem feita, cheia de mistérios, criaturas horríveis, um pouco de ficção cientifica, modificando um pouco histórias clássicas, atuações brilhantes, sangue, terror e mistério. Vejam! comentem! :)