Things We Lost in The Fire

8 4x08 – The Demon-Free World


Notas iniciais
quero agradecer aos 33 fantasmas pelos comentários que deixaram no capítulo anterior. vcs são uns fofos, sério. falando não-ironicamente: to feliz que a Lima73 voltou a aparecer por aqui uma leitora que fez falta, seja bem vinda de volta! Oi gente! Até o capítulo anterior, estavam sendo apresentados vários arcos da temporada. É a partir desse que as várias histórias vão se juntar e suas consequências serão desenroladas. Arcos serão desenvolvidos e outros fechados, rumando ao fim da quarta temporada. Eu ainda não sei quantos capítulos vai ter, tinha pensado em 22, mas na real pode ser mais ou menos que isso. Ah, o título do capítulo é um trocadilho com um livro chamado The Demon-Haunted World (Um Mundo Assombrado pelos Demonios), de Carl Sagan. Nesse caso, é “Um Mundo Livre de Demonios”, e vocês entenderão no contexto do capítulo, eu acho. Observação: talvez eu mude o nome disso para Casos de Família. Só isso justifica Sam e Alicia kk. Boa leitura!

Senhoras e senhores

A verdade é agora aceitável

A fama agora é injetável

Do processo ao progresso

Este centro é critico

Fé está indisponível

Vidas se tornam incríveis

Agora, por favor, entenda isso

Eu não posso ir devagar

Eu não vou esperar por você

Eu não posso para agora

Porque eu estou dançando

Esse planeta é nosso para defender

Não temos tempo para fingir

Não foda por ai

Esta é a nossa última chance

Se a minha velocidade está fazendo você suar

Então se segure

Porque não há vagas na emergência

Então nós apenas, então nós apenas, então nós apenas

Nos levantaremos e vamos!

My Chemical Romance

Enquanto Sam e Ruby conversavam na biblioteca, Alicia estava vigiando Anna. Dean tinha levado Pamela de volta e assim que ele retornou para a casa de Bobby, Anna foi encontra-lo assim que ele saiu do Impala.

–Pamela chegou em casa bem?

–Sim. Ela disse que sentia muito. É que após a última vez, ela não consegue mais lidar com anjos.

–Eu não a culpo. Vocês deviam fazer o mesmo.

–Bem, nós não somos tão espertos. Posso perguntar uma coisa? Por que eles me salvaram? O que eles querem de mim?

–Eu sinto muito. Os anjos não estão falando sobre isso. E essa decisão ocorreu depois que eu caí.

–Essa é outra pergunta. Por você caiu? Por que você gostaria de ser um de nós?

–Sério que você não consegue perceber por que, Dean?

–Nós somos um monte de infelizes... Comendo, cagando, confusos e com medo.

–Há lealdade, perdão, amor.

–Dor.

–Bolo de chocolate.

–Culpa.

–Sexo.

–Bem, você me pegou ai.

–Cada emoção, Dean, mesmo as ruins... É por causa disso que eu caí. Por isso eu daria qualquer coisa para não ter que voltar. Qualquer coisa.

–Sentimentos são superestimados, se você me perguntar.

–É ainda melhor do que ser anjo.

–Como isso é possível? Vocês são perfeitos e poderosos. Não duvidam de si mesmos ou de Deus.

–Perfeitos... Como uma estatua de mármore. Frios... Sem escolhas, só obediência. Dean, você sabe quantos anjos realmente viram Deus? Foram quatro. E eu não sou um deles.

–Então como vocês sabem que Deus existe?

–Nós temos que ter fé. E somos mortos se não temos. Eu fiquei em uma missão na Terra por 2000 anos. Apenas observando, silenciosa, sentindo saudades de casa. Esperando ordens de um pai desconhecido, que nunca vieram. E quando fui chamada de volta... Percebi que não era em casa que eu queria estar.

Antes que Dean respondesse, Alicia se juntou a eles: Sam tinha encontrado alguma coisa.

–-

Union, Kentucky, 19 de janeiro, 15 horas.

Sam tinha descoberto que após a queda do meteorito em Kentucky, em um campo abandonado há muito tempo, tinha crescido plantas que atingiram tamanhos de como se estivesse lá há séculos, em apenas seis meses. A graça era pura criação.

Estavam quase chegando agora – era uma viagem de 12 horas, mas felizmente, os feitiços que Ruby tinha feito estavam funcionando. Dean olhou para trás pelo espelho retrovisor e riu.

–O que? – perguntou Ruby, a irritada.

–Nada. É que temos um anjo e um demônio no banco de trás. Parece uma piada suja.

–Dean, você está confundindo realidade com pornô de novo – falou Sam.

–Você chama isso de realidade?

Assim que chegaram no campo, começaram a busca pela graça perdida. Era um lugar lindo, com muitas árvores e flores. Não tinham se passado nem 10 minutos quando Anna os chamou para um carvalho que aparentava ter 200 anos.

–É aqui que a graça caiu. Posso sentir. Mas não importa, não está mais aqui. Alguém a levou. Talvez tenha sido destruída.

–Nós ainda temos os saquinhos de feitiço – falou Dean, desesperado – eu digo para voltarmos para o quarto de pânico.

–E ficar lá, o que, para sempre? – perguntou Ruby.

–Eu estou apenas pensando em voz alta!

–Você chama isso de pensar? A graça de Anna se foi. Ela não pode nos proteger. Nós não podemos lutar contra Céu e Inferno. Um lado, talvez, mas não ambos, não de uma vez.

Fez-se um silêncio tenso. Alicia estava numa batalha interna. Sabia que podia proteger Anna e muito bem, aliais. Mas o que era um anjo caído? O que tinha feito Anna cair? Alicia não confiava plenamente nela. Alicia tinha conhecido vários filhos de anjos – nephilins, o que acontecia quando um anjo se relacionava com um ser humano. Alicia tinha aprendido a história deles e sabia que a maioria dos anjos voltava para o Céu com o rabo entre as pernas depois do nascimento da criança e fingia que nada tinha acontecido. Os nephilins tinham sido perseguidos e mortos pelos Céus durante séculos, as vezes pelos seus próprios mães ou pais angelicais, apagando o símbolo do pecado dos anjos, mas em determinado momento, ninguém sabia bem quando, isso parou de acontecer. A quantidade de nephilins pelo mundo tinha começado a crescer e hoje era uma raça expressiva, e crianças, filhas de dois nephilins, também nasciam, aumentando ainda mais a população. O culpado da história era sempre o humano por seduzir o anjo ou anja e a criança, considerada uma aberração, nunca ser angelical. Um anjo se tornar humano, literalmente cair e sobreviver a queda, sem ser perseguido e morto, era um acontecimento raríssimo. Anna era um milagre, mas qual era a história e motivos dela?

Mas o que convenceu Alicia a proteger Anna foi ver o quanto Dean estava envolvido na história. Ele se importava. Por ele, Alicia arriscaria a segurança.

–Eu posso proteger Anna – ela falou, interrompendo a discussão. Anna olhou para Alicia, se sentindo surpresa e agradecida. – mas você precisa fazer uma escolha. Preciso saber se posso confiar em você.

–O que você quer dizer?

–Por que não pensamos nisso antes? – falou Dean – dizem que Alicia é o meio entre o Céu e o Inferno. A única líder que pode enfrenta-los e vence-los.

–É – falou Alicia, sem graça de ouvir Dean dizer aquilo – é o que esperam de mim. É o que eu tento descobrir como fazer. Mas, ultimamente, todos os seres sobrenaturais que não tem para onde ir... Estão se juntando a mim.

–Obrigada, Alicia! – Anna abriu um enorme sorriso – eu senti que havia alguma coisa diferente em você desde que a conheci. Acho que eu estive meio perdida no tempo. Eu lembro, das histórias. Dos boatos. Que um dia haveria alguém com poder suficiente para desafiar Céu e Inferno. Fico honrada em conhecê-la. Antes de eu cair, eu ficava imaginando se as lendas eram reais. Sempre ouvimos no Céu que não era. Se eu tinha fé em alguma coisa, era em você.

–Por quê? – perguntou Alicia, sem conseguir esconder o quanto ficava nervosa. Toda vez que alguém vinha e dizia que acreditava nela e ela era a esperança, ela se sentia ansiosa e desconfortável. E se lembrou da sua incapacidade de vencer Asmodeus. Tudo o que ouviam falar dela era que ela grande e poderosa, mas Alicia não conseguia se ver como líder. Era um papel que não se encaixava nela e ela lutava para representar, mas no seu interior...

No seu interior ela só queria uma casa, Sam e alguns gatos.

–Anjos sempre se acharam superiores a tudo. Mesmo a outros deuses, de outras mitologias. E claro, havia Lucifer e seus demônios para contestar. Mas devido as crenças humanas, o próprio desenvolvimento da história... Colocou-se que Anjos são o Bem e demônios são o Mal, e tudo no meio disso é um poder secundário. Todas as culturas tem sua histórias de fim do mundo, mas ninguém ousa coloca-la em prática. De uma maneira ou outra, somos todos seres desse planeta. Anjos e demônios querem possuir o planeta. Essa é a diferença. Deuses de outras culturas e outras criaturas sobrenaturais devem obediência a eles. Com o tempo, várias misturas entre seres sobrenaturais e humanos surgiram e foram ignorados. Essa é a realidade do mundo sobrenatural. As criaturas querem poder. Querem igualdade.

–É por isso que elas venham até mim. – interrompeu Alicia.

–Já houve outras tentativas de mudar isso. – contou Anna – mas foram todas cruelmente acabadas, ou por anjos, ou pelos próprios demônios, veja o que aconteceu com Asmodeus. O que queremos de você, Alicia, é que você destrua Céu e Inferno, e todas as outras divisões que existem, e torne tudo um só. Queremos que o mundo seja melhor dividido.

–Isso soa utópico demais. Impossível. – Alicia quase riu – não vai acontecer.

–Seria um Novo Mundo. Não podemos imaginar como seria. Mas a questão não é o que vem depois, Alicia. – Anna estava convencida do que falava

– é que você pode derrotar Céu e pode derrotar Inferno. Estou honrada em conhece-la. E ficaria mais ainda de estar ao seu lado nessa guerra.

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20 de janeiro, Providence, Rhode Island, cinco horas da manhã.

Alicia, quando não estava na estrada, vivia em Sioux Falls, South Carolina. Ela escolheu o local por ser perto da casa de Bobby. Mas o local que Shane tinha escolhido para colocar o centro de operações era em Providence, Rhode Island. Ele tinha, sabe-se lá como (Alicia não fazia perguntas) colocado as mãos num antigo e exclusivo condomínio fechado, localizado numa praia particular de Providence. Era lá que a ação acontecia, onde os aliados de Alicia ficavam concentrados, se preparando para lutar quando chegasse o momento. Alguns deles também estavam mais envolvidos em lidar com anjos e demônios.

A verdade era que Alicia nunca se envolveu muito com aquilo. Ela não se sentia pronta. Ficava mais confortável caçando com Dean e Sam do que lidando com tudo aquilo. Era uma líder ausente e sabia que isso precisava mudar, porque ela já perdia aliados. Depois do que aconteceu com Asmodeus, ela tinha perdido muitos aliados. Shane estava furioso com ela, implorando que ela fosse até lá e cumprisse seu papel, mas ela tinha lidado com tudo de longe e se recusado a ver Shane.

Agora era hora de enfrentar isso.

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–ALICIAAAA! Você voltou!!!!!! – foi com um grito escandaloso que Shane a recebeu de volta em sua casa, mas ele prontamente fechou a expressão ao ver Dean, Sam e Anna parados, sem jeito, atrás dela. – eu pensei que você nunca os traria aqui.

–É uma situação fora do comum. Anna quer se juntar a nós. Ela é um anjo caído. – falou Alicia, sem pausar entre as frases.

–Um anjo caído, hum? – riu Shane. – temos de tudo por aqui, mas isso é novidade.

–Shane, eu sei que tem muito o que eu fazer. Será que você pode pedir para alguém levar Sam e Dean para o quarto de hospedes, e acomodar Anna, enquanto eu e você conversamos?

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Depois.

–O que aconteceu com o mapa que você estava tentando traduzir, Alicia? – foi a pergunta de Shane, assim que ele fechou a porta do escritório decorado em creme, dourado e verde água. – você nunca mais deu noticias dele.

–Bem, eu entreguei ele a um anjo, que me ajudaria com o enoquiano. Mas, como abrigamos Anna, com certeza esse anjo irá destruir o mapa.

Shane deu um longo suspiro.

–Querida, eu sei que você é minha superiora eu amo e a adoro, mas nós precisamos da Alicia de antes de setembro aqui.

–O que quer dizer com isso?

–Que desde que Dean Winchester voltou da morte, e você voltou a se relacionar com Sam Winchester, você está instável e ausente, provocando muitos problemas. Querida, você era incrível. Você era a minha rainha e eu te considero muito, por isso sou obrigada a te alertar, esse Sam não é coisa boa.

–Shane, eu conheci Sam a minha vida toda. – ela disse, cansada. – eu sei que não tenho me dedicado direito as coisas aqui. Preciso melhorar. Só que é difícil conciliar família e trabalho.

–Você não pode se dar ao luxo de pensar em família agora – Shane saiu andando pelo escritório, reunindo papeis e pastas. Por fim, ele depositou a pilha em cima da mesa – essa é burocracia que eu preciso que você faça e se atualize agora. Quando você acabar, voltamos e conversamos. Guerra não é só matar anjos e demônios, Alicia. Guerra é muito planejamento e estratégia. Não precisamos que você seja uma caçadora, precisamos que você seja a líder que nasceu para ser.

Shane saiu e Alicia, derrotada e sabendo que ele estava certo mesmo, se largou na cadeira e começou a trabalhar.

Ela não teria sua vida de torta de maçã com Sam mesmo, então a opção que ela tinha era fazer o melhor da vida que ela tem agora.

O dia foi clareando e a manhã avançando, mas mesmo assim, a pilha de coisas que Alicia precisava ler não diminuía. Ela ficou feliz quando bateram na porta. Alicia resmungou "entre", percebendo que devia ser Shane colocando pressão nela. Estava bem longe de acabar.

–Shane, me apressar não vai ajudar em nada – ela falou, sem olhar a pessoa que entrava.

–Sou eu.

Sam.

–Oi – ela levantou a cabeça, sorrindo.

–Você está ocupada?

–Não muito – mentiu, feliz demais por Sam estar procurando ela, para se preocupar com qualquer outra coisa – você e Dean estão ok? E Anna?

–Sim, Dean adorou a ducha. E a comida. É um belo local aqui.

–É, Shane o escolheu – falou Alicia e ficou esperando Sam dizer mais alguma coisa.

–Então – ele falou, se sentando na cadeira em frente a ela – acho que eu e você conversamos muito pouco sobre isso, mas eu estava pensando... Eu acho que essa sua, hã, missão, na guerra, tem muito a ver com o papel dos caçadores. Lutar contra demônios, evitar que criaturas sobrenaturais machuquem as pessoas.

–Talvez. Onde você quer chegar? – não, nesse caso falava-se mais sobre criaturas sobrenaturais querendo ser reconhecidas e viverem em paz. Impedir que anjos e demônios destruam o mundo na sua briguinha.

–Bem... Eu acho que você poderia buscar ajuda em caçadores. Ao invés de ficar lidando com criaturas meio demônios como Shane.

Alicia ficou chocada.

–Sam, você não entendeu nada. – ela conseguiu falar, boquiaberta. – isso aqui não é sobre caçadores.

–Alicia, eu quero ajudar. Eu quero participar também. Quero estar ao seu lado nessa guerra... Derrotar demônios, e porque não esses anjos, é o sonho de todo o caçador.

–Isso é uma luta de criaturas sobrenaturais. Não podemos deixar anjos e demônios destruírem o mundo – murmurou Alicia.

–Por isso, isso é das conta de seres humanos. De caçadores. E tem mais uma coisa. Eu não sou completamente humano. Eu quero estar ao seu lado. Eu posso lutar também... Eu mais que ninguém, quero um mundo livre de demônios.

–Sam, eu não quero nem pensar no que vai acontecer com você se você continuar a usar seus poderes. É perigoso. O melhor para você é permanecer humano. Eu preciso lembrar que você tem poderes por causa de Azazel?

Os dois estavam tensos e irritados, caminhando para mais uma briga, mais coisas do passado sendo atiradas para todo o lado, o passado que eles não conseguiam superar. E Alicia sabia, que se ela e Sam não aprendessem a se perdoar, eles nunca ficariam juntos. Ela sempre prometia a si mesmo que não entraria em outra briga, mas quando ela percebia, eles já estavam gritando palavras doloridas um para o outro. Era a dor de cada um, e um não conseguia compreender o outro. Sam, exigindo mais espaço na vida dela. Alicia, não querendo que ele esteja nessa parte da vida dela.

–E o seu por causa de Asmodeus. Mesma coisa. Mas eu ninguém preocupado com o caminho que você vai tomar na vida. Você vive numa casa cercada de seres sobrenaturais, está se tornando um ser sobrenatural por si próprio, quer liderar uma guerra contra Céu e Inferno, e ninguém parece se preocupar no que isso pode significar para você. O quanto você pode se perder nessa luta. Quero dizer, ninguém não. Eu me preocupo!

Alicia sabia que a preocupação de Sam com ela era verdadeira. Ela sabia que ele tinha motivos para pensar assim, mas ele estava errado. Ela estava ótima. Ele é quem estava estranho.

–Eu me perder? Eu continuo exatamente a mesma, agindo como sempre agi, alias, posso te dizer que eu até melhorei meu comportamento, nas coisas que você reclamava. Estou mais comunicativa e incluindo vocês nas coisas. Parei de desaparecer. Você que tem sido instável, agindo de maneira irreconhecível... Grosso, violento, agressivo. Bebendo demais. Sumindo. Mentindo.

Sam deu um soco na mesa.

–Está vendo do que estou falando? – falou Alicia, baixando a voz. – você não é mais você.

–E se eu estou bem assim? Isso importa para você? Minha felicidade?

–Você não está bem, Sam. Eu e o Dean sabemos disso.

Sam fez uma pausa, respirando pesado.

–Se eu não estou bem, é culpa sua, Alicia. É culpa sua, que quando Dean morreu, você me deixou sozinho.

–Bem, você não estava sozinho. Você estava com aquela vadia.

–Porque você não estava lá!

–Porque, pelo que eu me lembro, você disse que nunca mais queria me ver na vida.

–Eu não estava pensando direito, você devia ter ignorado!

–Eu procurei por você, Sam. Eu procurei por você todos os dias... O tempo todo. Você não queria ser encontrado. Sabe disso.

–Ah, é? Porque desde que eu cheguei aqui, tudo que eu tenho ouvido é o quanto você era maravilhosa como líder, até Dean ressuscitar e agora você fica perdendo tempo com nós dois e não pode fazer direito... Ou seja, não estava tão preocupada em me encontrar assim. Alicia, eu quero estar ao seu lado, quero participar da sua vida e não ser um empecilho nela. Quero lutar ao seu lado. Os poderes que eu tenho é um caminho para isso. Imagina quantos demônios posso exorcizar e assim salvar as pessoas. Quantas pessoas podemos salvar se tivermos mais caçadores ao seu lado...

–John disse que teríamos que matá-lo. – falou Alicia e caiu um silêncio pesado. Ela continuou – John disse que você poderia virar mal, e que teríamos que matá-lo. Você não consegue ver que esse caminho de poderes de Azazel e Ruby é só o caminho que vai terminar comigo e Dean tendo que matar você? Que tudo que queremos é você vivo e bem?

–Ruby quer nos ajudar. Você viu que ela nos ajudou com Anna. Você só tem ciúmes, só isso.

–Você é um idiota cego. Ruby só está se fingindo de boazinha e parecendo legal porque assim você vai confiar nela e ser o líder do Inferno, como Azazel queria.

–Eu, líder do Inferno? Por acaso sou eu que sou chamado de líder, rainha e a prometida por um bando de criaturas sobrenaturais de origem duvidosa?

–Você é chamado de líder por demônios. Para mim é o bastante. Aliais, para John era o bastante. Será que não dá para você pensar no que seu pai diria sobre as coisas que você anda fazendo?

Sam queria dar uma resposta a altura, sobre as coisas que Alicia fez e fazia, mas realmente pensou em tudo: Ruby, sangue de demônio e poderes, e no que John Winchester pensaria de tudo isso. Ele com certeza não estaria feliz. Estaria decepcionado.

O que fez Sam, que não era mais ele mesmo, ficar ainda mais com raiva de sua família. Ele nunca podia tomar suas próprias decisões sem conviver com o espectro da decepção de John em sua vida... Somado as exigências de Dean, e agora, de Alicia, a hipócrita.

Alguém bateu na porta, um saltitante Shane.

–Alicia, é ótimo que você esteja aqui, porque tem aliados que vieram conhece-la... Aliais, é realmente um milagre que você esteja aqui hoje e não sabe o quanto isso será bom para nós.

–-

Ela estava mal humorada, chateada e irritada. Sam era um pé no saco ultimamente, parecia que aos vinte e cinco anos ele tinha decidido ser o adolescente rebelde que nunca foi. Vinha o pacote completo: chatice, teimosia, rebeldia, ignorar aqueles que mais amavam ele ao mesmo tempo que andava com Ruby, alguém de caráter e intenção completamente duvidosa. Ela precisava lembrar de dizer isso a ele da próxima vez que brigassem.

Era absurdo, não era? Ela estava... Insensível. Brigar com Sam era tipo uma parte da rotina, como comprar comida ou escovar os dentes. Eles brigavam e brigavam, e nunca conseguiam se entender. Alicia queria isso mais que tudo: que eles resolvessem as coisas entre eles. Mas como, se toda vez, eles cometiam os mesmos erros, e nem ela nem Sam eram bons em perdoar?

Shane tinha mandado (sim, mandado) ela trocar de roupa antes de se reunir com os importantes convidados. “Coloque vestido e sapatos descentes”, ele tinha dito. Agora Alicia descia para a sala de reuniões, de vestido azul marinho e sapatos de salto preto.

Ela abriu a porta, encontrando Shane sentado numa das pontas de uma mesa de reuniões de madeira escura. Havia outras nove pessoas lá, todas de pele morena, cabelos escuros e olhos amendoados.

–Esta é Alicia – falou Shane em tom pomposo. – Alicia, essa é a Enéade.

Alicia se viu de volta ao tempo que passou no Egito. Enéade era o grupo dos deuses antigos mais poderosos, ela lembrou: Atum, Shu, Tefnut, Osiris, Isis, Set, Nephthys, Nut e Geb.

Alicia nunca imaginou que eles ainda estariam por ai.

E agora estavam reunidos na sua sala. Esperando para falar com ela.

Alicia lentamente puxou a cadeira da ponta da mesa, sorrindo por fora e desconfortável por dentro. Se esses deuses queriam se aliar a ela, ela estava feita.

Mas Alicia não era de cantar vitória antes da conquista. Melhor aguardar.

–Então – sorriu uma das mulheres, e Alicia chutou que aquela devia ser Isis – onde está o mapa de Thoth, que eu soube que você obteve?

Alicia mordeu a parte interna dos lábios. Não ia adiantar nada fingir que ainda estava na posse do mapa. Todos olhavam para ela com expectativa.

–Um aliado o levou para me ajudar a traduzir. Infelizmente, dada a mudanças na situação, esse aliado é agora um inimigo.

Como explicar que ela tinha confiado em Castiel num ataque de fé inexplicável?

–Você perdeu o mapa? – continuou a deusa – tanto trabalho para obter, aquela pobre filha de Thoth teve que atravessar essa complexa fronteira para falar com você, e o que você nos dá em troca é confiar nas pessoas erradas? Você está precisando aprender muito sobre liderança.

–Você sabe – disse outra deusa. Shu? Tefnut? Alicia não tinha ideia – eu realmente posso ver o quanto seu coração está dividido. Aqui não tem espaço para meio termos. Ou você, é, ou você não é. Dentro ou fora. Não pode estar nos dois ao mesmo tempo. A hora que você precisará se decidir está chegando. E você precisa fazer o que é melhor para todo mundo. A escolha certa.

–Nós vamos ajudar – falou um homem e Alicia, mesmo não sabendo porque, soube imediatamente que era Atum. – nós vamos pegar o mapa de volta para você. Mas, temos que conversar muita coisa antes.

Alicia percebeu que aquilo era o começo de uma longa tarde, que iria avançar pela tarde a dentro.

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Enquanto isso, Dean dormia, alheio a todos os acontecimentos. Sam pegou as chaves do Impala e saiu escondido, para fazer uma ligação.

Notas finais
Acho que vocês devem imaginar para quem Sam ligou né? Baseado em 4x10 – Heaven and Hell. Vocês lembram quem era Shane? http://cdn2-b.examiner.com/sites/default/files/styles/image_content_width/hash/23/00/2300ec186cbdb466d380a1ca635afc20.jpg?itok=9aNsr63F Ah, usei My Chemical Romance em dois capítulos seguidos porque fazia muito tempo que não colocava eles (desde o 3x05 - Bulletproof Heart), o que é triste, porque sempre que eu preciso de ideias para escrever, eu ouço MCR. As músicas deles são a maior inspiração dessa história. sejam legais e comentem :D