Things Ill Never Say
17 Cap. 17 – Hi, my name is Chuck!
Notas iniciais
Espero que gostem.... e deixem reviews, please!
[DAVID’S POV]
Entrei no camarote e me sentei em uma cadeira perto da grade, estava completamente lotada a boate. Será que eu conseguiria andar por ali sem que me reconhecessem? Eu esperava que sim. Coloquei meu chapéu de sempre na cabeça, que estava dentro de meu casaco e esperei um pouco para dar uma volta. Quando o garçom chegou não pude deixar de ver Amy sentada no extremo oposto do camarote junto à Sebastien. Doía-me muito ver aquilo, mas querendo ou não, ela estava meio que me pagando na mesma moeda... Amigo por amiga. Uma troca justa. Não agüentaria ficar ali por muito tempo observando aquela melação. Convidei Jeff para irmos para a pista me distrair um pouco, o problema é que não sou muito de dançar, ainda mais aquelas músicas sem sentido onde só tem uma batida constante sem propósito nenhum. Odeio música eletrônica, mas já que eu estou no inferno que tal se eu der um abraço no diabo?
Permaneci alguns minutos ali tentando me mexer conforme a música, o que não estava saindo muito bem, pois percebi que os outros se mexiam de forma diferente da minha. Será que eu era o errado? Com certeza. Uma sede incontrolável bateu em mim, mas não era sede de água nem nada líquido, eu sabia o que estava me fazendo falta e para minha sorte eu os havia deixado no carro. Decidi ir ao bar ver se encontrava minha marca favorita de cigarros. Não fazia muito tempo que estava fumando, mas era algo agradável de se fazer. Sei que estraga a saúde, mas fazer o quê? A minha razão de viver não estava mais comigo, qual seria o motivo de ter uma vida longa e infeliz, sozinho. Depois de alguns minutos esperando na fila, já que não seria uma boa idéia usar minha fama para mordomias em tal hora, decidi agir como um ser humano normal e esperar. Pedi a atendente um maço de cigarros.
– Qual você deseja? – ela perguntou sendo bastante atenciosa, não parecendo muito se importar com quem eu era, ou pelo menos fingindo não se importar
— Qual marca vocês tem?
– Bem, a gente tem... Hey, você não é o Dav... – ela começou a dizer abrindo um sorriso enorme
– Sim, sou eu. – a interrompi levantando a mão querendo dar um basta, para que ninguém mais a ouvisse — Agora não repete isso de novo porque tá tudo muito bom, por enquanto.
– Tá, desculpa. – ela disse baixando os olhos. Acho que fui estúpido com ela, mas agora não iria me retratar, ela já havia entendido que não era para comentar, então achei melhor deixar assim — Olha aqui tá a lista de bebidas e cigarros.
– Eu quero um Whisky dose dupla puro e um maço de Marlboro.
– São trinta dólares. Olha, eu não sabia que você fumava!
Fiquei olhando-a em silêncio enquanto alcançava o dinheiro. Mais uma novidade para a minha biografia. Grande novidade para meus queridos fãs. Sim, hoje meu humor está terrível. Não sou de pensar esse tipo de coisa, mas eu estou aqui pra tentar me divertir e essa menina não para de falar! Pelo amor do bom Deus!
– Mais alguma coisa? – ela perguntou vendo que eu não iria dizer nada a respeito de seu comentário
– Não. Se quiser fica com o troco. – Estava quase me virando quando ela me chamou novamente.
— David? – me virei e a olhei – Pode me dar um autógrafo? – ela disse estendendo uma caneta e um guardanapo.
Coloquei o cigarro ainda apagado na boca e assinei o guardanapo para ela. Com certeza ali não era o melhor lugar para me divertir. Acendi o cigarro e me encostei em uma bancada próxima a mesa do DJ para observar as meninas dançando, quem sabe fosse isso que estivesse fazendo falta para mim. Mulheres novas. Depois de dez minutos ali sabe o que descobri? Só havia uma que fazia falta e essa já não tinha mais volta, pelo menos por enquanto.
[CHUCK’S POV]
Fiquei maravilhado com a beleza e a simpatia de Videl, mesmo ela sendo tímida, eu podia ver que ela era uma menina legal. Jeff falou que eu era o seu favorito na banda, de acordo com uma conversa que ele tinha escutado entre as meninas, mas entre eu ser o favorito da banda e ela gostar de mim como um ser humano normal, era outra coisa. Não fui falar com ela, nem a convidei para dançarmos porque eu já estava acostumado às meninas preferirem Pierre, ou Sebastien, ou David. Achei melhor esperar para ver no que ia dar.
– Tu viu como ela é linda? – disse para Jeff enquanto me movia conforme a música
– Dança bem também... Olha aquela rebolada. Meu Deus! – ele disse fazendo uma cara pervertida
– Mas ela não tá dançando! – comecei a olhar ao meu redor para ver se a encontrava
– Claro que tá! Olha aquela loirinha como dança!
– Me escuta Jeff! – disse passando a mão na frente de seu rosto enquanto ria do que ele havia dito — Eu tô falando da Videl!
– Ah, a prima da Amy! Sim, ela é bonita mesmo – Jeff continuava olhando de boca aberta para uma loira que dançava em sua frente
– Não dá pra falar contigo, seu tarado! Tu não me escuta!
– Claro que eu te escuto! Eu te escuto com os ouvidos não com os olhos.
– Ah, esquece! – eu havia desistido, Jeff não me escutaria com um par de peitos à sua frente, dançado e rebolando
– Ah, ela foi embora... Hey Chuck, por que tu não pede pra Amy te apresentar pra ela, aí vocês podem conversar...
– Será? – disse desviando-me de algumas meninas que atravessavam a pista
– Claro! Ou tu acha que tudo vai cair do céu. Se a montanha não vai até Maomé, então Maomé vai até a montanha.
– Concordo contigo, tirando essa tua filosofia, com o resto eu concordo. – disse rindo de Jeff
– Tá esperando o que pra ir lá?
– A hora certa! – disse fingindo olhar o relógio
– Hora certa? Peraí – Jeff olhou o relógio também – de acordo com o meu relógio... Faltam... 3... 2... 1. Tchahammm. Tá na hora certa. Deixa de ser pastel. Vai lá!
Certo. Respirei fundo, ajeitei o cabelo. Nem tudo estava perdido, ela já sabia meu nome, eu sabia o dela, tecnicamente ela gostava de mim. O que eu tinha a perder? Nada. Fiz sinal para Jeff de que já voltava e fui de encontro ao meu destino. Isso foi profundo senhor Charles Comeau. Encontrei Amy sentada junto com Sebastien e a chamei para perto de mim. Meio sem jeito pedi para Amy nos apresentar novamente, fingindo apenas interesse em sua amizade, mas como a Amy não é boba não, ela já sacou logo o que eu queria.
- Videl... – Amy gritou para ela que sentava a algumas mesinhas de distância – Chuck quer conversar um pouco. Ele pode ir até aí?
A garota meio sem jeito fez sinal de positivo com a cabeça e eu fui em direção à ela. Ficamos sentados lado a lado por alguns minutos sem falar nada, decidi então tomar a iniciativa.
- Eu nem tive a oportunidade de me apresentar formalmente no ensaio. Então, acho que essa é uma boa hora pra gente se conhecer melhor não é? – Chuck boca-aberta, seja mais discreto, mulheres gostam de homens sensíveis, não seja tão direto.
- Claro, Chuck. Posso te chamar assim, ou prefere Charles? – ela disse com um sorriso tímido
- Chuck é melhor. – eu devia me redimir – Desculpa por eu ter sido tão direto agora, na verdade não estou muito acostumado a “chegar” em gurias, você sabe. Sou meio tímido para esse tipo de coisa e também já me acostumei com o fato de as meninas preferirem o Pierre ou Seb ou David. – comecei a despejar dezenas de palavras sem parar, típico de mim quando estava nervoso.
- Então acho que não sou como as outras meninas, pois nenhum deles me interessa. – ela disse rindo e baixou a cabeça. Com certeza Videl era o tipo de menina que valia a pena, não pelo fato de ela gostar de mim, mas pelo fato de ela parecer mostrar quem ela realmente é.
[AMY’S POV]
Sebastien me deu um beijo no rosto e disse que ia ao banheiro, preferi esperá-lo no camarote mesmo, estava muito lotada a boate para nós dois passarmos pelo meio da pista e ainda teria que esperá-lo do lado de fora do banheiro, isso não seria legal.
Encostei-me no corrimão que cercava o camarote e dali pude ver David escorado próximo as caixas de som com um cigarro entre os dedos, achei estranho, pois ele nunca fumou, pelo menos perto de mim. Observei com mais atenção o que ele estava fazendo e o vi conversando com alguém, mas para minha surpresa não era uma garota. Era um homem aparentando ter uns 40 anos, bem vestido, com um terno de cor escura. Como eu disse bem vestido até demais para o local. Eles conversavam próximos um ao outro e o homem parecia sempre olhar para os lados como se estivesse com medo que alguém os vigiasse, foi quando vi que David estendeu a mão lhe passando algo que parecia dinheiro e com a outra mão pegou um pacote pequeno que rapidamente o guardou no bolso do casaco. O homem virou às costas e saiu rapidamente do lugar, enquanto David olhava desconfiado para os lados. O homem sumiu e David saiu também do local vindo em direção ao camarote.
O que ele estava fazendo não me parecia coisa boa, e não me agradava nem um pouco ver ele metido em algum tipo de confusão. Mas será que eu ainda teria o direito de lhe perguntar o que ele estava fazendo? Será que ele ainda me daria esse direito?
[CHUCK’S POV]
– Sério? Por isso que tu tava tão quieta no ensaio? – disse para Videl enquanto tomava mais um gole do coquetel que havia pedido para nós
– Sim, eu estava muito nervosa, não sabia o que fazer.
- Imagina Videl. Olha, nós somos pessoas normais como todo mundo. Assim como você eu também sou de carne e osso, pra que ter vergonha. Olha aqui – disse enquanto estendia minha mão para pegar a sua – Sente. Eu também sou que nem você, não sou?
Videl estendeu a mão e quando pegou a minha foi como se um choque percorresse por nossos braços. Não fui o único a sentir, pois ela encolheu o braço rapidamente e sorriu timidamente olhando para mim.
- Sim – ela disse aproximando seu rosto de mim – Você é exatamente igual a mim.
Neste momento desejei que a mesa que estava entre nós não existisse. Inclinei-me sobre a mesa lentamente, não conseguia mais segurar a minha vontade de beijá-la neste momento. Ela também se inclinou e estávamos quase de lábios colados. Podia sentir a sua respiração junto a minha, ambas aceleradas. Seus lábios macios estavam encostando-se nos meus quando ouço uma voz alta em meus ouvidos.
– Vocês gostam de Simple Plan? — o DJ da festa disse alto no microfone
– Siiiiimmmm. – pude ouvir todos gritarem
– Fiquem felizes então! Vou tocar uma música deles agora e pra quem ainda não viu, eles tão aqui na festa!
Não tive tempo de pensar em nada, apenas olhei apavorado para os outros rapazes, peguei a mão de Videl e saí correndo dali. Dezenas de seguranças fizeram um cinturão de proteção ao nosso redor para podermos sair são e salvos, pois a pressão agora estava grande. A festa tinha tudo para se boa e estava melhorando a cada minuto, mas sempre tem alguém desagradável para estragar o momento dos outros. O que importa é que foi boa enquanto durou.
[DAVID’S POV]
A confusão na boate estava enorme. Corri para o carro que estava no estacionamento dos fundos e fiquei esperando Chuck, Jeff e Patrick, sei que eu era o único que estava em condição de dirigir, já que não havia bebido nada, ou melhor, quase nada, uma dose dupla de Whisky não faria diferença. Eles entraram no carro e saímos em disparada. Podia ouvir Chuck no banco de trás reclamando algo como “DJ idiota, justo na hora em que eu e a Videl...”, ele não terminou a frase, mas eu imaginei o que ele iria dizer, tava na cara que os dois haviam gostado um do outro.
Sorte nossa que o carro era escuro, pois apenas foi necessário entrar em alguns becos escuros, os quais eu já conhecia, para despistar o pessoal que vinha atrás. Dei uma buzinada para Pierre quando ele dobrou em uma esquina, indo para o lado oposto do nosso, para onde ficava a sua casa.
Guardei o carro na garagem quando chegamos em casa, dei boa noite para Chuck, Jeff e Patrick, não via a hora de me deitar e dormir. Sentei na cama e tirei meu casaco, não me lembrava mais do pacote que havia guardado nele até ver que o havia derrubado no chão, peguei ele nas mãos e pensei comigo mesmo “Será que vale a pena?”. Sem muita certeza do que deveria fazer o guardei na gaveta do meu criado-mudo junto aos outros dois que já estavam lá.
Liguei a TV, já que ela me ajudava a dormir facilmente e fiquei assistindo um pouco CSI. Adormeci rapidamente, mas tive um sono agitado, cheio de pesadelos e acordei suando dos pés a cabeça. Eu sabia exatamente o que estava me deixando assim, ou melhor, o que eu estava sentindo falta e que não me deixaria assim. Sentei-me e abri a gaveta do criado-mudo, encarando seriamente o pacote diante de meus olhos, minhas mãos suavam sem ter certeza se faria ou não. Não me importei se a porta estava trancada ou não, pois tinha certeza de que os outros estavam dormindo. Peguei o pacote em minhas mãos, sabendo que todos meus pesadelos iriam embora, pelo menos pelas próximas horas.
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